quinta-feira, 8 de maio de 2008

A LENDA DE ALENQUER

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Alenquer foi terra de um dos maiores europeus no século XVI. Aí nasceu, em 1501, Damião de Góis, o maior humanista português, amigo particular e dilecto de todos os grandes homens que a Europa gerou naquele século, dito do Renascimento.



Pois, segundo Damião de Góis, o nome de Alenquer derivaria da designação germânica Alan-Kerk ou Alano-Kerk, que significa «Castelo dos Alanos». Com efeito, os Alanos fundaram e fortificaram Alenquer no ano 418 a. C., mas a lenda que vos vou contar e que pretende explicar a génese do topónimo, vem do tempo da conquista do seu castelo aos mouros por Afonso Henriques.



Estava-se em 1148 quando a hoste de Afonso Henriques foi pôr cerco às muralhas da cidade. Os mouros, bem defendidos e sempre de atalaia, tinham jurado resistir até ao último homem. Assim, o cerco arrastava-se monótono, animado aqui e ali por pequenas escaramuças que não chegavam para alimentar o ócio dos sitiantes. E se por um lado Alenquer e o seu castelo não vacilavam, pelo outro, o exército de el-Rei mantinha-se sem arredar pé.



Conta a lenda que Afonso I, aborrecido pela inacção, ergueu os olhos ao céu pedindo a Deus que lhe enviasse um sinal que mostrasse a hora apropriada a um ataque bem sucedido.
Na manhã seguinte, apareceu no arraial cristão, vindo não se sabe de onde, um enorme cão, um alão como naquele tempo se lhe chamava.



Parou ao lado do Rei e quando sentiu sobre o pêlo a mão que o afagava, dando à cauda, começou a movimentar-se, lenta e seguramente, para os lados do castelo. E, subitamente, Afonso Henriques teve a intuição de que aquele era o sinal que pedira a Deus. Num entusiasmo, cheio de fé, gritou para os capitães:

- Vede, companheiros! O alão quer, o alão quer!...
Este é o sinal divino! Vamo-nos ao castelo! Aos ginetes!... Avante, por Sant'iago!


Num frémito de audácia e determinação, os cavaleiros montaram e, com o alão adiante, lançaram-se à conquista do castelo. Os mouros não conseguiram resistir ao ímpeto confiante dos sitiantes e horas depois da primeira espadeirada o castelo foi tomado e o guião de Afonso I hasteado no alto das muralhas.




Daí do alto, el-Rei, ainda eufórico da peleja, com a cota manchada de sangue e de espada erguida, bradou para todos os homens:
- De hoje em adiante, toda esta terra passará a chamar-se «Terra do Alão Quer»!
Assim foi.
Com o tempo, a linguagem popular foi transformando o epíteto até o tornar naquilo que hoje sabemos: Alenquer. E quem sabe se foi também para recordar esse facto que no brasão da cidade foram mandados desenhar o cão e o castelo da velha lenda.



Texto e Fotos da Net


Durante anos a fio, passei com meus pais por Alenquer, na antiga estrada Lisboa-Porto, a caminho de Rio Maior. Sempre que ali passávamos meu pai dizia: estamos a passar no Presépio de Portugal. E nós concordava-mos pois a configuração desta terra a isso se assemelha, em especial quando vista à noite iluminada.


António Inglês

10 comentários:

Sophiamar disse...

Mano Tó!

Depois de ler a linda da vila/ cidade de Alenquer, um presépio vivo, como dizem, deixo-te beijinhos e um abraço. Um excelente serviço nos vais prestando. De amizade, carinho e trabalho feito.

Bem hajas!

São disse...

Mais um interessante post, meu amigo!
E assim se vai aumentando os saberes!
Os meus agradecimentos a rechear um abraço apertado.

elvira carvalho disse...

Mais uma bela lenda. Gostei de gostei da espiga do outro post. Este ano o dia da espiga calhou no 1º de Maio. Comprei uma. Mas não é a mesma coisa da minha infância quando eramos nós que a colhia-mos.
Um abraço

Maria disse...

Esta lenda faz todo o sentido.
Também eu quando era miúda e passava de carro com o meu pai a conversa era a mesma... e se fosse já noite, com as luzes acesas, parecia mesmo um presépio.
As autoestradas e vias rápidas são muito mais cómodas, mas tiram-nos a hipótese de olharmos as belezas por onde passam as estradas nacionais...
Obrigada, António.

beijinho

António Inglês disse...

Isabel
Alenquer foi sempre uma referência para mim.
Foram anos a fio a passar por lá.
Beijinhos
António

António Inglês disse...

São

Obrigado pelas tuas palavras. Vou andando a aprender e a ganhar bagagem cultural...
Um beijinho
António

António Inglês disse...

Elvira

Pois a verdade é que as tradições já não são o que eram... pelo menos aquelas de que nos lembramos dos nossos tempos...
Mas também não somos assim tão "jurássicos" como isso minha cara amiga...
Um abraço
António

António Inglês disse...

Maria

Pelos vistos andámos pelos mesmo caminhos. Andámos e andamos segundo me apercebo.
Mas Alenquer era realmente uma localidade que mesmo que eu fosse a dormir, os meus pais acordavam-me para me dizerem: Estamos a passar no Presépio!
Beijinhos
António

Filoxera disse...

Outro local que conheço por influência profissional (quando tinha profissão...).
Lerei na 1ª oportunidade.
Beijinhos.

António Inglês disse...

Filoxera

Nesta terra passei várias vezes pois era o trajecto que fazíamos quase todos os fins de semana.
Beijinhos
António