domingo, 13 de abril de 2008

PORTO ÀS VOLTAS COM O MERCADO DO BOLHÃO!

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Bolhão: "Assembleia Municipal decidiu uma coisa que a cidade não sabe muito bem o que é"



Projecto de reconversão do Bolhão é baseado na "política do fachadismo", diz movimento de cidadãos. Manifesto enviado ao Presidente da República e à UNESCO.

Contra o "fachadismo" e a demolição do interior do Mercado do Bolhão, deixando só a fachada intacta. Foram as palavras de ordem do protesto, em frente à Câmara do Porto, organizado por um movimento "cívico e estudantil".

O "gesto cívico" esteve agendado para 20h30, meia hora antes de começarem os trabalhos da Assembleia Municipal, onde o projecto de reconversão do mercado num edifício multifunções, viabilizado graças à maioria PSD/CDS-PP. A oposição de esquerda votou contra.

"O que assusta é que a Assembleia Municipal decidiu uma coisa que a cidade não sabe muito bem o que é", diz ao JPN Daniel Santos, porta-voz do movimento. "O que nos preocupa é que queiram mudar radicalmente o que lá está. Parece um bocado invasor do que é o mercado. É a política do fachadismo, é achar que o interior não é importante".

O grupo, que contou com muitos estudantes de Arquitectura da Universidade do Porto, redigiu um manifesto [PDF] para enviar ao Presidente da República, à presidente da UNESCO e ao Provedor de Justiça. Foram ainda preparadas tertúlias em cafés da cidade para discutir este e outros temas.



DUAS VISÕES

O primeiro subscritor do texto foi o arquitecto Joaquim Massena, autor de um projecto de reconversão que foi aprovado pela autarquia em 1998, mas que Rui Rio não quis aplicar.

Daniel Santos diz que o grupo não "quer defender o projecto de Joaquim Massena", mas antes "que se encontre o melhor projecto". De qualquer forma, defende que com o projecto anterior o Bolhão manter-se-ia sem grandes mudanças.

"Gosto bastante do projecto e respeito o arquitecto Joaquim Massena, com quem reuni recentemente", disse ao JPN Pedro Neves, engenheiro da TramCroNe, a empresa que vai reabilitar e explorar o Bolhão.

Para Pedro Neves, esse projecto implicaria o financiamento da câmara (nas obras e na manutenção do espaço), modelo que a autarquia preferiu não seguir, decidindo entregar a privados a reconversão. Daí que, defende, só com mudanças de fundo, que passam pela demolição do interior e construção de dois novos pisos, é que será possível rentabilizar o investimento de 50 milhões de euros que vai ser feito.

Pedro Rios - prr@icicom.up.pt



Reabilitação entregue a empresa holandesa

A Tramcrone venceu o concurso lançado em Abril pela Câmara do Porto para a reabilitação do Bolhão.

Um parque automóvel para 216 lugares em dois pisos; três pisos comerciais, um dos quais reservado ao comércio tradicional (cerca de 7.300 metros quadrados); dois pisos para habitações de pequena dimensão e serviços. Será este, em traços gerais, o figurino do novo Mercado do Bolhão, que deve estar pronto antes do Natal de 2009.

A reabilitação foi entregue à empresa de capitais holandeses Tramcrone - Promoções e Projectos Imobiliários, anunciou o presidente da Câmara do Porto, Rui RioRui Rio. A Câmara do Porto vai ceder o edifício, em direito de superfície, por 50 anos.

Em conferência de imprensa, Rui Rio disse que é preciso dar “ um sentido útil actualum sentido útil act" ao mercado, respeitando a sua história, mas juntando outras valências ao comércio tradicional.

Entre as novas componentes do Bolhão estão quase 5 mil metros quadrados dedicados ao lazer e cultura. Em conjunto com a empresa municipal Porto Lazer, a Tramcrone vai gastar 200 mil euros anuais num programa de animação urbana. A ideia é que o mercado seja um "edifício âncora na reabilitação da Baixa do Porto.



Parceria público-privada

O projecto, está avaliado em 50 milhões de euros. O presidente da câmara salientou que a reabilitação do Mercado seria impossível apenas com dinheiros públicosseria impossível apenas com dinheiros públic, a menos que deixassem de ser canalizadas verbas para outros sectores.

