Portugal com duas medalhas de bronze em Olimpíadas de Culinária na Alemanha
Quem pensa que Portugal só consegue medalhas de ouro, prata e bronze em Olimpíadas de atletismo, engana-se. Aí estão duas de bronze, ganhas na Alemanha, mas em Culinária. Os portugueses quando querem.... Pena que estas participações não sejam mais apoiadas pelo Governo português, e também mais divulgadas pelos órgãos de comunicação social. Parabéns aos premiados.
Uma perdiz recheada de cogumelos e com puré de abóbora e um gelado de Vinho do Porto valeram a Portugal, ao fim de longas horas de trabalho, duas medalhas de bronze nas Olimpíadas de Culinária, que terminaram no passado dia 22 de Outubro em Erfurt, na Alemanha.
A competição, que se disputa há mais de um século, de quatro em quatro anos, reuniu mais de mil cozinheiros de 43 países, entre seniores e juniores.
Na segunda-feira, dia em que esteve em prova a confecção de um "menu quente", Portugal conquistou duas medalhas de bronze, nas categorias de sénior e júnior (até aos 22 anos).
Perdiz recheada com cogumelos acompanhada de puré de abóbora e legumes salteados, "gourmet" de lavagante e gelado de Vinho do Porto foram alguns dos pratos com que as equipas portuguesas, constituídas por cinco elementos em cada categoria, foram premiadas, referiu, em declarações telefónicas à Agência Lusa a partir da Alemanha, o chefe de cozinha António Bóia.
Para preparar os pratos do "menu quente" e do "menu frio", os cozinheiros portugueses gastaram "80 a 90 horas" de trabalho.
As equipas nacionais apresentaram, entre outras iguarias, um "risotto" com cogumelos e um busto feminino em doce.
Portugal participa na competição desde 1992, tendo há oito anos subido ao pódio com prata. Em 2004, conseguiu bronze.
O país mais medalhado é a Suécia, que "faz muita pesquisa e tem muito dinheiro para investir" em decoradores de pratos e "designers" de loiças, contou António Bóia, treinador da equipa júnior lusa, lamentando a "falta de apoio do Estado" português à participação nacional.
Na Noruega, acrescentou, as equipas são convidadas a confeccionar pratos para eventos do Estado para poderem ter dinheiro para participar nas competições.
Já em Portugal, concluiu António Bóia, os concorrentes têm de socorrer-se de patrocínios, "treinar em dias de folga e tirar férias para estarem nas Olimpíadas".
O chefe de cozinha considera que Portugal "está a melhorar" em termos de prestação culinária, embora continue a ter uma "formação nas escolas" de hotelaria e restauração "deficiente" e a "não reconhecer o trabalho do cozinheiro".
"A formação nas escolas é deficiente, está ultrapassada em termos de método de ensino... não revêem os programas", defendeu, apontando também o dedo ao "público português, que não gosta de comer bem mas muito".
As Olimpíadas de Culinária, incluiram também provas nas categorias artística, individual e equipas militares e regionais.
Estados Unidos, Japão, África do Sul, Suíça, Suécia, Canadá, Alemanha e Dinamarca foram outros dos países participantes.
No ano passado contámos com a sua ajuda para divulgar a nossa luta pela qualidade de vida dos trabalhadores com deficiência. O eco que a nossa luta teve na blogosfera foi fundamental para aumentar a sua visibilidade.
Como tínhamos alertado nessa altura, o aumento da carga fiscal foi brutal. O governo na altura da apresentação da proposta de orçamento para 2009 conseguiu fazer passar a ideia que iria haver uma redução da carga fiscal esquecendo-se de referir que essa possível redução só se verifica em comparação com os aumentos que decorreram da eliminação dos benefícios fiscais.
A campanha mediática está montada.
"Deficientes voltam a ter mais benefícios fiscais em 2009" - Agência Financeira.
"Governo reduz impostos para os contribuintes com deficiência em 2009" - Público
Os títulos são estes, mas a realidade é muito diferente.
