quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O PRIMEIRO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO


CHRISTIAAN NEETHLING BARNARD (1922-2001)

O cirurgião cardiovascular sul-africano, realizou o primeiro transplante cardíaco do mundo.
Especializou-se em Cirurgia Torácica e Cardiovascular nos EUA, na University of Minnesota. Fundou o Departamento de Cirurgia Cardíaca do Groote Schuur Hospital, na Cidade do Cabo, em 1958. Em 1959 realizou o primeiro transplante renal da África do Sul . Em 1961 tornou-se Chefe do Departamento de Cirurgia Torácica e Cardiovascular da University of Cape Town.

O primeiro transplante cardíaco do mundo ocorreu a 03 de Dezembro de 1967, numa operação que durou nove horas e envolveu uma equipa de trinta pessoas. O receptor, Louis Washkansky, de 55 anos, sobreviveu 18 dias.



Barnard continuou a realizar transplantes cardíacos. Em 1968 operou o paciente Philip Blaiberg, o qual viveu 19 meses após a cirurgia. Dorothy Fisher foi transplantada em 1969 e tornou-se a paciente com a maior sobrevivente - viveu 24 anos com o novo coração!
Christiaan Barnard também foi pioneiro em técnicas bastante ousadas para a época, como transplantes duplos (1974), válvulas artificiais e o emprego de corações de animais para tratamentos de emergência (1977).
Barnard realizou 10 transplantes ortotópicos (1967-1973) e ele, ou sua equipa, efectuaram 48 transplantes heterotópicos (1975-1983).
Combateu intensamente o apartheid, a política de segregação racial então vigente na África do Sul, tendo provocado uma grande polémica em 1968 ao transplantar o coração de um homem mestiço num dentista de raça branca.



O primeiro transplante de coração

A 3 de Dezembro de 1967, o cirurgião sul-africano Christiaan Barnard faz o primeiro transplante de coração humano. O paciente só sobrevive 18 dias e morre de infecção, mas pouco depois o cardiologista alcança o primeiro sucesso mundial com uma operação do género.

O coração de uma pessoa morta palpitou, pela primeira vez, no peito de outro humano às 5h25 de 3 de Dezembro de 1967, na África do Sul. O primeiro transplante de coração foi bem sucedido, no hospital Grote-Schuur, na Cidade do Cabo. O chefe da equipe era o professor Christiaan Barnard, então com 44 anos de idade.

"Nós, na África do Sul, tivemos que decidir o que fazer. Todos os dias víamos pacientes que não podiam ser ajudados. A única possibilidade de ajudá-los era o transplante de coração", disse o cardiologista. Barnard, que, de repente, se tornara mundialmente famoso, morreu em Setembro de 2001, aos 78 anos de idade.



Morte prematura

Louis Waskansky, de 53 anos, foi o primeiro homem que recebeu o coração de um estranho. O órgão transplantado por Barnard e sua equipa, numa operação que durou 5 horas, era de uma jovem de 25 anos, que tinha morrido num acidente. Mas Waskansky faleceu 18 dias depois da cirurgia histórica, como consequência de uma infecção pulmonar. A luta dos médicos para combater a rejeição do organismo reduziu muito o sistema imunológico do paciente.

Um mês depois da operação espectacular, Barnard fez o segundo transplante de coração e, desta vez com grande sucesso: o dentista Philip Blaiberg viveu um ano e sete meses com o coração novo.



Enormes obstáculos morais

A notícia do transplante propagou-se como fogo. O acontecimento era até então inconcebível, revolucionário, embora há muito se transplantassem rins, córneas e os ossos do sistema auditivo. Mas havia uma grande diferença: os obstáculos morais levantados mundo fora contra o transplante de coração. Ainda dominava naquele tempo a crença de que não se tratava de um órgão como os demais, mas o lugar da alma, o núcleo humano, o centro da personalidade.

"A partir de um determinado momento, a gente é apenas um pesquisador e tem que se ater ao fato de que o coração tem apenas a função de bombear o sangue. Um transplante de coração não é mais do que um transplante de rins ou de fígado", justificou Barnard.

