segunda-feira, 16 de junho de 2008

DAVID MOURÃO FERREIRA

*

A 16 de Junho de 1996, falecia mais um vulto da literatura portuguesa.



Escritor e professor universitário português, natural de Lisboa. Licenciou-se em Filologia Românica em 1951. Foi professor do ensino técnico e do ensino liceal e, em 1957, iniciou a sua carreira de professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa. Afastado desta actividade entre 1963 e 1970, por motivos políticos, foi professor catedrático convidado da mesma instituição a partir de 1990. Entretanto, mantivera nos anos 60 programas culturais de rádio e televisão. Em 1963 foi eleito secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Autores e, já nos anos 80, presidente da Associação Portuguesa de Escritores. Logo após o 25 de Abril de 1974, foi director do jornal A Capital. Secretário de Estado da Cultura em vários governos entre 1976 e 1978, foi também director-adjunto do jornal O Dia entre 1975 e 1976. Responsável pelo Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian a partir de 1981, dirigiu, desde 1984, a revista Colóquio/Letras, da mesma instituição.



A sua carreira literária teve início em 1945, com a publicação de alguns poemas na revista Seara Nova. Três anos mais tarde, ingressou no Teatro-Estúdio do Salitre e no Teatro da Rua da Fé. Publicou as peças Isolda (1948), Contrabando (1950) e O Irmão (1965). Em 1950, foi um dos co-fundadores da revista literária Távola Redonda, que se assumiu como veículo de uma alternativa à literatura empenhada, de realismo social, que então dominava o panorama cultural português, defendendo uma arte autónoma. Em 1950, publicou o seu primeiro volume de poesia — Secreta Viagem. David Mourão-Ferreira colaborou ainda nas revistas Graal (1956-1957) e Vértice e em vários jornais, como o Diário Popular e O Primeiro de Janeiro.



Foi poeta, romancista, crítico e ensaísta. A sua poesia caracteriza-se pelas presenças constantes da figura da mulher e do amor, e pela busca deste como forma de conhecimento, sendo considerado como um dos poetas do erotismo na literatura portuguesa. A vivência do tempo e da memória são também constantes na sua obra, marcada, a nível do estilo, por uma demanda permanente de equilíbrio, de que resulta uma escrita tensa, e pela contenção da força lírica e sensível do poeta numa linguagem rigorosa, trabalhada, de grande riqueza rítmica, melódica e imagística, que fazem dele um clássico da modernidade.



Entre os seus livros de poesia encontram-se Tempestade de Verão (1954, Prémio Delfim Guimarães), Os Quatro Cantos do Tempo (1958), In Memoriam Memoriae (1962), Infinito Pessoal ou A Arte de Amar (1962), Do Tempo ao Coração (1966), A Arte de Amar (1967, reunião de obras anteriores), Lira de Bolso (1969), Cancioneiro de Natal (1971, Prémio Nacional de Poesia), Matura Idade (1973), Sonetos do Cativo (1974), As Lições do Fogo (1976), Obra Poética (1980, inclui as obras À Guitarra e À Viola e Órfico Ofício), Os Ramos e os Remos (1985), Obra Poética, 1948-1988 (1988) e Música de Cama (1994, antologia erótica com um livro inédito).



Ensaísta notável, escreveu Vinte Poetas Contemporâneos (1960), Motim Literário (1962), Hospital das Letras (1966), Discurso Directo (1969), Tópicos de Crítica e de História Literária (1969), Sobre Viventes (1976), Presença da «Presença» (1977), Lâmpadas no Escuro (1979), O Essencial Sobre Vitorino Nemésio (1987), Nos Passos de Pessoa (1988, Prémio Jacinto do Prado Coelho), Marguerite Yourcenar: Retrato de Uma Voz (1988), Sob o Mesmo Tecto: Estudos Sobre Autores de Língua Portuguesa (1989), Tópicos Recuperados (1992), Jogo de Espelhos (1993) e Magia, Palavra, Corpo: Perspectiva da Cultura de Língua Portuguesa (1989).



