terça-feira, 12 de agosto de 2008

ABRAM A JANELA. QUERO VER O MAR!

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De férias pelo Alto Minho, nessa lindíssima região que tanto fascínio me provoca, deixei-me levar durante alguns minutos (muitos) pela saudade.
De olhos postos no mar de Afife, não foi fácil arrancar-me dali porque a memória se agarrou àquela areia.
A alma ficou-me enfeitiçada pelo rebentar das ondas, que meigamente abraçam os rochedos e os sentidos rendidos ao aroma que o sargaço teima em me oferecer.
Recuei no tempo e fiquei paralisado de olhos fixos no
MAR cujo efeito hipnotizador me permite viajar pelo tempo em poucos segundos.
Ao contemplar a saudosa imaginação por entre as dunas de Afife, percebi que o meu destino está definitivamente ligado ao mar. Não a um mar qualquer, mas àquele mar da minha praia de menino onde tantas aventuras, tantas promessas, tantas paixões marcaram a sua época.
Quando a hora chegar, quero dizer o mesmo que Rosalía de Castro disse ao ver a morte aproximar-se:

“ABRAM A JANELA. QUERO VER O MAR!”

Com a ajuda de Maria Luísa Paiva Boléo aqui vos deixo um pouco da história desta ilustre escritora e poetisa galega.



Escritora e poeta galega, das mais ilustres. O seu mais divulgado livro é Cantares Gallegos. Teve vários filhos. Morreu de cancro. Ao aproximar-se a morte, já delirando pediu: Abram a janela. Quero ver o mar!

Nascida em Santiago de Compostela, em Fevereiro de 1837, Rosalía de Castro deixou uma obra ímpar. Os seus Cantares Gallegos são unanimemente considerados como a primeira grande obra da literatura galega contemporânea, vindo assim contrariar um conceito antigo de que o idioma galego não é propício à poesia.




Noite de Inverno chuvosa, em Santiago de Compostela. A catedral barroca impõe-se com a sua majestade. Alguém passa apressado, e discreto, debaixo das arcadas bem protegido da insidiosa chuva. Dirige-se ao Hospital Real, onde acabava de ser trancada a porta principal. O vulto bate com força. De dentro alguém reabre a porta, uma breve troca de palavras e a carta com a mensagem urgente dirigida ao médico chefe é entregue pelo vulto a uma mão que está lá dentro. Já bateram as três horas da madrugada. O médico, com a sua maleta na mão segue o criado da fidalga Dona Teresa de Castro e Abadia que ilumina o caminho com uma lanterna. Dona Teresa saiu do seu solar e hospedou-se numa modesta casa de Barreiras. O médico chega. Às 4 horas do dia 24 de Fevereiro de 1837 nasce Rosalía. Foi imediatamente baptizada, ainda nos braços do médico, numa capela contígua ao Hospital, e ficou registada com o nome de Maria Rosalía Rita. A madrinha foi uma mulher modesta, criada do solar dos Castros.
Como a nossa Florbela Espanca, Rosalía de Castro ficou marcada, desde o nascimento, por ter sido fruto de uma relação extra-conjugal. Florbela e Rosalía viriam a ser os símbolos máximos da poesia do sofrimento e da tristeza, da amargura e da fatalidade. As suas vidas tiveram, no entanto, rotas diferentes. Florbela não era fidalga, mas a menina galega, era filha de Doña Maria Teresa de La Cruz de Castro y Abadia, de ascendência nobre e o pai um seminarista, ou sacerdote, de nome José Martinez Viojo. Muitas enciclopédias omitiram durante anos esta condição do pai de Rosalía, bem como o facto de ela ter sido registada como filha de pais incógnitos. Eram tempos impiedosos para quem nascia fora das regras estabelecidas. O seu nascimento, nestas circunstâncias marcou profundamente a sensibilidade de Rosalía de Castro. A vida também lhe não sorriu, como a Florbela. A sua única felicidade foram os filhos, mas dos sete que gerou, apenas Gala sobreviveu.



