JÁ ESTOU MORRENDO DE SAUDADES!
De coração apertadinho, num corropio desenfreado, malas alinhadas à porta, a família corre que corre nos últimos preparos antes de mais uma viagem que dará inicio às férias deste ano.
Invariavelmente, de há muitos anos para cá, as nossas férias são passadas pelo Minho, ora em Moledo, ora em Vila Praia de Âncora, ora em Afife.
Não dispensamos uns dias no Algarve e este ano até falhámos, mas o Norte Litoral é sempre o local que nos chama e nos dá alento e coragem para que o resto do ano passe... bem depressa...
São 9h 30minutos de um dia qualquer do mês de Agosto de 2008. Todo o mundo se levanta e enfia na mala do carro e num repente mesas, cadeiras, geleiras e tudo o mais que o já célebre pic-nic na Ilha dos Amores, no meio do rio Minho, nos exige.
A travessia de barco é uma aventura deliciosa e o convívio com os amigos faz-nos esquecer tudo o resto, parecendo que nada mais existe para além dos limites daquela ilha. São momentos inesquecíveis que se vão repetindo e dos quais não abdicamos.
A Senhora d'Agonia segue por entre centenas de embarcações...
Sem perceber-mos muito bem porquê, demos de caras com as Festas de Santa Rita de Cássia, em Caminha que este ano tiveram lugar no mês do Verão por excelência, Agosto. São sempre bonitas mas confesso que apenas presenciámos alguns Concertos junto da Câmara Municipal e o fogo de artifício.
E começou a grande festa d’Agonia, verdadeiro motivo que nos faz o coração bater mais depressa.
Sem pressas desta vez, as bancadas junto ao rio Lima, serviram de poiso para assistirmos à Procissão do Mar, acompanhados de milhares e milhares de pessoas que se amontoavam pelas margens para ver tão belo passeio da Senhora d’Agonia lançando-nos do seu barco a sua bênção.
Centenas de embarcações a acompanham, fazendo ouvir as suas sirenes, para que a Senhora saiba que todos eles estão presentes e a seguem.
São momentos misteriosos que só pode sentir quem assiste de perto à Procissão.
À noite, a primeira sessão de fogo de artifício.
Sexta-feira, 22 de Agosto, as Mordomas, as verdadeiras Rainhas da Festa, solteironas (serão?), apresentam-se oficialmente aos Vianenses. Seguem para a Câmara Municipal onde serão recebidas pela Governador Civil, pelo Presidente da Câmara e pelo Bispo da Diocese, a quem se apresentam. São acompanhadas pelos bombos e por inúmeros tocadores que fazem do desfile uma festa constante. Milhares de pessoas estão presentes pelas ruas da cidade por onde elas passam. Nós lá estivemos como não podia deixar de ser.
Ao meio-dia, mais uma correria até á Praça da República para presenciar-mos mais um encontro de Bombos e Gigantones. A festa está ao rubro.
De tarde, nova procissão e à noite novo desfile pela Avenida até ao Jardim, de Zés Pereiras, Bandas de Música e Ranchos Folclóricos. Novo banho de multidão que no fim do desfile o acompanha, dançando, cantando ou simplesmente... andando calmamente, mas onde até o silêncio se ouve porque a alegria anda no ar.
Noite dentro nova sessão de fogo preso na Marina de Viana. Tantas emoções.
Sábado chegou e de novo o encontro marcado para a Praça da República com renovada animação dos Bombos e Zés Pereiras. É assim quase todos os dias da festa. Repete-se mas nós vamos lá todos os dias.
Na vépera já tinhamos deixado as cadeiras que marcaram os nossos lugares no local do costume para assistir-mos ao ansiado e grande momento do Cortejo Etnográfico.
Começa normalmente pelas 16 horas mas nós, entre as 14 e as 15h já lá estamos sentadinhos, esperando à torreira do sol pelo Cortejo. Que importa o sol, a causa é boa e quem corre por gosto não cansa. Este ano, comemorando cem anos de “paradas” reviveram-se momentos fascinantes e deslumbrantes. Quadros alegóricos evocando os muitos desfiles ao longo dos anos, milhares de figurantes e muita alegria deram corpo e alma a um espectáculo como já não presenciáva-mos há muito.
A cada ano que passa, a vontade de voltar renova-se e isso aconteceu mais uma vez. Já contamos os dias para a nova Festa.
À noite o Fogo do Meio ou da Santa, brilhante como sempre.
O domingo foi mais calmo, mas lá estivemos por entre os Bombos e Zés Pereiras na Praça da República ao meio-dia. Não me perguntem porquê, vamos sem disso dar-mos conta. Costumamos ir á Tourada mas desta vez o tempo foi escasso.
Pelos Jardins e ruas de Viana, muitos grupos de tocadores de concertina fazem-se acompanhar por cantadores e cantadeiras que ao desafio vão oferecendo a quem passa o seu “desafio cantado”, verdadeiros momentos inesquecíveis. O apimentado das quadras populares, tão a gosto do nosso povo, salpicam os ares de Viana deixando o doce aroma das gentes minhotas bem vincado em cada uma.
Por fim, a maravilhosa Serenata no Rio Lima. A cachoeira na Ponte velha de Viana e um estrondoso fogo do ar, encerraram as Festas d’Agonia. Ficou a saudade e a nostalgia porque tudo foi tão rápido.
“Calou-se o último foguete. Morreu o último clarão luminoso e colorido do festejo; emudeceram as filarmónicas e as gaitas de foles, e foram mudar de fato os músicos escarlates da aldeia. Tudo emudeceu. Tudo é silêncio. A luz do rio, o aço do céu, espalham somente a quietidão esplendorosa dos montes em redor e o lindo casario da cidade.”
“Começa a saudade”
(excerto do Roteiro de Ribeira Lima, 1929).
As festas são passadas e a vida e as férias continuaram. O nosso rapazola e o seu grupo de amigos de Âncora resolveu, à semelhança do que tem feito nos últimos anos, fazer um acampamento por forma a cimentarem entre si a grande amizade e companheirismo que os une.
Baiona foi o Parque escolhido e lá os fomos pôr. Excelente escolha desta rapaziada que pelos vistos tem bom gosto e sabe como ninguém como se devem comportar os jovens.
Ficámos fãs do Parque pois as cabanas que por lá se alugam deixaram-nos água na boca.
É assim a vida, também com eles aprendemos muita coisa. Eles vão-nos demonstrando que os exemplos que lhes damos ao longo da vida não foram nem são em vão.
Férias no Minho sem uma visita ao “Corte Inglês” da região não são férias. Assim lá fomos cumprir com essa tradição que nos ajuda um pouco a gastar alguns “cobres”, que as coisas ali compradas ainda são acessíveis. Refiro-me claro, à feira de Cerveira bem entendido, que os “tios” e as “tias” da zona teimam em assim lhe chamar. A não perder.
E meus amigos, depois destes dias de tanta emoção, correria e satisfação o regresso deu-se num silêncio de morte, que a saudade já começou e não vemos chegada a hora de uma nova aventura tão igual mas tão diferente.
Para o ano cá estarei, se Deus quiser, para vos contar novas aventuras de férias.
Texto e fotos cá do rapaz... desta vez...
Já não era sem tempo!
António Inglês







































































