quinta-feira, 15 de maio de 2008

INÊS DE CASTRO - A paixão fatal d’el-Rei D. Pedro

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Inês de Castro

Origens

Inês de Castro era filha natural de Pedro Fernandez de Castro, mordomo-mor de Afonso XI de Castela, e de uma dama portuguesa, Aldonça Pais de Valadares. O seu pai, neto por via ilegítima de Sancho IV de Castela, era um dos fidalgos mais poderosos de Castela.


Constança Manoel

Romance com D. Pedro


Inês de Castro chegou a Portugal em 1340, integrada como aia no séquito de Constança Manuel, filha de João Manuel de Castela, um poderoso nobre descendente da Casa real Castelhana, esposa, por arranjo dos pais, do príncipe Pedro, herdeiro do trono português. Tal era a invulgar formosura de D. Inês que logo o príncipe-real se deixou impressionar vindo a apaixonou-se por Inês pouco tempo depois. Tal romance começou a ser badalado e mal aceite na corte e pelo próprio povo.

El-Rei D. Afonso IV, Senhor de brandos costumes e firme de valores não aprova tal relação, uma vez que Pedro era casado com D. Constança Manuel, então manda exilar Inês no Castelo de Albuquerque, na fronteira espanhola, em 1344. No entanto, a distância não apagou o amor entre os dois apaixonados e, segundo a lenda, continuavam a corresponder-se com frequência.

Em Outubro do ano seguinte, Constança morreu ao dar à luz o futuro Fernando I de Portugal, deixando Pedro viúvo. Pedro manda regressar Inês do exílio e os dois foram viver juntos para sua casa, vivendo em maridança, o que provocou um grande escândalo na corte e deu um enorme desgosto a El-Rei seu pai. Começa então grande desvario entre o Rei e o Infante.

D. Inês tinha dois irmãos e uma irmã. D. Pedro depressa fica íntimo dos irmãos de D. Inês - Fernando de Castro e Álvaro Pirez de Castro - o que nada agradava aos fidalgos da corte que foram criando várias intrigas junto do velho Rei Afonso que já de si estava magoado com a rebeldia do filho.

D. Afonso IV tenta remediar a situação casando de novo o seu filho com uma dama de sangue real. Porém, Pedro rejeita tal situação alegando que sentia ainda muito a perda de sua mulher Constança e que não conseguia ainda pensar, de novo, em casamento. No entanto, fruto do namoro de Pedro e Inês, vão surgindo um após outro, filhos: Afonso (morre pouco depois de nascer), João, Dinis e Beatriz.


Afonso IV

O aparecimento destes filhos foi um novo desastre que, ainda mais, veio agudizar uma situação já de si difícil. A história de Portugal e Espanha estava cheia de casos de situações embaraçosas e perturbações graves provocadas por filhos ilegítimos; o próprio monarca não esquecera as situações incómodas que teve com os bastardos de D. Dinis e que o fizeram perder a serenidade e o respeito pelo seu pai, para grande desgosto da Senhora sua mãe a virtuosa Rainha Santa Isabel.

Por esta altura, Espanha encontrava-se em grave agitação, após a morte de Afonso XI. O reinado de D. Pedro, O cruel, de Espanha estava a ser complicado. Os irmãos de Inês tentam Pedro a juntar os reinos de Leão e Castela a Portugal, pois Pedro era, por sua mãe, neto de D. Sancho IV. Chegam em 1354 a convencer Pedro a pôr-se à frente da conjura, proclamando-se pretendente às coroas castelhana e leonesa. Foi novamente a intervenção enérgica do Afonso IV que evitou que tal sucedesse. O Rei Afonso sempre se manteve numa linha de neutralidade, abstendo-se de intervir na política de outras nações, o que lhe permitia uma paz e respeito perante a comunidade internacional. Ora estas conspirações em que Pedro se envolvia no país vizinho podia comprometer tudo.

Para incendiar mais ainda a situação, querem fazer crer a Afonso IV que os Castros queriam ver o Infante Fernando assassinado, uma vez que era ele o sucessor de Pedro, e não os filhos resultantes da sua união com Inês. O monarca vê o seu coração amargurado e vê-se no meio de uma trama que só ele podia resolver. A culpa de tudo era aquela mulher de nome Inês.


