domingo, 2 de novembro de 2008

22º BAJA PORTALEGRE 500 - 2008


Seis e trinta da manhã deste dia 1 de Novembro de 2008. O dia ainda nos mostrou o seu ar pardacento com cara de poucos amigos. O início de viagem fez-se calmo e cadenciado, coisa pouco normal em mim. Uma breve paragem nas Caldas da Rainha para apanhar um colega e amigo do meu filho, meter gasóleo e rumar ao destino, que se repete há já treze anos, com uma só falta apenas no ano passado.




Cumpridos estes dois requisitos, metemos “rodas” ao caminho em direcção a Santarém, primeira etapa da nossa viagem. Tomando aí a direcção do Porto, continuámos debaixo de um intenso nevoeiro que teimou em nos acompanhar desde a hora da partida.

Acreditei que se dissiparia logo após virarmos na saída para Torres Novas / Abrantes, mas para mal dos nossos pecados, lá continuou, cinzento irritante até ao fim da nossa viagem.



Oito e quinze da manhã, saída para Belver. Trajecto tantas vezes feito e que nunca nos cansa. O Castelo de Belver, o Tejo, e sobretudo a magnifica e repousante vista que nos é oferecida logo após o início das descida em direcção ao Tejo. Que espectáculo deslumbrante!




Oito e quarenta e eis-nos chegados às Piscinas da Comenda, pitoresca e bela terra do Alto Alentejo, Concelho de Gavião. Uma escolha atenta do melhor local para estacionar o carro, em posição que nos permita ver passar o 22º BAJA PORTALEGRE 500, não vá o diabo tecê-las e a chuva resolver aparecer também para a festa.




Carro parado, pessoal na rua, as cadeirinhas estrategicamente colocadas e lá cumprimos com mais um ano desta prova, e para nosso alívio, a chuva não apareceu mesmo.

Não apareceu a chuva, mas veio o frio em seu lugar, cortante e gélido. Aqui e ali, as fogueiras do costume começaram a aparecer e em seu redor os inúmeros entusiastas que tal como nós ali se vão entregar a mais um dia de devoção ao todo-o-terreno.



Sem se dar por isso, lentamente, o cheirinho a febras começa a invadir-nos e uma primeira visita ao farnel é feita. Farnel cuidadosamente preparado para o efeito.

Nove e cinquenta da manhã, as primeiras motos começam a aparecer e desfilam à nossa frente, fazendo-se acompanhar por aquele barulho electrizante do roncar dos seus motores, que nos faz subir as emoções ao céu.




Bravos e corajosos, os concorrentes lançam-se aos troços do percurso, indiferentes aos obstáculos que lhes são apresentados. Naquele local onde habitualmente ficamos, temos uma excelente panorâmica e é-nos permitido acompanhar durante dois/três minutos cada participante, venha ele de moto, quad ou jeep. Uma interessante ribeira è a maior atracção daquele ponto de passagem do BAJA, que normalmente cobra a alguns, pela forma menos cuidada na maneira como a abordam. Uma entrada de água no motor das máquinas e lá estão elas a trabalhar em menos cilindros, penalizando no tempo de passagem cada participante.




Onze e trinta e as “quads”, ou motas quatro, como lhes queiram chamar, fazem a sua entrada em cena no local. Uma a uma vão passando e deixam-nos no ar a vontade irresistível de fazer-mos também nós uma perninha um dia destes. Ou talvez não...

Doze e trinta da manhã, uma nova e mais decidida abordagem ao farnel, compõem-nos o estômago que ia dando sinais de fraqueza. Panados, pão, fruta, sumos, doces e um caramelo, chegam para nos prostrar cadeira abaixo, com mais vontade de uma soneca do que estar ali, sob um frio cada vez mais cortante, característico da zona, que nem sempre nesta altura lá anda.




Este ano, apeteceu-lhe e obrigou-nos ao uso de luvas, boné, capuz, kispo e uma mantita pelas pernas que a idade vai dando o alarme que o coração e os olhos não querem ver.

Duas da tarde, uns esquisitos e raros (nesta prova) car-cross, começam a passar sem grande alarido, e lá vão cumprindo o seu road-book, se é que o têm, pois estes tal como as motos fazem a prova sózinhos. Importante é acabar, e nesta altura da prova, já muitas máquinas desistiram, portante se estes vão passando é porque conseguem aguentar-se não obstante a dureza da prova. Louvável!




