segunda-feira, 21 de abril de 2008

RESCALDO DE UM FIM DE SEMANA!

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Pois meus amigos, este fim de semana andámos numa de descompressão da lufa-lufa do dia a dia. Aceitámos um antigo convite de amigos e como o filhote estava fora, lá fomos até aos Estoris. Deu para confraternizar, assistir a bons espectáculos, satisfazer uma boa conversa à hora das refeições e sobretudo, deleitar a vista por locais de que há muito andávamos afastados.

Pois é, a verdade é que estes fins-de-semana deixam-nos sempre de água na boca e uma promessa de que a aventura será repetida. No fim, fica o rescaldo de tudo o que se viu e viveu.

Há muito que me apetecia desabafar, evocando a educação e os conceitos que me foram transmitidos por meus pais e que sempre defendi como exemplos de dignidade, tendo deles feito uso com os meus filhos, e creio que posso afirmar que não me dei mal.

Tenho andado muito atento às noticias constantes que nos vão deixando de rastos, sobre a segurança das nossas crianças. Os raptos, os assassínios, as violações, enfim, um sem número de crimes que nos trazem preocupados e que não me parece, sejam combatidos com a eficácia que todos esperávamos. As noticias são diárias e preocupantes. Estão em causa os nossos filhos, a sua segurança, a sua educação e formação enquanto homens e mulheres de bem do amanhã.

Foi assim que dei comigo a pensar, como as coisas andam mudadas realmente e como todos nós temos afinal responsabilidade nestas mudanças... queiramos ou não.



Pois este programa de fim-de-semana era aliciante, e para além da componente amizade, recheada com uns almoços e umas jantaradas, previa também cinema e teatro. Foi diversificado e agradável.

O filme, O amor e a vida real, foi interessantíssimo e contou-nos uma história complicada de um amor quase impossível de um viúvo, (Steve Carrel) pai de três meninas de quem cuidava com o carinho de pai e mãe, que se apaixona pela namorada ( Juliette Binoche) do irmão (Dane Cook). Quase instintivamente adivinhei qual seria o fim do filme e pensei para comigo, que quando assim é, dou normalmente por mal empregue o dinheiro do bilhete. Como estava enganado. É que o filme e os seus intervenientes deixaram-me pregado ao ecrã. Excelente sessão da meia-noite de Sexta-Feira.



A peça de teatro, A Gorda-Fat Pig, do dramaturgo norte-americano Neil LaBute, na reabertura do Teatro Villaret, numa homenagem a Raul Solnado seu fundador, onde já não ia há tanto tempo, teve excelentes momentos de bom teatro, alguns hilariantes, com quatro bons jovens actores, Ricardo Pereira, Carla Vasconcelos, Carlos António e Maria João Falcão, que me deixaram bastante identificado com o tema, ou não seja eu próprio, um Gordo.

A peça conta a história de Tomás, um rapaz magro e elegante que se apaixona por uma rapariga gorda, Helena.

Até aí, tudo corre bem: os problemas começam quando ele a apresenta aos colegas de trabalho e se vêem ambos confrontados com os preconceitos da sociedade contemporânea, obcecada com a imagem, que rejeita todos quanto fujam aos padrões de beleza instituídos. Mais uma vez os preconceitos. Excelente noite de Sábado.



Quanto aos almoços e jantares, bem por aí não me perco podem estar certos e dispenso-me de comentar onde e o que comemos. Garanto-vos que estou de “papo cheio”.

Mas, e porque o tempo isso permitiu, lá andei por alguns Shoppings, como não poderia deixar de ser... E foi num deles que dei por mim de repente, estupefacto com o que ia desfilando perante os meus olhos.

Talvez por ser fim de semana, encontrei dezenas de jovens em grupos, passeando e querendo apenas gozar os prazeres da vida numa fase em que ela mais lhes sorri.

Bandos e bandos de juventude, feliz, radiante e despreocupada, em amena cavaqueira em volta

das mesas que inundam os Centros Comerciais e onde todos nos juntamos ingerindo comida pouco saudável, ou bebendo um simples café, são fáceis de encontrar.

Até aqui não vem mal ao mundo, tudo normal e natural. Só que um olhar mais atento fez-me pensar duas vezes. Rapazes e raparigas de 13/14 anos eram quem mais por ali andava e sem problemas. No entanto, um pormenor me saltou à vista.