Assassinato de Inês de Castro

Assassinato de D. Inês

O que começou como um simples incidente de família assumiu as proporções de um gravíssimo caso político de alta importância. O rei Afonso IV decidiu então que a melhor solução seria matar Inês para livrar o filho de tais amores. Depois de alguns anos na Norte, Pedro e Inês tinham regressado a Coimbra e se instalado no Paço de Santa Clara, mandado construir pela avó de Pedro, a Rainha Santa, que nele viveu os últimos tempos da sua vida e que tinha desejado que fosse habitação exclusiva de Reis e Príncipes descendentes dela com as suas esposas legítimas.

Corre o boato de que o Príncipe tinha casado secretamente com Inês. Na tentativa de saber da verdade da história o Rei manda dois conselheiros seus dizerem que Pedro se podia casar livremente com Inês se assim entendesse correcto. Pedro, inteligente e audaz, percebeu que tal generosidade só podia tratar-se de uma cilada e respondeu que não pensava casar-se com Inês. A intriga fervilhava cada vez mais acesa em torno do Rei.

A 7 de Janeiro de 1355, o rei cedeu às pressões dos seus conselheiros e do povo e, aproveitando a ausência de Pedro numa excursão de caça, enviou Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco para a matarem. Os três se dirigiram ao Mosteiro de Santa Clara em Coimbra, onde Inês se encontrava, e mataram-na tal como uma nobre deve morrer. Com a espada fina. Segundo a lenda, as filhas do Mondego choraram a morte de Inês e as suas lágrimas tornaram-se na fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas e algumas algas avermelhadas que ali crescem são o sangue derramado por Inês.

A morte de Inês fez com que Pedro se revoltasse contra Afonso IV, que responsabilizou pela morte, e provocou uma sangrenta guerra civil. A rainha Beatriz interveio e, após meses de luta, a paz foi selada em Agosto de 1355.


Inês de Castro Rainha Póstuma

Rainha póstuma

Pedro se tornou o oitavo rei de Portugal em 1357. Em Junho de 1360, faz a famosa declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que havia se casado secretamente com Inês, em 1354 "em dia que não se lembrava". As palavras do rei e de seu capelão foram as únicas provas desse casamento.

O novo rei perseguiu os assassinos de Inês, que tinham fugido para Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves foram apanhados e executados (segundo a lenda, o Rei mandou arrancar o coração de um pelo peito e o do outro, pelas costas, e assistiu à execução enquanto se banqueteava). Diogo Lopes Pacheco conseguiu escapar para a França. Mais tarde foi perdoado pelo rei no seu leito de morte.

Pedro mandou construir dois esplêndidos túmulos - os túmulos de D. Pedro I e de Inês de Castro - no mosteiro de Alcobaça, um para si e outro para onde trasladou os restos de sua amada Inês. A tétrica cerimonia do beija mão, tão vivida no imaginário popular, provavelmente foi inserida nas narrativas do final do século XVI, depois de Camões descrever, no Canto III d'Os Lusíadas, a tragédia da linda Inês, fazendo referência à "mísera e mesquinha, que depois de ser morta foi rainha". Pedro juntou-se a Inês em 1367 e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que, segundo a lenda "possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final".



Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça


Túmulos de D. Pedro I e Dª Inês de Castro


Os túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro encontram-se no Mosteiro de Alcobaça. São duas verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal, cuja a construção se situa entre 1358 e 1367 e de autoria desconhecida.

A autoria dos túmulos continua desconhecida, embora surjam em geral duas propostas: uma atribuindo-os a artistas estrangeiros (nomeadamente franceses), outra sugerindo que resultam da evolução da escultura tumular portuguesa.

