domingo, 20 de julho de 2008

CRÓNICA DE UM PASSEIO DE VERÃO

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Olá amigos!
Regressados que estamos de cinco fabulosos dias de férias por este nosso Portugal adentro, vamos deixar-vos a proposta de viagem que acabámos de fazer. Não o faríamos se entendêssemos que os contornos e o sucesso da mesma não nos tivesse impressionado. Não que não conhecêssemos as regiões que visitámos, mas porque sempre que estamos alguns anos sem lá voltarmos, muita coisa se altera, se modifica, umas vezes para melhor, outras para pior. No caso, de que vos deixamos o desafio, o saldo é francamente positivo. Comecemos então.


1º Dia

Esteja onde estiver, dirija-se até à zona centro e tenha como primeira paragem Tábua com toda a paisagem paradisíaca que a rodeia, enquadrada pela serras da Estrela, da Lousã, do Buçaco e do Caramulo. O rio Alva e o rio Mondego, encarregam-se de lhe emprestar a frescura natural e nela vão serpenteando por entre montes e vales. Tábua mantém um ar tradicional, com uma evolução calma e um desenvolvimento sustentado, seguro e equilibrado.



Aproveite e almoce no Tóino Moleiro, excelente montra gastronómica da cidade, onde comprovámos a afirmação, isto para além de uma relevante simpatia do staff. Saímos satisfeitos, com a promessa de voltarmos em breve, pois por ali nem só a barriga “come”.
Depois, siga em direcção a Santa Comba Dão, Tondela, Viseu, onde poderá parar durante algumas horas uma vez que terá curiosidade em ver de perto o Palácio do Gelo e a cidade.



Viseu, já anteriormente nos tinha surpreendido favoravelmente, numa recente viagem que fizemos, embora de passagem e sem grande tempo nessa altura.
Está um espanto e deixou-nos água na boca pelo seu desenvolvimento, nomeadamente no que às acessibilidades diz respeito. A malha habitacional vai-se manifestando de forma equilibrada e com manifesto bom senso paisagístico.



Siga depois por Vouzela, dê um pulinho às termas de São Pedro do Sul, e acabe a noite em Oliveira de Frades, lindíssima Vila da região de Lafões. A Albergaria Ulveira foi quem nos recebeu para passar-mos a noite, e confesso-vos que gostamos sempre de ali ficar pois o ambiente é agradável e confortável. O preço é óptimo para a época.



Poderíamos ter jantado na Albergaria mas optámos por o fazer no Restaurante O Cantinho, mesmo em frente da Ulveira. De ambiente familiar, sem grandes luxos, sentá-mo-nos na esplanada, que o calor era tremendo, e pedimos aquilo que é no fundo o prato mais característico da região, a vitelinha de Lafões.



Excelente meus amigos, extraordinária aquela vitela que a dona do Restaurante nos aconselhou com os respectivos acompanhamentos. No fim, para ficarmos ainda mais pelo beicinho, o preço foi uma agradável surpresa, 13 €uros, coisa rara nos tempos actuais.


DIA

Pequeno almoço tomado, bagagem no carro, seguimos em direcção a Seia, tendo passado de novo por Vouzela e Viseu, seguindo depois por Nelas até Seia, onde visitámos o Museu do Pão e onde almoçámos também.



Não sei qual das situações foi melhor, se a visita se o almoço. Desconheço quem teve a feliz ideia deste Museu, mas posso assegurar-vos que a visita merece a pena e lamento que as autarquias deste país não tenham possibilidades de enviar as nossas crianças até àquele museu, para ficarem a saber como se faz o pão e de onde vem. Melhor que as palavras, são as fotos que vos deixo.



Logo após esta visita deliciosa e enriquecedora, rumámos à Serra da Estrela que atravessámos até Manteigas, mais uma bela Vila na encosta da serra. Deu para visitar família e para desenferrujar as pernas, aproveitando o momento para ajudar na digestão do requintado banquete que nos fora servido no Museu do Pão.


Seguimos depois viagem até à Varanda dos Carqueijais onde ficámos e jantámos.
Começam a faltar-me os adjectivos para vos descrever a paisagem que a Estalagem nos proporciona. A Covilhã a nossos pés acaba com o resto e senti mo-nos rendidos a tudo o que já visitámos.



Pelas 20 horas, altura em que chegámos à Varanda dos Carqueijais, não deixámos de tomar uma valente banhoca na piscina, que não obstante já não sentir os raios solares, fez questão de nos fazer acreditar que estávamos no paraíso.