O grande problema na época era a rejeição. Um organismo defende-se contra todo e qualquer corpo estranho que lhe é implantado. O perigo da rejeição era e foi durante muito tempo o árbitro para o sucesso ou o fracasso de um transplante de coração.



Problema não era técnico

Na actualidade, a repulsa orgânica está bastante reduzida, graças ao efeito de medicamentos desenvolvidos especialmente com essa meta. A propósito, o cardiologista da Universidade de Colónia, Ernst Reiner de Vivie, afirma:

"O problema nunca foi técnico. No coração, tem-se apenas que ligar dois vasos entre si. O problema sempre foi a rejeição. Mas já estamos a dominar isso tão bem que a taxa de mortalidade situa-se abaixo dos 10% no primeiro ano depois do transplante e isso já é um grande êxito."

Várias equipas de cirurgiões seguíram o acto pioneiro do sul-africano Barnard. Em Nova York, por exemplo, o centro de transplantes Palo Alto e Stanford tentava há muito tempo transplantar corações.



"Não podemos esquecer que o professor Shamway e sua equipa, na Stanford University da Califórnia, são os verdadeiros pais do transplante de coração, pois eles fizeram a operação em animais durante anos. Christiaan Barnard tinha sido um membro dessa equipa, como hóspede da África do Sul, e aprendeu como se faziam transplantes", destacou o catedrático alemão de Vivie.

Apenas sete semanas depois do grande sucesso de Barnard, na África do Sul, o cardiologista americano Shumway fez o seu primeiro transplante de coração. Na ocasião, um colega perguntou-lhe como se sentia. Shumway respondeu: " Você lembra-se do segundo homem que alcançou o Pólo Norte?"

Maren Hellwege

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António Inglês


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA


A morte do jovem rei de Portugal D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir levou a uma crise de sucessão já que o primeiro não teria deixado descendência pela sua tenra idade. Pela proximidade de parentesco, coube a regência ao cardeal D. Henrique, aclamado Rei de Portugal a 28 de Agosto de 1578.

A notícia da derrota de Alcácer-Quibir foi levada ao cardeal, então no Mosteiro de Alcobaça, pelo provincial da Companhia de Jesus e o Dr. Jorge Serrão. O cardeal, encarregado da regência do reino por proximidade de parentesco, convocou as Cortes de Lisboa de 1579 para estudar a situação decorrente da sua avançada idade e vínculo religioso. Não sendo casado e não tendo herdeiros, a sua regência seria meramente provisória.

Pelas leis da época, sucederia ao rei o seu parente mais próximo, na tentativa de preservar o sangue real na administração do reino; em caso de parentes de igual proximidade, a preferência seria dada aos de sexo masculino. A verificar-se a concorrência de vários homens em igual grau de parentesco, seria preferido o mais velho.



Assim, os candidatos ao trono de Portugal eram (pela ordem da linha da sucessão):

  • O cardeal-rei D. Henrique, filho de D. Manuel I;
  • Rainúncio Farnese, Duque de Parma (neto de D. Duarte (filho de D. Manuel I) através da filha mais velha, Maria) e os seus irmãos mais novos;
  • Catarina, Duquesa de Bragança (filha mais nova de D. Duarte) e seus filhos;
  • Filipe II de Espanha (filho de D. Isabel, filha de D. Manuel I) e seus filhos, irmã e sobrinhos;
  • Emanuel Filiberto, Duque de Sabóia (filho de D. Beatriz, filha de D. Manuel I) e seus filhos
  • João I, Duque de Bragança (marido de D. Catarina, bisneto de D. Isabel, irmã de D. Manuel I) e seus filhos

Havia ainda:

  • D. António, afastado por ser tido como ilegítimo;

Nesta situação, D. Filipe e o duque de Sabóia poderiam ainda usufruir do direito de representação que os colocaria numa posição privilegiada (em quarto grau de parentesco), já que poderiam representar as pessoas de suas mães. Porém, de nada lhes valeria invocar o direito de macho (ou masculinidade), pois as suas mães também não o poderiam. Assim, competiam os três em igual grau de parentesco.