Em 1340, D. Pedro I casa-se com a princesa castelhana D. Constança Manuel. Uma das aias que acompanhava D. Constança era Inês de Castro, por quem D. Pedro se apaixonou. Em 1348-1349, D. Constança morre e então D. Pedro assume mais abertamente o relacionamento com Inês de Castro em terras de Coimbra. O rei D. Afonso IV (pai de D. Pedro), temia o poderio da família de Inês de Castro e da sua influência na sucessão do infante D. Fernando, filho primogénito e herdeiro de D. Pedro. No dia 7 de Janeiro de 1355, Inês de Castro, encontrando-se nos Paços de Santa Clara em Coimbra (embora a lenda diga que ela estava à beira da Fonte da Lágrimas - Quinta das Lágrimas), foi assassinada por Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco, sendo sepultada em Coimbra. D. Pedro sobe ao trono em 1357 e uma das suas primeiras medidas foi mandar construir um túmulo majestoso para Inês de Castro. Em 1360, acabado o túmulo, D. Pedro ordenou que o colocassem no transepto sul do Mosteiro de Alcobaça e em seguida que transladassem para lá o corpo de D. Inês. D. Pedro I mandou construir um túmulo semelhante para si próprio, sendo colocado lado a lado (do lado esquerdo) do de D. Inês. O rei morre em 1367, indo repousar nessa altura ao lado da sua amada.


Topo de um dos túmulos

Descrição dos túmulos


Os túmulos são de estilo gótico e feitos em calcário da região de Coimbra. A localização primitiva dos túmulos era lado a lado (estando o de D. Inês do lado direito de D. Pedro, o que deveria acontecer entre marido e mulher) no transepto sul da Igreja do Mosteiro de Alcobaça. Daqui passaram para a Sala dos Túmulos. No século XX voltaram a ser colocados no transepto da Igreja, onde se encontram actualmente: frente a frente, estando o túmulo de D. Inês no braço norte do transepto e o túmulo de D. Pedro I no braço sul, de tal modo a que quando ressuscitarem se levantem e vejam um ao outro. Nos jacentes ambas as figuras estão coroadas, de expressão tranquila e rodeadas por seis anjos que lhes ajeitam as roupagens e lhes levantam a cabeça (como que a elevá-los para o Céu). As faces dos sarcófagos estão decorados com temática heráldica (representações de brasões das respectivas famílias), bíblica, vegetalista e geométrica. Em termos escultóricos, o túmulo de D. Pedro I é considerado uma melhor obra, chegando os altos-relevos a atingir 15 cm de profundidade, enquanto no túmulo de D. Inês atingem os 10 cm.


Túmulo de Inês de Castro


Túmulo de Inês de Castro


Inês de Castro está representada com a expressão tranquila, rodeada por anjos e coroada de rainha. A mão direita toca na ponta do colar que lhe cai do peito e a mão esquerda, enluvada, segura a outra luva.

Os temas representados no túmulo são: nos frontais, a Infância de Cristo e a Paixão de Cristo e, nos faciais, o Calvário e o Juízo Final.

Neste túmulo salienta-se um dos faciais, que representa o Juízo Final. Pensa-se que D. Pedro, com a representação desta cena dramática da religião cristã, quis mostrar a todos (inclusive a seu pai e aos assassinos) que ele e Inês tinham um lugar no Paraíso e que quem os fizera sofrer tanto podia ter a certeza que iria entrar pela bocarra de Levitão representada no canto inferior direito do facial. Podemos observar também a figura de Cristo entronizado, e a Virgem e os Apóstolos que à sua direita rezam. Em baixo estão representados os mortos que se levantam das suas sepulturas para serem julgados.


Túmulo de D. Pedro I

Túmulo de D. Pedro I


D. Pedro I está representado também com a expressão tranquila, coroado e rodeado por anjos. Segura o punho da espada na mão direita, enquanto com a esquerda agarra a bainha. Nas faces do túmulos estão representadas: nos frontais, a Infância de S. Bartolomeu e o Martírio de S. Bartolomeu e, nos faciais, a Roda da Vida e a Roda da Fortuna e ainda a Boa Morte de D. Pedro.

Neste túmulo destaca-se o facial da cabeceira onde está representada a Roda da Vida e a Roda da Fortuna.