Uma pequena arrelia com a bateria do nosso carro não foi suficiente para nos derrotar e continuámos a nossa aventura.



Aconselhamos vivamente uma estadia neste empreendimento turístico da Serra da Estrela, onde sentirão como é possível encontrar um local para retemperar energias.



DIA

Carro em deficientes condições, bagagem devidamente acomodada, rumámos à Covilhã, na expectativa de conseguirmos uma rápida reparação do veículo. Não foi possível e nem a oficina se mostrou muito interessada na reparação, sem que tivéssemos percebido porquê. Sinceramente não é este tipo de atendimento que promove uma região e uma localidade junto dos visitantes.


Mas, uma andorinha não faz a primavera e como não sou homem de me acomodar, decidimos regressar a casa, interrompendo a viagem que até ali nos tinha encantado. Foram duas horas e meia de regresso. Como a reparação foi rápida e o carro nos pareceu de novo em óptimas condições, desafiei minha mulher para neste mesmo dia, regressarmos ao ponto de onde partíramos antes da avaria, Covilhã, continuando assim o nosso programa de mini-férias, não sem antes termos almoçado por casa.



Não foi difícil convencê-la e retomámos, sete horas depois, o percurso devidamente preparado, tendo seguído da Covilhã para a Guarda, depois Celorico da Beira, Trancoso, Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Macedo de Cavaleiros onde éramos para ficar mas onde apenas jantámos.
As alterações verificadas no programa, modificando horários e visitas, sugeriu-nos seguir viagem até Bragança, por forma a recuperar-mos no dia seguinte o tempo perdido.



Assim foi feito e acabámos por ficar na Estalagem do Turismo na cidade transmontana de Bragança, onde já não íamos há tantos anos.
É desta forma, com ausências grandes, que constatamos a mutação que as nossas cidades vão sofrendo e hoje é relativamente fácil chegarmos até regiões a onde outrora levaríamos um dia inteiro a chegar. Encontrámos a cidade transfigurada para bastante melhor, com vias de acesso renovadas e inovadas, construção moderna e ordenada e um desenvolvimento social e turístico de realçar.



Rotundas, (hoje em grande expansão nas nossas cidades, vilas e até aldeias), vias largas e envolventes, tirando do centro a circulação automóvel, para bem dos cidadãos e do ambiente. Rios e ribeiras devidamente tratadas e arranjadas, onde dá gosto sentar-mo-nos à sua beira, descansando e deleitando a vista.



Sei que todo este desenvolvimento não apaga os muitos anos de isolamento, mas as regiões do interior começam a recuperar aos poucos o lugar que merecem e lhes pertence.



DIA

De novo com um soberbo pequeno almoço, saímos de Bragança com intenção de dar um pulinho até Rio d’Onor, dividida entre Portugal e Espanha, mas uma deficiente informação verbal levou-nos quase até Zamora, pelo que voltámos de novo a Bragança, e acabámos em Gimonde no Restaurante O Abel, recomendado, pois pretendíamos comer uma posta mirandesa de qualidade.



O conselho mostrou-se, este sim, correcto e delicia-mo-nos com uma excelente “posta” que as fotos melhor documentam. A visitar, não esqueçam, Restaurante O Abel em Gimonde a curtos, três/ quatro quilómetros de Bragança. Preço não muito caro e acessível.



Depois deste sensacional almoço, rumámos a Vinhais e Chaves onde tomámos um cafézinho e demos uma ligeira passeata para ajudar na digestão. Depois Vila Pouca de Aguiar, Fafe, Guimarães, Braga e finalmente Barcelos, destino da última noite desta pequena aventura.



Em Barcelos ficámos no Hotel Bagoeira, outrora Pensão da Bagoeira, onde sempre fiquei com meus pais quando ali íamos assistir às festas das Cruzes, célebres em todo Alto Minho e não só. Ali jantámos também, embora em regime de contenção pois o almoço fora farto, o que convenhamos, não foi nada agradável pois a Bagoeira tem fama (e proveito) de bem servir. Estadia óptima num Hotel muito agradável. O restaurante a servir como o faz há muitos anos, em quantidade e qualidade, se bem que um pouco caro para as bolsas portuguesas.



DIA

Depois de um excelente pequeno almoço, seguimos a nossa viagem por Esposende, Viana do Castelo e parámos em Caminha, retemperando forças, revivendo a Vila, as suas gentes, as suas pedras, os seus costumes, o seu ambiente e o seu ... cheirinho...