A proposta vencedora apresenta para o mercado uma solução que passa pela sua divisão em sete pisos, mantendo o comércio tradicional. Anualmente, o promotor tem de garantir 1% do valor total das obras para a manutenção do unificado.

À espera de "turbulências"

A Tramcrone tem como slogan "Os comerciantes do Bolhão (ocupantes incluídos) não são parte do problema, mas parte da solução" - foi essa uma das razões da escolha da proposta holandesa, em detrimento da candidatura da Aplicação Urbana (do grupo espanhol Chamartín).

A Tramcrone comprometeu-se a criar um Gabinete de Apoio que servirá de ponte entre os ocupantes, a Associação de Comerciantes do Bolhão e a sociedade promotora durante a execução das obras.

Além disso, vai também ser criada uma comissão de acompanhamento entre a Tramcrone e o município, de forma a resolver eventuais problemas que possam surgir. "Não é possível garantir que não vai haver turbulências, porque é quase impossível fazer um acordo que agrade a todos", salientou o vereador do Urbanismo, Lino Ferreira. Todos os casos vão ser analisados individualmente, garantiu.



Garantias aos comerciantes

O início das obras está previsto para daqui a quatro ou cinco meses, o tempo necessário para que o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) aprove o projecto, explicou Rui Rio.

Durante os dois anos de obras, vai ser garantido aos ocupantes afectados um rendimento mínimo ou um local, tão próximo quanto possível do Bolhão, para poderem continuar a exercer a sua actividade. Os custos serão suportados pela Tramcrone.

O presidente do Conselho de Administração da Porto Vivo, Arlindo Cunha, realçou que "a decisão sobre o Bolhão enquadra-se em cinco acções emblemáticas previstas e faz parte da área de intervenção prioritária [Baixa], da qual 20 dos 37 quarteirões já têm documento aprovado ou estão em obras".

Liliana Lopes - ljcc05054@icicom.up.pt



Promotora diz que demolição do interior do Bolhão é uma "inevitabilidade"

Rentabilidade económica exige aumento do espaço disponível. A demolição do interior do Mercado do Bolhão, no Porto, é uma "inevitabilidade" para garantir que possa ser recuperado o investimento, afirma Pedro Neves, engenheiro da Tramcrone, empresa que venceu o concurso para a reabilitação e exploração do edifício.

"Com as rendas que os comerciantes pagam, era impossível recuperar o investimento. Para mantermos os comerciantes e não aumentar (ou aumentar o menos possível) as rendas, tínhamos que aumentar o espaço", explica Pedro Neves em declarações ao JPN. O investimento da TramCroNe será de 50 milhões de euros.

Pedro Rios - prr@icicom.up.pt



Empresa tranquiliza comerciantes...

"Comerciantes que quiserem continuar" no Bolhão vão ter contratos e "no mesmo ramo" de actividade. Associação de Comerciantes do Porto está preocupada.

A Associação de Comerciantes do Porto (ACP) quer que a autarquia da cidade formalize, por escrito, uma série de garantias aos trabalhadores do Mercado do Bolhão, antes de transferir o direito de superfície à TramCrone, empresa de capitais holandeses que vai assinar a reabilitação do imóvel.

O desejo – que foi enviado a Rui Rio, ao presidente da Assembleia Municipal, aos partidos e ao administrador da TramCroNe (empresa do grupo holandês TCN) – resulta da reunião com os comerciantes do Bolhão, que contou com 180 pessoas. O documento foi aprovado com apenas quatro votos contra. O assunto foi discutido na Assembleia Municipal.



O receio da ACP recai, particularmente, nos chamados "ocupantes", comerciantes que não têm um vínculo por escrito com a autarquia. Laura Rodrigues afirmou ao JPN que os vendedores do Bolhão receiam que os títulos para o mercado tradicional, após a reabilitação, sejam "precários" e que durem entre três e cinco anos.

"O que vai vigorar é o princípio do centro comercial. Entendemos que não é justo passarmos a uma situação de precariedade. A câmara deverá acautelar os interesses dos trabalhadores", disse. A ACP quer assegurar novos títulos vitalícios e transmissíveis aos herdeiros.

