segunda-feira, 31 de março de 2008

OS NOVE PECADOS QUE NOS PODEM CAUSAR VÍCIOS II!

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2 – DROGAS

Os últimos dados do Instituto da Droga e da Toxicodependência indicam que, em 2002, 32 460 pessoas estiveram em consultas de ambulatório, sobretudo por causa da heroína. Em 2001, 7,8% da população com mais de 15 anos já tinha experimentado drogas.




Como funciona o cérebro

Todos os tecidos e órgãos do teu corpo são constituídos por células. O teu cérebro e medula espinal contêm cerca
de 100 biliões de células nervosas, ou neurónios.
Os neurónios transmitem informação, e ao fazê-lo, determinam o que o teu corpo faz e como tu te sentes. Para perceberes como funciona o teu cérebro, precisas de saber como trabalham os neurónios e, particularmente, como trabalham em conjunto.
Os neurónios são células especializadas na transmissão de informação sobre o corpo às suas diferentes partes. A “informação” pode incluir diferentes conteúdos, como a decisão de movimentares o teu braço, ou as emoções que sentes quando assistes a um bom filme. Os neurónios têm uma forma especial, que consiste em três diferentes partes:
o corpo celular, o axónio e as dendrites.



Neurónios

O corpo celular (cell body)

Contem todos os organitos que as células necessitam para se manterem vivas, como o núcleo, onde se pode encontrar o DNA.

Axónio (Axon)

Trata-se de um longo cabo que se estende como uma cauda, e que permite conduzir um sinal eléctrico em direcção à célula seguinte.

Dendrites

São pequenas ramificações do corpo celular que contêm receptores para recolherem os sinais transmitidos pelos axónios de outros neurónios.



Neurotransmissores

Apesar dos neurónios se encontrarem situados muito próximos uns dos outros não se tocam. O axónio de um neurónio está direccionado para as dendrites do neurónio mais próximo.
Então e como são transmitidos os sinais entre eles? Este trabalho é realizado pelos chamados neurotransmissores ou transmissores nervosos. Os neurotransmissores são substâncias químicas capazes de transmitirem sinais. Estes
neurotransmissores são libertados pelos axónios e capturados pelo neurónio adjacente ou mais próximo, que por sua vez será capaz de fazer progredir o sinal conduzindo-o ao próximo neurónio.
A condução do sinal processa-se da seguinte forma:

Primeiro Passo

Um sinal eléctrico percorre todo o axónio até à sua extremidade.


Segundo Passo

Aí chegado faz com que as vesículas da membrana previamente formadas, conhecidos por vesículas sinápticas, libertem neurotransmissores para o espaço entre o axónio e as dendrites da próxima célula. Este espaço é chamado sinapse ou fenda sináptica.



Terceiro Passo

Os neurotransmissores movimentam-se na direcção das dendrites da próxima célula ligando-se aos seus receptores.


Quarto Passo

Esta ligação gera um sinal eléctrico libertando a informação para o interior da célula.


Quinto Passo

Os neurotransmissores desligam-se dos receptores regressando à fenda sináptica. Aí são metabolizados pelo corpo da célula ou reabsorvidos pelo axónio anterior. A metabolização de neurotransmissores é realizada pelas MAOs (Mono Amino Oxidases), proteínas que “comem” os neurotransmissores. A reabsorção é realizada por substâncias conhecidas por proteínas de reabsorção. O processo irá agora recomeçar no primeiro passo. Efeitos dos neurotransmissores.




As drogas influenciam as acções de um ou mais neurotransmissores. Tal pode acontecer através de cinco diferentes formas.

1 Intensificando ou reduzindo a libertação de neurotransmissores, causando o aumento ou a diminuição da quantidade que entra na fenda sináptica (como acontece com os SPEED).

2 Impedindo as MAOs de metabolizarem os neurotransmissores, fazendo com que estes permaneçam na fenda sináptica (como acontece com os SPEED).

3 Impedindo a reabsorção dos neurotransmissores pelas proteínas de reabsorção fazendo com que estes permaneçam na fenda sináptica (como acontece com a cocaína e o ecstasy).

4 Imitando o neurotransmissor. A droga vai ligar-se ao mesmos receptores (como acontece com a cannabis).

5 Inibindo a produção de novas moléculas transmissoras.



Efeitos dos neurotransmissores

1 Intensificando ou reduzindo a libertação de neurotransmissores,

2 Impedindo as MAOs de metabolizarem os neurotransmissores,

3 Impedindo a reabsorção dos neurotransmissores pelas proteínas de reabsorção,

4 Imitando o neurotransmissor,

5 Inibindo a produção de novas moléculas transmissoras.




Tipos de neurotransmissores

Cada neurotransmissor produz um efeito diferente. Por isso é importante conhecer quais são os seus efeitos em
estado normal – ou, mais correctamente, em que processos estão habitualmente envolvidos.