A Adega do Chico recebeu-nos para almoçar, onde nos deliciámos com um bacalhau à Chico de comer e chorar por mais.



Não podia faltar uma visita à minha praia de Afife.
É sempre um momento de muita emoção quando ali nos sentamos, olhando o nosso mar, sentindo o cheiro maravilhoso do sargaço e ouvindo as ondas que de mansinho se deitam no areal da praia, ou se espalham pelas muitas rochas que enfeitam a costa.




Resta-nos a consolação de que brevemente voltaremos, então sim para umas merecidas férias nessa lindíssima e insubstituível praia de Afife. O Minho está e estará sempre nos nossos corações.



Mas, era chegada a hora do regresso, e lá nos fizemos à estrada, em direcção ao Porto, depois Aveiro, tomando ali a nova A17 que nos trás direitinhos às Caldas da Rainha, mas que segue ela até Lisboa.

Despedi-mo-nos de Caminha, que engalanada espera já a Feira Medieval que vai ter lugar no próximo fim de semana.



Foram quatro noites, cinco dias de um passeio fabuloso, onde conseguimos equilibrar os gastos com tudo aquilo que gostaríamos de visitar, e cumprimos. Sinceramente aconselhamos a todos aqueles que gostam de aventura e de passear por entre montes e vales deste nosso Portugal tão pequenino mas que nos proporciona passeios e estadias maravilhosas.



As fotos que aqui vos deixo ilustram melhor que as palavras tudo aquilo por que passámos. Além disso, toda a região, iniciado o Verão, começa a receber as suas festividades que são o culminar de um ano de labuta. Nem todas famosas, mas sempre populares e alegres, é assim o povo minhoto.

Foi bom, mas acabou e como tudo o que é bom acaba depressa, a nossa aventura chegou ao fim. É pena.

Um abraço a todos.

António

17 comentários:

Paulo Fonseca disse...

Meu caro amigo, fico feliz pelo sucesso destas mini-férias.
Mini em dias porque em Km ... percorreu meio Portugal.
Que bela lua-de-mel.
Como sabe, os locais onde começou e acabou conheço bem, embora não me canse de os visitar e confesso já tenho algumas saudades.
Agora Trás-os-montes conheço menos bem e estou ansioso por passar alguns dias.
Um abraço ao casal e ao 3º elemento que acredito que se tenha divertido noutro tipo de viagem.

Paulo

Brancamar disse...

António,

Mas que belo passeio, percorreste meio Portugal, como diz aqui atràs este amigo. Desde as Beiras, a Trás-os-Montes, Minho e Beira Litoral...será que me esqueci de alguma coisa?
Mas o nosso Minho é que te põe sempre em estado de deslumbramento...como eu compreendo!
Não conheço o terceiro elemento, mas beijinhos para todos.
Da amiga
Branca

d´Agolada disse...

Alédome de que o pasases ben, bonitas fotos. Saúdos

Sophiamar disse...

Cinco fabulosos dias que nos fazem crescer a água na boca.Uma região muito bonita, de uma vegetação luxuriante, boa água e boa comida.
É pena que este tempo passe a correr.

Um abraço

São disse...

Belas fotos!
Óptima sugestão de viagem.
Viseu sempre a achei bonita e a Bragança fui dois anos seguidos e nunca mais regressei, infelizmente.
Bom regresso e feliz semana, Tonico.

Joaninha disse...

António!

Andou mesmo para os meus lados homem :)

A ver:

Bom, Seia, meu amigo tenho uma casinha a 8 Km de Seia, numa aldeiazinhaa ali perdida, um encanto. A serra da Estrela merece visita, não só pela paisagem de cortar a respiração, mas tb pelas gentes. O museu do Pão é digno sim senhora, a todos ouçam o que vos diz o António. Vale a pena :)

Depois foi passear a Bragança.

Eu tirei o curs em Bragança, foram anos fantasticos. Foi provar a posta ao Abel, estou a ver. Diga lá se não é a melhor carne que alguma vez comeu?
Se voltar a passar por lá, jante no restaurante " O Solar Bragançano" O melhor restaurante de Portugal, sem margem para duvidas :)

E depois, foi a Afife...Até me vieram as lagrimas aos olhos quando vi a fotografia que tirou, mesmo ali ao pé de minha casa...Tenho de me controlar, já só falta 1 semana e meia para os meus pequenos almoços de bola de berlim e dias na praia a sentir o tal cheirinho a sargaço...;)

Um beijo meu amigo

aramis disse...