É que muitas dessas moças trajavam como se de miúdas de 17/18/19 anos se tratasse. Um traço bem marcante de atrevimento, normal e natural em idades mais próprias, mas menos apropriado em idades em que a única preocupação deveria ser uma sã camaradagem entre colegas, e um bom ocupar de tempo numa confraternização saudável e genuinamente feminino, mas ainda adolescente, próprio de quem tem 13/14 anos.

O preocupante, é que elas se “produzem”, como agora se diz, sem que se perceba muito bem, porquê e para quê. O jogo da sedução começa muito cedo...

Claro que penso que devem mostrar efectivamente, a preocupação na forma de se arranjarem, e isso demonstra auto-estima e cuidado na higiene pessoal. Será só isso?

Quando essa “produção” excede a normalidade, e assistimos a grupos de moças que, provocantemente vestidas ou nem tanto, demasiado maquilhadas e de cigarrito na boca.... se pavoneiam por entre a multidão, então desculpem-me mas aí eu fico completamente bloqueado.

Será que os pais saberão destas “produções”, e estão de acordo com elas? Não terão eles alguma responsabilidade na forma como as suas filhas se apresentam nestas idades no seus grupos de amizades?



Saberão quem são os amigos que com elas se encontram? Será que estou desajustado no tempo, meus amigos? Ou será que estas situações não porão em causa os equilíbrios que a nossa juventude deveria saber entender e pôr em prática?

Em que parte da vida dos nossos filhos falhamos? Não faltará tempo e diálogo entre pais e filhos?

Tenho para mim, que estas idades são decisivas na constituição da personalidade e no carácter dos nossos filhos, e penso também que eles necessitam de algum espaço e de alguma liberdade que os vá preparando para enfrentarem os perigos da vida, ou seja, responsabilização e um voto de confiança, mas controladamente, ou estarei errado?

Será que nos devemos divorciar dessa fase? Não será importante exercer-mos um papel decisório numa altura tão importante da vida dos nossos filhos?

É que quem se “produz” assim com 13/14 anos corre sérios riscos e nos dias de hoje o perigo espreita em qualquer esquina.

Depois os problemas acontecem e lá aparecem os pais aflitos, quando as coisas correm mal. E só se lembram disso depois?

Sinceramente, eu devo estar perfeitamente desajustado no tempo ou então não dei pelas alterações do comportamento do ser humano nestas últimas décadas...

Estarei enganado?

António Inglês

26 comentários:

elvira carvalho disse...

Amigo, ainda bem que passou um fim de semana muito agradável, e diferente. Sair da rotina é óptimo para a nossa saúde mental. Estou plenamente de acordo quanto aos miúdos de 13/14 anos.
Peço-lhe o favor de passar pelo Sexta na próxima 5ª feira dia 24 de Abril.
Um abraço e uma boa semana

amigona avó e a neta princesa disse...

Meu querido amigo como eu gosto de te ler!!!
Ainda bem que o fim-de-semana foi óptimo (e bem cheio,pelos vistos!!!) e que tudo correu bem!
Quanto aoque dizes sobreos 13/14 nem sabes como me arrepio a pensar que daqui a 2/3......será que vouser capaz de passar a mensagem? Os tempos são outros...Beijos...

Sophiamar disse...

Querido Amigo António

De facto, as meninas de treze/catorze anos vestem como se tivessem mais idade e maquilham-se também exageradamente. Estamos em tempos de mudança e nós, que não temos meninas nessas idades, não nos apercebemos dessas transformações. Terão as novelas alguma influência neste exagero de precocidade? Talvez! No entanto, se os pais estiverem atentos, se a dissolução da família não existir tudo isto passará sem problemas de maior.
De resto, estava eu um bocadinho preocupada com o mano Tó e ele em passeio e amena cavaqueira.
Foi excelente, como nos dás conta, e faz falta uma passeata de vez em quando.
Beijinhosssss mil

Brancamar disse...