A ACP receia que a TramCroNe imponha alterações nos horários (mais adaptados à lógica de centro comercial que receia) e mesmo nos negócios. Em suma, está contra o "excesso de direitos por parte da TramCroNe" na reconfiguração de "um edifício emblemático da cidade", cuja alma são os vendedores. "Merecem o respeito e consideração de todos nós".



... e dá garantias!

Contactada pelo JPN, fonte ligada à TramCroNe garantiu que os "comerciantes que quiserem continuar" no Bolhão vão ter contratos e "no mesmo ramo" de actividade, se assim desejarem. Quanto aos horários, "ninguém vai ser obrigado" a mudar, garante.

Sem adiantar pormenores, disse que os contratos vão ser estudados "um a um" pela comissão de acompanhamento do processo, que terá representantes da empresa, da autarquia e dos comerciantes. Mas avisou: "normalmente os contratos têm limites".



Mercado provisório "muito perto"

Em Dezembro, a TramCroNe deu a conhecer os moldes da reconversão do mercado. As obras devem arrancar ainda neste semestre e estima-se que o novo mercado reabra a 18 de Dezembro de 2009.

Até lá, a autarquia está a procurar um espaço para alojar provisoriamente o mercado. Segundo disse a fonte ligada à TramCroNe, deverá ficar "muito perto" do Bolhão para segurar a clientela tradicional do mercado.

O projecto prevê a coabitação entre comércio tradicional, restauração e novas lojas, bem como um parque automóvel para 216 lugares e dois pisos para habitações de pequena dimensão e serviços.

Pedro Rios - prr@icicom.up.pt



Plataforma do Bolhão promoveu sessão de esclarecimento

Artistas, arquitectos, políticos e populares aderiram, no Porto, a mais uma manifestação organizada pelo movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão, que agendou idêntico protesto para a semana seguinte.

Animados pela notícia da classificação do mercado do Bolhão como imóvel de interesse público, os organizadores do protesto garantiram que "não vão parar" e manifestam-se mais confiantes de que o tribunal, através de uma providência cautelar, lhes dê razão e impeça o avanço do projecto da autarquia de reconversão do edifício.

O arquitecto Correia Fernandes lamentou que a Câmara do Porto se tenha "demitido da obrigação de procurar rubricas, programas e outros apoios que existem para a reabilitação física dos espaços, optando pela imediata entrega do imóvel a um grupo privado".

"Entregou a concepção do projecto, mas também a construção e a exploração do mercado sem antes ter tentado encontrar uma solução alternativa, nomeadamente através de candidaturas a fundos comunitários que existem", frisou.



O arquitecto, que se juntou às dezenas de manifestantes que se reuniram em frente ao mercado, explicou que "todos os edifícios vão mudando - veja-se o caso da Cadeia da Relação - mas o importante é a manutenção da memória".

No caso do Mercado do Bolhão, "
trata-se de um edifício notável e de grande importância a nível mundial".

A mesma opinião foi transmitida pelo mestre José Rodrigues, que faz questão de afirmar que adere a todos os movimentos que visem impedir os atentados contra o património.

"
Do negócio não sei, mas sei que destruir um património destes é um crime", acrescentou o escultor, considerando que "uma cidade vive de memórias".


José Rodrigues defende que se "façam obras e que se modernize o mercado, mas mantendo as suas características principais". "O Bolhão faz parte do Porto", frisou.

A azáfama no interior do mercado era a habitual de uma manhã de sábado, não se notando, segundo os comerciantes e clientes, grandes alterações no movimento apesar da "festa" que decorria no exterior. Isabel Figueira, de 71 anos, todos os dias visita o mercado.

"Só me ajeito a comprar aqui" disse, afirmando que concorda que se façam obra. "Desde que garantam o regresso dos comerciantes". Os jovens Andreia e Humberto vieram do Algarve para um período de férias no Porto.

"É a primeira vez que aqui estamos e viemos porque é um sítio emblemático da cidade", disseram.

Um outro casal, também jovem, explicou que moram na baixa portuense e que todos os sábados fazem compras no "Bolhão".

