terça-feira, 22 de julho de 2008

NADA COMO O HUMOR DE RAJADA!

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A propósito de gastronomia, não resisto a contar-vos um pequeno episódio que presenciei quando jantava com minha mulher no Restaurante O Cantinho em Oliveira de Frades.

Tínhamos acabado de nos deliciar com uma excelente vitela de Lafões, prato mais que conhecido na região e muito apreciado pela leveza da carne, tenrinha e saborosíssima.

Estávamos na fase dos cafés e eis que chega um jovem conhecido da casa.

Cumprimentando tudo e todos, dirige-se ao proprietário do Restaurante e troca com ele este diálogo que acho simplesmente fabuloso pelo humor e pela expontaneidade.


Jovem:

- Boa noite Sr. Manel.


Proprietário:

- Boa noite João, tudo bem?


Jovem:

-Tudo. Vinha pedir-lhe uns ossos para o cão, se faz favor.


Proprietário:

- É pá, manda o cão comer cá ao Restaurante.....


Nem vale a pena contar-vos o que aconteceu depois....

Faço notar que os nomes são absolutamente fictícios, até porque nem deles me lembro e pouco importam para a história. Por fim, o jovem acabou por levar aquilo que tinha vindo buscar.

António Inglês

domingo, 20 de julho de 2008

CRÓNICA DE UM PASSEIO DE VERÃO

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Olá amigos!
Regressados que estamos de cinco fabulosos dias de férias por este nosso Portugal adentro, vamos deixar-vos a proposta de viagem que acabámos de fazer. Não o faríamos se entendêssemos que os contornos e o sucesso da mesma não nos tivesse impressionado. Não que não conhecêssemos as regiões que visitámos, mas porque sempre que estamos alguns anos sem lá voltarmos, muita coisa se altera, se modifica, umas vezes para melhor, outras para pior. No caso, de que vos deixamos o desafio, o saldo é francamente positivo. Comecemos então.


1º Dia

Esteja onde estiver, dirija-se até à zona centro e tenha como primeira paragem Tábua com toda a paisagem paradisíaca que a rodeia, enquadrada pela serras da Estrela, da Lousã, do Buçaco e do Caramulo. O rio Alva e o rio Mondego, encarregam-se de lhe emprestar a frescura natural e nela vão serpenteando por entre montes e vales. Tábua mantém um ar tradicional, com uma evolução calma e um desenvolvimento sustentado, seguro e equilibrado.



Aproveite e almoce no Tóino Moleiro, excelente montra gastronómica da cidade, onde comprovámos a afirmação, isto para além de uma relevante simpatia do staff. Saímos satisfeitos, com a promessa de voltarmos em breve, pois por ali nem só a barriga “come”.
Depois, siga em direcção a Santa Comba Dão, Tondela, Viseu, onde poderá parar durante algumas horas uma vez que terá curiosidade em ver de perto o Palácio do Gelo e a cidade.



Viseu, já anteriormente nos tinha surpreendido favoravelmente, numa recente viagem que fizemos, embora de passagem e sem grande tempo nessa altura.
Está um espanto e deixou-nos água na boca pelo seu desenvolvimento, nomeadamente no que às acessibilidades diz respeito. A malha habitacional vai-se manifestando de forma equilibrada e com manifesto bom senso paisagístico.



Siga depois por Vouzela, dê um pulinho às termas de São Pedro do Sul, e acabe a noite em Oliveira de Frades, lindíssima Vila da região de Lafões. A Albergaria Ulveira foi quem nos recebeu para passar-mos a noite, e confesso-vos que gostamos sempre de ali ficar pois o ambiente é agradável e confortável. O preço é óptimo para a época.



Poderíamos ter jantado na Albergaria mas optámos por o fazer no Restaurante O Cantinho, mesmo em frente da Ulveira. De ambiente familiar, sem grandes luxos, sentá-mo-nos na esplanada, que o calor era tremendo, e pedimos aquilo que é no fundo o prato mais característico da região, a vitelinha de Lafões.



Excelente meus amigos, extraordinária aquela vitela que a dona do Restaurante nos aconselhou com os respectivos acompanhamentos. No fim, para ficarmos ainda mais pelo beicinho, o preço foi uma agradável surpresa, 13 €uros, coisa rara nos tempos actuais.


DIA

Pequeno almoço tomado, bagagem no carro, seguimos em direcção a Seia, tendo passado de novo por Vouzela e Viseu, seguindo depois por Nelas até Seia, onde visitámos o Museu do Pão e onde almoçámos também.