Olá Mano,
Já tinha saudades,mas estive a fazer um trabalho que me ocupou uns dois ou três serões, passei por cá só de raspão.
Quanto aos miúdos não estás nada fora de tempo, tens toda a razão. Como sabes tenho uma filha muito jovem e ela também repara nisso e comenta tal como tu, às vezes ainda comenta com mais acuidade. Infelizmente muitos dos pais dessas miúdas e miúdos não têm tempo para os filhos, outras vezes não querem ter, são ainda crianças, com pressa de serem mulheres, mas estão completamente sós.
Quanto ao resto foi bom o teu fim de semana, também era para ir ver esse filme, vi outro, muito bom também porque parece que vai embora mais cedo, o "Nunca é tarde demais" de Jack Nicolson e Morgan Freeman, mas quero ainda ir ver o teu por estes dias. O meu filho esteve no mesmo dia que eu no mesmo cinema a ver esse que viste e trocamos impressões, ele também gostou muito.
Foi um bom fim de semana o teu, eu também não me posso queixar. Ainda por cima tive hoje muito cedo, mal me levantei uma bela surpresa, que todos podem ver nos meus comentários: o meu filho deixou-me de madrugada um comentário sob a forma de poesia que é um belo hino de amor filial e que trouxe uma feliz serenidade ao meu dia. Ontem também tive um belo banho de família e hoje voltei a ter o prazer da presença do filho, com algumas novidades e alegrias pelo meio.
Assim, despeço-me feliz quanto baste, para mais uma noite de sono e de sonhos.
Beijinhos.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido Amigo António, se me leres sem pensar em poesia, vais ver que muito mais fácil.
Aqui na minha humilde casinha, não estás a ler a poetisa Fernanda, como muita vez me intítulam, mas a tua Amiga Fernandinha, que escreve, para o computador diretamente, o que lhe vai na alma, naquele instante, sai flutua da minha mente e coloco em palavras os sentimentos!
Um grande beijinho de carinho! Volto depois para comentar o teu texto... Até logo,
Fernandinha

Brancamar disse...

Voltei António,
Só agora vi a tua mensagem.Tenho a impressão que a que deixei aqui esta noite e ainda não foi publicada veio muito depois da tua, por isso não sei porque te desculpas porque eu também andei por aqui às voltas estes dias e só hoje pude conversar mais um pouquinho. Os bons amigos como nós sempre sabem que não há problema se faltamos um dia ou dois. Espero que tenhas sempre essas certezas nas minhas ausências.
Dorme bem.
Beijinhos

Maria disse...

Amigo António

É um tema que também me preocupa, quando vejo miúdas de 13/14 anos armadas em "baarbies" ou coisa parecida. Se é neta de alguma amiga minha, sabes qual é a resposta que muitas vezes tenho? "Deixa lá a menina"..., o que está em completa oposição a uma tida dessa menica, com 26 anos, que diz "assim vestida não sais comigo".
Como é? Será que as mães/avós não vêem o que vê uma tia de 26 anos?
Não me quero pronunciar mais sobre o assunto, porque os tempos são de mudança e quero acreditar que os pais fazem o seu papel de acompanhamento dos filhos. Devem ser preocupações de velha, apenas....

Um abraço
(estive por aí enquanto estavas por aqui. comi cornucópias de Alcobaça....)

António Inglês disse...

Elvira

Bom dia!

Espero que esteja bem. Como vai a saúde de seus pais?
Este fim de semana deu mesmo para descontrair pois estava aprazado há uns tempinhos. Deu agora jeito porque o filhote foi para um campeonato escolar de Vólei no Seixal e como ficou lá o fim de semana todo, aproveitámos a lua-de-mel e estivemos com amigos de longa data.
Curioso, curioso é que sem se saber já tivemos um novo convite para este próximo e também para estarmos com outros amigos.
Há alturas assim.
Fique descansada que lá estarei no Sexta à Quinta.
Um abraço
António

António Inglês disse...