Adrenalina

Activa o teu corpo: O teu coração bate mais rápido e os alvéolos pulmonares expandem-se para captarem mais oxigénio para os teus músculos.
Tornas-te mais alerta e auto-confiante.



Dopamina

Estimula o “centro de prazer” provocando uma sensação de prazer, fazendo-te sentir feliz e contente. A dopamina também se encontra em áreas cerebrais envolvidas no processo de pensamento e memória e exerce um papel importante nos movimentos corporais.

Serotonina

Influencia o teu humor, a capacidade de aprendizagem e a memória. A sua baixa produção pode causar depressão.
A serotonina está também envolvida na regulação do sono, apetite e temperatura corporal.



Gaba

Tem um efeito calmante e de redução da dor porque inibe processos produzidos por outros neurotransmissores.

Substancia P

Transporta para o cérebro, através dos nervos, a sensação de dor.

Endorfinas

Estimulam o “centro de prazer” no cérebro e reduzem a dor.

Anandamida

Está envolvida na função de memorização, coordenação e equilíbrio.



Áreas cerebrais

O teu cérebro está dividido em diversas áreas. Cada uma é especializada numa função específica. Por exemplo, existem áreas para processar a informação sensorial e outras para a memória. Cada área cerebral tem a sua combinação de neurónios e neurotransmissores.
Se uma pessoa tomar drogas, estas são transportadas para o cérebro através do sangue.
O efeito das drogas depende:

- Dos neurotransmissores que influenciam;

- Das áreas dos cérebro em que esses neurotransmissores estão localizados;

- Das funções que essas áreas cerebrais desempenham.

A maioria das drogas não influencia apenas um, mas vários neurotransmissores.



Centro de prazer

Uma área chave do cérebro é o chamado “centro de prazer”. A dopamina é o neurotransmissor mais importante para esta área. O centro de prazer produz sensações de prazer quando comes, bebes ou tens relações sexuais. Recompensando o comportamento com sentimentos positivos que te fazem querer repetiesse mesmo comportamento vezes sem conta. De acordo com a Teoria da Evolução, o centro de prazer, desempenha um papel fundamental na
sobrevivência da espécie. As drogas estimulam o centro de prazer de forma similar à da comida, bebida e actividade sexual.



Dependência

O cérebro é flexível. Contactos entre neurónios estão constantemente a ser estabelecidos e interrompidos. As drogas também fazem com que isso aconteça.
A dependência implica um forte desejo de consumir, uma tolerância do organismo à substância e sintomas de “ressaca”.
As drogas estimulam o centro de prazer fazendo a pessoa sentir-se bem. Quando o indivíduo se lembra desses
sentimentos surge uma necessidade de consumir para experimentar as mesmas sensações outra vez.



A tolerância às drogas pode acontecer por diferentes razões. Alterações que ocorrem no metabolismo (o fígado
absorve mais rapidamente algumas substâncias) ou no sistema nervoso. Se o corpo está constantemente a receber
drogas, isso pode inibir a libertação de neurotransmissores. Pode também reduzir o número de nervos receptores.
Assim, o indivíduo necessita de consumir maior quantidade de drogas para obter o efeito inicial.
Se a pessoa parar de tomar drogas, e o corpo deixar de receber bruscamente a substância a que está habituado, os
neurónios não voltam imediatamente à normalidade. Os nervos receptores são agora poucos, a libertação de
neurotransmissores é demasiado baixa, ou as MAO têm que trabalhar mais rápido. O corpo não se adaptou à ausência de drogas. Isto desencadeia a síndrome de abstinência – “a ressaca”.



As drogas e o cérebro

Agora que já tens uma ideia geral de como funciona o cérebro, podes imaginar a influência que cada droga nele exerce, podendo afectá-lo de forma irremediável.

Textos e fotos da Net
António Inglês

12 comentários:

Sophiamar disse...

António, Amigo!
Mais um flagelo que atinge a humanidade desde a segunda metade do século XX. Quantas famílias acabaram destruídas à custa deste monstro que lhes entrou pela casa atingindo os seus filhos, então jovens adolescentes,cujas vidas acabaram cedo ou foram deteriorndo e fazendo sofrer durante anos e anos! Tenho conhecimento de vários casos, a maior parte deles, sem regresso a uma vida normal. Tanto sofrimento para os pais e familiares destes jovens que entraram num processo de auto-destruição irreversível.Ouvi depoimentos de cortar o coração mais duro, mais impiedoso, menos sensível.
Quanto ao post, amigo Tó, foi mais uma vez muito claro e interessante.
Beijinhosssssss e tem um bom dia.

Bem hajas!

São disse...

Meritório trabalho o teu, meu caríssimo António!!
Bem hajas!
Estás já recuperado?