Confuso com o movimento, o som da "Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa" e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar. "É uma revolução?", ouviu-se a pergunta.


Simultaneamente ao protesto decorreu uma recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que foi entregue, na Assembleia da República, onde se defende que o Mercado do Bolhão "deve ser reabilitado e não demolido".

A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TranCroNe (
TCN), onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.

As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.

TVNET/LUSA



Comerciantes criticam presidente

Os vendedores do Bolhão, no Porto, criticaram esta quinta-feira o presidente da associação de comerciantes daquele mercado, considerando que Alcino Sousa não tem legitimidade para os representar.

A divisão entre comerciantes do Bolhão existe desde que a Câmara do Porto assinou um contrato com a TramCroNe (TCN), que prevê a cedência do mercado por 50 anos, disse à Lusa, Hélder Francisco, comerciante de peixe naquele espaço.

Este vendedor referiu que o presidente da associação de comerciantes do Mercado do Bolhão, Alcino Sousa, está a ter uma atitude "prepotente ao afirmar que o projecto da TCN é o melhor para os comerciantes".

"Desde Janeiro que Alcino Sousa ignora os comerciantes, não dando informações sobre o que se passa nas reuniões que mantém com a TCN", criticou Hélder Francisco.

O comerciante garantiu à Lusa que "a maioria dos comerciantes está contra a transformação do mercado, porque o projecto da TCN não respeita nem integra os vendedores".

"[Alcino Sousa]É um ditador", disse, acrescentando que "a partir do momento em que o presidente da associação passou a ignorar os comerciantes deixou de ter legitimidade para os representar".

Hélder Francisco revelou ainda que a maioria dos comerciantes associados pede agora a demissão de Alcino Sousa e a convocação de uma assembleia-geral extraordinária.

Hélder Francisco referiu que, perante a apresentação a Alcino Sousa do dia 17 para a realização do encontro extraordinário, o mesmo rejeitou "marcar o que quer que seja".

O comerciante, que afirma que esteve sempre ao lado de Alcino Sousa até Dezembro de 2007, estranha a sua "mudança de atitude".



"Em 2005, no início do processo da entrega do Bolhão a privados, ele soube defender muito bem todos os comerciantes. Agora não, não nos informa sobre nada e é um ditador
", lamentou.

O "Primeiro de Janeiro" publicou esta quinta-feira uma série de testemunhos de comerciantes do Bolhão contra o actual líder da associação.

Contactado pela Lusa, Alcino Sousa afirmou estar "
em reflexão" e remeteu eventuais esclarecimentos para um outro comerciante, Vítor Ferreira.

Este vendedor, membro da direcção da associação, admitiu à Lusa que existe, de facto, uma guerra entre comerciantes, mas que "
não há ninguém que tenha feito tanto pelo Bolhão e seus comerciantes como Alcino Sousa".

"As pessoas têm memória curta", lamentou, acrescentando que foi convocada uma assembleia-geral extraordinária para dia 23, que deverá ter lugar nas instalações da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso.

Hélder Francisco disse ainda que os comerciantes querem que sejam feitas obras no mercado, mas que permitam manter a sua traça original.

Em meados de Março, quando a
TCN apresentou o ante-projecto da reabilitação do mercado, a divisão entre os comerciantes era já notória.

Na ocasião, um dos comerciantes que possui uma loja no exterior do Bolhão questionou a legitimidade de Alcino Sousa à frente da associação de comerciantes daquele espaço.

"Ele não tem a maioria dos comerciantes com ele, não tem legitimidade para falar em nome dos comerciantes", frisou, revelando que a associação tem 85 associados e nenhum dos 42 comerciantes do exterior apoiam o presidente".

Vítor Ferreira defendeu, porém, que Alcino Sousa "
cometeu um erro quando se convenceu que representava todos os comerciantes".

TVNET/Lusa


O ABAIXO-ASSINADO


À Assembleia da República

Os cidadãos do Porto não podem deixar de manifestar, publicamente a sua total discordância e solicitar às Entidades e Organismos competentes que impeçam esse “acto de puro mercantilismo”, que pode ser «a demolição do Mercado do Bolhão», já autorizada pela Câmara Municipal do Porto, num desrespeito absoluto pelo Património Arquitectónico e Cultural, praticando a vergonhosa acção de estar a desactivar um dos mais emblemáticos símbolos o Comércio Tradicional da cidade, construído durante a Primeira Guerra Mundial, para dar lugar a mais um centro comercial.