Olá amigona

Não sei como será o futuro, mas que temos de ir arranjando maneira de nos acomodar-mos lá isso temos.
No meu tempo de juventude, o meu pai só começou a deixar-me sair assim até tão tarde tinha eu já 16 ou 17 anos, e mesmo assim tinha horas marcadas para regressar a casa. Só já para os 18 comecei a fazer das minhas e a chegar um pouco mais tarde.
A minha mãe tinha uma forma peculiar de me pressionar a não chegar muito depois das horas normais. Ficava acordada na sala de jantar, fazendo versos populares, bem à sua maneira, e não se deitava até eu chegar.
Claro que me partia o coração e se bem que isso me preocupasse, a grande maioria das vezes ela teve de fazer umas noitadas. Era assim como uma companheira de paródia mesmo não saindo de casa.
Os tempos agora são outros minha amiga.
Se calhar quem está errado nisto tudo serei eu que talvez não tenha evoluído o suficiente para saber que isto agora é assim.
Sinceramente, não me entram cá na cabeça estes "preparos" que a cachopas de 13/14 usam nos tempos que correm.
A grande maioria delas, manda de um corpo que se confunde facilmente com maior idade, e depois trajadas daquela maneira, maquilhadas até ao osso, arriscam-se a muita coisa.
Depois as coisas acontecem e tenho para mim que desta forma existe uma espécie de culpa repartida pela provocaçãozinha que fazem aos mais anormais dos seres humanos que não se sabem comportar, e infelizmente há muitos.
Somos nós pais que deveríamos estar atentos, mas em muitos casos, estas situações até que dão jeito a muitos. As filhas e os filhos saindo à noite ao fim de semana até lhes deixam mais tempo livre para fazerem o que querem. Depois admiram-se...
Eu, como digo no artigo que escrevi, devo mesmo andar "fora de tempo" ou então o meu "prazo de validade" está a acabar.
Um beijinho
António

António Inglês disse...

Bom dia Isabel

Pois andei mesmo na "boa vai ela" de fim de semana. Estava programado para um deles e não era para ser este em especial. Era daqueles convites que respondemos, um dia nós vamos! Foi desta. Aproveitámos a folga dada pelo filhote e lá nos pusemos no laréu...
É como dizes, os tempos são outros e a grande maioria dos pais acomodou-se ou então encontrou a "fórmula" que eu ainda não descortinei.
Já não tenho filhas dessa idade, mas tenho netas e filhas de amigos e fico preocupado.
Se as coisas são assim agora, como serão num futuro próximo.
Depois eu sou um bocado antiquado, eu sei, não alinho muito no"pé na tábua e fé em Deus"... para mim as coisas têm de ter um ponto de equilíbrio. Eu não digo que a juventude tem de ficar em casa, nem afirmo que não tenha de se arranjar. O que me faz confusão é a forma demasiado marcada como esta rapaziada quer viver num tempo " a seguir"...
Se eles soubessem como isto é tão rápido, como o tempo passa tão depressa, seguramente que viveriam cada época no seu devido lugar.
O grave problema disto tudo, é que andam "olhos" à espreita disto tudo e o mal acontece sem que menos se espere.
Para mim, os pais têm alguma culpa e lamento dizê-lo mas a alguns até lhes dá jeito a ausência dos filhos nas noites de fim de semana...
É como penso e se calhar estarei errado...
Um beijinho
António

António Inglês disse...

Branca, bom dia mana!

Vejo como estás feliz! Às vezes é preciso tão pouco para nos sentirmos assim...
Neste caso não foi tão pouco, o "Belasco" fez uma declaração de amor à mãe que serviria de exemplo a muitos de que falo no artigo que escrevi.
E como vês, ele também tem gostos parecidos com os meus pois foi ver o mesmo filme que eu... se bem que nem tenha sido eu a escolhê-lo...
Quanto à juventude, como observas, é mesmo a tua filhota, jovem que repara nisso, o que me deixa um pouco mais descansado... é que já começava a pensar que tinha entrado mesmo na idade "jurássica"...
Devo estar na razão então...
Mas temos de nos ir acomodando o melhor que soubermos e pudermos pois o mundo está numa constante mutação... É preciso acreditar... como dizia o poeta... e eu acredito mas custa um bocadinho desta maneira...
Seja o que Deus quiser. Enquanto tiver saúde e forças vou tentando saber o que faz o meu mais novo, para onde vai, com quem vai e quem são os seus amigos. Não me tenho dado mal com isso e garanto-te que ele não se importa muito. Entre nós há diálogo e ele entende perfeitamente que nem tudo deve ser feito fora de certos parâmetros.
Mas este meu mais novo também serve muito de exemplo pois é um rapaz um bocado à moda antiga e com gostos muito especiais. Tem o seu carácter muito vincado, sabe o que quer da vida, é organizado na desorganização e bom aluno. Sobretudo é bom filho e isso é o que mais interessa. Está sempre preocupado com os pais e não pode ver nenhum de semblante um pouco mais carregado que anda logo de volta de nós.
É ele mesmo que nos conta com quem sai, quem são os amigos e se vê que algum não é de confiança, é o primeiro a dizer-nos.
Acho que fui feliz com os filhos que tive.
Tu minha amiga, pelos vistos também. Acho que fazemos a diferença mesmo...
Um grande beijinho
António

António Inglês disse...

