segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O HOMEM QUER-SE OU NÃO PELUDO?


O que dizem os especialistas em imagem

As mulheres depilam pernas, coxas, braços e axilas, púbis e virilhas, buço e pêlos do rosto. E os homens?

A procura cresceu com a perda de preconceitos por parte dos homens, conscientes de que o mito que o homem se quer peludo, já não é verdade.



De facto, cerca de 80% das mulheres sentem-se atraídas pelo peito masculino sem pêlos, segundo revela um recente questionário levado a cabo pela marca Philips. De acordo com este mesmo trabalho, as zonas masculinas mais tratadas são a púbis, o peito e as axilas.

Também optam por eliminar os pêlos das sobrancelhas e dos ouvidos, enquanto as pernas à ciclista, sem pêlos, vão ganhando cada vez mais adeptos.



Mas realmente, a depilação em homens é mais complexa e longa, requer um protocolo especial: sessões a cada três meses no primeiro ano, a cada quatro meses no segundo, a cada seis meses no terceiro, e uma vez por ano a partir do quarto.

A remoção de pêlos está, no entanto, longe de ser o único cuidado estético que os homens têm.

Texto de Madalena Alçada Baptista

Fotos da Net

António Inglês


domingo, 4 de janeiro de 2009

O ESTADO DA CULTURA EM PORTUGAL


Numa revista de que já não lembro o nome, retirei este brilhante testemunho do estado do ensino em Portugal.

Numa altura em que se assiste a um braço de ferro entre Professores e a Ministra da Educação, talvez fosse bom que o bom senso imperasse e as partes envolvidas encontrassem os caminhos válidos e necessários para uma melhoria global do nosso ensino, trazendo paz a um sector, que é dos mais importantes da governação. Ganhariam os professores, ganharia o ensino, ganhariam os alunos, ganharia o país.

Não podem os profissionais da classe deixar de ser avaliados nem tão pouco me parece que seja isso que pretendem. Ora se não é esse o cerne da questão, o que os separa da avaliação proposta pela ministra? O conteúdo da proposta? A forma como foi apresentada? O “timing” da mesma?

Não se percebe, nem penso que a opinião pública tenha a noção da verdadeira dimensão da divergência. Entrámos assim em 2009 e o diferendo continua sem que se vislumbre qualquer solução à vista. Ficamos todos a pensar que as partes terão razão e nenhum quer ceder, pelo que de um “braço de ferro”, teimoso e casmurro se trata.



No meu dia a dia, lido com muita gente nova recém-formada e a verdade tem de ser dita, quando leio alguns textos por eles escritos fico com os cabelos em pé, tais são os erros gramaticais. Santo Deus, são gente com cursos superiores e parecem saber menos de gramática que eu, que o único curso que tenho é o da vida e nada mais.

O ensino tem vindo a modificar-se, em nome da modernização e do progresso, mas de uma coisa estou certo, não sei até que ponto essas alterações trouxeram maior preparação aos nossos jovens. Há claramente, um menor nível de cultura geral na população mais jovem, parece-me.

Em todo este processo, a classe de professores merecia mais respeito, é certo, mas talvez fosse benéfico a quem defende os destinos sindicais da classe, mais flexibilidade e melhor estratégia. O recurso constante à greve, legitimo obviamente, pode ser no entanto, uma arma terrível que pode vir a mudar a opinião pública contra si, e contra a sua luta. Não esqueçamos que estão envolvidos directamente os nossos filhos.




Quanto à Ministra, era bom que o Governo decretasse também uma “avaliação” sobre ela, para que todos ficássemos a saber se realmente a senhora tem ou não razão em bater o pé de forma tão enérgica e radical, ou até perceber-mos se tem condições para continuar à frente de uma pasta que já provou não consegue gerir consensualmente. Mas não uma “avaliação” política, que nestes casos não defende o interesse nacional.

Mas isto sou eu a pensar alto, que sou um ignorante na matéria. E como no meu tempo o ensino não era para todos, é natural que existam muitos ignorantes como eu por esse país fora a pensar do mesmo modo.

Que 2009 traga lucidez aos nossos governantes e que os professores saibam reagir com serenidade e sabedoria.

Deixo-lhes os textos de que atrás falei, em jeito de mensagem de boa disposição, e temos de brincar com isto, porque a vida não está para muitas brincadeiras.




Oral da cadeira de Anatomia do curso de medicina

Prof: Descreva o fígado.
Aluno: Os fígados...
Prof: Os fígados??!! Quantos são?
Aluno: Dois. Direito e esquerdo!



Oral da cadeira de psicologia do curso de medicina

- Onde se localiza o centro de inteligência...? (área do córtex cerebral)
- Nos Estados Unidos da América.



Curso de Segurança Social, numa universidade privada lisboeta.

- Diga-me lá porque é que a taxa de natalidade é menor nos países desenvolvidos.
- Porque se trabalha mais do que nos países subdesenvolvidos.
- Ai sim?
- E tem-se menos tempo.
- Menos tempo para quê?
- (o aluno, hesitante e já embaraçado) Menos tempo para fazer amor
.