Não sei qual das situações foi melhor, se a visita se o almoço. Desconheço quem teve a feliz ideia deste Museu, mas posso assegurar-vos que a visita merece a pena e lamento que as autarquias deste país não tenham possibilidades de enviar as nossas crianças até àquele museu, para ficarem a saber como se faz o pão e de onde vem. Melhor que as palavras, são as fotos que vos deixo.



Logo após esta visita deliciosa e enriquecedora, rumámos à Serra da Estrela que atravessámos até Manteigas, mais uma bela Vila na encosta da serra. Deu para visitar família e para desenferrujar as pernas, aproveitando o momento para ajudar na digestão do requintado banquete que nos fora servido no Museu do Pão.


Seguimos depois viagem até à Varanda dos Carqueijais onde ficámos e jantámos.
Começam a faltar-me os adjectivos para vos descrever a paisagem que a Estalagem nos proporciona. A Covilhã a nossos pés acaba com o resto e senti mo-nos rendidos a tudo o que já visitámos.



Pelas 20 horas, altura em que chegámos à Varanda dos Carqueijais, não deixámos de tomar uma valente banhoca na piscina, que não obstante já não sentir os raios solares, fez questão de nos fazer acreditar que estávamos no paraíso.

Uma pequena arrelia com a bateria do nosso carro não foi suficiente para nos derrotar e continuámos a nossa aventura.



Aconselhamos vivamente uma estadia neste empreendimento turístico da Serra da Estrela, onde sentirão como é possível encontrar um local para retemperar energias.



DIA

Carro em deficientes condições, bagagem devidamente acomodada, rumámos à Covilhã, na expectativa de conseguirmos uma rápida reparação do veículo. Não foi possível e nem a oficina se mostrou muito interessada na reparação, sem que tivéssemos percebido porquê. Sinceramente não é este tipo de atendimento que promove uma região e uma localidade junto dos visitantes.


Mas, uma andorinha não faz a primavera e como não sou homem de me acomodar, decidimos regressar a casa, interrompendo a viagem que até ali nos tinha encantado. Foram duas horas e meia de regresso. Como a reparação foi rápida e o carro nos pareceu de novo em óptimas condições, desafiei minha mulher para neste mesmo dia, regressarmos ao ponto de onde partíramos antes da avaria, Covilhã, continuando assim o nosso programa de mini-férias, não sem antes termos almoçado por casa.



Não foi difícil convencê-la e retomámos, sete horas depois, o percurso devidamente preparado, tendo seguído da Covilhã para a Guarda, depois Celorico da Beira, Trancoso, Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Macedo de Cavaleiros onde éramos para ficar mas onde apenas jantámos.
As alterações verificadas no programa, modificando horários e visitas, sugeriu-nos seguir viagem até Bragança, por forma a recuperar-mos no dia seguinte o tempo perdido.



Assim foi feito e acabámos por ficar na Estalagem do Turismo na cidade transmontana de Bragança, onde já não íamos há tantos anos.
É desta forma, com ausências grandes, que constatamos a mutação que as nossas cidades vão sofrendo e hoje é relativamente fácil chegarmos até regiões a onde outrora levaríamos um dia inteiro a chegar. Encontrámos a cidade transfigurada para bastante melhor, com vias de acesso renovadas e inovadas, construção moderna e ordenada e um desenvolvimento social e turístico de realçar.



Rotundas, (hoje em grande expansão nas nossas cidades, vilas e até aldeias), vias largas e envolventes, tirando do centro a circulação automóvel, para bem dos cidadãos e do ambiente. Rios e ribeiras devidamente tratadas e arranjadas, onde dá gosto sentar-mo-nos à sua beira, descansando e deleitando a vista.



Sei que todo este desenvolvimento não apaga os muitos anos de isolamento, mas as regiões do interior começam a recuperar aos poucos o lugar que merecem e lhes pertence.



DIA

De novo com um soberbo pequeno almoço, saímos de Bragança com intenção de dar um pulinho até Rio d’Onor, dividida entre Portugal e Espanha, mas uma deficiente informação verbal levou-nos quase até Zamora, pelo que voltámos de novo a Bragança, e acabámos em Gimonde no Restaurante O Abel, recomendado, pois pretendíamos comer uma posta mirandesa de qualidade.



O conselho mostrou-se, este sim, correcto e delicia-mo-nos com uma excelente “posta” que as fotos melhor documentam. A visitar, não esqueçam, Restaurante O Abel em Gimonde a curtos, três/ quatro quilómetros de Bragança. Preço não muito caro e acessível.