Rosalía foi educada e mimada por duas tias paternas, na aldeia de Ortoño na Casa do Castro. Até aos oito anos viveu como qualquer menina de aldeia, se bem que com outro conforto. No entanto, foi este contacto com os costumes e cantares galegos que imprimiram um cunho especial a esta menina de sangue fidalgo, mas de coração e alma embalados por essa língua galega que ela tão bem conheceu e amou. Rosalía estava longe da mãe, porque era necessário preservá-la de comentários sobre o seu nascimento “indigno”. Na época um nascimento destes tinha de ser abafado, para que o escândalo não arruinasse a reputação de uma casa fidalga, mas Doña Teresa amava a filha e não suportando a ausência da filha, passados anos reclama a sua presença. Mãe e filha vão finalmente viver juntas.
Aos 14 anos Rosalía estuda em Santiago de Compostela, onde tem aulas de desenho e música. Também frequentava actividades culturais organizadas pelo Liceo de la Juventude. Nessa altura conhece Eduardo Pondal, Aurelio Aguirre por quem Rosalía se apaixona. Por ali aparece também Manuel Murguía com quem virá, mais tarde, a casar. Nestes tempos Rosalía dedica grande parte do tempo à música. Tocará piano mesmo depois de casada. Os filhos gostavam de ouvir os acordes do piano ecoarem pela casa e, quem sabe Rosalía refugiava-se na poesia e na música para esconder as suas amarguras.
Galiza foi durante séculos a mais agreste região da Espanha e durante muito tempo as fomes eram cíclicas e devastadoras. Nos séculos XIX e parte do XX a única solução de sobrevivência era a emigração. Partiam os homens deixando as mulheres sós, as “viúvas de vivos”, como lhes chamou Rosalía de Castro.
O ano de 1853 teve um Inverno extremamente rigoroso e por toda a Galiza grassava a fome e a miséria. Rosalía de Castro e a mãe vão viver para o antigo convento de Santo Agostinho, onde funcionava então o Liceo de la Juventude e aqui Rosalía chegou a protagonizar peças de teatro. Em 1856 parte sozinha para Madrid, tendo ficado hospedada em casa de uma prima da mãe, Doña Carmen García-Lugin, que morava na rua da Ballesta.




Embora Manuel Murguía convivesse com o grupo de amigos de Rosalía em Santiago de Compostela, só se vão conhecer e casar mais tarde, precisamente em Madrid.
Manuel Murguia chegou a cursar Farmácia, mas depois enveredou para outras áreas como História, literatura, arqueologia. Pedagogo e jornalista é considerado um dos mais representativos eruditos do seu tempo. A ele se deve que a obra poética de Rosalía tenha sido publicada e conhecida. Modesta a autora sugeriu que ele publicasse mas que colocasse o nome dele como autor, o que não aconteceu. Daí Rosalía ser conhecida e reconhecida como autora de grande mérito.
Os espanhóis das colónias espanholas eram um dos seus públicos mais entusiastas. Sentiam-se irmanados na poesia desta galega discreta e tão sensível.
Manuel Murguía e Rosalía casaram em 10 de Outubro de 1858, em Madrid. As vendedeiras do mercado de Santo Ildefonso repararam naquela noiva alta e bonita que saía da igreja pelo braço daquele exótico senhor baixinho de barba escura e «sombrero de copa y levita». Na boda estiveram amigos de ambos, do mundo político e artístico de Madrid, mas Doña Teresa de Castro não quis estar presente. A noiva contava 20 anos e o noivo 25. Nesse tempo Murguia escrevia para jornais.

Em 1858 Rosalía perde o seu grande amigo Aurelio Aguirre e no ano seguinte a sua melhor amiga. Tinham ambas ido à festa da Virgem de la Barca em Muxia. Era Setembro. Ambas apanham o tifo, mas em poucos dias morre Eduarda Pondal. Rosalía desfeita pelo desgosto escreve La Hija del Mar, depois integrado nos Cantares Gallegos.

Os meses passam e a jovem Rosalía sabe que vai ser mãe, mas passa uma gravidez dolorosa. Regressa a casa e vai viver com a mãe numa rua perto da Catedral de Santiago de Compostela. Ali nasce a primeira filha, Alexandra, em 1859. O emprego precário do marido faz com que passem a vida a mudar de terra, entre 1858 e 1875. Em 1860 vivem na Corunha, onde Manuel Murguía é director do Arquivo Geral da Galiza.
Em 1861 Rosalía publica Flavio (prosa), mas parece que os desgostos se seguem na sua vida numa sequência constante. Em 1862 perdeu a mãe que ela adorava e expressou a sua dor em A Mi Madre, poesia dedicada aquela que ela amou sem reservas, sem qualquer ressentimento pelo seu nascimento. Edição de 1863. Hoje é uma raridade, porque apenas se fizeram 50 exemplares que Rosalía deu apenas aos mais íntimos. Em 1868 nasceu a segunda filha, Aura. Em 1871 nascem os gémeos Gala e Ovídio e, em 1873 a filha Aura. Mas a doença de Rosalía de Castro agrava-se a cada parto. Em 1875 nasce Adriano, que morre de uma queda, apenas com dois anos. Rosalía chora através da sua poesia: «mi niño, tierra rosa (...)Que sosiego en tu fronte! Al verle yo alejarse! Qué borrasca en la mía ». Ao desgosto da perda dos filhos somava-se um casamento não completamente feliz, como se depreende das cartas que escrevia aos mais íntimos. Mais tarde a filha Gala diria que não era verdade a mãe ser triste e infeliz, que ria muito e brincava e tocava piano para os filhos. Quem podia saber o que lhe ia na alma?



