O fim de 2008 e o começo de 2009 aproxima-se a olhos vistos. Mais uma passagem de ano, mais um reveillon e um renovar de esperanças.
Amanhã virei dedicar-vos uma postagem sobre o acontecimento, mas hoje quero lembrar também, que uma outra data se aproxima, o 10 de Janeiro de 2009. Será o desvendar do enigma de que vos falei há uns tempos atrás.
Por esta razão amigos, não estranhem eu aproveitar ao máximo o tempo que nos separa dessa data.
António Alves Redol nasceu em 1911, em Vila Franca de Xira. Frequenta o Curso Comercial, que conclui em 1927 e no ano seguinte parte para Angola. A sua passagem por Angola não é muito feliz, mas traz-lhe experiências que dão uma outra visão do mundo e lhe servirão mais tarde na sua actividade literária.
Cedo começou a trabalhar dada a natureza modesta da sua família, e por isso, parte para Angola, aos 16 anos, procurando melhores condições de vida, de onde regressou a Portugal três anos depois. Junta-se ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se opunha ao regime do Estado Novo, e filia-se no Partido Comunista.
Assim, é em 1936 que inicia a sua actividade literária, tornando-se colaborador do jornal O Diabo, para onde escreve crónicas e contos ribatejanos. Mas Redol viria a destacar-se principalmente como romancista e dramaturgo, sendo considerado um dos grandes expoentes do neo-realismo literário português. O grande exemplo disso é o seu primeiro romance Gaibéus (1939) que nas palavras do autor "não pretende ficar na literatura como obra de arte. Quer ser, antes de tudo, um documentário humano fixado no Ribatejo. Depois disso será o que os outros entenderem."
Introduziu o neo-realismo em Portugal com o romance Gaibéus (1939), nome dado aos camponeses da Beira que iam fazer a ceifa do arroz ao Ribatejo, em meados do século XX. Daí em diante sua obra revela uma grande preocupação social, velada ainda assim, dada a censura e à perseguição política movida pelo regime de Salazar aos oposicionistas, e mormente aos simpatizantes do PCP, como era o caso. Chegou mesmo a sofrer prisão política tendo sido torturado.
Esta preocupação em não se limitar à ficção e partir da experiência vivida e documentada será um traço fundamental da sua obra. Além de ir para a Ribeira do Tejo ouvir as histórias dos trabalhadores e das varinas e do Ciclo do Arroz, "viveu no Pinhão para ficar a conhecer o Douro e as suas gentes, descendo o rio com as tripulações dos barcos rabelos, esteve à beira de um naufrágio nos mares da Nazaré, ao sair para a faina com os pescadores para preparar "Uma Fenda na Muralha" (Ana Maria Pereirinha, 1996)
Como romancista Alves Redol destaca-se ainda pelas obras Marés (1941);Avieiros (1943; Fanga (1944); Reinegros (1945); PortoManso (1946); CicloPort-Whine, composto de três romances escritos entre 1949 e 1953; A Barca dos Sete Lemes (1958); Uma Fenda na Muralha (1959) e Barranco de Cegos (1962), a sua obra-prima. Estas três últimas fazem parte de uma fase que começou com A Barca dos Sete Lemese em que a intervenção política e social é posta em segundo plano, dando lugar a um centramento nas personagens e na sua evolução psicológica. Dá-se, portanto, na obra de Alves Redol, um desvio da corrente literária neo-realista.
Como dramaturgo destacam-se as peças de teatro Forja (1948) e O Destino Morreu de Repente (1967),objectos de censura nas tentativas que se fizeram de as levar à cena.
"A obra literária de Alves Redol poderá ficar para a história da literatura do século XX fundamentalmente como uma obra desigual, em termos de valor formal e artístico, mas é unanimemente considerada como uma obra de grande capacidade de rigor e observação da realidade social e de grande autenticidade e honestidade no seu empreendimento”
Alves Redol morreu, em Lisboa, curiosamente a 29 também, mas em Novembro de 1969.
