quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O RATO PARIU UMA MONTANHA



Ícone. Mais do que um herói de animação, Mickey é um símbolo do século XX e da América. Tem uma estrela no Passeio da Fama e desde o início que foi um sucesso entre o público e uma mina de ouro para Disney




A ideia parecia absurda mas Walt Disney estava confiante: ter um rato, um animal de que todos tinham medo e que a todos criava repulsa, como personagem simpática e amigável era o desafio. O criador tinha apenas 26 anos e não havia muitos financiadores dispostos a investir dinheiro neste rato que começou por se chamar Mortimer mas que, por sugestão de Lillian, a mulher de Walt Disney, acabou por se chamar Mickey. Isto foi em 1928. E foi assim que, há 80 anos, nasceu uma estrela.




Apesar da data oficial de aniversário do Mickey ser 18 de Novembro, porque foi neste dia que foi lançado o filme Steamboat Willie, em que era protagonista, a verdade é que Mickey e Minnie apareceram pela primeira vez na curta Plane Crazy, produzida em Maio de 1928. Ub Iwerks foi o desenhador e realizou o filme juntamente com Disney. Nesta primeira aparição, Mickey constrói um avião, convida Minnie para voar e passa toda a viagem a tentar beijá-la. É um filme ao mesmo tempo amoroso e cómico, mas que acabou por não chegar ao cinema.



Apesar do fracasso, Disney insiste numa segunda curta-metragem com este rato: The Gallopin' Gaucho (a parodiar o filme The Gaucho, com Douglas Fairbanks), onde, além de Minnie, aparece pela primeira vez a personagem Bafo de Onça. Mas, mais uma vez, Walt Disney não conseguiu encontrar um distribuidor.



Steamboat Willie foi, na verdade a terceira curta-metragem de Mickey a ser produzida, mas foi a primeira com som e a primeira a captar, de facto, a atenção do público. Como de costume, Steamboat Willie foi co-realizado por Walt Disney e Ub Iwerks, responsável pela animação, e o filme era uma paródia assumida de Steamboat Bill Jr., com Buster Keaton.




Um dos motivos do sucesso deste filme foi, sem dúvida, o modo como a banda sonora foi usada em interligação com a narrativa, algo que era pouco comum na altura, sobretudo para criar um efeito cómico. Disney aproveitou este sucesso para sonorizar e relançar os dois filmes anteriores.



A partir daí, ninguém conseguiu parar o Rato Mickey. Uma das particularidades destes primeiros filmes é que a voz de Mickey é assegurada pelo próprio Disney, o que aconteceu até 1946. Já, quanto ao desenho, em 1930 deixa de ser assinado por Iwerks, que deixa Disney para criar a sua própria empresa. Apesar de Walt Disney ter sido o autor da personagem, a verdade é que era Iwerks que desenhava e fazia toda a animação.



Outros desenhadores e argumentistas foram contratados. Floyd Gottfredson foi, nos anos 30, o principal autor daquela que era já a mais famosa personagem da casa, começou também a aparecer em tiras publicadas na imprensa diária.



Mickey é o grande herói dos anos da Depressão. É nesta altura que surge a galeria de personagens que hoje todos identificamos, onde se destacam Pluto, Mancha Negra, Pateta ou Clarabela. Criado em 1934 para a série Silly Synphonie, Pato Donald tornou-se uma das mais populares personagens, acabando por ganhar o seu próprio universo. Tradicionalmente, Mickey surge de calções vermelhos e sapatos amarelos, uma homenagem de seu criador à Ordem de DeMolay, da qual era membro. Mas o Rato surpreendia a cada filme, ora era bombeiro ora cowboy, ora aventureiro ora detective. O público adorava.



Mickey foi a primeira estrela animada dos estúdios de Disney; recebia milhares de cartas dos fãs; Charlie Chaplin, um dos seus modelos, pediu que antes dos seus filmes passasse um desenho animado do Rato Mickey; Sergei Eisenstein gabou a "perfeição" da personagem; o Presidente Roosevelt queria que houvesse sempre um filme de Mickey na Casa Branca para ser exibido quando lhe apetecesse; o Rato Mickey foi um dos primeiros e principais alicerces do império que Walt Disney construiu. Em 1932 o Clube de Fãs de Mickey já tinha milhões de membros e Disney recebeu um Oscar especial pela criação desta popular figura. Em 1934, o merchandising associado ao Rato já rendia qualquer coisa como 600 mil dólares por ano.