Rosalía foi «céptica perante o amor». Para o prof. Jacinto do Prado Coelho, a obra de Rosalía é caracterizada «pela pungente amargura dos seus versos.» Para o prof. francês Claude Henri Poullin, que fez doutoramento sobre a obra de Rosalía de Castro a sua poesia é «a encarnação e símbolo da alma galega.» E acrescenta que Rosalía não surge como um fenómeno isolado, mas sim integrada num conjunto da literatura espanhola da segunda metade do séc. XIX a que se chamou renascimento galego e onde temos nomes como Eduardo Pondal (1835-1917), amigo de Rosalía, Manuel Curros Enriquez (1881-1908). Estes, com Rosalía «constituem o grande triunvirato do renascimento galego do séc. XIX» (Ernesto Guerra Da Cal).
Certos críticos literários são de opinião que a vida de um poeta tem de ser sofrida, não saída de quem tem cama fofa e risonha, para que as palavras possam tocar quem as lê. Verdade ou não, no caso de Florbela Espanca, como no de Rosalía a dor vivida é patente, real. A vida da poeta galega foi realmente pungente. Em 1874 nasceu morta a última filha, a quem puseram o nome de Valentina. «Todo acabó, quiza, menos mi pena.» Em 1880 é editado Follas Novas que são um conjunto de poesias escritas ao longo de vários anos. Uma crítica no jornal El Imparcial de 4 de Abril de 1881 em termos francamente negativos, atacando a autora por denunciar os males da emigração e a tristeza das mulheres galegas, fez com que Rosalía, profundamente sentida, nunca mais escrevesse em galego. A partir dessa data só escreveu em castelhano.
A obra que a tornou conhecida no mundo literário foi Cantares Gallegos, editado em 1883. São trinta e cinco poemas considerados obra fundamental do ressurgimento poético galego. O livro teve muito boa recepção junto dos espanhóis de além-Atlântico, especialmente na Argentina, Cuba e Uruguai. Os escritores portugueses Antero de Quental e Teófilo Braga escreveram com admiração e apreço sobre este livro de Rosalía. Também para En las Orillas del Sar os leitores foram muitos e sentiam enorme admiração por esta filha da Galiza, autêntica e cheia de talento, que recorda a cidade de Padrón, onde viveu a sua meninice e onde há hoje uma casa-museu em sua homenagem.


Mas a doença ia minando o seu corpo frágil. Rosalía sofria em silêncio. Nem o próprio marido jamais soube a extensão do seu mal. Só o médico de Padrón, o dedicado Dr. Roque Membiela a quem Rosalía oferecia os seus livros com uma dedicatória que terminava sempre do mesmo modo: «a sua eterna enferma», sabia que a doença era incurável.

Sabendo que o seu fim se aproximava Rosalía de Castro quis ir a Carril com os filhos para ver o mar, esse mar que ela tanto cantou na sua poesia. Volta então para casa e o poeta galego, Lisardo Barreiro, que a visitou, no leito de morte, diria. «Ali estava como a pomba ferida que permanece para sempre rodeada dos filhos.»
No dia 15 de Junho de 1885 Rosalía vítima de cancro pede, já delirando: «Abram a janela que quero ver o mar!» e morre serenamente. Antes, pedira às filhas que queimassem todos os manuscritos inéditos. Sabe-se que este pedido foi cumprido de imediato, com a ajuda do padre que lhe ministrou a extrema-unção, aproveitando a ausência do marido que tal não teria consentido.
Ficou sepultada em Adina, mas fruto de um movimento de solidariedade de todos aqueles que lhe quiseram dar um lugar mais digno para dormir o último sono, em Maio de 1891 foi transladada, em cerimónia de grande dignidade e pompa para o Pantéon de Galegos Ilustres no convento de São Domingos, em Santiago de Compostela.
A sua última viagem foi de combóio, do cemitério de Iria Flavia para Santiago de Compostela. Estava um dia límpido e ameno. Das colónias galegas vieram representantes. Foi um enorme cortejo, onde se incorporaram todos os galegos e espanhóis que a admiravam, desde os anónimos aos mais ilustres. Houve elogio fúnebre e cânticos religiosos. A escritora Emilia Pardo Bazán leu um texto escrito para a ocasião. Galegos da América espanhola patrocinaram a estátua a Rosalía de Castro erigida no chamado, em 1917, passeio da Ferradura, em Santiago de Compostela.
Esta poeta galega de enorme talento não terá tido, em vida, toda a notoriedade que merecia, mas como disse alguém: «A popularidade nem sempre é o melhor caminho para a imortalidade.» Para terminar, um pouco mais do talento de Rosalía, nestes palavras que nos deixou:

«Arbol duro y altivo que gustas
De escuchar el rumor del océano
Y gemir com la brisa marina
De la playa en el blanco,
Yo te amo!...»


Texto de Maria Luísa V. de Paiva Boléo
Portal O Leme
Fotos da Net



António Inglês

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A 6 DE AGOSTO DE 1966 NASCIA UMA DAS MAIS BELAS PONTES DO MUNDO!

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Em 6 de Agosto de 1966, num dia de sol radioso, é inaugurada, com pompa e circunstância, a Ponte sobre o rio Tejo, em Lisboa. O Diário Popular dessa tarde escreve: «A Ponte – a ponte sobre o Tejo, a maior da Europa e uma das maiores do Mundo, inaugurou-se hoje: foi dia de festa para o povo».