Pelo contrário, D. Catarina, invocando o mesmo direito de representação, seria rainha de jure, já que era filha do infante D. Duarte, filho de e-Rei D. Manuel I, que seria o sucessor indiscutível caso fosse vivo; pelo mesmo direito, representava as pessoas de duas irmãs e da sua filha.

De entre os pretendentes ao trono, era o Cardeal D. Henrique o mais chegado a el-Rei por um grau, mas a sua idade (e por ser religioso) não oferecia a segurança da descendência, pelo que a solução da crise seria meramente provisória. Assim, quando este falecesse, passaria o trono a ser disputado por el-Rei D. Filipe, pelo duque de Sabóia e pela duquesa de Bragança, todos parentes em quinto grau.



A morte do cardeal

O Rei-Cardeal morreu em 1580, durante as Cortes de Almeirim, deixando uma Junta de cinco governadores: o arcebispo D. Jorge de Almeida, D. João Telo, D. Francisco de Sá Meneses, D. Diogo Lopes de Sousa e D. João de Mascarenhas. Deste grupo, só D. João Telo era contrário a Filipe II de Espanha. O cardeal já havia manifestado, entretanto, a sua intenção de nomear Filipe II como sucessor ao trono, mediante um acordo que traria benefícios ao reino.

Sabe-se que algumas figuras da nobreza eram favoráveis a D. Filipe: D. Jorge de Noronha, D. Diogo de Castro, o marquês de Vila Real, Rui Lourenço de Távora, D. Manuel de Meneses entre outros. Também no Clero Filipe II contava com grandes nomes: o bispo de Leiria, D. António Pinheiro, o bispo de Viseu, o provincial dos Dominicanos, Fr. António de Sousa. Pensa-se que muitas destas figuras tenham sido subornadas de alguma forma pelo rei castelhano, que sabia dos temores dos mais ricos em perder a posição privilegiada na corte. O reino manifestava assim uma avareza que renunciava à independência a favor de bens materiais e títulos de poder.



A aclamação popular do Prior do Crato

Durante a preparação defensiva do castelo de Santarém contra uma eventual ofensiva castelhana, o povo aclamou D. António como Rei de Portugal. Este, surpreendido, precavia-se contra a revolta da nobreza e do clero, pedindo para limitarem a aclamação a apenas Regedor e defensor do Reino. A situação era melindrosa, já que D. António se antecipava à decisão dos governadores nomeados pelo cardeal D. Henrique que tinham por missão designar, de entre os vários netos de D. Manuel I, o herdeiro legítimo da coroa.

A 24 de Julho seria coroado e governaria no continente durante cerca de vinte dias, até ter sido derrotado na Batalha de Alcântara pelos exércitos espanhóis comandados pelo Duque de Alba. D. António passaria a governar o país a partir da Ilha Terceira, nos Açores, até ser exilado para França, também inimiga de Espanha, após perder a batalha naval de Vila Franca, travada ao largo da ilha de São Miguel, nos Açores, a 26 de Julho de 1582.



O início da dinastia filipina

Começava, assim, a dinastia filipina, com Filipe II de Espanha, I de Portugal. D. António iria bater-se até aos últimos dias da sua vida pela tomada do trono de Portugal contando, inclusive, com o apoio da rainha Isabel I que se tinha também tornado, entretanto, inimiga de Espanha.

Os ingleses tinham grande interesse no arquipélago açoriano, que assegurava o domínio do Atlântico Norte. D. António oferecia-se como aliado da Inglaterra na guerra contra a Casa de Áustria e concedia favores também no Brasil. Instituída a guerra anglo-espanhola, seria concebida a épica Invencível Armada para subjugar a Inglaterra ao domínio espanhol dos mares. A armada espanhola seria derrotada, no entanto, com consequências graves para os mercadores e frota portuguesas.

Ainda com o auxílio da Inglaterra, viria D. António uma vez mais a Portugal, desta vez para tomar a cidade de Lisboa. A peste que se abateu sobre a armada inglesa, liderada por Francis Drake, estragava-lhe os planos, deixando o ataque à cidade desproporcionado, já que Lisboa tinha sido bem guarnecida pelos espanhóis e o povo, que entretanto se levantara a seu favor, assistiu impávido e amedrontado ao insucesso do Prior do Crato.