Depois deste sensacional almoço, rumámos a Vinhais e Chaves onde tomámos um cafézinho e demos uma ligeira passeata para ajudar na digestão. Depois Vila Pouca de Aguiar, Fafe, Guimarães, Braga e finalmente Barcelos, destino da última noite desta pequena aventura.



Em Barcelos ficámos no Hotel Bagoeira, outrora Pensão da Bagoeira, onde sempre fiquei com meus pais quando ali íamos assistir às festas das Cruzes, célebres em todo Alto Minho e não só. Ali jantámos também, embora em regime de contenção pois o almoço fora farto, o que convenhamos, não foi nada agradável pois a Bagoeira tem fama (e proveito) de bem servir. Estadia óptima num Hotel muito agradável. O restaurante a servir como o faz há muitos anos, em quantidade e qualidade, se bem que um pouco caro para as bolsas portuguesas.



DIA

Depois de um excelente pequeno almoço, seguimos a nossa viagem por Esposende, Viana do Castelo e parámos em Caminha, retemperando forças, revivendo a Vila, as suas gentes, as suas pedras, os seus costumes, o seu ambiente e o seu ... cheirinho...



A Adega do Chico recebeu-nos para almoçar, onde nos deliciámos com um bacalhau à Chico de comer e chorar por mais.



Não podia faltar uma visita à minha praia de Afife.
É sempre um momento de muita emoção quando ali nos sentamos, olhando o nosso mar, sentindo o cheiro maravilhoso do sargaço e ouvindo as ondas que de mansinho se deitam no areal da praia, ou se espalham pelas muitas rochas que enfeitam a costa.




Resta-nos a consolação de que brevemente voltaremos, então sim para umas merecidas férias nessa lindíssima e insubstituível praia de Afife. O Minho está e estará sempre nos nossos corações.



Mas, era chegada a hora do regresso, e lá nos fizemos à estrada, em direcção ao Porto, depois Aveiro, tomando ali a nova A17 que nos trás direitinhos às Caldas da Rainha, mas que segue ela até Lisboa.

Despedi-mo-nos de Caminha, que engalanada espera já a Feira Medieval que vai ter lugar no próximo fim de semana.



Foram quatro noites, cinco dias de um passeio fabuloso, onde conseguimos equilibrar os gastos com tudo aquilo que gostaríamos de visitar, e cumprimos. Sinceramente aconselhamos a todos aqueles que gostam de aventura e de passear por entre montes e vales deste nosso Portugal tão pequenino mas que nos proporciona passeios e estadias maravilhosas.



As fotos que aqui vos deixo ilustram melhor que as palavras tudo aquilo por que passámos. Além disso, toda a região, iniciado o Verão, começa a receber as suas festividades que são o culminar de um ano de labuta. Nem todas famosas, mas sempre populares e alegres, é assim o povo minhoto.

Foi bom, mas acabou e como tudo o que é bom acaba depressa, a nossa aventura chegou ao fim. É pena.

Um abraço a todos.

António

terça-feira, 15 de julho de 2008

MAX




Amigos, vou uns dias de férias mas não os deixo sozinhos.
Ficam com esse fenómeno da minha época que dava pelo nome de Max.
Português, madeirense e artista que deixou muita saudade!
Até daqui a uns dias.
António

sexta-feira, 11 de julho de 2008

BRINCAR NA AREIA

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Embora sendo ideia e proposta da oposição há cerca de dois anos, a Junta de Freguesia de São Martinho do Porto com a colaboração da Câmara Municipal de Alcobaça, leva a efeito de 15 de Julho a 31 de Agosto de 2008 uma iniciativa de animação de praia denominada BRINCAR NA AREIA.



Durante mês e meio, a pequenada dos 5 aos 12 anos, pode dar largas à imaginação, brincando, pulando e jogando na praia de São Martinho do Porto, em recinto demarcado e vigiado, de segunda a sexta-feira, das 10 às 12 horas e das 14 às 17 horas, acompanhadas e orientadas por animadoras culturais.



Diversos jogos infantis farão as delicias das crianças que desta forma encontram nesta iniciativa, mil razões para que o Verão e as férias sejam alegres e inesquecíveis. Quantos de nós, menos jovens não lembra o jogo do prego, o jogo da mata e outros que na época estavam em voga, passados em grupos de amigos de infância na praia?