É preciso divulgar à opinião pública o que realmente se passa com os impostos dos trabalhadores com deficiência, dizendo: imagine se os seus impostos tivesse aumentado assim.
Não temos assessores de imprensa para fazer títulos de jornal, por isso agradecemos que passe esta mensagem a todos os seus contactos.
É urgente, a discussão do Orçamento é feita num mês.
Email enviado aos colaboradores do MTPD (Movimento dos Trabalhadores Portadores Deficiência)
Escrito por Carlos Alberto Videira
"Esta mensagem foi-me enviada há três dias e não pude ficar indiferente ao pedido de postagem. Os trabalhadores Portadores de Deficiência são dignos da nossa admiração e carinho. É preciso que o Estado também assim pense!"
Seis e trinta da manhã deste dia 1 de Novembro de 2008. O dia ainda nos mostrou o seu ar pardacento com cara de poucos amigos. O início de viagem fez-se calmo e cadenciado, coisa pouco normal em mim. Uma breve paragem nas Caldas da Rainha para apanhar um colega e amigo do meu filho, meter gasóleo e rumar ao destino, que se repete há já treze anos, com uma só falta apenas no ano passado.
Cumpridos estes dois requisitos, metemos “rodas” ao caminho em direcção a Santarém, primeira etapa da nossa viagem. Tomando aí a direcção do Porto, continuámos debaixo de um intenso nevoeiro que teimou em nos acompanhar desde a hora da partida.
Acreditei que se dissiparia logo após virarmos na saída para Torres Novas / Abrantes, mas para mal dos nossos pecados, lá continuou, cinzento irritante até ao fim da nossa viagem.
Oito e quinze da manhã, saída para Belver. Trajecto tantas vezes feito e que nunca nos cansa. O Castelo de Belver, o Tejo, e sobretudo a magnifica e repousante vista que nos é oferecida logo após o início das descida em direcção ao Tejo. Que espectáculo deslumbrante!
Oito e quarenta e eis-nos chegados às Piscinas da Comenda, pitoresca e bela terra do Alto Alentejo, Concelho de Gavião. Uma escolha atenta do melhor local para estacionar o carro, em posição que nos permita ver passar o 22º BAJA PORTALEGRE 500, não vá o diabo tecê-las e a chuva resolver aparecer também para a festa.
Carro parado, pessoal na rua, as cadeirinhas estrategicamente colocadas e lá cumprimos com mais um ano desta prova, e para nosso alívio, a chuva não apareceu mesmo.
Não apareceu a chuva, mas veio o frio em seu lugar, cortante e gélido. Aqui e ali, as fogueiras do costume começaram a aparecer e em seu redor os inúmeros entusiastas que tal como nós ali se vão entregar a mais um dia de devoção ao todo-o-terreno.
Sem se dar por isso, lentamente, o cheirinho a febras começa a invadir-nos e uma primeira visita ao farnel é feita. Farnel cuidadosamente preparado para o efeito.
Nove e cinquenta da manhã, as primeiras motos começam a aparecer e desfilam à nossa frente, fazendo-se acompanhar por aquele barulho electrizante do roncar dos seus motores, que nos faz subir as emoções ao céu.
Bravos e corajosos, os concorrentes lançam-se aos troços do percurso, indiferentes aos obstáculos que lhes são apresentados. Naquele local onde habitualmente ficamos, temos uma excelente panorâmica e é-nos permitido acompanhar durante dois/três minutos cada participante, venha ele de moto, quad ou jeep. Uma interessante ribeira è a maior atracção daquele ponto de passagem do BAJA, que normalmente cobra a alguns, pela forma menos cuidada na maneira como a abordam. Uma entrada de água no motor das máquinas e lá estão elas a trabalhar em menos cilindros, penalizando no tempo de passagem cada participante.
Onze e trinta e as “quads”, ou motas quatro, como lhes queiram chamar, fazem a sua entrada em cena no local. Uma a uma vão passando e deixam-nos no ar a vontade irresistível de fazer-mos também nós uma perninha um dia destes. Ou talvez não...