A Roda da Vida possui 12 edículas com os momentos da vida amorosa e trágica de D. Pedro e de D. Inês. Na leitura das edículas (feita no sentido ascendente e da esquerda para a direita), podemos observar: D. Inês acaricia um dos filhos; o casal convive com os três filhos; D. Inês e D. Pedro jogam xadrez; os dois amantes mostram-se em terno convívio; D. Inês subjuga uma figura prostrada no chão; D. Pedro sentado num grandioso trono; D. Inês apanhada de surpresa pelos assassinos enviados pelo rei D. Afonso IV; D. Inês desmascarando um dos seus assassinos; degolação de D. Inês; D. Inês já morta; castigo dos assassinos de Inês; D. Pedro I envolto numa mortalha.

Nas edículas interiores – Roda da Fortuna – podemos observar (no mesmo sentido da Roda da Vida): D. Inês sentada à esquerda de D. Pedro (por ainda não estarem casados); o casal troca de posição (D. Inês sentada à direita de D. Pedro, o que indica que já estão casados); D. Pedro e D. Inês sentados lado a lado parecendo um retrato oficial; D. Afonso IV a expulsar (pelo apontar do dedo) Inês do reino; D. Inês repele um homem que parece ser de novo D. Afonso IV; D. Pedro e D. Inês prostrados no chão subjugados pela figura híbrida da Fortuna que segura com as mãos a roda.


Mosteiro de Alcobaça

O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça


O Mosteiro de Alcobaça é a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português. Foi fundado em 1178 pelos monges de Cister. É considerado património mundial pela UNESCO, e em 7 de Julho de 2007 foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal. É ainda classificado pelo IPPAR como Monumento Nacional desde 1910


Aspecto do interior do Mosteiro de Alcobaça


História

No fim do século X organizou-se em Cluny, na Borgonha, um novo mosteiro beneditino que procurava renovar a regra de S. Bento. As igrejas cluniacenses eram cheias de belos elementos decorativos. Contra estas manifestações de gosto pela beleza natural, insurgiu-se Bernardo de Claraval, que se recolhera em 1112 em Cister, donde saíra para fundar a Abadia de Claraval e animar mais uma reforma que restituísse à ordem de S. Bento todo o rigor inicial. Os religiosos de Cister deviam viver do seu trabalho, não acumular riquezas, e os mosteiros seriam edificados em lugares ermos, sem qualquer decoração. Enquanto D. Afonso Henriques se empenhava na Reconquista, chegaram ao território português os monges de Cister que fundaram o Mosteiro de São João Baptista de Tarouca em 1140.


S. Bernardo

Diz a lenda que o primeiro rei de Portugal doou parte das terras da região de Alcobaça a S. Bernardo, em cumprimento da promessa feita quando da conquista de Santarém. Se se comparar a planta do Mosteiro de Alcobaça com o da segunda igreja de Claraval, temos que tem o mesmo desenho base. É de cerca de 1152 a construção provisória do mosteiro, e é conhecida no mesmo ano uma referência ao seu abade e a respectiva carta de couto é do ano seguinte.


Monge Branco de Cister

Os primeiros monges, monges brancos, tiveram uma acção civilizadora notável: em 1269 abrem a primeira escola pública. No tempo do geral Fr. Sebastião de Sotomaior tomaram grande incremento as oficinas de imaginária da Abadia. Também desempenharam acções de assistência e beneficência através da enfermaria e portaria.


Interior do Mosteiro de Alcobaça

Fontes: Texto Wikipédia /Fotos da Net
António Inglês

A LENDA DO ALFAGEME DE SANTARÉM

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Fernão Lopes, na sua Crónica do Condestável, deixou para a posteridade esta lenda do alfageme Fernão Vaz, o mais reputado da região de Santarém, que à custa de muito trabalho tinha amealhado uma pequena fortuna que, diziam as más línguas, lhe tinha permitido casar com a bela Alda Gonçalves, que em tempos tinha sido uma apaixonada de D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável.




Ora aconteceu que um dia D. Nuno Álvares Pereira apareceu à porta de Fernão Vaz e lhe pediu para corrigir a espada. Estava o alfageme a esboçar uma desculpa porque já tinha chegado ao fim do seu dia de trabalho quando se deu conta de quem tinha na sua presença. Apresentou-se e disse-lhe que tinha casado com Alda Gonçalves, o que provocou uma certa emoção no Condestável que lhe deixou a espada para ser reparada.