Meu querido amigo, mas que excelente reportagem... Sei que és mesmo "muita bom" em várias coisas, mas esta desconhecia...
Fico bem feliz pela vossa passeata ter sido tão boa e por sitios maravilhosos. Toca a fazer mais...
Olha lá? O meu Pedro? Cá para mim anda noutros afazeres próprios da idade, que não permitem a entrada dos "quotas"...
Muitos beijinhos e espero ver-te amanhã à noite no festival de rock.

Geo disse...

António!! Adorei seu diário de férias...nossa estou cada vez mais apaixonada por Portugal, fora que quando falas da comida fico morrendo de fome...rsrs...

Faço planos de o conhecer e se Deus quiser muito em breve, mas por enquanto, me encanto e, é claro, agradeço este roteiro com detalhes deliciosos...

Beijos

Geo

António Inglês disse...

Amigo Paulo Fonseca

Estas mini-férias foram programadas em menos de um fósforo, porque planeamos outras que gostaríamos de fazer, só que os custos desse projecto inicial, deixou-nos logo abananados. Por isso deitei mãos à obra e procurei no mapa um trajecto que nos permitisse passear um pouco pelo nosso país e foi o que fizemos. Há já algum tempo que queríamos revisitar Trás-os-Montes e desta vez foi a altura própria.
Ficámos tremendamente admirados com tudo aquilo que vimos e voltaremos qualquer dia, se calhar com mais tempo.
Como sabe, adoro viajar e andar de carro para mim não significa nada, por isso foram muitos quilómetros.
Um abraço
António

António Inglês disse...

Branca

Por mais regiões que visite o meu Minho é e será sempre o meu Minho.
Tens toda a razão.
Um abraço
António

António Inglês disse...

D'Agolada

Foram realmente umas férias excelentes. Grato pelas tuas palavras.
Um abraço
António

António Inglês disse...

Sophiamar

Foram mesmo tão poucos dias. Resta-nos a alegria do nosso rapazola já ter regressado de Malta onde foram vice-campeões de Volei.
Um abraço e um beijinho
António

António Inglês disse...

São

Minha amiga, estou deslumbrado com as terras por onde andámos.
Serão zonas a visitar de novo e a não demorar tantos anos sem lá ir.
Um abraço
São.
António

António Inglês disse...

Joaninha

Pelos vistos ando a percorrer as terras que lhe dizem alguma coisa mas juro que não o fiz de propósito, eheheh...
Em Afife, perdi-me de novo como é costume. Voltarei talvez no próximo fim de semana ou depois no outro.
No próximo, em Caminha vai decorrer a Feira Medieval que merece a pena visitar, mas provavelmente só iremos depois para um evento que tenho marcado.
Seguramente que nas Festas d'Agonia por lá estaremos. Falta pouco.
Boa estadia para si.
Isto de ter casa na Serra da Estrela e em Afife não é para qualquer um não senhor. Muito bom gosto. Mas temos os mesmos amores.
Um beijinho
António

Talvez nos encontremos por lá quem sabe...

António Inglês disse...

Paulinha


Pois de vez em quando costumamos fazer assim umas avarias e não é a primeira vez que digo à Lídia na sexta-feira à noite para arranjar uma maleta e saímos disparados por aí fora.
Acreditas que algumas vezes é em Alfeizerão que decidimos se vamos para Sul ou para Norte?
Eu sou assim mesmo.
O Pedrocas regressou de Malta onde esteve em representação da Escola, da cidade das Caldas da Rainha e do pAÍs. Foram vice-campeões de voléi dos jogos da FISEC. Está radiante.
Uma beijoca e espero que estejas bem.
António

António Inglês disse...

Olá Geo

Portugal tem muitos cantinhos lindos mas precisam ser visitados por quem conheça.
Este país tem também a sua beleza e merece uma visitinha minha amiga. Venha depressa que esperamos por si de braços abertos. Espero que nos dê a honra de a receber por cá.
Um abraço e um beijinho
António

Maria disse...

Que bela viagem fizeste.... e começaste logo pela terra do meu avô paterno...
O que andaste pela Beira Interior quero fazer um dia destes, quando estiver menos calor.
Curiosamente na data em que colocaste este post andava eu lá por cima, também pelo Minho e Porto, mas o calor era muito e do passeio pouco se aproveitou...

As fotos estão excelentes.
Obrigada pela partilha.

Beijinho, António