Faz hoje precisamente 42 anos que a Ponte Salazar foi solenemente inaugurada, na presença do Presidente da República, Almirante Américo Thomaz, do Presidente do Conselho de Ministros, Doutor Salazar, e do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.


Alain Robert, o «Homem Aranha francês» que se celebrizou por escalar diversos arranha-céus no mundo inteiro, foi nela detido quando tentava chegar ao topo durante a hora de ponta. Este atrevido francês, de 44 anos, foi preso enquanto tentava alcançar o topo da estrutura metálica que tem cerca de 190 metros de altura. Habitualmente usava cordas nas escaladas, mas neste dia resolveu não as utilizar. «Foi um trabalho muito difícil porque o vento estava forte e os cabos da ponte balançavam demasiado», afirmou à Reuters o «homem aranha», que já foi detido mais de cem vezes.



No ano de 1958, o governo português decide-se, oficialmente, pela construção da ponte. No ano seguinte, é aberto concurso público internacional, para que sejam apresentadas propostas para a construção. Perante quatro propostas, no ano de 1960, a obra é adjudicada à empresa norte-americana United States Steel Export Company (esta construtora já tinha apresentado outro projecto em 1935).



A 5 de Novembro de 1962 iniciam-se os trabalhos de construção. Menos de quatro anos após o início destes, ou seja, passados 45 meses, a ponte sobre o Tejo é inaugurada passando a ser chamada Ponte Salazar.
Logo após a Revolução de Abril de 1974, o seu nome é mudado para Ponte 25 de Abril.



A sua construção, rondou o valor de dois milhões e duzentos mil contos, o que corresponde, nas tempos actuais a cerca de onze milhões de Euros.

Alguns dados que fazem dela ainda hoje uma das grandes pontes do mundo:

1 012,88 metros de comprimento do vão principal;
2 277,64 metros de distância de amarração a amarração;
70 metros de altura do vão acima do nível da água;
190,47 metros de altura das torres principais acima do nível da água (o que a torna a segunda mais alta construção em Portugal);
58,6 centímetros de diâmetro de cada cabo principal;
11 248 fios de aço com 4,87 milímetros de diâmetro, em cada cabo (o que totaliza 54,196 quilómetros de fio de aço);

79,3 metros de profundidade, abaixo do nível de água, no pilar principal (Sul);
30 quilómetros de rodovias nos acessos Norte e Sul, com 32 estruturas de betão armado e pré-esforçado;
É a 67.ª ponte mais extensa do mundo (a Vasco da Gama é a 4.ª).



O traçado é semelhante à Golden Gate de S. Francisco e ao da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, no Brasil.
A sua grandeza e imponência está bem expressa no facto de, à data da inauguração, ser a quinta maior ponte suspensa do mundo e a maior fora dos Estados Unidos.



Textos baseados na Net
Fotos da Net
António Inglês

quinta-feira, 31 de julho de 2008

VIANA DO CASTELO QUASE EM FESTA COM A ROMARIA DA SENHORA DA AGONIA




ROMARIA DA SENHORA DA AGONIA - VIANA DO CASTELO 2008


A beleza minhota, uma imagem de marca


Dia 15 – 6.ª feira:

15h00 - Abertura da “XII Feira/Exposição de Artesanato da Romaria d'Agonia”

Decorrerá, como vem sendo hábito, esta Feira, a VII deste novo ciclo, no corredor central do Jardim Público Marginal, com mais de 40 artesãos da nossa região, muitos deles a apresentar trabalho ao vivo.

Julgamos ter sido pioneiros nestes eventos "As Feriras de Artesanato", pois já em 1964 faziam parte do programa das Festas d'Agonia, onde se pode ler:

"Ás 11 horas - Abertura da Exposição de Artesanato Regional, no Palacete Luís do Rego, à Praça General Barbosa. Mostruário dos nossos tão característicos trabalhos regionais, produtos de pequenas oficinas, bordados, etc..."

E pelo êxito alcançado, repetiu-se a "Feira de Artesanato" nos cinco anos seguintes, no pavilhão e terrenos do então demolido Mercado Municipal, hoje do conhecido "Prédio Coutinho", nos anos seguintes.

Perdido o espaço, esmorecidas as vontades, somente em 2002, e em boa hora, se reacendeu esta vontade de mostrar a todos quantos nos visitam o tradicional artesão vianense, no seu trabalho ao vivo. Que este espaço seja para todos um motivo de orgulho e atracção.


Tudo começa de pequenino...


Dia 19 - 3.ª feira:

22h00 - Animação e Baile Popular

Junto da Muralha do Castelo de Santiago da Barra, arraial popular, promovida pelos pescadores da nossa ribeira. Inicio da confecção dos tapetes floridos nas ruas da ribeira.


O tambor é maior que o artista...


Dia 20 – 4.ª feira:

(Feriado Municipal)

DIA DE NOSSA SENHORA D'AGONIA

08h30 - ALVORADA

Já se ouvem os morteiros... são 21, bem estrondosos e com eles o atroar aumenta com os Zés P'reiras e as Bandas de Música; e a compasso, o dançar dos Gigantones e cabeçudos, que na Praça da República, a nossa Sala de Visitas, dão inicio à mais tradicional das romarias de Portugal: a Romaria de Nossa Senhora d'Agonia.