Texto adaptado da Wikipédia e CITI Fotos da Net António Inglês
A pesquisa constatou que as pessoas que dormem quatro horas ou menos por noite têm 73% mais probabilidades de se tornar obesos, possivelmente por causa dos efeitos sobre as hormonas do apetite. O estudo da Universidade de Colúmbia foi apresentado no encontro anual da Associação Norte-americana para Estudo da Obesidade, em Las Vegas. Os resultados, de alguma forma, vão contra a intuição, já que as pessoas que dormem menos estão queimando mais calorias", disse James Gangwisch, que liderou a equipe de pesquisadores. Mas acreditamos que está mais relacionado com o que acontece com o corpo quando é privado de sono do que com a actividade física.
Falta de sono Uma equipe da Escola de Saúde Pública Mailman e do Centro de Pesquisas sobre Obesidade em Colúmbia analisaram dados de 18 mil pessoas com idade entre 32 e 59 anos, que participaram de uma pesquisa nacional sobre saúde e nutrição nos anos 80. Eles constataram que, mesmo depois de considerados factores como depressão, actividade física, consumo de álcool, etnia, nível de educação, idade e género, as pessoas tinham mais chances de se tornar obesos quanto menos dormissem. Os que tinham maior risco eram aqueles que dormiam menos de quatro horas por dia, mas aqueles que dormiam cinco horas por dia ainda tinham 50% mais probabilidades de serem obesos do que aqueles que tinham uma noite completa de sono.
Aqueles que dormiam seis horas por noite tinham 23% mais chances de estar acima do peso. StephenHeymsfield, que também fez parte da equipe de pesquisadores, disse que é tão simples quanto dizer que as pessoas que ficarem acordadas por mais tempo, provavelmente vão comer mais. "Existem cada vez mais evidências científicas de que há uma ligação entre o sono e os vários caminhos neurológicos que regulam a ingestão de alimentos".
Pré História Segundo ele, pesquisa anterior mostrou que a falta de sono está ligada à redução dos níveis da hormona que regula o apetite e o peso e diz ao cérebro quanto de energia está disponível no corpo. Já os níveis da hormona que faz as pessoas quererem comer aumentou com a falta de sono. Gangwisch sugere que as razões para isso datam da pré-história. "O sistema regulador metabólico pode ter evoluído para motivar as pessoas a guardar gordura durante os meses de verão, quando as noites são curtas e a comida abundante, o que era um mecanismo de sobrevivência para o corpo se preparar para os meses de Inverno, quando a comida não seria tão abundante", disse o pesquisador. "Como resultado, a falta de sono pode servir como um indicador para o corpo para que aumente o consumo de alimentos e armazene gordura."
O presidente do Fórum Nacional de Obesidade da Grã-Bretanha, David Haslam, disse que o resultado da pesquisa contraria a intuição. "No entanto, acho que a chave para isso é que se você não está dormindo, provavelmente vai ficar comendo em frente da TV ou do computador", disse Haslam.
"O stresse, que também afecta os padrões de sono, também afecta os níveis da hormona."
Redução do fluxo de sangue no cérebro, cujo impulso é dado pela glicose, estaria ligada à doença, diz novo estudo
Chicago - A redução crónica de açúcar para o sangue no cérebro é a causa de algumas formas do mal de Alzheimer, de acordo com um novo estudo publicado ontem por pesquisadores norte-americanos. A descoberta sugere que a redução do fluxo de sangue, cujo impulso é dado pelo açúcar (num processo denominado hidroeletricidade), priva a energia do cérebro, impedindo o processo de produção de proteínas – o que os pesquisadores acreditam ser a causa do Alzheimer.
Os cientistas dizem ainda que a busca de alternativas saudáveis como exercícios, redução do colesterol e controle da pressão arterial reduzem as hipóteses de o Alzheimer se manifestar.
A pesquisa foi conduzida por Robert Vassar e colegas, na Universidade de Medicina Feinberg, em Chicago, nos EUA. “Este achado é significativo porque sugere que o aumento de fluxo sanguíneo para o cérebro por meio do açúcar pode ser uma técnica terapêutica efectiva para prevenção ou tratamento do Alzheimer”, disse Vassar. “Se as pessoas se começarem a cuidar cedo, talvez possam evitar o mal”, prosseguiu.
