domingo, 2 de novembro de 2008

22º BAJA PORTALEGRE 500 - 2008


Seis e trinta da manhã deste dia 1 de Novembro de 2008. O dia ainda nos mostrou o seu ar pardacento com cara de poucos amigos. O início de viagem fez-se calmo e cadenciado, coisa pouco normal em mim. Uma breve paragem nas Caldas da Rainha para apanhar um colega e amigo do meu filho, meter gasóleo e rumar ao destino, que se repete há já treze anos, com uma só falta apenas no ano passado.




Cumpridos estes dois requisitos, metemos “rodas” ao caminho em direcção a Santarém, primeira etapa da nossa viagem. Tomando aí a direcção do Porto, continuámos debaixo de um intenso nevoeiro que teimou em nos acompanhar desde a hora da partida.

Acreditei que se dissiparia logo após virarmos na saída para Torres Novas / Abrantes, mas para mal dos nossos pecados, lá continuou, cinzento irritante até ao fim da nossa viagem.



Oito e quinze da manhã, saída para Belver. Trajecto tantas vezes feito e que nunca nos cansa. O Castelo de Belver, o Tejo, e sobretudo a magnifica e repousante vista que nos é oferecida logo após o início das descida em direcção ao Tejo. Que espectáculo deslumbrante!




Oito e quarenta e eis-nos chegados às Piscinas da Comenda, pitoresca e bela terra do Alto Alentejo, Concelho de Gavião. Uma escolha atenta do melhor local para estacionar o carro, em posição que nos permita ver passar o 22º BAJA PORTALEGRE 500, não vá o diabo tecê-las e a chuva resolver aparecer também para a festa.




Carro parado, pessoal na rua, as cadeirinhas estrategicamente colocadas e lá cumprimos com mais um ano desta prova, e para nosso alívio, a chuva não apareceu mesmo.

Não apareceu a chuva, mas veio o frio em seu lugar, cortante e gélido. Aqui e ali, as fogueiras do costume começaram a aparecer e em seu redor os inúmeros entusiastas que tal como nós ali se vão entregar a mais um dia de devoção ao todo-o-terreno.



Sem se dar por isso, lentamente, o cheirinho a febras começa a invadir-nos e uma primeira visita ao farnel é feita. Farnel cuidadosamente preparado para o efeito.

Nove e cinquenta da manhã, as primeiras motos começam a aparecer e desfilam à nossa frente, fazendo-se acompanhar por aquele barulho electrizante do roncar dos seus motores, que nos faz subir as emoções ao céu.




Bravos e corajosos, os concorrentes lançam-se aos troços do percurso, indiferentes aos obstáculos que lhes são apresentados. Naquele local onde habitualmente ficamos, temos uma excelente panorâmica e é-nos permitido acompanhar durante dois/três minutos cada participante, venha ele de moto, quad ou jeep. Uma interessante ribeira è a maior atracção daquele ponto de passagem do BAJA, que normalmente cobra a alguns, pela forma menos cuidada na maneira como a abordam. Uma entrada de água no motor das máquinas e lá estão elas a trabalhar em menos cilindros, penalizando no tempo de passagem cada participante.




Onze e trinta e as “quads”, ou motas quatro, como lhes queiram chamar, fazem a sua entrada em cena no local. Uma a uma vão passando e deixam-nos no ar a vontade irresistível de fazer-mos também nós uma perninha um dia destes. Ou talvez não...

Doze e trinta da manhã, uma nova e mais decidida abordagem ao farnel, compõem-nos o estômago que ia dando sinais de fraqueza. Panados, pão, fruta, sumos, doces e um caramelo, chegam para nos prostrar cadeira abaixo, com mais vontade de uma soneca do que estar ali, sob um frio cada vez mais cortante, característico da zona, que nem sempre nesta altura lá anda.




Este ano, apeteceu-lhe e obrigou-nos ao uso de luvas, boné, capuz, kispo e uma mantita pelas pernas que a idade vai dando o alarme que o coração e os olhos não querem ver.

Duas da tarde, uns esquisitos e raros (nesta prova) car-cross, começam a passar sem grande alarido, e lá vão cumprindo o seu road-book, se é que o têm, pois estes tal como as motos fazem a prova sózinhos. Importante é acabar, e nesta altura da prova, já muitas máquinas desistiram, portante se estes vão passando é porque conseguem aguentar-se não obstante a dureza da prova. Louvável!