GRANDE FEIRA

Tem lugar no Campo do Castelo e Praça General Barbosa constituindo, pela sua genuinidade e animação, um dos mais interessantes e típicos aspectos das gentes deste concelho do Alto-Minho.

TAPETES FLORIDOS

Não poderemos ignorar o trabalho das gentes da nossa ribeira que durante toda a noite labutaram, não na sua habitual e perigosa faina, mas na manifestação do seu amor pela Santa Padroeira, ao cobrirem as ruas com tapetes floridos para a passagem da Senhora.

10h00 - CONCERTO MUSICAL

No coreto do Largo de S. Domingos pela Banda de Música da Portela.

12h00 - REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS

O Largo de S. Domingos será o cenário desta primeira e tão típica manifestação.

14h00 - CONCERTO MUSICAL

No coreto do Largo de S. Domingos pela Banda de Música da Portela.

14h30 - SOLENE CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

Presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. José Augusto Pedreira, Bispo da Diocese.

Finda a SANTA MISSA sairá do Santuário de Nossa Senhora d'Agonia, Nossa Senhora dos Mares e S. Pedro, a caminho do Cais dos Pilotos, onde , depois da alocução, será dada a "Benção ao Mar" e às embarcações, seguindo-se-lhe a

PROCISSÃO AO MAR E AO RIO com inúmeros barcos a acompanharem a Senhora na sua saída. O regresso ao Santuário será feito pelas ruas da nossa Ribeira bela mente atapetadas e decoradas com motivos piscatórios. É desta forma singela mas carinhosa que os moradores demonstram a sua devoção a NOSSA SENHORA D'AGONIA.

Nota: Os maravilhosos tapetes poderão ser admirados durante todo o dia, até à hora do retorno da Procissão, cerca das 17 Horas.

21h30 - CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Banda de Música da Portela.

22h00 - ARRAIAL

No campo do Castelo, Doca dos Pescadores e Praça General Barbosa com todas as diversões em funcionamento.

Sessão de FOGO DE ARTIFÍCIO, que melhor poderá ser admirada na Praça de Viana ou Praça da Ribeira,(junto à antigas Torre dos Pilotos) onde prosseguirá o "ARRAIAL MINHOTO"


Na Praça da República juntam-se os bombos...


Dia 21 – 5.ª feira:

08h30 - ALVORADA

GRANDE FEIRA

Continuará nos mesmos sítios e com a mesma animação.

11h00 - "CIRCUITO DO FEIRÃO"

Onde poderá encontrar, conviver e saborear alguns dos mais famosos petiscos das gentes das nossas freguesias.

Ali, durante todo o dia, estarão cinco dos muitos Grupos Folclóricos do nosso concelho, instalados em pavilhões dispersos pela cidade, exibindo em simultâneo a riqueza dos seus trajes, cantares e suas danças.

(ver programa específico com localização)

14h30 - CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima

21h30 - ESPECTÁCULO MUSICAL

NA Praça da Liberdade, poderemos assistir a u grandioso espectáculo musical popular, com "AUGUSTO CANÁRIO E AMIGOS".

CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima.


Os bombos começam logo pela manhã...


Dia 22 – 6.ª feira:

08h30 - ALVORADA

Repete-se aqui, nos dias seguintes, e sempre no mesmo lugar, a Praça da República e nos moldes tão tradicionais.

GRANDE FEIRA

Continuará nos locais estabelecidos e com a mesma animação.

09h30 - CONCERTO MUSICAL

No coreto da Praça da República pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo.

10h00 - DESFILE DA MORDOMIA

750 Anos de Foral... 750 Mordomias

As Mordomas são as Rainhas da Festa. Raparigas solteiras - sem fama - que fazem os seus primeiros ex-votos de amor na Romaria da Nossa Senhora d'Agonia apresentando-se oficialmente na cidade e nos cumprimentos ao Governador Civil, à "nossa" Câmara Municipal, ao Bispo da Diocese. Desta feita, vamos tentar duplicar os números habituais! Mordomas - também Festeiras- ( Trajes de Mordoma, Morgada, Luxar no seu colorido de vermelhos, azuis e verdes); no seu primeiro "vira" de debutantes; na sua primeira "função" das Mordomarias. Para que se conste!

12h30 - REVISTA DE GIGANTONES E CABEÇUDOS

Agora, na Praça da República os Grupos de Zés P'reiras e de Bombos, com o habitual barulho ensurdecedor prestam homenagem aos Gigantones e Cabeçudos.

14h30 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo e no Largo de S. Domingos pela Banda Bingre Canelense.

16h30 - ORAÇÃO DE VÉSPERAS

No Santuário de Nossa Senhora d'Agonia.