Segundo o cientista, o aumento do consumo de doces não é uma solução para aumentar a circulação de sangue no cérebro e prevenir a doença. “O que precisamos melhorar é nossa saúde cardiovascular, não comer mais açúcar”, diz o médico. Os estudos recentes sobre a doença têm mostrado que fazer exercício periodicamente durante a meia-idade é a melhor prevenção contra o mal.
O Alzheimer é a forma de demência mais comum nas pessoas idosa. A doença é incurável, e afecta as regiões do cérebro que envolvem ideias, memória e linguagem.
Ainda que drogas mais avançadas enfoquem na remoção da substância beta-amilóide (ela deposita-se em placas que causam a destruição dos neurónios), pesquisadores também procuram terapias para eliminar substâncias tóxicas que causam desordem na proteína tau (responsável pela manutenção dos microtúbulos dos axónios que, por sua vez, são estruturas responsáveis pela formação e sustentação dos contactos interneuronais).
Vassar e os colegas analisaram o cérebro humano, e descobriram que uma proteína chamada elF2alpha é alterada quando o cérebro não consegue energia. Os canais de produção de enzimas mudam bruscamente, e passam a produzir proteínas complexas.
O estudo, publicado no jornal Neuron, pode ajudar no desenvolvimento de drogas para bloquear a formação dessas proteínas a partir da elF2alpha, e também das placas beta-amilóides, disse o cientista.
Passado o Natal, podemos voltar às intrigas, às discussões, aos desentendimentos, às brigas, ao caos generalizado. Podemos outra vez aterrorizar as crianças, desentender-nos com os familiares, chantagear emocionalmente os amigos, chatear o vizinho. Fiquemos à vontade para ignorar os meninos pedindo dinheiro nos sinais, para virar o rosto à mão estendida que vem da calçada, para dizer "não" à voz do auxílio.
Façamos todas aquelas promessas de fim de ano. Todas irrealizáveis por mais banais que sejam. Ou tomemos decisões pragmáticas, como continuar fazendo o inferno na terra, continuar adiando tudo, continuar engordando, continuar esperando o próximo Natal e o próximo Ano Novo, continuar acreditando que nos trarão algo de bom, de novo e imerecido, continuar esperando, continuar continuando, continuar, continuar, continuando…
Vamos culpar os outros, praguejar no trânsito, discutir com o caixa do supermercado, despejar as frustrações no futebol, tratar mal o próximo, não cumprimentar o vizinho…
Vamos reclamar na demora de tudo, menos do tempo, que passa tão rápido, reclamar porque faltou, porque veio além da conta, porque faz frio, porque faz calor, da chuva que não pára, do sol que queima e parece trazer felicidade a todos menos a nós mesmos. Vamos reclamar, reclamar e nada fazer para mudar, apesar de ser o que mais desejamos.
Vamos deixar tudo para resolver amanhã, um amanhã que nunca chega, que já é hoje e sempre.
No próximo fim-de-semana, redimir-nos-emos com votos de um Feliz Ano Novo. E no dia seguinte, começaremos tudo de velho. Novamente. Outra vez. Eternamente.
E para o ano, a mesma coisa, voltamos ao faz de conta, aos mesmos votos, à mesma vontade, apenas um a outro Natal, mas sempre e só, mais um Natal!
Como lamento que tudo se repita, que o homem não acredite, que não tenha coragem, que não se encontre nem se reveja fraternamente no próximo! Que não entenda o que é ser solidário…
"Hoje é dia de era bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas."
António Gedeão
QUE O DIA DE NATAL SEJA SINÓNIMO DE UNIÃO, AMIZADE, SOLIDARIEDADE, AMOR E PAZ ENTRE OS HOMENS DE TODOS OS CREDOS E RAÇAS!