Duas e trinta da tarde, o fabuloso roncar dos jeeps, faz-se anunciar a uma certa distância e o “bruá” entre os muitos adeptos deste desporto ajuda a avisar-nos que os jeeps e os carros estão perto.

Agora sim! Agora desfilavam na nossa frente as máquinas que mais nos levam hà tantos anos a presenciar naquele local, ou um pouco mais à frente este Rali. Um após outro vão-nos levando ao rubro com as muitas peripécias que nos vão oferecendo ao passar a ribeira da Comenda, cheia de água. Estranhos bailados, normais nestas andanças do todo-o-terreno, provocados pelas constantes aceleradelas que os pilotos utilizam para imprimir maior potência aos seus motores, gravam-se nas nossas memórias e durante muito tempo, vamos recordando este dia, desejosos que o BAJA do próximo ano venha depressa. A contagem decrescente, começou rigorosamente hoje.




Dezasseis e quinze da tarde, tinham acabado os velhinhos UMM de passar, e um VAUXALL branco, teimoso e quase jurássico, useiro e veseiro nesta prova, faz a sua triunfal aparição de entre os eucaliptos que circundam a pista. Atravessa a ribeira mas pára porque a maldita água fez das suas. Dura pouco essa paragem, e regressa à prova, garboso e altaneiro, fazendo ouvir o barulho do seu roncar, que nisto de barulho são todos iguais. Podem é chegar uns bem mais cedo que outros, mas isso é outra história.



Dezasseis e trinta da tarde de 1 de Novembro de 2008, o pano desce sobre o palco deste magnifico anfiteatro. É hora de levantar as merendas, (ou os restos), arrumar as cadeiras no carro e deitar “rodas” ao caminho de regresso a casa. Regresso calmo e repousante pois viemos de “papo cheio”. As fogueiras já tinham perdido muito do seu entusiasmo mas ficaram alguns vestígios e com eles as saudades. Até para o ano!




Foi um dia bem passado, não obstante um acidente desnecessário e estúpido, de duas jovens que, utilizando uma mota-quatro de um amigo, resolveram dar um pequeno passeios por entre aqueles montes e vales, descontraídas, mas onde o perigo estava à espreita e talvez a inexperência tenha ditado as suas leis. Resultado: uma com ferimentos ligeiros, mas a condutora, ferida com alguma gravidade, tal a demora que os elementos do INEM empregaram na imobilização da jovem, teve de ser levada com muito cuidado para o Hospital de Portalegre.




Desconheço como terá ficado, mas nada disto se teria passado, se o tal amigo não lhes tem facultado a mota-quatro. Por vezes queremos fazer bem, ser simpáticos e estamos a cometer um enorme erro que pode ser fatal. Espero sinceramente que nada de muito grave se tenha passado com a tal jovem.

Dezoito e trinta da tarde. De novo em casa, escrevendo estas linhas que mais não servem senão para legendar algumas fotos que tirei, de longe, do nosso posto de observação. Não ficaram boas, mas foram as possíveis para um fotógrafo com eu.

Um bom domingo a todos!




António Inglês

sábado, 1 de novembro de 2008

LISBOA - 1 DE NOVEMBRO DE 1755


A 1 de Novembro de 1755, às 9 horas e 30 ou 40 minutos, um violento terramoto atinge Lisboa e outras localidades portuguesas, provocando entre 12 a 15 mil vítimas mortais. A terra tremeu três vezes, num total de 17 minutos. O sismo teve o epicentro no mar, a oeste do estreito de Gibraltar, atingindo o grau 8,6/9 na escala de Richter.




O sismo fez-se sentir nessa manhã de 1 de Novembro de 1755 às 9:30 ou 9:40, dia que coincide com o feriado do Dia de Todos-os-Santos. O epicentro não é conhecido com exactidão, havendo diversos sismólogos que propõem locais distanciados de centenas de quilómetros. No entanto, todos convergem para um epicentro no mar, entre 150 a 500 quilómetros a sudoeste de Lisboa. Devido a um forte sismo, ocorrido em 1969 no Banco de Gorringe, este local tem sido apontado como tendo forte probabilidade de aí se ter situado o epicentro em 1755. A magnitude terá atingido 9 na escala de Richter.