Na ficção narrativa, estreou-se em 1959 com as novelas de Gaivotas em Terra (Prémio Ricardo Malheiros), os contos de Os Amantes (1968), e ainda As Quatro Estações (1980, Prémio da Crítica da Associação Internacional dos Críticos Literários), Um Amor Feliz, romance que o consagrou como ficcionista em 1986 e que lhe valeu vários prémios, entre os quais o Grande Prémio de Romance da APE e o Prémio de Narrativa do Pen Clube Português, e Duas Histórias de Lisboa (1987).



Deixou ainda traduções e uma gravação discográfica de poemas seus intitulada «Um Monumento de Palavras» (1996). Alguns dos seus textos foram adaptados à televisão e ao cinema, como, por exemplo, Aos Costumes Disse Nada, em que se baseou José Fonseca e Costa para filmar, em 1983, «Sem Sombra de Pecado». David Mourão-Ferreira foi ainda autor de poemas para fados, muitos deles celebrizados por Amália Rodrigues, tal como «Madrugada de Alfama».
Recebeu, em 1996, o Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores. Foi autor de alguns programas de televisão de que se destacam "Imagens da Poesia Europeia", para a
RTP.



Em 1981 é condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada. Em 1996 recebe o Prémio de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores e, no mesmo ano, recebe a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada. Do primeiro casamento, com Maria Eulália, sobrinha de Valentim de Carvalho, teve dois filhos, David Carvalho e Adelaide Constança, que lhe deram 10 netos.



E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.



Penélope

mais do que um sonho: comoção!
sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

e recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.



Texto e Fotos tirados da Net

António Inglês

domingo, 15 de junho de 2008

BOM DOMINGO A TODOS OS AMIGOS!



POR VEZES O SILÊNCIO DIZ MAIS QUE MIL PALAVRAS! APROVEITEM O VOSSO DOMINGO!
LEVANTEM O SOM E RELAXEM! DEIXEM VOAR A IMAGINAÇÃO! A SEMANA QUE ESTÁ À PORTA SERÁ ENCARADA MUITO MELHOR!
UM ABRAÇO A TODOS VOCÊS!
ANTÓNIO

ALMADA NEGREIROS

*

A 15 de Junho de 1970 faleceu em Lisboa, José Sobral de Almada Negreiros que nasceu em Trindade, S. Tomé a 7 de Abril de 1893. Foi um artista multidisciplinar, pintor, escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo e romancista português ligado ao grupo modernista. Também foi um dos principais colaboradores da Revista Orpheu.



VIDA

Era filho de António Lobo de Almada Negreiros, um tenente de cavalaria que foi administrador do Concelho de São Tomé,e fundador de diversos jornais. Uma parte da sua infância foi passada em São Tomé e Príncipe, terra natal da sua mãe, Elvira Sobral.

Depois da morte da sua mãe, em 1896, veio viver para Portugal; nesta altura, em 1900, o seu pai é nomeado encarregado do Pavilhão das Colónias na Exposição Universal de Paris, deixando os filhos José e António, ao cuidado dos jesuítas no Colégio de Campolide.

Em 1911, após a extinção do Colégio de Campolide dos Jesuítas, José entra para a Escola Internacional de Lisboa, após uma breve passagem pelo Liceu de Coimbra. Nesta escola, consegue um espaço, onde irá desenvolver o seu trabalho, publicando ainda nesse ano, o seu primeiro desenho na revista A Sátira e publica o jornal manuscrito A Paródia, onde é o único redactor e ilustrador.

Em 1913 apresenta na Escola Internacional de Lisboa, a sua primeira exposição individual composta de 90 desenhos; aqui trava conhecimento com Fernando Pessoa, com quem edita a Revista Orpheu juntamente com Mário de Sá Carneiro.

Júlio Dantas, médico, poeta, jornalista e dramaturgo, é a maior figura da intelectualidade da época e afirma que a revista é feita por gente sem juízo. Irónico, mordaz, provocador mesmo, Almada responde com o Manifesto Anti-Dantas, onde escreve: “…uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d’indigentes, d’indignos e de cegos, e só pode parir abaixo de zero! Abaixo a geração! Morra o Dantas, morra! Pim!