17h00 - PROCISSÃO SOLENE DA SENHORA D'AGONIA

É organizada pela Confraria de Nossa Senhora d'Agonia e será presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. José Augusto Pedreira, o nosso Bispo. Desfilará por algumas das ruas da cidade e, como sempre,seduzirá pelo rigor das suas vestes e dos seus Quadros Bíblicos.

21h30 - VAMOS PARA O FESTIVAL

Zés P'reiras, Bandas de Música e Grupos Folclóricos, em sintonia com o muito povo que se incorpora neste desfile, fazem a festa, descendo a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal.

22H00 - FESTIVAL NO JARDIM

Em dois palcos poderemos assistir ao encanto e beleza das danças e músicas de Grupos Folclóricos exclusivamente do nosso concelho.

Também poderemos deliciar-nos com a Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo no coreto da Praça da República e da Banda Bingre Canelense no coreto do Jardim Marginal, enquanto aguardamos pela espectacular sessão de fogo de artifício, nesta noite o afamado "FOGO PRESO".


O traje de domingar da minha Afife...


Dia 23 – Sábado:


08h30 - ALVORADA

Nos mesmos locais da cidade em que decorreu a anterior e nos mesmos moldes.

GRANDE FEIRA

Continuará nos locais habituais.

10h00 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima e do Largo de S. Domingos pela Banda da Sociedade Lanhelense.

12h00 - REVISTA DE “GIGANTONES E CABEÇUDOS”

De novo na Praça da Republica com toda a riqueza dos seus movimentos, do atroar dos bombos e com esfuziante alegria.

14h00 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima e do Largo de S. Domingos pela Banda da Sociedade Lanhelense.

16h00 - “CORTEJO ETNOGRÁFICO - " A voz da Romaria" - comemorativo dos cem anos de "paradas" e "cortejos" de Nossa Senhora d'Agonia.

1908 - as paradas agrícolas, os cortejos etnográficos e do trabalho; das tradições, usos e costumes; das feiras e feirões; do "fantástico" e maravilhoso"; dos cortejos temáticos: Caminhos de Santiago, Alto Minho em Festa, 500 Anos do Brasil, Pedro Homem de Mello, O Traje e o Bordado, O ouro do Minho e o Ouro de Viana, A cerâmica de Viana através dos tempos, A Voz da Romaria (2008).

21h30- CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima e do Largo de S. Domingos pela Banda da Sociedade Lanhelense.

22h00- A FESTA DO TRAJE

Tem lugar no Castelo Santiago da Barra.Numa nova encenação, procurará corresponder-se à grande expectativa que o traje à vianesa" sempre provoca a quem nos visita.

Um só palco, mas com três funções diferentes. Uma explicação pormenorizada: o vestir da "lavradeira", da "mordoma" e da "noiva". O trajo de "cotio", "domingar","peditório" , "ir à festa"; as "meias senhoras" e as "morgadas". O pormenor do "ourar", da cor. Nos seus Ofícios. Ao Vivo!

GRANDE ARRAIAL MINHOTO

As muitas e variadas diversões, as tocatas, os cantares ao desafio, as barracas de "comes e bebes", as tendinhas de café" e a alegria do muito povo que nestas noites procura esquecer as "canseiras" do dia a dia, são a garantia de que este popular número de agrado certo, se prolongará pela noite fora, como o mais típico e alegre ARRAIAL que terá lugar no Campo do Castelo e Praça General Barbosa.

Logo que termine a Festa do Traje, será queimado o fogo do ar que é, sem sombra de dúvida, um


Traje de trabalho e uma lindíssima jovem minhota...


Dia 24 – Domingo:

8:30 - ALVORADA

Queimam-se os últimos foguetes da Alvorada e inicia-se aquela que será a última grande Feira do corrente ano e que ocorrerá no mesmo recinto das anteriores.

10h00 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda dos Escuteiros de Barroselas e do Largo de S. Domingos pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima.

12H00 - REVISTA DE “GIGANTONES E CABEÇUDOS”

Será esta a última revista do ano, onde os Gigantones e Cabeçudos receberão as honras dos seus "vassalos" que são os diversos Grupos de Zambumbas e que terá lugar na Praça da República

14h30 - CONCERTOS MUSICAIS

Nos coretos da Praça da República pela Banda dos Escuteiros de Barroselas e do Largo de S. Domingos pela Banda da Casa do Povo de Moreira do Lima.

15H30 - FESTIVAL DE CONCERTINAS E CANTARES AO DESAFIO

O genuíno e castiço espectáculo, onde dezenas de tocadores de concertina e muitos cantadores e cantadeiras, proporcionarão aos amantes deste popular "desafio cantado", uma tarde inesquecível e que terá lugar no Jardim Público Marginal.

17H30- TOURADA

No redondel da Argaçosa.