Duas e trinta da tarde, o fabuloso roncar dos jeeps, faz-se anunciar a uma certa distância e o “bruá” entre os muitos adeptos deste desporto ajuda a avisar-nos que os jeeps e os carros estão perto.

Agora sim! Agora desfilavam na nossa frente as máquinas que mais nos levam hà tantos anos a presenciar naquele local, ou um pouco mais à frente este Rali. Um após outro vão-nos levando ao rubro com as muitas peripécias que nos vão oferecendo ao passar a ribeira da Comenda, cheia de água. Estranhos bailados, normais nestas andanças do todo-o-terreno, provocados pelas constantes aceleradelas que os pilotos utilizam para imprimir maior potência aos seus motores, gravam-se nas nossas memórias e durante muito tempo, vamos recordando este dia, desejosos que o BAJA do próximo ano venha depressa. A contagem decrescente, começou rigorosamente hoje.




Dezasseis e quinze da tarde, tinham acabado os velhinhos UMM de passar, e um VAUXALL branco, teimoso e quase jurássico, useiro e veseiro nesta prova, faz a sua triunfal aparição de entre os eucaliptos que circundam a pista. Atravessa a ribeira mas pára porque a maldita água fez das suas. Dura pouco essa paragem, e regressa à prova, garboso e altaneiro, fazendo ouvir o barulho do seu roncar, que nisto de barulho são todos iguais. Podem é chegar uns bem mais cedo que outros, mas isso é outra história.



Dezasseis e trinta da tarde de 1 de Novembro de 2008, o pano desce sobre o palco deste magnifico anfiteatro. É hora de levantar as merendas, (ou os restos), arrumar as cadeiras no carro e deitar “rodas” ao caminho de regresso a casa. Regresso calmo e repousante pois viemos de “papo cheio”. As fogueiras já tinham perdido muito do seu entusiasmo mas ficaram alguns vestígios e com eles as saudades. Até para o ano!




Foi um dia bem passado, não obstante um acidente desnecessário e estúpido, de duas jovens que, utilizando uma mota-quatro de um amigo, resolveram dar um pequeno passeios por entre aqueles montes e vales, descontraídas, mas onde o perigo estava à espreita e talvez a inexperência tenha ditado as suas leis. Resultado: uma com ferimentos ligeiros, mas a condutora, ferida com alguma gravidade, tal a demora que os elementos do INEM empregaram na imobilização da jovem, teve de ser levada com muito cuidado para o Hospital de Portalegre.




Desconheço como terá ficado, mas nada disto se teria passado, se o tal amigo não lhes tem facultado a mota-quatro. Por vezes queremos fazer bem, ser simpáticos e estamos a cometer um enorme erro que pode ser fatal. Espero sinceramente que nada de muito grave se tenha passado com a tal jovem.

Dezoito e trinta da tarde. De novo em casa, escrevendo estas linhas que mais não servem senão para legendar algumas fotos que tirei, de longe, do nosso posto de observação. Não ficaram boas, mas foram as possíveis para um fotógrafo com eu.

Um bom domingo a todos!




António Inglês

4 comentários:

Maria disse...

Há muitos anos que não assisto, ao vivo, a provas de TT, mas dantes não as perdia... até acampávamos na zona, quando as provas durante todo o fim de semana...
Foi por isso com um sorriso enorme que li todo o teu post.
Deu para matar saudades.

Obrigada!

Beijinho, António

Brancamar disse...

Olá mano António,

Quanta saudade! Tenho escrito pouco, aqueles estados reflexivos que temos de vez em quando, como tu sabes, mas tenho passado por cá em silêncio algumas vezes.
Vejo que te divertiste e nos deixas relato das tuas aventuras por entre montes e vales. Jà conhecia este teu gosto pelo TT, pois já não é a primeira vez que te leio a propósito.
Fico contente por saber que tudo está bem, pelo menos parece. Não te tenho visto aparecer por outros sítios. Falta de tempo eu sei, do mesmo me ando a queixar eu, o importante é continuarmos a ter os amigos no coração e eu tenho-te no meu.
Fica bem
Deixo-te beijinhos.
Branca

Vieira Calado disse...

Passei para ver as novidades e deixar um abraço.

Boa semana.

Fatima disse...

Um dia repleto de emoções.
Boa semana António