Quando o alfageme chegou a casa contou o sucedido a sua mulher que chegou a temer pela vida do seu marido, mas que logo sossegou quando este lhe disse que D. Nuno tinha vindo por bem. No dia seguinte, o alfageme entregou a espada ao Condestável mas não lhe quis cobrar pelo trabalho e que lhe disse que quando D. Nuno se tornasse conde de Ourém lhe pagaria o que ele merecesse.




Os tempos que se seguiram revelaram-se difíceis para o alfageme. Invejas e intrigas fizeram com que fosse preso e condenado à morte. Inconsolável, Alda decidiu procurar D. Nuno Álvares Pereira, agora conde de Ourém, e pedir-lhe ajuda embora temesse alguma despeita provocada pelo passado.




Com grande nobreza de alma, o Condestável conseguiu o perdão real para Fernão Vaz, cumprindo-se assim a profecia do alfageme de Santarém.




Texto e Fotos da Net

António Inglês

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A LENDA DE MARTIM MONIZ

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O nome de Martim Moniz está ligado à conquista de Lisboa aos Mouros e figura na memória da cidade através de uma praça com o seu nome. A lenda conta que D. Afonso Henriques tinha posto cerco à cidade, ajudado pelos muitos cruzados que por aqui passaram a caminho da Terra Santa.




O cerco durou ainda algum tempo, durante o qual se travavam pequenas investidas por parte dos cristãos. Numa dessas tentativas de assalto a uma das portas da cidade, Martim Moniz enfrentou os mouros que saíam para repelir os cristãos e conseguiu manter a porta aberta mesmo a custo da sua própria vida.




O seu corpo ficou atravessado entre os dois batentes e permitiu que os cristãos liderados por D. Afonso Henriques entrassem na cidade. Ferido gravemente, Martim Moniz entrou com os seus companheiros e fez ainda algumas vítimas entre os seus inimigos, antes de cair morto. D. Afonso Henriques quis honrar a sua valentia e o sacrifício da sua vida ordenando que aquela entrada passasse a ter o nome de Martim Moniz.



Escultura de José João Brito


O povo diz que foi D. Afonso Henriques que mandou colocar o busto do herói num nicho de pedra, onde ainda hoje se encontra, junto à Praça de Martim Moniz.




Texto e Fotos da Net

António Inglês

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A LENDA DE EGAS MONIZ, O AIO

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A batalha de Valdevez entre os exércitos de D. Afonso Henriques e Afonso VII de Castela não teve um resultado decisivo para nenhuma das hostes envolvidas. D. Afonso Henriques retirou-se para Guimarães com o seu aio Egas Moniz e com os outros chefes das cinco famílias mais importantes do Condado Portucalense, interessadas na independência.




O monarca castelhano pôs cerco ao castelo de Guimarães mas o futuro rei de Portugal preferia morrer a render-se ao primo. Egas Moniz, fundamentado na autoridade que a posição e a idade lhe conferiam, decidiu negociar a paz com Afonso VII a troco da vassalagem de D. Afonso Henriques e dos nobres que o apoiavam.




O rei castelhano aceitou a palavra de Egas Moniz de que D. Afonso Henriques cumpriria o voto de vassalagem. Mas um ano depois, D. Afonso Henriques quebrou o prometido e resolveu invadir a Galiza, dando origem a um dos momentos mais heróicos da nossa história. Vestidos de condenados, Egas Moniz apresentou-se com toda a sua família na côrte de D. Afonso VII, em Castela, pondo nas mãos do rei as suas vidas como penhor da promessa quebrada.




O rei castelhano, diante da coragem e humildade de Egas Moniz, decidiu perdoar-lhe e presenteou-o com favores. Este acto heróico impressionou também D. Afonso Henriques, que concedeu ao seu velho aio extensos domínios.




Pensa-se que esta terá sido uma estratégia inteligente por parte de Egas Moniz para que o primeiro rei de Portugal pudesse ganhar tempo. Ao entregar-se, Egas Moniz ressalvava a sua honra e também a de Afonso Henriques, assegurando através da sua astúcia a futura independência de Portugal.