D. António morreria em 1595, cessando assim qualquer hipótese de prolongar a dinastia de Avis. Só 60 anos depois a independência seria restaurada por D. João, duque de Bragança, aclamado D. João IV, Rei de Portugal.



Guerra da Restauração

Em 12 de Outubro, em casa de D. Antão de Almada, reuniram-se D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo e seu irmão Jorge de Melo, Pedro de Mendonça Furtado, António de Saldanha e João Pinto Ribeiro. Decidiu-se então ir chamar o Duque de Bragança a Vila Viçosa para que este assumisse o seu dever de defesa da autonomia portuguesa, assumindo o Ceptro e a Coroa de Portugal.

No dia 1 de Dezembro de 1640, eclodiu por fim em Lisboa a revolta, imediatamente apoiada por muitas comunidades urbanas e concelhos rurais de todo o país, levando à instauração da Casa de Bragança no trono de Portugal.

Finalmente, um sentimento profundo de autonomia estava a crescer e foi consumado na revolta de 1640, na qual um grupo de conspiradores da nobreza aclamou o duque de Bragança como Rei de Portugal, com o título de D. João IV (1640-1656), dando início à quarta Dinastia – Dinastia de Bragança.

O esforço nacional foi mantido durante vinte e oito anos, com o qual foi possível suster as sucessivas tentativas de invasão dos exércitos de Filipe III e vencê-los nas mais importantes batalhas, assinando o tratado de paz definitivo em 1668. Esses anos foram bem sucedidos devido à conjugação de diversas vertentes como a coincidência das revoltas na Catalunha, os esforços diplomáticos da Inglaterra, França, Holanda e Roma, a reorganização do exército português, a reconstrução de fortalezas e a consolidação política e administrativa.

Paralelamente, as tropas portuguesas conseguiram expulsar os holandeses do Brasil, como também de Angola e de São Tomé e Príncipe (1641-1654), restabelecendo o poder atlântico português. No entanto, as perdas no Oriente tornaram-se irreversíveis e Ceuta ficaria na posse dos Habsburgo. Devido a estarem indisponíveis as mercadorias indianas, Portugal passou a só obter lucro com a cana-de-açúcar do Brasil.



Aclamação de D. João IV

Naquela manhã de 1 de Dezembro, muito cedo, dirigiram-se os fidalgos e os seus criados, todos bem armados, ao Paço da Ribeira, aonde rompendo por ele dentro, entraram nos aposentos da princesa regente, a vice-rainha Margarida Gonzaga, duquesa viúva de Mântua, prima do rei Habsburgo, que facilmente dominaram, passando a procurar então a Miguel de Vasconcelos, o português traidor secretário de Estado, aliado do valido castelhano Olivares no seu recente projecto de anexação de Portugal e outros reinos a Castela, no quadro de uma centralização à francesa, inspirada no modelo de Richelieu, que desejava aplicar à multifacetada monarquia hispânica filipina em bloco.

D. João IV chegou a Lisboa na noite de 6 de Dezembro. Nos dias seguintes houve festejos, procissões e iluminações públicas. Enquanto se preparava a cerimónia da aclamação, o rei ocupava-se a nomear embaixadores, que deveriam partir a fim de que os países estrangeiros reconhecessem a alteração dinástica em Portugal, e generais, que deviam encarregar-se da defesa das fronteiras e dos portos.

Em 15 de Dezembro de 1640, D. JOÃO IV foi finalmente aclamado Rei de Portugal. A cerimónia decorreu num grande teatro de madeira armada, revestido de preciosos panejamentos, contíguo à engalanada varanda do Paço da Ribeira, e com ela comunicante. Varanda pela qual saíu o novo rei em complicado e demorado cerimonial hierárquico para o Terreiro defronte aonde, diante da Nobreza, do Clero e do Povo de Portugal, jurou manter, respeitar, e fazer cumprir os tradicionais foros, liberdades e garantias dos Portugueses, violados pelo seu antecessor estrangeiro.