Fernandinha

Deve ser essa a razão que me leva a gostar do que escreves. E entendo perfeitamente as tuas palavras minha amiga.
Outras poesias há que me fazem muita confusão. É que aquilo que querem dizer nem sempre é o que aparentam e ficam nas entrelinhas as conclusões...
Sinceramente já não tenho idade nem jeito para me apaixonar por esta tão nobre arte que não é acessível a todos. Não basta querer, é preciso sentir e ter nascido com esse dom.
No entanto, leio alguma outra poesia, (e na Net ela prolifera), cujos autores procuram as palavras mais confusas e mais complicadas parecendo que essa é a forma mais evoluída e mais erudita de fazer poesia.
Não tenho mesmo sensibilidade nenhuma para isso, o que lamento...
deve ser a minha cultura que é menos apurada....
Da tua gosto, sinto o que dizes, sinto que é mesmo como tu própria te identificaste. As palavras saem-te e saltam para o computador, bem do fundo do coração...
Desculpa o desabafo, mas este sou eu... sem tirar nem pôr...
Um beijinho de muita amizade.
António

António Inglês disse...

Branca

Eu sou mesmo assim, sei reconhecer quando me porto mal. Neste caso, e não é de agora, sei perfeitamente que deveria dar mais atenção aos amigos e não andar tão ausente.
Muitos não entendem, pois se faço postagens, que diabo poderia visitá-los, e têm toda a razão, só que o meu tempo é controlado por factores exteriores que me obrigam a tomar decisões. Ora bem, se visito os amigos, fico sem tempo para lhes responder aos seus comentários. Se respondo aos comentários, fico sem tempo para os visitar. SE faço uma coisa ou outra fico sem tempo para postar, que no fundo foi a razão da existência do meu blog. Se calhar porque nunca ninguém me deu ouvidos e nunca pude dizer o que me apetecia e queria.
Como encontrei o sítio, faço o que gosto e vou tentando equilibrar as coisas.
Isto não se aplica nem a ti, nem à grande maioria dos nossos amigos, claro, porque sei me entendem e eu os entendo também.
Mas neste mundo da blogosfera, uma das razões da sua existência é precisamente a partilha, se bem que outras existirão não menos importante, e eu tenho de perceber isso mesmo.
Se reparares, costumo manter este ritmo de postagens, que é o que me dá prazer, e na vida penso que já teria feito de tudo o que se costuma dizer para ser um homem completo, falta-me apenas escrever um livro. Quem sabe se este meu "Porentremontesevales" não será esse livro, quem sabe...
Tenho ainda outra maneira de me comportar, é que quando faço visitas vou a todos os amigos, como também tu fazes. Não sei ser de outra maneira e a todos trato de igual maneira sem que melindre nenhum. Não quer isto dizer que sinta por todos o que sinto por alguns em particular, claro.
Nem sei porque te estou a dizer isto tudo... ah já sei, porque me disseste que não tinha de me desculpar porque tu própria terás andado um pouco mais afastada.
Pois, mas eu sei reconhecer o que faço bem e o que faço mal. Por isso te deixei o meu comentário.
Enfim, um dia eu mudo. Quando perceber que tenho de começar a fazer menos postagens e a utilizar o tempo de uma forma mais adequada.
Beijinhos muitos.
António

PS. Fiquei a conhecer a cara da nossa neta. Jesus que miúda! Alegre, bem disposta e ao que parece de bem com a vida. Ainda bem.
E será sobretudo uma boa filha, a avaliar pelas palavras deliciosas que a mãe lhe vem dedicando. Quem é assim boa filha é seguramente boa mãe.
Carinha laroca da nossa Lisa's Mau feitio!

António Inglês disse...

Maria

Este tema já há muito tempo era para falar nele, pois não é de agora que venho reparando nestas mudanças constantes.
Calhou agora porque me confrontei demasiadas vezes com grupos de jovens que me pareceram excessivamente "produzidas" para o meu gosto.
Acho que nem todos os pais e avós cumprem com o seu papel, mas enfim, são opiniões e se calhar serei eu que não estarei dentro do "prazo" já...
Espero que tenhas gostado das cornucópias de Alcobaça. Não é em todas as Pastelarias que elas são boas, mas espero que tenhas acertado...
Um beijinho. Um dia a gente encontra-se se é que já não nos cruzámos por aí...
António

joana disse...