Texto e Fotos da Net

António Inglês

MAIO DE 68

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Maio de 68 foi auge da década em que jovens "aceleraram" a história

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O mês de maio de 1968 representou o auge de um momento histórico de intensas transformações políticas, culturais e comportamentais que marcaram a segunda metade do século 20.

Em Maio de 68, a partir de manifestações estudantis ocorridas nas universidades francesas de Nanterre e Sorbonne, irromperam sucessivos movimentos de protestos em diversas universidades de países da Europa e das Américas, que ganharam uma dimensão ainda maior com a ampliação das revoltas para a classe trabalhadora.

Entretanto, o mês histórico não pode ser compreendido sem levar em conta os fatos que eclodiram no mundo nos anos 60, uma década de mudanças na história do ocidente.

Claude-Jean Bertrand, professor do instituto francês de imprensa, escreve no artigo "Um novo nascimento na França" que em seu país, como em outros do mundo, o ano de 1968 marcou o "início do fim" do mundo pós-guerra.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os Estados Unidos emergiram como potência mundial e, ajudando na reconstrução da devastada Europa, passaram a difundir as novidades e os valores da nova sociedade que surgia.

Após a próspera década de 1950, a partir de protestos estudantis, mudanças políticas e comportamentais, o Ocidente entra nos anos 60 em um momento de "aceleração da história".


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Educação e estudantes

O historiador Eric Hobsbawm afirma, no livro "Era dos Extremos", que "a Idade Média acabou de repente" em meados da década de 1950. Para ele, o crescimento repentino dos números da educação, especialmente do ensino superior, são um dos motivos que explica as mudanças da década.

"No fim da Segunda Guerra, havia menos de 100 mil estudantes na França. Em 1960 eram mais de 200 mil e, nos dez anos seguintes, esse número triplicou para 651 mil", escreve.

Para o historiador a consequência mais imediata foi uma "inevitável tensão entre essa massa de estudantes (...) despejadas nas universidades e instituições que não estavam" de nenhuma forma, "preparadas para tal influxo".

Frequentemente associa-se aos anos 60 termos como "subversão", "revolução continuada" e "sociedade do espectáculo", mas sobretudo com "rebeliões estudantis". "Não surpreende que a década de 60 tenha se tornado a década da agitação estudantil", escreve o historiador.

Curiosamente, não era uma época de escassez material, e talvez por isso mesmo os universitários acharam que tudo poderia ser diferente. Para Hobsbawm, eles "podiam pedir mais" da nova sociedade que tinham imaginado.

Embalados pelas novidades dos jovens, os trabalhadores aproveitaram o momento de mudanças para colocar em pauta suas reivindicações.

"O efeito mais imediato da rebelião estudantil foi uma onda de greves operárias por maiores salários e melhores condições de trabalho", diz o professor.


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Rebeliões pelo mundo

As rebeliões dos anos 60, embora pareçam um conjunto se olhadas em perspectiva, tiveram motivações diversas nos diversos países em que se manifestaram.

Na França, protestos eclodiram nas universidades em Maio de 68 contra a rigidez do sistema educacional. Na verdade, estes foram parte de uma expressão mais ampla de contra cultura dos anos 60, que contestou valores morais julgados "incompatíveis" com os novos tempos.

Entre os símbolos das transformações tecnológicas, sociais e comportamentais na França estavam o automóvel --pessoas eram atropeladas nas ruas por não conseguirem calcular a velocidade dos carros--; a mini-saia e a calça jeans --que representavam a emancipação feminina e a modernidade; a valorização das crianças --que até então "não existiam", pois não havia a compreensão da infância, e elas eram tratadas como "adultos em miniatura".

Nas artes, o cinema da nouvelle vague de François Truffaut e Jean-Luc Godard buscava expressar na tela as transformações, em filmes como "Acossado" e "Os Incompreendidos".


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Europa

As manifestações também foram intensas em outros países da Europa Ocidental, e também no Leste Europeu. Na Espanha, Alemanha Ocidental e Bélgica, universidades foram ocupadas e estudantes entraram em confronto com a polícia.