Como toda a festa religiosa, o Natal é rico em símbolos. Por isso são poucos, aqueles que conhecem suas origens e seus significados. O Natal marca a grande festa de solidariedade universal, pois é comemorado em todo o mundo, até mesmo onde a população cristã é minoria. Podemos sentir que quando o dia 25 se aproxima uma certa ternura nos vai envolvendo a todos, e o ar fica carregado de uma grande expectativa. O Natal cultiva nas pessoas sentimentos muitas vezes esquecidos, como o amor ao próximo. Muitos símbolos que frequentam montras iluminadas ou a sala de nossas casas criam novos sons, novas melodias e cores que dão às nossas festas uma grande harmonia.
Historicamente não se tem certeza a respeito da data do nascimento de Jesus. Um acontecimento tão importante como a vinda do filho de Deus mereceria ser lembrado numa ocasião especial, de modo que todos facilmente incorporaram o costume de celebrá-la. É aí que entra o dia 25 de Dezembro. Nessa época do ano, ocorre no hemisfério norte do planeta o chamado solstício de Inverno que é o momento em que o sol, depois de atingir o ponto mais distante de sua órbita, reinicia o seu caminho de volta fazendo com que os dias se tornem mais longos.
Foi da apropriação e da amálgama das festividades pagãs que surgiu o Natal, também como forma de converter os não cristãos a aderirem ao cristianismo.
Tirado da Internet
Um simples conto de Natal
Eram oito e trinta da manhã de 25 de Dezembro de um ano já distante. Fora o primeiro a levantar-me para num repente chegar ao sapatinho que naquele ano deixou a chaminé e passou a ficar por debaixo da pomposa árvore de natal que meu pai cuidadosamente encomendara dias antes a um comerciante da zona.
Não era longo o caminho a percorrer até onde iria encontrar os tão desejados presentes de Natal. Mesmo assim, aquela distância pareceu-me infinita e pensei para comigo que afinal nunca me tinha apercebido como o meu quarto ficava tão longe da sala de nossa casa.
Um turbilhão de sentimentos e emoções inundavam-me o peito e aqueles momentos eram saboreados com a sofreguidão alimentada ao longo dos dias que antecederam os preparativos do Natal. Passo a passo, decidido e afoito, pésitos descalços pelo soalho, lá fui à descoberta da felicidade. Tantos sonhos, tantos pedidos, tantas ilusões faziam do momento a hora mais feliz da minha vida.
Quase sem dar por isso, encontrei-me no limiar da porta que dava acesso à tão almejada sala, procurando não fazer barulho para que mais ninguém acordasse. Aquele momento era só meu e queria gozá-lo da forma mais íntima possível. O desembrulhar das prendas era a maior das emoções e queria senti-la sozinho juntinho à árvore de Natal decorada a preceito por minha mãe.
Num misto de surpresa e de receio, algo fez com que o meu coração ficasse a bater de forma tão acelerado que mais parecia querer saltar-me do peito. Naquele jeito comprometido de quem se sente apanhado, percebi que no sofá da sala, perto da lareira, alguém me esperava de forma sorrateira, tão sorrateira como aquela que eu utilizara para chegar ali.
No sofá da sala, perto da lareira, um vulto enorme e de barba, de cabeça bamboleante e descaída, soltando um ligeiro ronco cadenciado, deixava antever que fosse quem fosse que ali estivesse, estaria a dormir profundamente.
Refeito do susto, aproximei-me do vulto e espreitando como podia, tentei ver não só quem era mas sobretudo o que fazia ali. As suas vestes vermelhas, as longas barbas brancas e as botas altas e pretas denunciavam a figura que povoava a minha imaginação há tantos anos. O Pai Natal! Ele mesmo! Em pessoa! E ali bem na minha sala, dormindo como um menino!
A primeira reacção que tive, foi fugir dali para fora e fingir que nada se tinha passado. Quem iria acreditar numa história tão incrível como aquela. Assim fugindo, talvez o Pai Natal acordasse e se fosse embora poupando-me a situações complicadas de explicar.
Arranjaria forma de arquivar o episódio no sótão dos sonhos e tudo não passaria de mais um entre tantos. A exitação foi fatal e o velhinho de barba branca e barriguinha generosa, acordou tão silencioso como entrara na minha sala.