O manifesto teve algum impacto no meio artístico; é tempo de mudar as mentalidades e a sociedade e Almada fá-lo como poucos, atacando a cultura burguesa instituída e os seus representantes ao mais alto nível.



As duas orientações de busca e criação de Almada Negreiros foram a beleza e a sabedoria. Para ele "a beleza não podia ser ignorante e idiota tal como a sabedoria não podia ser feia e triste" (Freitas, 1985). Almada Negreiros foi um pintor-pensador. Foi praticante de uma arte elaborada que pressupõe uma aprendizagem que não se esgota nas escolas de arte; bem pelo contrário, uma aprendizagem que implica um percurso introspectivo e universal.

O tema principal de Almada foi o número, a geometria (sagrada) e os seus significados, declarando que a sabedoria poética e a sabedoria reflectida têm entre elas a fronteira irredutível do número. Almada revela-se assim um neopitagórico sendo este seu lado a fonte mais profunda da sua inspiração e da sua criatividade e, segundo Lima de Freitas, a sua
loucura central.

Vulto cimeiro da vida cultural portuguesa durante quase meio século, contribuiu mais que ninguém para a criação, prestígio e triunfo do modernismo artístico em Portugal. Na sua evolução como pintor, Almada passou do figurativismo e da representação convencional dos primeiros tempos, para a abstracção geométrica, matemática e numérica que caracteriza as suas últimas obras.

A sua preocupação central foi a determinação do enigmático Ponto de Bauhütte. Essa procura ficou registada por vários textos, por numerosos traçados geométricos e por algumas pinturas a preto e branco que Almada foi acumulando, mas sem tornar público o fundo do seu pensamento. Antes de romper o quase segredo da sua busca, Almada realiza, para o Tribunal de Contas de Lisboa, um dos cartões para tapeçaria intitulado «O Número».



Escreve a novela A Engomadeira, em 1917

Em 1919 vai viver para Paris, onde exerce diversas actividades e escreve a Histoire du Portugal par coeur. Em Paris, fica apenas cerca de um ano e quando regressa, vai colaborar com António Ferro, tendo inclusivamente desenhado a capa do livro deste, Arte de Bem Morrer.

Em 1927 volta a deixar Portugal, indo desta vez para Espanha, onde para além de colaborar com diversas revistas, Almada escreve El Uno, Tragédia de la Unidad, obra dedicada à pintora Sarah Afonso, com quem viria a casar em 1934, já após o seu regresso a Portugal.

Em Portugal já vigora o Estado Novo e Almada, nacionalista convicto, começa a ser solicitado para colaborar com as grandes obras do estado. O Secretariado da Propaganda Nacional – SPN, encomenda-lhe o cartaz de apelo ao voto na nova constituição; o mesmo secretariado, irá organizar mais tarde a exposição Almada – Trinta Anos de Desenho, convidando-o para se apresentar na exposição Artistas Portugueses no Rio de Janeiro em 1942.

O SPN viria ainda a atribuir a Almada Negreiros o Prémio Columbano pela sua tela intitulada Mulher.

A partir daqui, Almada dedica-se principalmente ao desenho e à pintura: Pinta os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, que o público, agarrado às tradições, não aprecia; pinta o conhecido retrato de Fernando Pessoa, os painéis das gares marítimas de Alcântara e da Rocha Conde de Óbidos, pelas quais recebe o Prémio Domingos Sequeira; pinta o Edifício da Águas Livres e frescos na Escola Patrício Prazeres; pinta as fachadas dos edifícios da Cidade Universitária e faz tapeçarias para o Tribunal de Contas e para o Palácio da Justiça de Aveiro, entre muitos outros.

Tendo colaborado tanto com o Estado Novo, o que a muita gente causou estranheza, Almada, não deixaria de escrever: “As construções do Estado multiplicam-se, porém, as paredes estão nuas como os seus muros, como um livro aberto sem nenhuma história para o povo ver e fixar”.



