terça-feira, 29 de julho de 2008

RETRATOS PREOCUPANTES DE UM PORTUGAL DIFERENTE

INSEGURANÇA E CORRUPÇÃO EM PORTUGAL



Notícia 1

Violência doméstica e familiar aumenta em Portugal

Em Portugal, de acordo com os dados fornecidos pelo Ministério da Administração Interna, as denúncias de violência doméstica têm vindo a aumentar sistematicamente e de forma progressiva, tendo-se registado 11.162 queixas em 2000, 12.697 queixas em 2001, 14.071 queixas em 2002 e 17.427 queixas em 2003.
Acresce que em 2003 a violência contra a(o) cônjuge ou companheira(o) foi a mais frequente, constituindo 84% das denúncias. Isto entre 2000 e 2003, e como a violência tem vindo a aumentar, imagine-se os anos seguintes.



Notícia 2

Portugal: Maus tratos policiais e violência doméstica denunciados no relatório da Amnistia Internacional

O relatório da Amnistia Internacional (AI) 2008 indica que, em Portugal, persistem os episódios de violência contra as mulheres, bem como os casos de violência policial e consequente impunidade. O documento – que tem como objectivo traçar a evolução anual do cumprimento dos direitos humanos em todo o mundo – nomeia ainda a passagem dos voos da CIA transportando alegados terroristas por solo português. Durante a apresentação do relatório, a AI apelou aos governos de todo o mundo que peçam desculpa por seis décadas de falhanços nos direitos humanos e que se voltem a comprometer com metas mais concretas.



Notícia 3

Violência escolar: Portugal e Espanha com níveis de bullying semelhantes

O estudo comparativo entre Portugal e Espanha, divulgado na 4ª Conferência Mundial sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, que decorreu na Fundação Gulbenkian, foi realizado a partir de um questionário a 1.233 crianças entre os 7 e os 13 anos de oito escolas de Lisboa e de Sevilha. Do total de crianças inquiridas, 17,7 por cento diziam que eram agredidas com frequência e 42,1 por cento foram vítimas de pelos menos um ou dois comportamentos agressivos.




Notícia 4

Quatro pessoas sofrem violência sexual por dia em Portugal

A manchete acima é a matéria de capa do Destak. A Amnistia Internacional divulgou um relatório onde aponta que, em Portugal, houve 1443 crimes sexuais em 2007, dos quais 380 tiveram como vítimas crianças ou adolescentes. Mais: 87% eram do sexo feminino e menores de 16 anos.



Notícia 5

Aumentam denúncias de corrupção

O Ministério Público do distrito judicial de Lisboa iniciou 577 novos inquéritos de crimes de corrupção nos primeiros seis meses de 2008, um número superior ao total de denúncias registadas pela Procuradoria-geral da República durante todo o ano de 2007. Correio da Manhã



Notícia 6

População de Abrançalha, Abrantes, aterrorizada pelos 'talibãs'

A família dos cinco suspeitos de terem atacado e roubado uma 'shotgun' a agentes da PSP é temida pelos vizinhos, que dizem ter medo deles. A arma retirada à polícia foi ontem encontrada. A audição dos arguidos no tribunal estava prevista para ontem, mas foi adiada para esta manhã. JN.



Notícia 7

Taxista não conseguiu pedir socorro e foi alvejado pelas costas

Na praça de táxis à porta da Estação de Ermesinde, o ambiente era ontem à tarde de consternação e todas as viaturas de aluguer tinham fitas pretas dependuradas em memória de Jorge Cruz, taxista de 39 anos, assassinado a tiro na madrugada de domingo por três clientes que continuam a ser procurados pela polícia. A vítima não teve tempo de accionar sistema de alerta Táxi Seguro. JN.


Notícia 8

Aumenta a pressão dos traficantes sobre Portugal

Silves. Polícia Judiciária deteve três indivíduos e apreendeu 73 fardos de haxixe que daria para quase cinco milhões de doses individuais. A apreensão daquele tipo de droga no Sul de Portugal tem vindo a ser quase diária em resultado da maior vigilância que Espanha tem exercido sobre a sua costa.
Os espanhóis têm toda a costa vigiada, com vídeo vigilância, radares e, agora, também através de satélite. As autoridades sabem o que se passa no mar e, em caso de suspeita, alertam a polícia portuguesa.
Esta vigilância está a desviar a maior parte do tráfico para a costa portuguesa, sobretudo do haxixe que tem origem em Marrocos. A eficácia nas apreensões tem sido enorme. JN.