Com os vários desmoronamentos, os sobreviventes procuraram refúgio na zona portuária e assistiram ao recuo das águas, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, um tsunami, que actualmente se supõe ter atingido pelo menos seis metros de altura, havendo relatos de ondas com mais de vinte metros, fez submergir o porto e o centro da cidade, tendo as águas penetrado até 250 metros. Nas áreas que não foram afectadas pelo tsunami, o fogo logo se alastrou, e os incêndios duraram pelo menos cinco dias. Todos tinham fugido e não havia quem o apagasse.




Lisboa não foi a única cidade portuguesa afectada pela catástrofe. Todo o sul de Portugal, nomeadamente o Algarve, foi atingido e a destruição foi generalizada. Além da destruição causada pelo sismo, o tsunami que se seguiu destruiu no Algarve fortalezas costeiras e habitações, registando-se naquela costa, ondas com quase 30 metros de altura.




De uma população de 275 mil habitantes em Lisboa, crê-se que mais de quinze mil morreram, 900 das quais vitimadas directamente pelo tsunami. Outros 10 mil foram vitimados em Marrocos. Cerca de 85% das construções de Lisboa foram destruídas, incluindo palácios famosos e bibliotecas, conventos e igrejas, hospitais e todas as estruturas. Várias construções que sofreram poucos danos pelo terramoto foram destruídas pelo fogo que se seguiu ao abalo sísmico, causado por lareiras de cozinha, velas e mais tarde por saqueadores em pilhagens dos destroços.




Na voragem do terramoto de 1755 desapareceram cinquenta e cinco palácios, mais de cinquenta conventos, a Biblioteca Real, vastíssima em livros e manuscritos e as livrarias (como sinónimo de bibliotecas) dos conventos de S. Francisco, Trindade e Boa Hora. As chamas reduziram a cinzas milhares de livros em cinco casas de mercadores de livros franceses, espanhóis e italianos, e em vinte e cinco – contadas por Frei Cláudio da Conceição – lojas e casas de livreiros. Salvou-se o precioso arquivo da Torre dos Tombo, devido aos cuidados do seu guarda-mor Manuel da Maia. Um jovem inglês de apelido Chase, que presenciou tudo, escreveu numa carta á família:



«Porque o povo possuído da ideia de que era o Dia do Juízo, e querendo-se antes empregar em obras pias, tinha-se sobrecarregado de crucifixos e santos, e tanto os homens como as mulheres, durante os intervalos dos tremores, entoavam ladainhas ou atormentavam cruelmente os moribundos com cerimónias religiosas e, cada vez que a terra tremia, todos de joelhos bradavam misericórdia, com a voz mais angustiosa que imaginar se possa.» Balanço da tragédia: entre 12 a 15 mil vítimas mortais, numa população de 260 mil e mais de 10 mil edifícios destruídos. Voltaire, em Genebra, escreve impressionado "Poème sur le désastre de Lisbonne".



Extratos de textos tirados da Net

Fotos da Net

António Inglês


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

DIA DE PREVENÇÃO CONTRA O CANCRO DA MAMA


Cancro da mama mata 1800 portuguesas por ano

O presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro alertou, esta quarta-feira, para o facto desta doença matar por ano 1.800 mulheres portuguesas. Vítor Veloso referindo ainda que todos os anos surgem cinco mil novos casos no país

O número de casos conhecidos tem aumentado nos últimos cinco anos devido ao alargamento de rastreios, que permitem a detecção precoce da doença, e aos estilos de vida actuais, que incluem stress, má alimentação, sedentarismo e tabaco.

Em declarações à Lusa, o coordenador nacional das doenças oncológicas, Pedro Pimentel, acrescentou, por seu lado, que os números em cinco anos mostram uma taxa de sobrevivência entre os 75 e os 80 por cento.

«Tem-se registado um decréscimo sustentado e consistente na mortalidade, que passa pela cobertura do programa de rastreio e a maior consciencialização das mulheres, que permite um diagnóstico mais precoce» e uma maior taxa de sucesso no tratamento, referiu.

Actualmente, o rastreio está acessível a metade das portuguesas, mas o presidente da Liga acredita que no máximo de dois anos a totalidade da população possa estar abrangida.

Com uma cobertura total do programa, a mortalidade poderá diminuir em 20 por cento num período de cinco a 10 anos, acrescentou à Lusa Vítor Veloso

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A nível de tratamentos, Vítor Veloso referiu as inovações a nível da radioterapia, cujos equipamentos são actualmente «mais dirigidos e mais eficazes», e da hormoterapia e quimioterapia.