In Wikipédia



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António Inglês


METADE DOS PORTUGUESES NÃO FAZ TESTE DO VIH/SIDA POR MEDO


Apesar de um em cada três portugueses conhecer uma pessoa seropositiva, metade da população tem receio de fazer testes para diagnóstico da doença por vergonha. Os dados fazem parte do estudo “A Opinião Pública Portuguesa e a Sida – Ultrapassar a Era do Medo”, que revela que 80 por cento dos inquiridos associa esta doença ao medo, o que os impede de irem ao médico para evitarem ser confrontados com possíveis maus resultados.



De acordo com o mesmo estudo, realizado no âmbito do Dia Mundial da Luta Contra a Sida, que se celebra a 1 de Dezembro, 43 por cento dos inquiridos considera que esta é a segunda doença mais grave em Portugal, depois do cancro (76 por cento), e 24 por cento refere que os portadores de VIH/Sida são dos grupos mais discriminados pela sociedade.




Ainda assim, há muito desconhecimento face aos comportamentos de risco e o medo e a injustiça são os principais sentimentos gerados pela doença. Cerca de 93 por cento das pessoas que participaram no estudo dizem que as pessoas infectadas com o vírus são discriminadas, e apenas 37 por cento sentem que este tratamento diferencial tem reduzido.



O estudo revela, ainda, que uma grande parte das pessoas não tem uma ideia muito clara do número de infectados, nem da sua faixa etária. Embora a maioria dos inquiridos (77 por cento) associe o risco às relações sexuais não protegidas (não utilização de preservativo), a multiplicidade de parceiros sexuais é considerada por apenas 14 por cento.



Quanto à atitude das diferentes entidades no combate à Sida, são as áreas ligadas à saúde, à investigação e à solidariedade social que têm uma atitude mais empenhada, para os entrevistados. Do lado contrário está o Estado, os líderes de opinião, a igreja Católica e os Empregadores, vendo 58 por cento dos inquiridos estes últimos com desconfiança.



Campanhas publicitárias pouco recordadas

Para os inquiridos as campanhas de publicidade mais eficazes são as que apelam à prevenção, ao uso de preservativo e à necessidade de um diagnóstico precoce. São estas que a população melhor recorda. Porém, a grande maioria é indiferente a muitas delas – apenas 49 por cento recorda com alguma facilidade as campanhas publicitárias levadas a cabo nas últimas décadas.




O estudo - elaborado pelo Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica Portuguesa com o apoio da Tibotec – baseou-se num inquérito realizado em Novembro junto de 603 portugueses, de ambos os sexos, entre os 18 e os 65 anos, sobre temas de saúde pública. “Pretende-se que as conclusões possam dar um contributo fundamentado para se ultrapassar o medo, gerando novas atitudes face às pessoas seropositivas e à doença”, explicou Castro Caldas, médico neurologista e Director do ICS.




Em Portugal, o primeiro caso foi detectado em 1983, no Hospital Curry Cabral. Segundo estimativas para Portugal do Programa Conjunto das Nações Unidas para a Infecção VIH/Sida, existirão no país cerca de 32 mil pessoas infectadas, entre os indivíduos do grupo etário dos 15-49 anos. Assume-se para este cálculo um número de infectados não diagnosticados de 30 por cento, de acordo com a média da União Europeia.



De acordo com a classificação adoptada pela OMS, a epidemia portuguesa é do tipo concentrado. A prevalência na população geral portuguesa é inferior a um por cento, mas pelo menos em dois grupos vulneráveis (utilizadores de drogas injectáveis e reclusos) é superior a cinco por cento.




No caso dos grupos de utentes que recorreram em 2004 às diferentes estruturas de tratamento da toxicodependência, as percentagens de positividade para o VIH variaram entre os 12 por cento e os 28 por cento. O relatório diz também que o peso relativo das vias de transmissão da infecção tem-se modificado em Portugal, mas os utilizadores de drogas injectáveis representaram, desde o início da epidemia e até 1999, a maior proporção de infectados.

Romana Borja-Santos/Público 27.11.08

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António Inglês