Esta lindíssima Baía em forma de concha, onde o mar de mansinho, se enrola na areia, deixando-lhe em cada bolha de espuma um beijo suave e ternurento, tem merecido muito justamente ao longo dos anos a denominação de Praia das Crianças, precisamente por não apresentar perigo de maior para miúdos e graúdos.



Recentes análises efectuadas à água, indicam que a qualidade da água é boa, estando assim reunidas condições excepcionais para que aqueles que nos visitam nesta época do ano, em gozo de férias ou apenas retemperando forças num dia de praia, possam gostar e voltar, que a Vila recebê-los-á de braços bem abertos.
São Martinho do Porto dá assim as BOAS-VINDAS a todos aqueles que nos visitam.




Esta iniciativa da Junta de Freguesia de São Martinho do Porto, abre uma nova janela para o futuro, que não se esgota num evento de animação de praia, mas que nos deixa a certeza de que quem nos governa começa a olhar mais seriamente para a vertente turística da Vila, ainda que forma meio envergonhada. Parabéns pois, à JFSMP



Algumas fotos foram tiradas da Net.

António Inglês

domingo, 6 de julho de 2008

INGRID BETANCOURT - SEIS PENOSOS ANOS DE CATIVEIRO QUE CHEGARAM AO FIM!

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Governo colombiano anunciou resgate de Ingrid Betancourt


Ingrid com os filhos após a libertação

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manoel Santos, confirmou há pouco que a ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt foi resgatada numa operação militar do governo. Junto com ela, também foram resgatados três estado-unidenses e outros 11 militares colombianos que também eram reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Seguiremos trabalhando na libertação dos demais sequestrados. Fazemos um apelo aos actuais líderes das Farc para que não matem, libertem os outros sequestrados e não sacrifiquem seus homens”

Ingrid Betancourt Pulecio, nasceu em Bogotá a 25 de Dezembro de 1961. É uma senadora e activista anti corrupção franco-colombiana. Foi raptada pelo grupo terrorista FARC em 23 de Fevereiro de 2002 enquanto fazia campanha para as eleições presidenciais. Betancourt permaneceu cativa e numa situação de saúde delicada, até o dia 2 de Julho de 2008, quando o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou a sua libertação juntamente com outros catorze reféns.


Ingrid Betancourt

Filha de um ex-senador e ex-embaixador colombiano com uma ex-miss Colômbia, Gabriel Betancourt e Yolanda Pulecio, viveu boa parte de sua juventude em Paris, onde o pai servia como embaixador da Colômbia junto à UNESCO. Estudou Ciências Políticas no Instituto de Estudos Políticos de Paris. Seu ambiente familiar propiciou-lhe o convívio com o poeta Pablo Neruda, o escritor Gabriel García Márquez e o pintor Fernando Botero. Teve dois filhos de seu primeiro casamento na França.

Após o assassinato de Luis Carlos Galán, (ex-candidato a presidência) com uma plataforma política anti-drogas, Íngrid decidira retornar à Colômbia (1989). Em 1990 ela trabalhou no Ministério das Finanças da Colômbia, posteriormente abandonou, para entrar na política. Na sua primeira campanha, Íngrid distribuíra preservativos que representavam como ela mesmo dizia: "um preservativo contra a corrupção". Combatia o tráfico de drogas e militava na causa ambiental.

Íngrid concorrera ao cargo de senadora na eleição de 1998 - a quantidade de votos que recebera fora a maior entre todos os candidatos ao senado daquela eleição. Durante seu mandato recebera ameaças de morte por uma organização militar desconhecida, forçando-a a enviar seus filhos para Nova Zelândia.

Na eleição presidencial seguinte, Íngrid concedera apoio a Andrés Pastrana em troca de concessões de seu interesse. Porém, após sua eleição ela reivindicara o não cumprimento das promessas por Andrés a ela feitas.

Após a eleição de 1998 Íngrid escrevera um livro, uma memória. Em princípio, seu livro não fora publicado na Colômbia , pois continha revelações polémicas, além de críticas e acusações contra o antigo presidente Samper e outros, por isso fora publicado inicialmente na França com o título: "La Rage au Coeur" (Raiva no coração).