Em 1954 Almada pinta o célebre retrato de Fernando Pessoa.

Em 1970 o Retrato de Fernando Pessoa é leiloado. Almada assiste ao leilão. O preço atingido, 1300 contos, causa admiração. Nunca um pintor português conseguira tal proeza.

Os seus últimos trabalhos, já com 75 anos, são o Painel Começar na Fundação Calouste Gulbenkian e os frescos da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.

Almada Negreiros, morre em 14 de Junho de 1970, de falha cardíaca, no mesmo quarto do Hospital de São Luís dos Franceses, onde também tinha morrido Fernando Pessoa.

Em tempos Almada respondera a alguém:

“AS PESSOAS QUE EU MAIS ADMIRO SÃO AQUELAS QUE NUNCA ACABAM”.



Fontes: Textos de Wikipédia e Net Fotos da Net
António Inglês

sexta-feira, 13 de junho de 2008

EUGÉNIO DE ANDRADE PARTIU HÁ TRÊS ANOS

*


Eugénio de Andrade nasceu no Fundão a 19 de Janeiro de 1923 e faleceu com 82 anos, na cidade do Porto a 13 de Junho de 2005, há três anos portanto. Este poeta português ganhou em 2001 o Prémio Camões, o Nobel para a língua portuguesa.

Eugénio de Andrade foi o pseudónimo de José Fontinhas Rato poeta português do séc. XX, nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923, fixando-se em Lisboa em 1932 com a mãe, que entretanto se separara do pai.

Estudou no Liceu Passos Manuel e na Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em 1936, o primeiro dos quais, intitulado "Narciso", publicou três anos mais tarde.



Em 1943 mudou-se para Coimbra, onde regressa depois de cumprido o serviço militar convivendo com Miguel Torga e Eduardo Lourenço. Tornou-se funcionário público em 1947, exercendo durante 35 anos as funções de inspector administrativo do Ministério da Saúde. Uma transferência de serviço levá-lo-ia a instalar-se no Porto em 1950, numa casa que só deixou mais de quatro décadas depois, quando se mudou para o edifício da Fundação Eugénio de Andrade, na Foz do Douro.

A sua consagração já acontecera dois anos antes, em 1948, com a publicação de "As mãos e os frutos", que mereceu os aplausos de críticos como Jorge de Sena ou Vitorino Nemésio. Entre as dezenas de obras que publicou encontram-se, na poesia, "Os amantes sem dinheiro" (1950), "As palavras interditas" (1951), "Escrita da Terra" (1974), "Matéria Solar" (1980), "Rente ao dizer" (1992), "Ofício da paciência" (1994), "O sal da língua" (1995) e "Os lugares do lume" (1998).

Em prosa, publicou "Os afluentes do silêncio" (1968), "Rosto precário" (1979) e "À sombra da memória" (1993), além das histórias infantis "História da égua branca" (1977) e "Aquela nuvem e as outras" (1986).



Durante os anos que se seguem até hoje, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como Joel Serrão, Miguel Torga, Afonso Duarte, Carlos Oliveira, Eduardo Lourenço, Joaquim Namorado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny de Vasconcelos, José Luís Cano, Ángel Crespo, Luís Cernuda, Marguerite Yourcenar, Herberto Helder, Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Óscar Lopes, e muitos outros...

Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com "essa debilidade do coração que é a amizade".

Recebeu inúmeras distinções, entre as quais o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), Prémio D. Dinis (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001). Em Setembro de 2003 a sua obra "Os sulcos da sede" foi distinguida com o prémio de poesia do Pen Clube. Viveu em Lisboa de 1932 a 1943. Fixou-se no Porto, a partir de 1950, como funcionário dos Serviços Médico-Sociais. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.



Vida e obra literária

Estreou-se em 1940 com a obra Narciso, torna-se mais conhecido em 1942 com o livro de versos Adolescente, e afirma-se como poeta na colectânea As mãos e os frutos. A obra poética de Eugénio de Andrade é essencialmente lírica, considerada por José Saramago como uma poesia do corpo a que se chega mediante uma depuração contínua.