Doze e trinta da manhã, uma nova e mais decidida abordagem ao farnel, compõem-nos o estômago que ia dando sinais de fraqueza. Panados,pão, fruta, sumos, doces e um caramelo, chegam para nos prostrar cadeira abaixo, com mais vontade de uma soneca do que estar ali, sob um frio cada vez mais cortante, característico da zona, que nem sempre nesta altura lá anda.
Este ano, apeteceu-lhe e obrigou-nos ao uso de luvas, boné, capuz, kispo e uma mantita pelas pernas que a idade vai dando o alarme que o coração e os olhos não querem ver.
Duas da tarde, uns esquisitos e raros (nesta prova) car-cross, começam a passar sem grande alarido, e lá vão cumprindo o seu road-book, se é que o têm, pois estes tal como as motos fazem a prova sózinhos. Importante é acabar, e nesta altura da prova, já muitas máquinas desistiram, portante se estes vão passando é porque conseguem aguentar-se não obstante a dureza da prova. Louvável!
Duas e trinta da tarde, o fabuloso roncar dos jeeps, faz-se anunciar a uma certa distância e o “bruá” entre os muitos adeptos deste desporto ajuda a avisar-nos que os jeeps e os carros estão perto.
Agora sim! Agora desfilavam na nossa frente as máquinas que mais nos levam hà tantos anos a presenciar naquele local, ou um pouco mais à frente este Rali. Um após outro vão-nos levando ao rubro com as muitas peripécias que nos vão oferecendo ao passar a ribeira da Comenda, cheia de água. Estranhos bailados, normais nestas andanças do todo-o-terreno, provocados pelas constantes aceleradelas que os pilotos utilizam para imprimir maior potência aos seus motores, gravam-se nas nossas memórias e durante muito tempo, vamos recordando este dia, desejosos que o BAJA do próximo ano venha depressa. A contagem decrescente, começou rigorosamente hoje.
Dezasseis e quinze da tarde, tinham acabado os velhinhos UMM de passar, e um VAUXALL branco, teimoso e quase jurássico, useiro e veseiro nesta prova, faz a sua triunfal aparição de entre os eucaliptos que circundam a pista. Atravessa a ribeira mas pára porque a maldita água fez das suas. Dura pouco essa paragem, e regressa à prova, garboso e altaneiro, fazendo ouvir o barulho do seu roncar, que nisto de barulho são todos iguais. Podem é chegar uns bem mais cedo que outros, mas isso é outra história.
Dezasseis e trinta da tarde de 1 de Novembro de 2008, o pano desce sobre o palco deste magnifico anfiteatro. É hora de levantar as merendas, (ou os restos), arrumar as cadeiras no carro e deitar “rodas” ao caminho de regresso a casa. Regresso calmo e repousante pois viemos de “papo cheio”. As fogueiras já tinham perdido muito do seu entusiasmo mas ficaram alguns vestígios e com eles as saudades. Até para o ano!
Foi um dia bem passado, não obstante um acidente desnecessário e estúpido,de duas jovens que, utilizando uma mota-quatro de um amigo, resolveram dar um pequeno passeios por entre aqueles montes e vales, descontraídas, mas onde o perigo estava à espreita e talvez a inexperência tenha ditado as suas leis. Resultado: uma com ferimentos ligeiros, mas a condutora, ferida com alguma gravidade, tal a demora que os elementos do INEM empregaram na imobilização da jovem, teve de ser levada com muito cuidado para o Hospital de Portalegre.
Desconheço como terá ficado, mas nada disto se teria passado, se o tal amigo não lhes tem facultado a mota-quatro. Por vezes queremos fazer bem, ser simpáticos e estamos a cometer um enorme erro que pode ser fatal. Espero sinceramente que nada de muito grave se tenha passado com a tal jovem.
Dezoito e trinta da tarde. De novo em casa, escrevendo estas linhas que mais não servem senão para legendar algumas fotos que tirei, de longe, do nosso posto de observação. Não ficaram boas, mas foram as possíveis para um fotógrafo com eu.