Redesenhado e colorido, Mickey manteve-se no top. Em 1940 saiu o clássico da Disney, Fantasia, um marco a nível artístico e técnico, com som estereofónico, animação com cores e formas nunca antes vista. Desde então, apesar de aparecer em menos filmes (a Segunda Guerra Mundial levou a uma diminuição da produção dos estúdios mas também a novas estratégias e a novas personagens), Mickey ficou para sempre como o ícone da Disney - a tal ponto que uma das senhas das Forças Aliadas no Dia D, 6 de Junho de 1944, foi "Mickey Mouse".




Disney é o anfitrião óbvio da Disneyland, desde a sua inauguração em 1955. Em 1978, na celebração dos seus 50 anos, Mickey tornou-se a primeira personagem de animação a ter uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood.

MARIA JOÃO CAETANO

DIÁRIO DE NOTÍCIAS


Fotos da Net

António Inglês




12 comentários:

Menina do Rio disse...

Maravilhoso post, António!
Mickey Mouse acompanhou minha infância inteira. Sempre bem humorado, sempre cheio de boas maneiras. Um verdadeiro ícone!

Um beijo

Vieira Calado disse...

Claro que, em miúdo, adorava esses "bonecos animados".
E hoje, há alguns a que ainda acho muita graça.

Bons tempos!
Um forte abraço

Sophiamar disse...

Sou fã incondicional destes bonecos. Vejo os filmes com os mesmos olhos de criança. Lindíssimo post!

Bem-hajas, António!

Mil beijinhos

António Inglês disse...

Menina do Rio

Sem dúvida! A minha infância também foi recheada por filmes de Walt Disney. E com eles a vossa doce pronúncia!
Ainda hoje revejo muitos, em especial quando as minhas netas estão por cá.
Um beijo
António

António Inglês disse...

Vieira Calado

É bom deixar-mos sair de vez em quando a parte criança que todos temos connosco.
Revejo muitos destes filmes como se fosse a primeira vez. E como são diferentes os desenhos animados de agora...
Tempos...
Um abraço
António

António Inglês disse...

Olá Isabel

Como o Mickey fez aninhos, lembrei-me de o colocar entre as minhas postagens. Sempre gostei muito dos filmes de Walt Disney.
Revejo muitos com muito prazer e transmitem-me uma calma tremenda.
Já com o desenhos animados dos tempos de hoje a que os nossos filhos e netos se sujeitam, não engraço nada mesmo.
Tudo muda minha amiga!
Um beijinho
António

elvira carvalho disse...

Gostei do post. Numa época em que cada dia vim um pseudo-político dizer uma patacoada, e em que os telejornais nos entopem os ouvidos com a recessão, é bom lembrar o bom e velho Mickey.
Um abraço e um bom fim de semana

Brancamar disse...

Olá António,

Gostei de relembrar este boneco. Sou uma grande fã da Disney, via todos os filmes com os meus filhos, mesmo os mais recentes e ainda hoje gosto de os ver. Têm sempre melodias maravilhosas, imagens e histórias moralistas encantadoras.
Espero que esteja tudo bem contigo.
Deixo-te beijinhos.
Branca

gaivota disse...

o rato mickey e a sua minnie, o pato donald e os sobrinhos huguinho, zezinho e luizinho, o tio patinhas... todos eles ainda hoje me deliciam e releio às vezes aqueles velhos livrinhos que ainda guardo...
beijinhos

António Inglês disse...

Elvira

Este Mickey foi meu companheiro de tantos sonhos de menino.
Um abraço e um bom fim de semana
António

António Inglês disse...

Olá Branca

Além dos filmes da Disney, também fui um devorador dos livrinhos de desenhos animados que comprei "aos montes" para ler à noite.
Ainda tenho alguns e de vez em quando passo uma vista de olhos por eles.
Um abraço e um beijinho
António

António Inglês disse...

Gaivota

Pois também eu guardo alguns. Outros creio ainda estão em casa dos meus pais em Lisboa.
Um bom fim de semana
Abraço
António