Prémios

Eugénio foi galardoado com inúmeras distinções, entre as quais:

  • Prémio Pen Clube (1986)
  • Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986)
  • Prémio D. Dinis (1988)
  • Prémio Jean Malrieu (França, 1989)
  • Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE) (1989)
  • Prémio APCA (Brasil,1991)
  • Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (República da Sérvia, 1996)
  • Prémio Vida literária da APE (2000)
  • Prémio Celso Emílio Ferreiro (Espanha, 2001)
  • Prémio Camões (2001)
  • Prémio PEN (2001)
  • Doutoramento "Honoris Causa" (2005).
  • Em Setembro de 2003 a sua obra "Os sulcos da sede" foi distinguida com o prémio de poesia do Pen Clube.


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.



É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.



Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus



Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.



Texto e Fotos da Net

António Inglês

quinta-feira, 12 de junho de 2008

QUIM BARREIROS EM SÃO MARTINHO DO PORTO

*
Dando inicio ao espectáculo


Dita assim a noticia não tem nada de novo. Quim Barreiros é um artista popular e querido do povo português que arrasta consigo inúmeros fãs. Tornou-se numa presença constante nas Festas de Finalistas de Estudantes, em qualquer parte do país, é idolatrado nas terras do Norte de Portugal, é aplaudido por esse país fora e é insistentemente convidado para inúmeros espectáculos junto dos nossos emigrantes.


Quim Barreiros em plena actuação

Por tudo isto, esta noticia não traria nenhuma novidade. Mas... São Martinho do Porto foi pequena para suster a multidão que no passado dia 9 de Junho se juntou no recinto das Festas de Santo António, que rebentou pelas costuras.



Um aspecto da assistência

Esta terra foi já palco de outros espectáculos de relevo, e estou a lembrar-me de um Concerto dado em pleno Agosto por Rui Veloso e nessa altura estiveram reunidos à volta deste artista cerca de 5.000 pessoas.



A juventude presente e activa

Pois meus amigos, desta vez juntaram-se, segundo a organização e segundo o próprio Quim Barreiros, cerca de 12.000 pessoas e o recinto não conseguiu albergar muitas que não tendo conseguido lugar onde pudessem vislumbrar o palco, acabaram por se ir embora sem presenciar o Concerto do popular cantor.



Cantando contagiados pela música de Quim Barreiros

Nunca em São Martinho tal feito foi antes conseguido e está por isso de parabéns o Grupo Desportivo Concha Azul de onde saiu a Comissão Organizadora, que se desdobrou para que tudo corresse da melhor maneira.



José Carlos e mulher, da Comissão de Festas


Não foi porém para mim uma surpresa este êxito, mas confesso que não acreditei que tal número de presenças fosse atingido, e a esse respeito dei a minha opinião antes do espectáculo aos membros da Comissão.



A mulher do José Carlos e Quim Barreiros

Passado que está o Concerto, tiro daqui o meu chapéu a este punhado de homens que resolveu meter mãos à obra e revitalizar umas Festas que, tudo o indicava, estariam de certa forma moribundas, desde logo pelo actual local das mesmas, se bem que este seja em minha opinião e desde há muitos anos, o local indicado para a sua realização.


Uma foto para a posteridade

Independentemente de alguma contestação e do vento que se faz sentir na zona, acredito que no fim o saldo será bastante satisfatório. O tal artista Pimba, na voz de alguns, trouxe até São Martinho um mar de gente que tão depressa não esquecerá o espectáculo. Acredito que por cá também não.



Quim Barreiros e Lídia Inglês


E meus amigos, não se tratou de um Concerto para cumprir calendário, foi antes um espectáculo de interacção entre Quim Barreiros e o Povo que se manteve ao longo da noite dançando e cantando, não obstante o espaço exíguo que cada um tinha. A juventude brindou o artista com saudações constantes e no rosto de todos esteve estampada a alegria e a satisfação de estar perante alguém que canta como ninguém a música popular portuguesa, especialmente as “modas” do Minho, sua terra natal e minha também do coração.