VISAO.pt




Vestir cor-de-rosa contra o cancro da mama

A associação Ame e Viva a Vida convida Portugal a vestir-se hoje de cor-de-rosa para assinalar o dia nacional de luta contra o cancro da mama, doença que mata 1.800 mulheres portuguesas por ano.

Além do pedido para toda a gente vestir uma peça cor-de-rosa, a associação vai distribuir um folheto de sensibilização e informação nas 18 capitais de distrito.

O médico e também fundador da associação Fortuna Campos explicou que o folheto ensina o auto-exame, refere a importância das consultas e de mamografias periódicas.

O auto-exame deve ser feito a partir dos 20 anos e até à menopausa, uma vez por mês, depois do período menstrual. A realização da primeira mamografia deve ser feita por volta dos 35/40 anos e a sua repetição periódica é determinada por factores de risco e avaliação médica.

Entre os factores de risco estão casos de cancro na família, uma primeira menstruação precoce (antes dos 11 anos) e uma menopausa tardia (após os 55 anos).

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Em declarações à Agência Lusa, o coordenador nacional das doenças oncológicas, Pedro Pimentel, acrescentou, por seu lado, que os números em cinco anos mostram uma taxa de sobrevivência entre os 75 e os 80 por cento.

Actualmente, o rastreio está acessível a metade das portuguesas, mas o presidente da Liga acredita que no máximo de dois anos a totalidade da população possa estar abrangida.

Com uma cobertura total do programa, a mortalidade poderá diminuir em 20 por cento num período de cinco a 10 anos, acrescentou à Lusa Vítor Veloso.


dnotícias.pt

Fotos da Net

António

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

MOMENTO DE REFLEXÃO E DE RARA BELEZA



Tem alturas na vida que nos faz bem purificar a alma, relaxar, deleitar os olhos com imagens que nos transmitem a paz de que tanto necessitamos.

A minha postagem de hoje, desculpem-me os restantes amigos, é dedicada à minha amiga ISABEL do A Ver o Mar.

Ela foi importante em momentos importantes da minha vida. Deu-me força, transmitiu-me coragem, e ajudou a ultrapassar uma fase em que uma mão, uma palavra amiga fizeram a diferença.

Hoje, lembrei-me de lhe dedicar esta simples lembrança de agradecimento e dizer-lhe que os amigos, mesmo virtuais, desde que verdadeiros, nunca se esqueçem, nunca se abandonam.

Estou ainda por cá, e agradeço-te a quota parte que tiveste nessa minha decisão, mas quero continuar a ver-te por aqui, mesmo que menos vezes!

Obrigado amiga Isabel!

António




terça-feira, 28 de outubro de 2008

DIA NACIONAL DA TERCEIRA IDADE


29 DE OUTUBRO

A população no mundo está ficando cada vez mais velha e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), por volta de 2025, pela primeira vez na história, haverá mais idosos do que crianças no planeta.

A existência, em Portugal, de um dia dedicado à Terceira Idade, tem como fim chamar a atenção para a situação financeira, social e afectiva em que vive a maior parte dos cidadãos desta faixa etária. Embora uma pequena parcela da população idosa aufira rendimentos suficientes para levar uma existência minimamente aceitável, a maioria passa bastantes dificuldades, competindo aos filhos suprir as necessidades económicas dos pais idosos e, sobretudo, distribuir-lhes carinho idêntico àquele que deles receberam enquanto foram jovens. As crianças, por sua vez, deverão respeitar e valorizar o papel dos avós na vida familiar. Socialmente, nada há mais triste que abandonar idosos em lares, não permitindo a cooperação e a partilha de saberes entre as diferentes gerações. Conta-se que, há muitos anos, numa terra longínqua, sempre que alguém atingia uma idade avançada, o seu filho entregava-lhe um cobertor e abandonava-o num monte, onde ficava a aguardar a morte. Certo dia, um idoso, ao chegar a sua vez de ser deixado no referido monte, devolveu o cobertor ao filho, dizendo-lhe: "fica com ele, assim já terás dois cobertores para te aqueceres quando também chegar a tua vez de para aqui vires". Só então o filho se apercebeu de quão terrível era aquele costume e trouxe o pai de volta ao seio familiar.