Oral na Faculdade de Medicina de Coimbra


- Minha senhora, diga-me, por favor, qual é o órgão do corpo humano que dilata até sete vezes o seu tamanho normal. A aluna retorce-se, transpira, cora indecentemente. Decide mesmo recusar-se a responder à pergunta. Numa sucessão de respostas infelizes a outras questões, acaba por chumbar. Na oral imediatamente seguinte, o professor resolve insistir na pergunta.
- Minha senhora, qual é o órgão do corpo humano que dilata até sete vezes o seu tamanho normal?
- (a aluna, respondendo prontamente) É a íris, senhor professor.
- (O examinador, com um sorriso largo) Por favor, diga à sua colega que vai ter muitas desilusões ao longo da vida.



Exame numa universidade privada, em Lisboa

- Dê-me um exemplo de um mito religioso.
- Um mito religioso? Sancho Pança.
(estupefacto, o professor pede ao aluno para este escrever o que acabou de dizer. O aluno escreve no papel: 'S. Xupanssa').




Prova oral da cadeira de Direito Constitucional, numa Universidade privada de Lisboa.

- O que aconteceu no 25 de Abril foi o início do regime autoritário salazarista. Mas quem subiu ao poder foi o presidente do então PSD, Álvaro Cunhal, que viria a falecer em circunstâncias misteriosas no acidente de Camarate.
- Quais são as batalhas mais importantes da história portuguesa?
- Antes de mais, senhor doutor, a batalha de Alves Barrota.
O exame terminou aqui.



Num instituto superior da capital, 1º ano de Relações Internacionais.

A cadeira é Ciência Política. O professor é um distinto deputado à Assembleia da República. A aluna, com rara convicção, explica ao examinador tudo o que se passou no 25 de Abril de 1974: 'A revolução de 74 significou a queda de um regime militar dominado pelo almirante Américo Tomás e pelo marechal Marcelo Caetano, que governava o país depois de deposto o último rei de Portugal, Oliveira Salazar. O 25 de Abril foi uma guerra entre dois marechais: o marechal Spínola e o marechal Caetano'. Obviamente, chumbou.



Outra versão, ainda mais criativa, desta vez numa outra Universidade privada de Lisboa, no 3ºano de Relações Internacionais.

- Descreva-me brevemente o que foi o 25 de Abril de 1974.
- Foi um golpe levado a cabo pelos militares, liderados por Salazar, contra Marcelino Caetano.
- (o professor, já disposto a divertir-se) E como enquadra o processo de descolonização nesse contexto?
- Bem, a guerra em África acabou quando Sá Carneiro, que, entretanto subiu ao poder, assinou a paz com os líderes negros moderados. Foi por causa disso que ele e esses líderes morreram todos em Camarate.
- Já agora, pode dizer-me quem era o presidente da República Portuguesa antes de 1974?
- Samora Machel.
Conta quem assistiu à oral que o professor quase agrediu a aluna.



Uma professora de Direito Constitucional numa universidade privada do Porto questiona o aluno sobre a Constituição de 1933. Esta consagra a impossibilidade de os descendentes da casa de Bragança se candidatarem à presidência da República.

- 'Diga-me lá porque é que D. Duarte, segundo a Constituição portuguesa de 1933, não poderia candidatar-se à presidência da Republica ?’.
- 'Porque ele é actualmente o presidente português'.
Noutra resposta à mesma pergunta, que esta professora recebeu:
- 'Porque vivemos num sistema monárquico'.



Numa outra prova oral de Direito Constitucional, o examinador pergunta ao aluno:

- Quem substitui o presidente Jorge Sampaio em caso de impossibilidade temporária deste?
- A mulher dele, a Maria José Ritta.



Numa universidade privada em Lisboa, 1997. A correcção manda que se diga que 'as leis são emanadas pela Assembleia da República'.

-Discorrendo sobre o processo legislativo, um aluno responde que 'as leis vêm em manadas da Assembleia da República'.




1º e 2º ano do curso de Relações Internacionais, numa universidade privada de Lisboa. 1988/1996. Algumas preciosidades.

- Quem é o actual presidente dos Estados Unidos?
- O Perez Troika.
- Paris é a capital de que país?
- Bruxelas.
- Quando foi a Revolução Liberal em Portugal?
- Em 1640.
- Diga-me, por favor, o que é a Nato.
- É a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
- E a OTAN?
- (o examinado, depois de pensar demoradamente) Bem, aí a doutrina divide-se.
- Então diga-me lá qual era o nome próprio de Hitler?
- Heil.
- Minha senhora, em que época histórica situa Adolfo Hitler?
- No século XVIII, senhor professor.
- Tem a certeza?
- Não! Desculpe. No século XVII.
- Quem foi o grande impulsionador do nazismo?
- (o aluno, rápido e incisivo) O Fura João Hitler.
- O 'Fura'.