Comandante Pereira e mulher com Quim Barreiros. O Presidente da Junta bem disposto

Quim Barreiros, para além do artista que todos conhecemos é um velho amigo e conhecido, e tivemos oportunidade de nos rever de perto, ao fim de mais de 40 anos de desencontros. Foram anos a fio, dançando ao som do seu agrupamento e das suas modinhas, no Casino de Afife nos bailes de Caldo Verde, nos bailes da Assembleia de Vila Praia de Âncora e lembro-me ainda de seu pai, um extraordinário tocador de Concertina que durante muitos anos, naquela zona litoral do país, deu cartas em muitos bailes. Velhos tempos.
Melhor que as palavras falam as fotos que vos deixo, embora de qualidade menos conseguida, mas foram as possíveis, até porque foram tiradas por mim.



Quim Barreiros e este vosso amigo, repórter (incompetente claro) de serviço

No fim do espectáculo, Quim Barreiros distribuiu autógrafos e manteve com todos que o solicitaram, um interessante e amável diálogo, disponibilizando-se para as fotos da praxe. Excelente comunicador, que não deixa os créditos por mãos alheias.
Esperamos que este seja o primeiro de muitos êxitos futuros para estas Festas de Santo António, verdadeira manifestação de querer e sentir da população desta linda Baía.


Distribuindo autógrafos findo o espectáculo

António Inglês

terça-feira, 10 de junho de 2008

OBRIGADO AMIGOS!




AO LONGO DESTE DIA FUI RECEBENDO MENSAGENS DE CARINHO, DE APOIO E DE PARABÉNS, QUE APENAS VIERAM CONFIRMAR TUDO AQUILO QUE PENSO E QUE DE CERTA FORMA TRANSMITI ATRAVÉS DA POSTAGEM QUE VOS DEIXEI NESTE DIA 10 DE JUNHO DE 2008, DIA DO 1º ANIVERSÁRIO DO "PORENTREMONTESEVALES".
FICO HONRADO E ORGULHOSO POR TER ENTRE AQUELES QUE ME VISITAM, COMPANHEIROS DE MUITAS HORAS NA NET, UM ENORME GRUPO DE AMIGOS QUE JAMAIS PENSEI VIR A ENCONTRAR.
NÃO SEI QUE MAIS UM HOMEM PODERIA DESEJAR PERANTE TANTOS TESTEMUNHOS DE AMIZADE SINCERA E ESPONTÂNEA QUE ME FORAM DEPOSITADOS DURANTE O DIA E QUE POR AQUI IRÃO FICAR ETERNIZANDO UMA RELAÇÃO QUE TENTAREI FAZER POR SABER MERECER.
A TODOS DEIXO O MEU MAIS PROFUNDO AGRADECIMENTO E OFEREÇO A TODOS ESTA PEQUENA CANÇÃO DE ROBERTO CARLOS CANTADA A UM AMIGO, E COM ELA VOS FAÇO ENTREGA TAMBÉM DA MUITA AMIZADE QUE SINTO POR TODOS VÓS.
OBRIGADO POR TEREM FEITO DO "PORENTREMONTESEVALES" UM LOCAL DE ENCONTRO APRAZÍVEL, SOLIDÁRIO, FRATERNO E CALOROSO. QUE O FUTURO SE ENCHA DE MUITAS COISAS BOAS PARA TODOS NÓS!
DESEJO-VOS UMA NOITE SERENA E VOLTO A AGRADECER-VOS ESTA IMENSA FELICIDADE DE PODER CONTINUAR A PENSAR QUE É PRECISO ACREDITAR.
António Inglês

EM DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES, DAS COMUNIDADES E DE ANIVERSÁRIO É PRECISO ACREDITAR...

*

O “PORENTREMONTESEVALES” ESTÁ HOJE DE PARABÉNS!