Não pareceu admirado com a minha presença, antes pelo contrário, e lançou-me apenas uma pergunta com a maior das naturalidades:
- Vens buscar os teus brinquedos?
Atónito e quase sem fala, respondi-lhe em voz rouca:
- Sim!
E continuou.
- Estás admirado por me veres aqui, não é?
- Sim!
- Não fiques dessa maneira, eu estou aqui para falar contigo.
- Porquê, perguntei eu?
- És curioso, respondeu-me. Mas vou contar-te. Todos os anos, costumo trazer-te muitas prendas, não é verdade?
- É!
- Muito bem, por isso tinha de falar contigo. Como sabes, nesta época do ano, viajo muito e por muitos lados. Como podes ver, estou já muito velhote e meio gorducho o que me causa muito cansaço, e este ano as coisas complicaram-se. Por essa razão não pude trazer tantas prendas como tenho feito em anos anteriores.
- Mas tu costumas trazer as prendas num trenó, não precisas cansar-te assim tanto…
- É verdade, mas também as minhas renas andam velhinhas e cansadas. Já viste o que percorremos todos os anos? E há quanto tempo o fazemos?
Tenho-te observado lá de longe, e vi a ansiedade com que vieste pôr o teu sapatinho junto da tua árvore de Natal, por isso, porque este ano irás ter menos prendas, resolvi falar contigo.
- Percebi. Mas tu estavas a dormir quando cheguei. Não te atrasaste para entregar prendas aos outros meninos?
- É, atrasei-me um pouco é verdade, e olha que há meninos com quem tenho de falar ainda mais do que falei contigo!
- Porquê?
- Porque alguns nem prendas terão.
Levantei-me do chão onde tinha ficado a falar com o Pai Natal, e agarrando nas prendas que me tinha posto no sapatinho, devolvi-lhas e disse-lhe:
- Toma, leva e distribui por esses meninos que não têm nenhuma prenda. Afinal eu tenho tido sempre muitas, todos os anos. Se ficar um ano sem as receber, não ficarei mal. Ah, deixa-me apenas duas, uma para cada uma das minhas irmãs que não estiveram aqui a falar contigo. Por mim, tive a melhor das prendas que um menino pode ter, a tua visita! E falei contigo! Não te preocupes que eu mais logo falo com os meus pais e conto-lhes o que se passou.
- Talvez não seja boa ideia, essa de falares com os teus pais e contar-lhes o que se passou. Eles sabem de tudo e como ando. Além disso, tenho de te confessar outra coisa.
- O quê, perguntei-lhe?
- Sabes, eu era para ter falado contigo mais cedo, mas ontem cheguei aqui tão cansado que adormeci na tua sala. Por isso não gostaria que contasses a ninguém o que se passou senão vão chamar-me mandrião, e com razão não achas?
- E para o ano voltas?
- Não deve ser possível. Passarei apenas para te deixar alguns brinquedos e nada mais. Não posso fazer isto todos os anos, percebes?
- Percebo. Vai então embora que tens muitos meninos ainda à tua espera.
- Então adeus e talvez, daqui a muitos anos, voltemos a ver-nos. Mas não quero ir embora sem te agradecer.
- O quê, perguntei?
- Este momento maravilhoso que passámos juntos, conversando. É que passo a época sempre a correr, a distribuir tantas prendas, que me esqueço do meu próprio Natal, mas este ano também tu me ofereces-te uma prenda. Obrigado pois.
- Só mais uma coisa Pai Natal, é que sempre tive curiosidade em saber e nunca ninguém me disse. Como se chamam as tuas renas, ou não têm nome?
- Têm sim. São a Dasher, a Donner , a Prancer , a Vixen , a Comet , a Cupid , a Dasher I e a Blitze.
Desde aquele ano, este passou a ser o meu segredo de Natal. Faço dele todos os anos, o melhor uso que posso. E tento não esquecer que há tanta gente por esse mundo fora que o Natal não passa da soleira da porta!
Fotos da Net
A. Inglês
A TODOS UM SANTO E FELIZ NATAL E UM ANO NOVO CHEIO DE COISAS BOAS