Igreja em Ipiales na Colômbia

Em 2 de Julho de 2008, às 15h 16m (hora da Colômbia), o ministro da Defesa do país, Juan Manuel Santos, anunciou a libertação no sul do país, pelo exército colombiano, de quinze reféns, entre os quais Ingrid Betancourt, três cidadãos dos Estados Unidos e onze agentes policiais e militares colombianos, alguns dos quais eram reféns das FARC havia mais de dez anos. Ingrid Betancourt estava sequestrada havia 2323 dias. Este resgate ocorreu através da infiltração do exército no comando das FARC que tinha os reféns em seu poder, conseguindo convencer os sequestradores a reunir num só grupo os reféns. O resgate foi feito por helicóptero, sob o pretexto de levar os reféns para uma inspecção humanitária.

A operação foi a conclusão de uma vasta preparação de infiltração no mais alto nível das FARC. Os reféns só souberam que estavam a caminho da liberdade no helicóptero, pois toda a operação decorreu sem um único tiro e sem qualquer violência.


Ingrid no cativeiro

PELA LIBERDADE DE UMA MULHER

Olhos baixos, mãos cruzadas sobre o colo, cabelos muito compridos e rosto magro e afilado, a mulher transmite dor e desalento em sua imobilidade. Desde a selva, essa foi a "prova de vida" que mandaram a sua família. Vida, sim, mas vida que parece esvair-se na tristeza e no desalento de quem se sente vencida pelo prolongado tempo de sofrimento dos últimos seis anos.

Na cidade, outra mulher todos os dias manda uma mensagem para a mulher triste que se encontra na selva. Às 5 horas da manhã, Yolanda Pulecio faz chegar pelas ondas do rádio a própria voz até sua filha Ingrid Betancourt. E na comunicação diária das duas a esperança consegue abrir um caminho, titubeante e frágil, mas o suficiente para manter acesa uma chama por seis longos anos.

Ingrid Betancourt Pulecio nasceu em Bogotá, Colômbia, em 25 de Dezembro de 1961, filha do ex-senador e ex-embaixador colombiano Gabriel Betancourt e de Yolanda Pulecio, ex-miss Colômbia. Passou parte de sua juventude em Paris, pois o pai era embaixador na UNESCO. Com uma infância e uma juventude especialmente agraciada cultural e existencialmente, a bela Ingrid habituou-se a conviver com gente do nível do poeta Pablo Neruda, do pintor Fernando Botero e do escritor Gabriel García Márquez, amigos da família. Fez seus estudos no Instituto de Estudos Políticos de Paris, onde se licenciou em Ciências Políticas.

Mãe de dois filhos do primeiro casamento com um francês, volta à Colômbia e entra na vida política, para lutar contra a máquina de corrupção movida pelo dinheiro do narcotráfico. O crime organizado colombiano logo a colocou sob sua alça de mira. Ingrid sofreu um atentado a bala e várias ameaças para que abandonasse sua luta. Determinada e cheia de coragem, seguiu em frente, sempre combatendo o tráfico e pregando a causa ambiental. Eleita deputada, depois senadora, em 2002 foi sequestrada como candidata à presidência quando visitava uma zona de combates intensos entre o exército e a organização terrorista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Há seis anos a selva é a morada desta franco-colombiana de 40 anos de idade. Em recente carta a sua mãe, narra que sobrevive em uma rede posta entre duas estacas, coberta com uma lona. Os poucos objectos que a deixam ter estão sempre prontos para a fuga que se repete incessantemente, buscando outro esconderijo. Entre essas pobres mudas de roupa e objectos pessoais está a Bíblia, diz ela, "seu único luxo".


Maria Clara Lucchetti Bingemer, autora deste texto

Só mesmo a fé e a intimidade com a Palavra de Deus podem sustentar essa mulher, que se vê cada vez mais frágil, esgotada, sem comer, sem dormir, em permanente sobressalto. Não consegue alimentar-se, seu corpo vacila, seus cabelos caem. Permanece, porém, inteira naquilo que crê e deseja, pedindo comovedoramente à mãe notícias de seus filhos, cuja vida vai passando sem sua participação.

Só mesmo a fé que a faz celebrar missas pelo mundo afora e ir falar com governadores, presidentes e o próprio Papa pode manter Yolanda Pulecio em pé, lutando pela libertação da filha. A bela Miss Colômbia agora é a mãe coragem que anda com a foto de Ingrid pelos quatro cantos do planeta, a fim de que não a esqueçam e saia do cativeiro. A cada manhã, quando o dia amanhece e na selva são 5 horas, Yolanda fala à filha querida. Para que ela não se sinta abandonada, não desanime, se alimente, mantenha acesa a ténue e bruxuleante chama da esperança.