Completam-se hoje, dia 10 de Junho de 2008, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, 366 dias do PorEntreMonteseVales. Não sendo um dia especial por ser coincidente com as comemorações nacionais, é no entanto uma data que marca um feito para alguém que pouco tempo antes de se iniciar nestas coisas da blogosfera, dizia que computadores eram um bicho de sete cabeças. Burro velho não aprende línguas dizia eu. Afinal tudo era bem diferente.
Na verdade, tudo começou com um convite de um amigo, para um outro blog ao qual acabei por dar pouca colaboração. O cariz era politico e quando deste tema se trata, nem sempre as coisas correm bem, pois cada cabeça sua sentença, é bem verdade. Em politica, tal como no futebol e se calhar tal como na vida, o que hoje é mentira, amanhã é verdade e vice-versa, e normalmente os culpados não se encontram, morrendo a culpa solteira. Bem sei que estas são frases chavões, mas infelizmente são elas que fazem escola nesta área. De novo, muito pouco e o pouco que se vai vendo colocou este país no estado em que se encontra, doente, cansado, gasto, mal alimentado, endividado e com futuro muito complicado. Salvam-se os protagonistas deste drama, que esses não sentem nada daquilo que o povo sente e sofre. Têm ordenados chorudos, compatíveis com o desempenho das funções, dizem eles, mas com os resultados que se conhecem, defendemos nós. Elaboram leis à velocidade da luz e de forma a que num futuro próximo as suas reformas sejam o passaporte para o paraíso. Debatem-nas acaloradamente até à exaustão e deixam-nos a nós contribuintes, cada vez mais empenhados e sem soluções. Tudo isto em nome das reformas. Claro, reformas mas não as que o país precisa, antes as que eles precisam.



O POVO, esse tem de trabalhar até bem tarde e más horas, esperar até aos sessenta e cinco anos e ser reformado com reformas de miséria, e em vez do paraíso tem o purgatório.
Não me iludo facilmente com a crescente onda de greves e protestos, sobre a politica governamental, que de resto não é mais que o grito popular de quem sofre na carne os efeitos de muitos anos de desgoverno, crédito fácil e oferecido por SMS, gastos vistosos e de pouca utilidade e sempre, mas sempre a ambição e a cegueira, estampadas nas acções que os diversos governos tiveram ao longo dos últimos anos.
Em minha opinião, não deveriam ser direccionados apenas a este governo, mas sim a todos aqueles que o antecederam e fico muito preocupado pois as figuras que vejo emergir nos partidos políticos, são afinal aqueles que foram os mais recentes responsáveis pelo estado da Nação. E mais grave e mais preocupante, porque os vejo apregoar aos quatro ventos, medidas e soluções milagrosas que não souberam, enquanto governantes, aplicar e pôr em execução para que o país não chegasse onde chegou.
Curioso como os políticos quando estão na oposição sabem e conhecem os problemas da governação e do país, e têm quase sempre a certeza de que Eles serão a solução. O problema é quando lá chegam esquecem rapidamente as soluções que gritavam anteriormente e ficam apanhados de uma amnésia politica, bradando então aos céus que o mal foi do governo anterior que lhes deixou a casa desarrumada e de difícil controle, como se eles não fizessem parte do problema e não tenham sido também grandes responsáveis por tudo. No fundo não são a solução mas sim o problema.



Nos próximos anos, creio que iremos ter mais do mesmo, tirando onde faz falta e pondo onde faz vista e quem continuará a pagar esta factura será o povo, esse povo que tão heroicamente tem sabido fazer das tripas coração e que se vai “virando” conforme pode.
Voltemos aos 366 dias do PorEntreMonteseVales que é disso que se trata e não de questões para as quais não fui chamado nem tenho a capacidade de resolver, logo não fazendo parte da solução. Apenas sei que tenho direito à minha opinião e dela farei uso enquanto cidadão e enquanto me deixarem.
Falei no assunto porque afinal faço parte do problema, desse problema que todos temos entre mãos para resolver e sinto-o diariamente na carteira percebendo que se vai agravando à medida que o tempo passa, na razão inversa das muitas promessas com que nos vão aliciando, não me deixando ficar indiferente a tudo o que me rodeia e às muitas dificuldades que a população portuguesa atravessa. São muitas as famílias carenciadas e não consigo ser insensível a tanta situação que vive muitas vezes envergonhada e sem esperança de solução para a vida.
Deveriam ser todos aqueles que de alguma maneira contribuíram para este estado de coisas que deveriam ser chamados a resolver os problemas das famílias e responsabilizados pelo seu crescente endividamento, mas infelizmente esses coitados, ou reformaram-se aos quarenta e cinco anos ou estão agora bem colocados em lugares estáveis e poderosos onde a dificuldade não se faz sentir. E ninguém os responsabiliza por nada.