O Leme





Estudos mostram idosos portugueses com pensões baixas e vítimas de violência

Dois estudos sobre os idosos portugueses, hoje conhecidos, traçam um retrato triste da população na velhice. Um inquérito quis conhecer as atitudes em relação à reforma em 26 países em todo o mundo. Outro revelou que triplicaram os casos de violência contra idosos em Portugal.


A população portuguesa na reforma tem das pensões mais baixas da Europa, logo a seguir à Hungria e República Checa, com uma diferença de 110 euros entre o valor que recebe e o que necessitaria para saldar as despesas domésticas. Em contra ciclo com outros povos europeus, os portugueses consideram que deveriam trabalhar menos anos.


Os activos apontam que a reforma deveria ser aos 58-59 anos e os reformados estimam que a idade legal deveria ser aos 62. Cinquenta e dois por cento dos portugueses na reforma, e que responderam ao inquérito, obteve a pensão antes da idade estipulada na lei e por vontade própria.

As expectativas dos portugueses, que apontam para um decréscimo da qualidade de vida quando chegar o momento da reforma, acabam por ser confirmadas com a saída do mercado laboral. O estudo revela que o nível de vida dos reformados portugueses está abaixo da média dos países da Europa Ocidental. O facto de seis em dez reformados terem uma pensão inferior ao último salário justifica esta queda de rendimentos.

Estes dados explicam, pois, que os portugueses, tal como italianos, húngaros e japoneses, associem à palavra “reforma” os substantivos “morte, velhice, doença e dificuldades financeiras”.

O quadro sócio-económico influencia o retrato formulado para a idade da reforma, com os meios rurais a apontaram maiores níveis de pessimismo e a classe média-alta com uma abordagem mais positiva. Metade dos respondentes, neste contexto sócio-económico, revela intenção de desempenhar uma actividade profissional remunerada na reforma.



Japão e França acompanham Portugal na baixa expectativa quanto à evolução da qualidade de vida. Para colmatar a questão, 78 por cento da população activa japonesa quer continuar a exercer uma actividade remunerada durante a reforma.

Os franceses são quem mais consegue concretizar os projectos de viajar numa situação de reforma. Projectos comuns à maior parte dos portugueses que participaram no estudo, mas que não chegam a sair do papel. O apoio à família acaba por ser a principal ocupação dos idosos lusos. Contudo, o investimento em planos de baixo risco e um rendimento mínimo, assim como o planeamento da reforma com pouca antecipação (em comparação com outros povos europeus) poderão explicar que sejam os avós portugueses a mais esperarem ajuda financeira dos filhos.

Os futuros reformados portugueses dizem estarem pouco informados quanto ao valor da pensão, consideram que os sistemas sociais são uma tarefa do Estado, mas a partir de um acidente ou problema de saúde acabam por iniciar um plano de poupança acentuado, superior ao efectuado na França e Bélgica, apesar dos mais baixos rendimentos.

A Segurança Social portuguesa está numa situação caótica, com um índice negativo acima da média da Europa Ocidental e Central. O Japão lidera a lista do pessimismo numa avaliação do próprio sistema de Segurança Social, em que 98 por cento dos activos e 94 por cento dos reformados avaliam o seu sistema como caótico.

Os recursos financeiros e a saúde são apontados como factores de felicidade pelos reformados portugueses.

O estudo consistiu em 18.114 entrevistas telefónicas, realizadas em 26 países, pelo quarto ano consecutivo para a AXA Seguros pela GFK Metris, entre meados de Julho e início de Agosto de 2007. O objectivo do estudo é “analisar e perceber as atitudes em relação à reforma, comparar a percepção e a realidade dos activos versus reformados ou em reforma antecipada e analisar os resultados de Portugal de um ponto de vista internacional”.



Violência contra idosos aumenta em Portugal


Os crimes de violência a vítimas com mais de 64 anos aumentaram de oito para 25 mil nos últimos cinco anos revela um outro estudo, que cita dados da Polícia de Segurança Pública (PSP). O aumento das denúncias pode constituir uma explicação para a elevada subida dos números da violência, sustentou fonte da PSP ao "Diário de Notícias".

“Os idosos são vítimas silenciosas, já que não apresentam queixa por medo”, explicou fonte da Procuradoria-Geral da República. O gabinete de Pinto Monteiro recebe centenas de denúncias de casos de violência contra idosos. O procurador vai pedir às distritais de Lisboa, Porto, Évora e Coimbra para alertar autarquias, juntas e Segurança Social que denunciem os casos que cheguem ao seu conhecimento.