Notícia 9

Polícias envolvidos em esquemas ilegais de segurança

A PSP recolheu indícios, no âmbito da averiguação desencadeada a pedido da Associação Sócio-Profissional da PSP (ASPP/PSP), de que há polícias de três distritos envolvidos em esquemas ilegais de segurança nocturna.
«Estamos expectantes relativamente à investigação, já que nos foi referido pelo director nacional que havia matéria de facto na investigação», contou hoje à Lusa o presidente da ASPP/PSP, Paulo Rodrigues.
«É importante uma investigação minuciosa, mas também não pode demorar anos», disse agora o presidente da ASPP/PSP. Destak.



Estas são algumas das inúmeras e preocupantes noticias que diariamente saem nos jornais de Portugal. O país está a resvalar de forma assustadora para uma onda de violência como nunca se viu. Porquê? Tenho para mim que muitos serão os factores que a têm influenciado. Desde logo a gravosa situação financeira que atravessamos com a consequente falta de emprego.

O endividamento das famílias portuguesas é uma realidade e as dificuldades financeiras aumentam a olhos vistos. Desde que fazemos parte deste vasto território que dá pelo nome de Europa, o país abriu as suas fronteiras a tudo e todos e muitos dos que nos procuraram para viver e trabalhar, apenas vieram em busca de vida fácil, coisa que nos tempos que correm não se vislumbra em lado algum.

Um país de fronteiras abertas, está sujeito a tudo e a situação geográfica de Portugal é um tentador convite e serve de passaporte para o resto da Europa.

Muito provavelmente, foi o risco que tivemos de correr para não se perder o comboio europeu, muito embora eu procure encontrar o saldo desta adesão que, em principio deveria ser positivo, e que o foi seguramente, mas só para alguns.

Pior que tudo isto, na minha modesta opinião, é que existirão razões de raiz bem mais profunda e que têm a ver com a educação e com a perda de valores morais que eram imagem de marca da nossa sociedade e dos nossos pais.

O conceito de família perdeu-se, talvez porque se viva a correr, sem tempo para mais nada que não sejam as muitas solicitações que a modernização nos vai oferecendo em nome da liberdade e do progresso.

As amplas liberdades deram a muitos a ideia de que tudo poderiam fazer ou dizer, esquecendo-se eles, que a “sua” liberdade termina onde começa a dos “outros” .

A falta de respeito que se faz sentir, é pois um dos factores que mais influencía negativamente os acontecimentos menos felizes do dia a dia dos portugueses. Uma questão de educação.

Os preços aumentam, o endividamento aumenta, as taxas sobem, a criminalidade aumenta, a corrupção aumenta e pelos vistos continuará a aumentar e sobretudo aumentam os “inteligentes” que fazem das sentenças e da Lei a sua prória leitura, em proveito próprio, de quem ou do que defendem claro, mesmo que salte à vista de toda a gente que a verdade não é bem aquela que nos tentam impingir.

Infelizmente, vivemos num país de “chicos espertos” e num “faz de conta” assustador, onde cada vez mais se tenta viver “tirando onde faz falta e pondo onde faz vista”, ludribiando a justiça ou utilizando-a como convém e por isso estamos carregadinhos de “injustiças sociais”.

Aparentemente são os que vivem destes expedientes que se vão “safando” e o resto é folclore, talvez porque andemos há tempo de mais a falar em direitos e há tempo de menos a falar em deveres e obrigações.

Que país é este onde os criminosos são presentes ao Juíz e saem em liberdade? Que país é este onde a policia sabe que actua e depois vê o seu esforço cair por terra, mesmo pondo a vida em perigo, porque um Juíz resolve, em face da Lei, pôr os criminosos com termo de identidade e residência, como se esse facto os impedisse de continuarem a praticar os mesmo crimes?

Que país é este onde processos gravíssimos nunca mais são julgados ou dada a morosidade, acabam prescritos?

Que país é este onde se utiliza a demora dos processos em benefício dos culpados?

A propósito de “faz de conta” e de “injustiças”, evoco um artigo de Mário Crespo, que por trazer a lume as incoerências de alguns protestos e de algum modo pôr o dedo na ferida, passo a transcrever. Vale a pena ler pois diz muito da realidade que vivemos actualmente.

António Inglês



Limpeza étnica

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter.

'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes, que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures (e segundo o Presidente da Câmara muitos não pagam), e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.' A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.



Preocupante tudo isto, não acham? Fotos da Net António Inglês

2 comentários:

RESSACA disse...

Aqui nasceu o Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...

Geo disse...

Querido António! Pois por pouco respondo a ti que o país é o Brasil...rsrsrs...fico triste em saber que um país como Portugal está entrando em uma situação como esta. Aqui no Brasil a muito se perderam os valores, o respeito...

O que recebemos pela TV não passa de uma ilusão onde o ter é mais importante que o ser...vende-nos essa quimera fatal...estamos hipnotizados por uma política corrupta e oportunista, egoísta que se enriquece sobre a desgraça alheia...

É revoltante, impossível não comentar seu post...que muito chama a atenção...

Beijos!

Geo