O Mercado do Bolhão deve ser reabilitado e não demolido, de acordo com os seguintes princípios:

- Implemente as necessárias infra-estruturas técnicas, mecânicas e funcionais;
- Utilize os conceitos Arquitectónicos internacionalmente reconhecidos para a reabilitação do Património;
- Integre os Mercadores e Comerciantes existentes no Mercado e sejam tratados, de facto e de direito, como parceiros;
- Possibilite a divulgação dos conceitos de Reabilitação, aos Cidadãos, tornando o Projecto e a obra participada, exercitando as regras democráticas e o reforço do Estado de Direito.

O Mercado do Bolhão é património da Cidade e só o Povo do Porto pode decidir o seu futuro.

A Câmara foi eleita para gerir o património da Cidade e não para o entregar por 50 anos ao grande capital privado comprometendo a gestão de futuros autarcas, provocando ainda mais o fosso social que a nossa Cidade atravessa.


Pelo exposto, os cidadãos abaixo identificados solicitam que sejam accionados os meios disponíveis para manter vivo e reforçar, o tecido Humano e Empresarial do Mercado do Bolhão, na sua estrutura compositiva e de jurisdição Municipal, legando aos vindouros um dos maiores símbolos Arquitectónicos, de Monumentalidade e implantação na Cidade, alegórico da Terciarização no Sec. XIX e XX, sem comprometer o Bem Público nos próximos 50 anos, meio século.


Ao mesmo tempo exigem que a decisão tomada pela Câmara Municipal do Porto seja alvo de discussão pública e que a demolição do Mercado do Bolhão, que a muito breve trecho se perfila, seja atempadamente impedida.

Atentamente,



Comentário:


Assim se vão perdendo imóveis que fazem a história de um povo, em nome da defesa do progresso e do desenvolvimento, e cada vez mais a nossa gente vai perdendo a sua identidade.

Não conheço o projecto ao pormenor, e até acho que este problema diz respeito às gentes do Porto, no entanto choca-me ir vendo desaparecer baluartes da história do nosso povo.

O desenvolvimento das populações é irreversível o que estou completamente de acordo, mas acho que é importante preservar monumentos que pela sua verdadeira dimensão e importância, constituem locais de referência dessas mesmas populações. Há que encontrar pontos de equilibrio e discutir públicamente projectos de interesse nacional como o é o emblemático Bolhão.


Deixo-vos um pequeno filme sobre esse extraordinário espaço, que me habituei a identificar com a cidade do porto, considerando mesmo que o Bolhão é do Porto e o Porto é o Bolhão.

Fotos da Net

António Inglês

10 comentários:

Brancamar disse...

António,
Gostei muito desta publicação.
Quase tudo que aqui li tenho acompanhado, mas aprendi coisas novas. Na verdade sabia que se pretendia construir um Centro Comercial mas pensava-o de menores dimensões do que aqui é descrito. Inicialmente tinha a ideia de que seriam apenas dois pisos, nem estou a imaginar onde se encaixam em altura tantos andares, habitações e parque de estacionamento, isso só denota que o prédio vai ficar acima da fachada tradicional do edifício o que vai porventura descaracterizá-lo. Ainda hoje fui conhecer um Centro Comercial relativamente novo ali a dois passos que foi construído aproveitando o espaço de uma antiga e muito importante fábrica de sedas outrora conhecida em todo o país e que se situa atràs da Capela das Almas, Capela com fachada de azulejos e muito conhecida que se situa na Rua de Santa Catarina. Esse Centro Comercial novo está mesmo ao lado de outro muito frequentado de nome "Via Catarina" que foi criado nas antigas instalações do Jornal "O Primeiro de Janeiro", também com uma bonita fachada que foi preservada. Mas agora eu pergunto, com estes dois Centros comerciais ali tão junto ao Bolhão, também com grandes Parques de Estacionamento, que têm sempre lugar (o Centro que visitei hoje estava às moscas) como é possível
encaixar outro de semelhantes dimensões no mesmo quarteirão?
É de loucos!