Um ano passou depressa e diria que foi ontem que nasceu o PorEntreMonteseVales, tal a velocidade do tempo que na minha idade voa sem que dele me aperceba.
A blogosfera entrou-me pela casa dentro, carregadinha de sonhos, ilusões, amizades, desilusões e uma ou outra traiçãozinha à mistura. No fim o balanço acaba por ser positivo pois através dela pude encontrar amigos com os quais o virtual se mistura já com a realidade.
Normalmente, as amizades eram construídas por entre aqueles com quem lidamos pessoalmente e nem todas eram bem sucedidas. Nos tempos que correm este conceito deixou de fazer sentido uma vez que acabamos por encontrar alguns amigos que nada pedem em troca a não ser duas ou três palavras de vez em quando através da blogosfera.
E o engraçado é que fazemos e trocamos amizades com companheiros dos mais diversos cantos do país e do mundo. Nem tudo serão rosas confesso e os perigos espreitam, mas esses também se nos deparam com as amizades que fazemos pessoalmente.
No meu caso pessoal, tive o privilégio de encontrar um grupo de companheiros que são quase sempre os mesmos e dos quais já não me sinto capaz de abdicar. Entre nós a palavra solidariedade não é dita em vão e não passa um dia sem que queiramos saber se estamos todos bem.
Importa no entanto fazer aqui uma ressalva, é que me refiro apenas e só àqueles que dão a cara e não se escondem atrás do anonimato ou através de um nome fictício sem que saibamos de quem se trata. Desses quero distância e muitos andam por cá somente com o intuito de pôr em causa tudo aquilo que encontram nos outros e não são capazes de serem eles próprios, honestos e claros nas acções e nas palavras.
Algumas mágoas conseguem no entanto provocar, é certo, mas podem ter a certeza de que vencer-nos é impossível. Poderemos vacilar um pouco e temporariamente, mas cair, não cairemos.



A todos quantos me deram este privilégio de estar ainda aqui. A todos os que me incentivaram nas horas mais difíceis em que acreditei que o melhor seria encerrar. A todos que fazem o favor de ser amigos. A todos a quem costumo infernizar com os meus disparates e comentários. A todos que mostraram fazer da paciência uma virtude. A todos sem excepção, eu agradeço por tudo aquilo que me deram e me possibilitaram ao longo deste ano.
O meu tempo, alterou-se e a minha disponibilidade resume-se a poucas horas para continuar. Com estas condicionantes, o PorEntreMonteseVales irá continuar na blogosfera, com uma ou duas postagens semanais e com muita dificuldade para visitar e comentar com a atenção e assiduidade que todos me merecem.
Esta é a fórmula que encontro para não encerrar de vez, apenas por falta de tempo repito, e se não o faço é rigorosamente porque os Amigos, os tais de quem não abdico isso me merecem. Não estranhem pois as minhas maiores ausências nem o meu silêncio mas podem ficar com a certeza de que os visitarei à medida das minhas possibilidades.
Deixo por fim, em jeito de curiosidade, o balanço estatístico de um ano de existência que se resume da seguinte maneira:

Número de postagens: 525 Número de visitantes: 25.535 Média diária de visitantes: 69

O meu BEM HAJA a TODOS e que a vida se mostre mais compreensiva e mais prometedora. É PRECISO ACREDITAR...



Fotos da Net

António Inglês