A qualidade deste "cartel inédito" é a garantia de continuidade do bom-nome de que gozam as "TOURADAS D'AGONIA"

Cavaleiros: Joquim Bastinhas / Sónia Matias / Luís Roxinol / Joana Andrade / Marcos Bastinhas e Isabel Ramos

Forcados: Grupo de Amadores de Alcochete e Grupo de amadores do Aposentado da Chamusca

Toiros: Da Prestigiada ganadaria do Dr. Brito Pais

21H30- VAMOS PARA A SERENATA

São novamente os grupos de Gaiteiros, Zés P'reiras e Bombos, as Bandas de Música e os Grupos Folclóricos que, com o entusiástico acompanhamento dos "romeiros" - este bom povo que nos visita e se sabe integrar neste espectáculo ímpar.

Terá início no Largo da Estação dos Caminhos-de-Ferro, descerá a Av. dos Combatentes da Grande Guerra em direcção ao Jardim Marginal, onde terá lugar o último Festival.

22H00- FESTIVAL NO JARDIM

Concertos musicais, nos coretos da Praça da República pela Banda dos Escuteiros de Barroselas e no do Jardim Marginal pela Banda do Povo de Moreira do Lima, exibição de Grupos Folclóricos em estrados próprios e por fim a MARAVILHOSA SERENATA NO RIO LIMA


A procissão... que vai ao Mar... ou ao Rio...


e

Começa a Saudade....


... e que saudade...


Texto do Site oficial da Romaria

Fotos da Net

António Inglês

terça-feira, 29 de julho de 2008

RETRATOS PREOCUPANTES DE UM PORTUGAL DIFERENTE

INSEGURANÇA E CORRUPÇÃO EM PORTUGAL



Notícia 1

Violência doméstica e familiar aumenta em Portugal

Em Portugal, de acordo com os dados fornecidos pelo Ministério da Administração Interna, as denúncias de violência doméstica têm vindo a aumentar sistematicamente e de forma progressiva, tendo-se registado 11.162 queixas em 2000, 12.697 queixas em 2001, 14.071 queixas em 2002 e 17.427 queixas em 2003.
Acresce que em 2003 a violência contra a(o) cônjuge ou companheira(o) foi a mais frequente, constituindo 84% das denúncias. Isto entre 2000 e 2003, e como a violência tem vindo a aumentar, imagine-se os anos seguintes.



Notícia 2

Portugal: Maus tratos policiais e violência doméstica denunciados no relatório da Amnistia Internacional

O relatório da Amnistia Internacional (AI) 2008 indica que, em Portugal, persistem os episódios de violência contra as mulheres, bem como os casos de violência policial e consequente impunidade. O documento – que tem como objectivo traçar a evolução anual do cumprimento dos direitos humanos em todo o mundo – nomeia ainda a passagem dos voos da CIA transportando alegados terroristas por solo português. Durante a apresentação do relatório, a AI apelou aos governos de todo o mundo que peçam desculpa por seis décadas de falhanços nos direitos humanos e que se voltem a comprometer com metas mais concretas.



Notícia 3

Violência escolar: Portugal e Espanha com níveis de bullying semelhantes

O estudo comparativo entre Portugal e Espanha, divulgado na 4ª Conferência Mundial sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, que decorreu na Fundação Gulbenkian, foi realizado a partir de um questionário a 1.233 crianças entre os 7 e os 13 anos de oito escolas de Lisboa e de Sevilha. Do total de crianças inquiridas, 17,7 por cento diziam que eram agredidas com frequência e 42,1 por cento foram vítimas de pelos menos um ou dois comportamentos agressivos.




Notícia 4

Quatro pessoas sofrem violência sexual por dia em Portugal

A manchete acima é a matéria de capa do Destak. A Amnistia Internacional divulgou um relatório onde aponta que, em Portugal, houve 1443 crimes sexuais em 2007, dos quais 380 tiveram como vítimas crianças ou adolescentes. Mais: 87% eram do sexo feminino e menores de 16 anos.



Notícia 5

Aumentam denúncias de corrupção

O Ministério Público do distrito judicial de Lisboa iniciou 577 novos inquéritos de crimes de corrupção nos primeiros seis meses de 2008, um número superior ao total de denúncias registadas pela Procuradoria-geral da República durante todo o ano de 2007. Correio da Manhã



Notícia 6

População de Abrançalha, Abrantes, aterrorizada pelos 'talibãs'

A família dos cinco suspeitos de terem atacado e roubado uma 'shotgun' a agentes da PSP é temida pelos vizinhos, que dizem ter medo deles. A arma retirada à polícia foi ontem encontrada. A audição dos arguidos no tribunal estava prevista para ontem, mas foi adiada para esta manhã. JN.



Notícia 7

Taxista não conseguiu pedir socorro e foi alvejado pelas costas

Na praça de táxis à porta da Estação de Ermesinde, o ambiente era ontem à tarde de consternação e todas as viaturas de aluguer tinham fitas pretas dependuradas em memória de Jorge Cruz, taxista de 39 anos, assassinado a tiro na madrugada de domingo por três clientes que continuam a ser procurados pela polícia. A vítima não teve tempo de accionar sistema de alerta Táxi Seguro. JN.