Pinto Monteiro disse que em 2008 será prioritário combater a violência nos idosos. “Não há nenhuma crítica que me faça desistir do meu caminho” e o facto de serem poucas as denúncias de violência nos idosos explica que a necessidade e urgência em “tomar medidas”.

A agressão a idosos reveste-se de variadas formas: negligência nos cuidados de saúde e abandono, abusos físicos, maus tratos psicológicos, negligência por abandono, negligência por administração de doses erradas de medicamentos para acalmar o idoso, negligência nos cuidados de saúde, abuso sexual e tentativas de extorsão de dinheiro (em casos de filhos com pais pouco lúcidos)

O estudo “Violência contra os mais velhos. Uma realidade escondida” foi realizado pelas psicólogas Cristina Verde e Ana Almeida. Citadas pelo “Diário de Notícias”, as investigadoras concluíram que “quanto maior for o índice de dependência do idoso e a precariedade social, mais provável é ocorrerem situações de maus tratos”.

Notícias .rtp.pt

Fotos da Net




António Inglês


O VELHO DA HORTA


Vª PARTE

Vem um Alcaide com quatro Beleguins, e diz: Dona, levantai-vos daí!

Alcoviteira: Que quereis vós assim?

Alcaide: À cadeia!

Velho: Senhores, homens de bem, escutem vossas senhorias.

Alcaide: Deixai essas cortesias!

Alcoviteira: Não hei medo de ninguém, viste ora!

Alcaide: Levantai-vos daí, senhora, daí ao demo esse rezar! Quem vos dez tão rezadora?

Alcoviteira: Deixar-me ora, na má-hora, aqui acabar.

Alcaide: Vinde da parte de el-Rei!

Alcoviteira: Muita vida seja a sua. Não me leveis pela rua; deixar-me vós, que eu me irei.

Beleguins: Sus! Andar!



Alcoviteira: Onde me quereis levar, ou quem me manda prender? Nunca havedes de acabar de me prender e soltar? Não há poder!

Alcaide: Nada se pode fazer.

Alcoviteira: Está já a carocha aviada?!... Três vezes fui já açoitada, e, enfim, hei de viver.

Levam-na presa e fica o Velho dizendo: Oh! Que má-hora! Ah! Santa Maria! Senhora! Já não posso livrar bem. Cada passo se empiora! Oh! Triste quem se namora de alguém!

Vem uma Mocinha à horta e diz: Vedes aqui o dinheiro? Manda-me cá minha tia, que, assim como no outro dia, lhe mandeis a couve e o cheiro. Está pasmado?

Velho: Mas estou desatinado.

Mocinha: Estais doente, ou que haveis?

Velho: Ai! Não sei! Desconsolado, que nasci desventurado!

Mocinha: Não choreis! Mais mal fadada vai aquela!

Velho: Quem ?

Mocinha: Branca Gil.

Velho: Como?

Mocinha: Com cem açoites no lombo, uma carocha por capela, e atenção! Leva tão bom coração, como se fosse em folia. Que pancadas que lhe dão! E o triste do pregão - porque dizia: "Por mui grande Alcoviteira e para sempre degredada", vai tão desavergonhada, como ia a feiticeira. E, quando estava, uma Moça que passava na rua, para ir casar, e a coitada que chegava a folia começava de cantar: "ua Moça tão fermosa que vivia ali à Sé..."

Velho: Oh coitado! A minha é!




Mocinha: Agora, má hora e vossa! Vossa é a treva. Mas ela o noivo leva. Vai tão leda, tão contente, uns cabelos como Eva; por certo que não se atreva toda a gente! O Noivo, moço polido, não tirava os olhos dela, e ela dele. Oh que estrela! É ele um par bem escolhido!

Velho: Ó roubado, da vaidade enganado, da vida e da fazenda! Ó Velho, siso enleado! Quem te meteu desastrado em tal contenda? Se os jovens amores, os mais têm fins desastrados, que farão as cãs lançadas no conto dos amadores? Que sentias, triste Velho, em fim dos dias? Se a ti mesmo contemplaras, souberas que não vias, e acertaras.Quero-me ir buscar a morte, pois que tanto mal busquei. Quatro filhas que criei eu as pus em pobre sorte. Vou morrer. Elas hão de padecer, porque não lhe deixo nada; da quantia riqueza e haver fui sem razão despender, mal gastada.

FIM