Sophiamar disse...

Mano Tó!

Cuidado com a mãozinha!!!! Estes posts são muito longos e obrigam a um trabalho que pode prejudicar o nosso querido amigo.
Quero notícias da " patita dianteira". Como vai?

Beijinhossss mil

avelaneiraflorida disse...

Amigo António,

que importante alerta!!!
Pena é que os mais jovens façam orelhas moucas a esta explicação!!!
Brigados por este post!

Bjkas!!

Joaninha disse...

Cientificamente um belo trabalho António, são pessoas como o António que ajudam as pessoas a compreender estes fenomenos. Belo trabalho que está a fazer.
Boa semana tambem!
Bj

António Inglês disse...

Isabel

Este é para mim o pior dos flagelos a que chamei também pecado, pois como dizes e muito bem, tem sido a causa da destruição de muitas famílias.
Quem, como eu tem filhos menos novos, novos e mais novinhos, tem de estar sempre alerta.
Só que tenho a felicidade de nenhum deles ter caído nessa tentação. E creio que não bastará muitas vezes a educação que lhes damos. É preciso que as companhias não sejam suficientemente fortes para os vencer, e essa tem sido um pouco a minha sorte.
Obrigado pelas tuas palavras, mas limitei-me a vasculhar a net em busca de informação pois vi a ideia numa revista nacional, a Visão.
Um beijinho
António

António Inglês disse...

São

Obrigado pelas palavras amigas.
Quanto à minha mão, embora não a 100%, penso que já estou muito bem.
Agradeço-te a preocupação.
Um abraço
António

António Inglês disse...

Sophiamar

Estas notícias não têm muito que escrever e além disso estavam já elaboradas há uns tempos e por isso agora foi fácil.
A "patita" dianteira está praticamente curada, não a 100% mas já para aí a uns 85%. Falta pouco portanto.
Já nem tenho ligadura o que me deixa mover bem a mão.
Uma beijoca e obrigado pelo teu cuidado.
António

António Inglês disse...

Avelaneiraflorida

Pois é verdade, os nossos jovens fazem orelhas moucas a estas noticias por isso compete-nos a nós ir estando alerta para os aconselhar o melhor que pudermos e soubermos.
Estes pecados são autênticos flagelos da humanidade e há que combatê-los.
Um grande beijinho
António

António Inglês disse...

Joaninha

Obrigado por estar atenta a estas postagens, que achei interessantes e importantes para partilhar.
Tudo o que possamos fazer para aconselhar os nossos jovens a não caírem nestes pecados ou tentações, é pouco.
Um beijinho
António

Brancamar disse...

Amigo António,
Finalmente consegui ler este teu post, hoje já são dois, para quem só veio para o pc depois das 24h é um record, porque entretanto fui daqui e já viajei pela blogosfera, foste o primeiro e agora o último antes de ir para a caminha.
A informação aqui deixada é muito interessante e embora já tivesse uma ideia do funcionamento das células nervosas, das denditres,dos neurotransmissores, etc,etc, nunca é demais percebermos como a droga afecta todos esses mecanismos.
Mas se ler é uma informação útil,que nos poderá manter alerta, já lidar com o problema consumado é bem diferente e aí não posso opinar porque até agora tive a felicidade de não ter nem familiares, nem amigos ou vizinhos com esse problema, embora me deia bem com dois jovens, um arrumador e outro que me batia à porta e que andaram em recuperação. Felizmente recuperaram mas um deles tinha HIV, embora andasse mais ou menos controlado,de vez em quando tinha várias outras complicações. Conversavamos muito, deixei de o ver há cerca de um ano, receio que tenha acontecido o pior...ele tinha-me explicado algumas vezes da pena que tinha do sofrimento que causou à mãe, falava-me do sítio onde morava, do sobrinho que adorava, infelizmente nunca soube o seu nome e por isso vai ser difícil saber o que se passou com ele, mas penso muitas vezes ir à descoberta dele, não morava muito longe...
Beijinhos António, dorme bem.

António Inglês disse...

Mana Branca

Deste tema até tenho medo de falar.
Até hoje, graças a Deus e aos exemplos que dei a meus filhos, nenhum deles me deu esse desgosto felizmente.
Mas é muito complicado viver com o problema por perto. Conheço de perto quem o tem em casa e tive um funcionário a quem tentei ajudar por causa de um filho, a quem até paguei o seu internamento para que se curasse. Infelizmente, penso que após várias tentativas, o tratamento não resultou.
Cheguei mesmo a empregar-lhe o filho para ver se ele se recompunha, mas penso não resultou, embora enquanto foi meu funcionário se tenha portado bem e nunca deixou transparecer o problema que tinha.
São os problemas da vida e deste século. Há que combatê-los.
Mil beijinhos
António