Sophiamar disse...

A última frase resume todo o teu post : " O Bolhão é do Porto e o Porto é do Bolhão".
Também não concordo, em absoluto, com a sua demolição.Sejam quais forem as razões que a Câmara apresente para a fazer e posterior reedificação, não estou de acordo e subscreveria qualquer petição que circulasse nesse sentido. Não me parece que apresente sinais de derrocada eminente nem vislumbro qualquer outra situação de perigosidade que justifique a atitude defendida pelo município. Sei que não estou habilitada para me pronunciar neste sentido mas se há técnicos que defendem o seu restauro não entendo o desejo de retirar património emblemático de uma cidade no século XIX. Foram os teatros, os mercados, os pavilhões de Exposições ( Palácio de Cristal) entre outros.
Continua , António, a dar-nos textos como este que só nos enriquecem culturalmente. A continuarmos assim, espero que não destruam S. Bento, a Campanhã,as pontes em ferro...tudo construções do século XIX.
Beijinhosssss

António Inglês disse...

Branca

Normalmente o poder anda sempre hipotecado aos grandes interesses e para resolver as questões de fundo do país recorrem a soluções menos dispendiosas.
Neste caso, sendo um particular a recuperar o local e o Mercado, é evidente que isso tem custo, e esses custos são o que a Câmara tem de dar como contrapartida dessas obras.
Depois, claro, um novo edifício nasce e poderá nada ter a ver com o que lá estava, se bem que eles digam que as paredes exteriores têm de ser preservadas, mas nunca mais voltará a ser como dantes. E alguém fez, alguém recuperou evitando que o Município gastasse dinheiro que muitas vezes não tem, é verdade. mas utilizar estas soluções a todo o custo talvez não seja boa politica.
Será que houve debate público sobre estas obras? Talvez não. E sei que não podemos andar sempre em debates públicos por tudo e por nada, mas quando se trata de algo emblemático para um povo e uma cidade talvez não fosse má ideia saber a opinião daqueles que pagam os seus impostos, permitindo a sobrevivência das autarquias e do Estado, e também seria interessante saber a opinião daqueles que votando os pôs lá precisamente para que fossem seus dignos representantes e gerissem os bens públicos de forma racional e correcta. Não que ponham e disponham de tudo e de todos a seu belo prazer, bastando para tanto ter a maioria. A meu ver estão lá para serem a nossa voz, só que depois de lá se apanharem ficam completamente surdos...
Porque será? Deve ser dos ventos do poder... alguns até cegam...
Beijinhos
António

António Inglês disse...

Isabel

Creio que depois das obras do Metro do Porto, as estruturas do Mercado terão apresentado algumas fissuras e isso preocupou os utentes por razões de segurança, daí as escoras que lá se encontram. No entanto também acredito, e não me é difícil fazê-lo, que estas escoras lá se mantenham para dar razão à apresentação dos projectos e planos para a reconversão daquele espaço emblemático do Porto.
Estes estratagemas são bem utilizados normalmente, e não estou a afirmar que o sejam porque não tenho conhecimentos para tal, estou apenas a dar voz ao que se diz e se ouve na boca do povo. Baseio-me também, em algumas opiniões que li, quando andei na busca destes artigos.
Muitos estratagemas são utilizados para que depois se justifiquem as alterações, um deles é deixar cair de podre edifícios classificados, ou até que eles ardam, sabe-se lá por obra e graça do quê e de quem, (normalmente atribuindo as culpas aos drogados que por lá se acolhem e provocam inadvertidamente os incêndios), para depois renascerem das cinzas sem qualquer ligação ao passado...
Pelo menos algumas situações destas já aconteceram e foram evitadas a tempo... porque os Bombeiros estavam perto demais.... azar...
Beijinhos
António

Brancamar disse...