A 1 de Novembro de 1755, às 9 horas e 30 ou 40 minutos, um violento terramoto atinge Lisboa e outras localidades portuguesas, provocando entre 12 a 15 mil vítimas mortais. A terra tremeu três vezes, num total de 17 minutos. O sismo teve o epicentro no mar, a oeste do estreito de Gibraltar, atingindo o grau 8,6/9 na escala de Richter.
O sismo fez-se sentir nessa manhã de 1 de Novembro de 1755 às 9:30 ou 9:40, dia que coincide com o feriado do Dia de Todos-os-Santos. O epicentro não é conhecido com exactidão, havendo diversos sismólogos que propõem locais distanciados de centenas de quilómetros. No entanto, todos convergem para um epicentro no mar, entre 150 a 500 quilómetros a sudoeste de Lisboa. Devido a um forte sismo, ocorrido em 1969 no Banco de Gorringe, este local tem sido apontado como tendo forte probabilidade de aí se ter situado o epicentro em 1755. A magnitude terá atingido 9 na escala de Richter.
Com os vários desmoronamentos, os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao recuo das águas, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, um tsunami, que actualmente se supõe ter atingido pelo menos seis metros de altura, havendo relatos de ondas com mais de vinte metros, fez submergir o porto e o centro da cidade, tendo as águas penetrado até 250 metros. Nas áreas que não foram afectadas pelo tsunami, o fogo logo se alastrou, e os incêndios duraram pelo menos cinco dias. Todos tinham fugido e não havia quem o apagasse.
Lisboa não foi a única cidade portuguesa afectada pela catástrofe. Todo o sul de Portugal, nomeadamente o Algarve, foi atingido e a destruição foi generalizada. Além da destruição causada pelo sismo, o tsunami que se seguiu destruiu no Algarve fortalezas costeiras e habitações, registando-se naquela costa, ondas com quase 30 metros de altura.
De uma população de 275 mil habitantes em Lisboa, crê-se que mais de quinze mil morreram, 900 das quais vitimadas directamente pelo tsunami. Outros 10 mil foram vitimados em Marrocos. Cerca de 85% das construções de Lisboa foram destruídas, incluindo palácios famosos e bibliotecas, conventos e igrejas, hospitais e todas as estruturas. Várias construções que sofreram poucos danos pelo terramoto foram destruídas pelo fogo que se seguiu ao abalo sísmico, causado por lareiras de cozinha, velas e mais tarde por saqueadores em pilhagens dos destroços.
Na voragem do terramoto de 1755 desapareceram cinquenta e cinco palácios, mais de cinquenta conventos, a Biblioteca Real, vastíssima em livros e manuscritos e as livrarias (como sinónimo de bibliotecas) dos conventos de S. Francisco, Trindade e Boa Hora. As chamas reduziram a cinzas milhares de livros em cinco casas de mercadores de livros franceses, espanhóis e italianos, e em vinte e cinco – contadas por Frei Cláudio da Conceição – lojas e casas de livreiros. Salvou-se o precioso arquivo da Torre dos Tombo, devido aos cuidados do seu guarda-mor Manuel da Maia. Um jovem inglês de apelido Chase, que presenciou tudo, escreveu numa carta á família:
«Porque o povo possuído da ideia de que era o Dia do Juízo, e querendo-se antes empregar em obras pias, tinha-se sobrecarregado de crucifixos e santos, e tanto os homens como as mulheres, durante os intervalos dos tremores, entoavam ladainhas ou atormentavam cruelmente os moribundos com cerimónias religiosas e, cada vez que a terra tremia, todos de joelhos bradavam misericórdia, com a voz mais angustiosa que imaginar se possa.» Balanço da tragédia: entre 12 a 15 mil vítimas mortais, numa população de 260 mil e mais de 10 mil edifícios destruídos. Voltaire, em Genebra, escreve impressionado "Poème sur le désastre de Lisbonne".