No Dia Internacional da Mulher é belo ver, na situação limite de um cruel sequestro que parece não ter fim, a força do amor materno maior que qualquer outra coisa. Duas mulheres, mãe e filha, do fundo de sua dor ainda encontram forças para amar e declarar seu amor.

Enquanto Yolanda diz a sua filha que se alimente, para que possa manter a saúde e voltar ao convívio da família, transcende sua dor para manter viva aquela que um dia trouxe em seu ventre e deu à luz. Por seu lado, Ingrid, em meio ao desalento e à exaustão em que se encontra, escreve longamente à mãe, única que sabe não poder viver sem ela.

Que toda essa dor não seja em vão. E que a violência não tenha a última palavra. Que o longo suplício dessas duas mulheres chegue ao fim e possa ser redenção para elas mesmas e para o povo pelo qual lutam.

Maria Clara Lucchetti Bingemer


Marc Gonçalvez

Marc Gonçalvez, soldado resgatado é de ascendência lusa

Um dos militares norte-americanos salvos das garras das FARC tem ascendência lusa. Marc Gonçalvez foi sequestrado em 2003, depois de o avião onde viajava com mais quatro pessoas ter sofrido um acidente. Marc cumpria uma missão de vigilância do cultivo de droga na selva colombiana de Caquetá, a serviço de uma companhia privada contratada pelo governo norte-americano. Os pais Josephine Rosano e George Gonçalves, nunca baixaram os braços para encontrar o filho, até escreveram uma carta a José Sócrates. O primeiro-ministro ficou sensibilizado e abordou o tema dos reféns na Colômbia com Hugo Chavez, numa visita oficial à Venezuela. Josephine e George viram agora as suas preces atendidas.

“O sangue português continua espalhado pelos quatro cantos do mundo”


Após a libertação

Seis longos anos de cativeiro

Candidatar-se às eleições na Colômbia, ainda para mais mulher já é obra de coragem, mas ficar detida seis anos pelas FARC, em condições precárias, sofrendo de hepatite, segundo o seu ex-marido, ainda é obra de maior vulto.

São de Homens e Mulheres desta estirpe que se vão escrevendo páginas de história que perdurarão durante os séculos para exemplo da humanidade.

Ao fim de estes seis anos, Ingrid Betancourt foi finalmente libertada sem que se tenha disparado um só tiro, coisa estranha num país de problemas complicados. Mas foi e está já junto dos filhos, cujo crescimento ela não pôde acompanhar durante os seis longos anos de cativeiro, e do actual marido, o publicitário Juan Carlos Lecompte.

"Aqui vivemos como mortos" afirmava Ingrid em carta enviada a sua mãe em Dezembro de 2007. "Estou mal fisicamente. Não consigo alimentar-me. Meu apetite está bloqueado. Meus cabelos estão caindo aos montes". “Durmo no chão coberta apenas por um mosquiteiro e as longas caminhadas nocturnas para mudar de refúgio são um martírio”. “ A presença de uma mulher no meio de tantos prisioneiros que estão cativos há oito ou dez anos é um problema...”.

Estas frases ilustram bem a verdadeira tortura por que passou Ingrid Betancourt, apenas porque um dia teve a coragem de se afirmar como activista e anticorrupção e concorrer às eleições do seu país.

Depois de tanto tempo presa, Ingrid volta a provar que a mulher de coragem não morreu na selva e já garantiu que a sua luta vai continuar: contra a corrupção e contra o cativeiro de activistas políticos em terras colombianas.


Ingrid Betancourt, mais uma mulher coragem

Tiro-lhe o meu chapéu e presto-lhe a minha homenagem!

Fontes: Wikipédia e imprensa diária, nomeadamente "Jornal 24 horas" Fotos da Net. António Inglês

sábado, 5 de julho de 2008

GENTILEZA DA ARAMIS

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A minha amiga Aramis, resolveu há uns tempos atrás ofertar-nos flores em sinal de amizade, que muito lhe agradeci. Como exagero em quase tudo, tomei a liberdade de trazer três delas, uma para cada um de nós cá em casa. Esta primeira, creio que Amor-Perfeito, trouxe-a para mim.
Gracias Paulinha.


Esta segunda, penso que serão malmequeres, trouxe-os para a Lídia uma vez que o amarelo é a sua cor preferida.
Thanks Paulinha


E estas últimas, que desconheço o nome, vieram para o Pedro pois a sua cor predilecta é o vermelho.
Merci Paulinha

BOM FIM DE SEMANA A TODOS!

António Inglês

terça-feira, 1 de julho de 2008