Voltando a este tema devo dizer-te António que numa das manifestações de cidadãos para a defesa do Bolhão estiveram grandes figuras do Porto, algumas delas foram as mesmas que se colocaram com força e obtinadamente amarradas às portas do Culiseu quando o queriam vender à Igreja Universal do Reino de Deus e olha como foi bonito, conseguiram que não se vendesse e formou-se a Associação de Amigos do Coliseu que ainda hoje o gere.
Trancrevo um pequeno texto do site daquela casa de espectáculos:

"O Coliseu do Porto enche o coração da cidade. Pela sua grandiosidade, beleza e riqueza cultural sempre conseguiu emocionar as pessoas, arrancando palmas, sorrisos e lágrimas dia após dia. O Coliseu do Porto é acima de tudo paixão pela arte e pela cultura e isso espelha-se nos portuenses, que o elegeram como palco da cidade.
Um palco que sobreviveu graças à determinação de um círculo de Amigos que salvaguardaram a sua existência enquanto património cultural do Porto, impedindo a sua venda à Igreja Universal do Reino de Deus.
Deste movimento cívico nasceu, em 1994, a Associação Amigos do Coliseu do Porto que, desde então, é responsável pela gestão desta sala de espectáculos.
Hoje, o Coliseu continua a dar voz à cidade e ao mundo. E tudo graças à Associação Amigos do Coliseu do Porto, que continua aberta a todos aqueles que queiram tornar-se Amigos do Coliseu.
Só com o seu contributo o Coliseu do Porto poderá continuar a ser a sala de espectáculos mais emblemática da cidade. O espaço especial que é hoje. Um espaço que nos toca a todos."

Não sei se haverá a mesma garra, até porque o negócio já está consumado, mas é pena que não possa existir uma Associação dos Amigos do Bolhão.
Beijinhos

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido António, vou só deixar-te um grande beijo de parabéns, por tão belo texto...
A Branca e a Isabel, fizeram comentários lindos, onde não é este o meu forte.
Beijinhos de carinho,
Fernandinha

António Inglês disse...

Branca

Fico-te mil vezes agradecido por este teu contributo a estas minhas postagens. Vieram enriquecer os textos e as informações de que dispunha.
Se não me levares a mal, irei aproveitar este teu comentário para a postagem que farei em seguida sobre o Porto.
Há coisas que não podemos deixar passar em claro.
Milhões de beijinhos.
António

António Inglês disse...

Fernandinha

Obrigado pela tua visita, mesmo considerando que não é este o teu forte como dizes.
Pois minha querida amiga, o meu também não é a poesia com quem convivo mal e já to tinha dito.
Isso não quer dizer que a amizade e as nossas visitas deixem de se manter e de fazer.
Refugio-me nestes textos de que gosto e vou-os partilhando.
És e serás sempre bem vinda a esta tua casa, pois dela já fazes parte como sabes.
Um grande e sentido beijinho de amizade.
António

Filoxera disse...

Eu adoro histórias. Presumo, pelo seu blogue, que também aprecia.
Assim, deixe-me contar-lhe uma pequena história.
O meu pai era do Porto. Nascido e criado na Invicta, migrou para Lisboa quando se separou da mãe do meu irmão.
Mas a família, extensa e querida, continuava lá, a atrair a velocidade constante. De modo que não só eu (mais frequentemente, isto é, sempre que estava em férias escolares) mas também os meus pais, sempre que podiam, íamos frequentemente ao Porto.
Numa das visitas guiadas que o meu pai nos fazia à sua cidade-natal, aconteceu a cena mais espontânea, que a minha mãe para sempre recordará sorridente: uma das feirantes, ao ver o meu pai, exclamou. "Isto sim, é que eu chamo um homem lindo!"- e presenteou-o com um beijo na face, não sem antes ter pedido o consentimento da minha mãe.
Beijinhos.

António Inglês disse...

Filoxera

Isso foi...impulso... de certeza.
Então também tem ligações fortes ao Porto.
Eu guardo muitas recordações do Porto e vivi na Maia durante um ano.
Tenho vários familiares e amigos na Cidade Invicta e sempre que posso lá vou com minha mulher matar saudades.
Sei que dizem que é uma cidade cinzenta e escura. Creio que por ser uma cidade antiga e com predominância do granito nas suas fachadas. Mas isso para mim ainda lhe empresta mais a beleza que lhe encontro.
E Gaia, então está com um aprumo na margem do Douro que acho muito bonito.
Deixo-lhe um beijinho
António