Notícia 8

Aumenta a pressão dos traficantes sobre Portugal

Silves. Polícia Judiciária deteve três indivíduos e apreendeu 73 fardos de haxixe que daria para quase cinco milhões de doses individuais. A apreensão daquele tipo de droga no Sul de Portugal tem vindo a ser quase diária em resultado da maior vigilância que Espanha tem exercido sobre a sua costa.
Os espanhóis têm toda a costa vigiada, com vídeo vigilância, radares e, agora, também através de satélite. As autoridades sabem o que se passa no mar e, em caso de suspeita, alertam a polícia portuguesa.
Esta vigilância está a desviar a maior parte do tráfico para a costa portuguesa, sobretudo do haxixe que tem origem em Marrocos. A eficácia nas apreensões tem sido enorme. JN.



Notícia 9

Polícias envolvidos em esquemas ilegais de segurança

A PSP recolheu indícios, no âmbito da averiguação desencadeada a pedido da Associação Sócio-Profissional da PSP (ASPP/PSP), de que há polícias de três distritos envolvidos em esquemas ilegais de segurança nocturna.
«Estamos expectantes relativamente à investigação, já que nos foi referido pelo director nacional que havia matéria de facto na investigação», contou hoje à Lusa o presidente da ASPP/PSP, Paulo Rodrigues.
«É importante uma investigação minuciosa, mas também não pode demorar anos», disse agora o presidente da ASPP/PSP. Destak.



Estas são algumas das inúmeras e preocupantes noticias que diariamente saem nos jornais de Portugal. O país está a resvalar de forma assustadora para uma onda de violência como nunca se viu. Porquê? Tenho para mim que muitos serão os factores que a têm influenciado. Desde logo a gravosa situação financeira que atravessamos com a consequente falta de emprego.

O endividamento das famílias portuguesas é uma realidade e as dificuldades financeiras aumentam a olhos vistos. Desde que fazemos parte deste vasto território que dá pelo nome de Europa, o país abriu as suas fronteiras a tudo e todos e muitos dos que nos procuraram para viver e trabalhar, apenas vieram em busca de vida fácil, coisa que nos tempos que correm não se vislumbra em lado algum.

Um país de fronteiras abertas, está sujeito a tudo e a situação geográfica de Portugal é um tentador convite e serve de passaporte para o resto da Europa.

Muito provavelmente, foi o risco que tivemos de correr para não se perder o comboio europeu, muito embora eu procure encontrar o saldo desta adesão que, em principio deveria ser positivo, e que o foi seguramente, mas só para alguns.

Pior que tudo isto, na minha modesta opinião, é que existirão razões de raiz bem mais profunda e que têm a ver com a educação e com a perda de valores morais que eram imagem de marca da nossa sociedade e dos nossos pais.

O conceito de família perdeu-se, talvez porque se viva a correr, sem tempo para mais nada que não sejam as muitas solicitações que a modernização nos vai oferecendo em nome da liberdade e do progresso.

As amplas liberdades deram a muitos a ideia de que tudo poderiam fazer ou dizer, esquecendo-se eles, que a “sua” liberdade termina onde começa a dos “outros” .

A falta de respeito que se faz sentir, é pois um dos factores que mais influencía negativamente os acontecimentos menos felizes do dia a dia dos portugueses. Uma questão de educação.

Os preços aumentam, o endividamento aumenta, as taxas sobem, a criminalidade aumenta, a corrupção aumenta e pelos vistos continuará a aumentar e sobretudo aumentam os “inteligentes” que fazem das sentenças e da Lei a sua prória leitura, em proveito próprio, de quem ou do que defendem claro, mesmo que salte à vista de toda a gente que a verdade não é bem aquela que nos tentam impingir.

Infelizmente, vivemos num país de “chicos espertos” e num “faz de conta” assustador, onde cada vez mais se tenta viver “tirando onde faz falta e pondo onde faz vista”, ludribiando a justiça ou utilizando-a como convém e por isso estamos carregadinhos de “injustiças sociais”.

Aparentemente são os que vivem destes expedientes que se vão “safando” e o resto é folclore, talvez porque andemos há tempo de mais a falar em direitos e há tempo de menos a falar em deveres e obrigações.

Que país é este onde os criminosos são presentes ao Juíz e saem em liberdade? Que país é este onde a policia sabe que actua e depois vê o seu esforço cair por terra, mesmo pondo a vida em perigo, porque um Juíz resolve, em face da Lei, pôr os criminosos com termo de identidade e residência, como se esse facto os impedisse de continuarem a praticar os mesmo crimes?

Que país é este onde processos gravíssimos nunca mais são julgados ou dada a morosidade, acabam prescritos?

Que país é este onde se utiliza a demora dos processos em benefício dos culpados?

A propósito de “faz de conta” e de “injustiças”, evoco um artigo de Mário Crespo, que por trazer a lume as incoerências de alguns protestos e de algum modo pôr o dedo na ferida, passo a transcrever. Vale a pena ler pois diz muito da realidade que vivemos actualmente.

António Inglês



Limpeza étnica

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter.

'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes, que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures (e segundo o Presidente da Câmara muitos não pagam), e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.' A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.



Preocupante tudo isto, não acham? Fotos da Net António Inglês