- Sim. É a designação hierárquica de Hitler.




Numa outra oral. Cadeira de História das Ideias Políticas e Sociais.

- Qual é a obra de fundo de Adolfo Hitler?
- É a Bíblia alemã.
- Pode dizer-me o que é um genocídio?
- É a morte dos genes.
- Como?
- É a morte dos genes e dos fetos.



Cadeira de Direito Internacional Público, uma universidade privada do Porto.

O professor, desesperado com a vacuidade das respostas de certo aluno em orais da especialidade, resolve tentar ajudar, recorrendo à geografia. Questionado sobre a localização da Escandinávia, o aluno responde que fica algures na Ásia. O examinador, rendido, brinca agora.
- Podemos então passar a chamar-lhe Escandinásia.
- Se calhar, senhor doutor.
- Não sabe que a Escandinávia fica na Europa?
- Pois é, tem razão!
- E fica a Norte ou a Sul?
- A sul.
- E sabe apontar-me alguma característica dos escandinavos?

- (o aluno, depois de longa pausa) Bem, eu acho que eles não são pretos.


Texto de imprensa nacional

Fotos da Net

António Inglês


sábado, 3 de janeiro de 2009

2009 COMEÇA ASSIM


Fuga de Peniche foi há 49 anos


Foi no dia 3 de Janeiro de 1960, há precisamente 49 anos, que dez dirigentes comunistas, dando corpo a um plano que levou longos meses a elaborar, fugiram do forte de Peniche, uma das cadeias mais seguras do regime político de Salazar.



Foram eles, Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Miguel, Guilherme Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e, ainda, Francisco Martins Rodrigues que posteriormente abandonaria o PCP e a luta que, afinal, esteve na base da corajosa fuga de Peniche.
O êxito desta evasão, que se tornaria uma das mais conhecidas evasões das prisões fascistas e representou uma humilhante derrota para PIDE, deveu-se, como o de outras fugas colectivas e individuais de militantes comunistas, à firme disposição de regressar à luta pela liberdade e pela democracia, ao anseio dos que as levavam a cabo de se colocarem ao serviço do seu povo e do seu país.
Assim, a fuga de Peniche representou igualmente uma grande vitória para o PCP que, ao reaver um importante número de destacados dirigentes, criou melhores condições para dirigir e desenvolver a luta contra a ditadura fascista e as importantes lutas de massas que tiveram lugar em 1961-1962.



Hoje, a fuga do Forte de Peniche parece fácil, e os que a viveram e a contam fazem-no até com laivos de humor. Mas a verdade é que ela correspondeu a um plano cuidadoso e rigoroso, a uma perfeita coordenação da acção do PCP no interior e exterior do Forte, a uma disciplina e secretismo totais, a grandes riscos e a uma enorme coragem dos que participaram.
Depois de um longo trabalho para aliciar uma sentinela da GNR, José Alves, para a colaboração na fuga, de acertados todos os pormenores de fuga com elementos do PCP no exterior – entre os quais se encontrava o já desaparecido actor Rogério Paulo, a quem caberia a tarefa de dar o sinal de que tudo corria bem, passando de carro em frente do Forte com a tampa da mala levantada -, os onze dirigentes neutralizam com clorofórmio o guarda prisional, então de serviço, e, sob a capa de José Alves, passam, um a um, numa parte muito exposta do percurso. Do piso superior da fortaleza, descem então para o piso seguinte através de uma árvore e, daí, para uma guarita. Finalmente, também um a um, descem através de uma corda feita de lençóis para o fosso exterior do Forte, onde se dividem em três grupos.
Há, porém, ainda um muro a escalar até atingir a praça e as ruas das vilas onde os esperam três carros. Fazem-no com êxito e partem a alta velocidade para os locais previamente estabelecidos



Álvaro Cunhal passou a noite na casa de Pires Jorge, em São João de Estoril, onde ficaria a viver durante algum tempo Do interior a comissão de fuga era composta por Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Joaquim Gomes. Do exterior, organizaram a fuga Pires Jorge e Dias Lourenço, com a ajuda de Octávio Pato, Rui Perdigão e Rogério Paulo. No dia seguinte retomavam o seu lugar na luta. Uma luta de amor que diariamente esbarrava com o ódio fascista mas que acabou por ver os seus frutos, anos mais tarde, em Abril de 1974.
Em Novembro de 1962, o destacado dirigente comunista já falecido, Octávio Pato, que do exterior do Forte ajudou a preparar a fuga, afirmava no seu julgamento: «Serei condenado por amar o meu povo e o meu país e por estar irmanado a todos os patriotas que anseiam libertar Portugal. Tenho, porém, a consciência de que a luta a que me devotei desde a minha juventude e que abrangeu a maior parte dos anos da minha vida não foi em vão».

«Avante!» Nº 1362 - 6.Janeiro.2000

Fotos da Net

António Inglês

...E FALTAM SÓ SETE DIAS...