António, esteve cá no sul foi?

Quanto ao seu "desajuste" não está desajustado, existe uma falta de capa cidade de exercer autoridade da parte dos pais, existe um medo quase patologico de "estrangular" a liberdade dos meninos. Não se pode dar uma palmada, não se pode por de castigo, não se pode exercer nenhum tipo de autoridade porque isso traumatiza as criancinhas. O resultado é aquilo quer o António vê, mais os casos como do Liceu Carolia micaelis, são criancas sem qualquer controlo, sem qualquer noção social...
Ficamos por aqui, é isto emais muitas outras coisas ;)

São disse...

Foi por sentir as mesmas preocupações que tu que escrevi "Laços"...
A infância está a ser mal vivida e á pressa e isso tem graves consequências!!
Beijos.

Filoxera disse...

Não li tudo, mas lerei depois.
Vim agradecer as palavras e reparei que veio para os meus lados.
Nós, coincidentemente, também vimos dois filmes com a Juliette Binoche, no vídeo, que a tv e a internet estiveram avariados.
Beijinhos.

osátiro disse...

Um conto digno de Ramalho Ortigão...

António Inglês disse...

Bom dia Joana
Estive a Sul de onde moro, mas não lá para o Sul a que se refere, penso.
Desta vez ainda não deu, ficará para breve.
Os tempos são mesmo outros Joana e nós temos de ir aprendendo a lidar com os novos ventos.
Enfim, a idade e a forma de estar tem destas coisas, mas se calhar serei eu que andarei a leste das novas forma de educação já para não falar no ensino que nos trás preocupados, com as reformas que lhe estão a ser introduzidas, com a insatisfação dos professores, com a falta de segurança que a maioria das escolas tem, com a falta de educação de alguns alunos.
Onde parará tudo isto?
Um abraço
António

António Inglês disse...

São

Tens toda a razão. Tudo está a ser vivido muito à pressa e sempre ouvi dizer que depressa e bem não há quem.
Um beijinho
António

António Inglês disse...

Filoxera

Ando muito para os seus lados e aliás já vivemos na linha de Cascais durante uns anos.
Como gostamos, de vez em quando damos por aí uma passeata. Temos alguns amigos que por aí vivem.
Quanto ao filme que vimos, gostámos bastante.
Um abraço
António

António Inglês disse...

osátiro

Meu caro amigo, não penso que mereça tanto e se calhar Ramalho Ortigão se fosse vivo e soubesse deste seu comentário ficaria ofendido.
Sei que ele gostava muito de falar e escrever sobre as suas viagens, coisa que também a mim me dá muito prazer.
Não me considero conservador, mas não me parece que fiquem mal alguns conceitos de educação que nos foram legados por nossos pais.
A prudência é a filha mais velha da sabedoria, sempre assim ouvi dizer, e talvez fosse interessante não perder-mos de vista o conceito.
Um abraço e grato pela visita.
António

Filoxera disse...

Voltei. Tinha-me faltado a continuação.
Também julgo que algo não vai bem no reino da adolescência, a começar, provavelmente, pela falta de empenho dos pais.
Como mãe, tia, madrasta, sei que é mais que exigente a tarefa de educar, mas é a que mais nos pode realizar, ou não? Eu julgo que, se daqui a uns anos olhar para os meus filhos e vir neles pessoas responsáveis, honestas, respeitadoras, com valores e, se possível, realizadas, ver-me-ei a mim própria muito satisfeita.
Bjs.

Joaninha disse...

António a Joana era eu, sem ter feito login...Bjs

António Inglês disse...

Filoxera

Pois minha amiga, é o que tenho feito ao longo destes anos todos e se consegui, tanto melhor pois nenhum dos meus filhos tiveram maus exemplos.
Nos dias de hoje, as coisas são diferentes e parece-me que muitos pais se divorciam da educação dos filhos, umas vezes por falta de tempo , outras porque lhes interessa não ter esse tempo.
Um beijinho
António

António Inglês disse...

Ok Joana

Não tinha percebido. Mesmo assim é bom vê-la por aqui.
Um beijinho
António