Em 1º de Março, na Itália, cerca de 3.000 estudantes tomam a sede em Milão do jornal "Corriere della Serra" e em 5 de Dezembro cerca de 1 milhão de trabalhadores entram em greve. No Reino Unido, 3 milhões de trabalhadores entram em greve em 15 de Março.

Na Tchecoslováquia, em 5 de Abril, é lançado no país o programa de reformas políticas conhecido como "Primavera de Praga", que pretendeu "humanizar" o Partido Comunista, o que desagradou a ex-União Soviética (URSS) do [ex-ditador] Josef Stálin. Em 6 de Novembro os estudantes queimam a bandeiras da ex-União Soviética nas ruas de Bratislava.

Na Polónia, em 8 de Março, estudantes protestam contra o regime socialista. Três dias depois a universidade de Varsóvia foi fechada.


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América Latina

Na América Latina, os confrontos também são motivados por questões ligadas à educação, e por conta das ditaduras militares.

No México, confrontos em universidades e nas ruas da cidade do México deixam 38 mortos. O governo, que se organizava para receber os Jogos Olímpicos em 12 de Outubro, ordenou que as autoridades disparassem contra os manifestantes na praça das Três Culturas (Tlatelolco), matando cerca de 200 a 300 pessoas.

Durante as Olimpíadas, dois atletas americanos negros levantam os punhos para reivindicar o poder para os negros, na primeira manifestação política durante os Jogos Olímpicos.

No Uruguai, violentos confrontos levam o governo a decretar estado de sítio. Na Argentina, Colômbia e Venezuela, estudantes ocupam universidades, decretam greves, e se envolvem em intensos confrontos com policiais e forças do Exército.


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E tudo começou...

Tudo começou quando um estudante franco-alemão - Daniel Cohn-Bendit - organizou um protesto na universidade em Nanterre, perto de Paris, contra a proibição de estudantes de ambos os sexos frequentarem o mesmo dormitório (a pílula anticoncepcional, esta sim, revolucionária, tinha sido liberada na França no ano anterior).

Cohn-Bendit e a turma dele queriam namorar e quase derrubaram o governo. Pensando bem, era uma boa causa.


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A verdade é que...

“Pode não ter mudado o mundo. Mas as movimentações ocorridas em Paris, durante Maio de 1968, mudou certamente a forma como olhamos e pensamos o mundo em que vivemos. Da política à filosofia, da educação à cultura, o tão atribulado século XX divide-se certamente entre o antes e o depois de Maio de 68”.

João Antunes

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Fontes: Texto Folha OnLine e Net
Fotos: Net.
António Inglês

MAIO MÊS DE MARIA, MÊS PEREGRINO

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Vivo numa região que me permite assistir à passagem de muitos e muitos peregrinos em direcção a Fátima neste mês de Maio. Prometi a mim mesmo ir buscar a máquina fotográfica para disso dar testemunho, e quem sabe falar com alguns, mas achei por bem não o fazer.

Rendo-me ano após ano aos muitos milhares de portugueses, e não só, que vêm de regiões longínquas para se juntarem em oração a Maria em Fátima, especialmente neste mês de Maio. É vê-los de cajados na mão, pés ligados, na maioria das vezes caminhando e rezando ao mesmo tempo, para lhes dar forças acredito eu.



Mas não só em Maio os peregrinos se dirigem a Fátima, todos os dias 13, de Maio a Outubro, o Santuário de Fátima recebe milhares de peregrinos e turistas para celebrar as datas das aparições de Nossa Senhora aos três videntes e para visitar todos os locais relacionados com este culto.

As Aparições de Fátima transformaram a localidade num dos maiores centros do culto mariano no mundo.

As maiores manifestações dos devotos ocorrem a 13 de Maio (destaca-se a Procissão das Velas, no dia 12 à noite e a Procissão do Adeus, no dia 13, que encerra as celebrações) e a 13 de Outubro.



Deixo-vos com a Carta Encíclica de Paulo VI, de 29 de Abril de 1965 :

CARTA ENCÍCLICA
«MENSE MAIO»
DO SUMO PONTÍFICE
PAULO VI
POR OCASIÃO DO
MÊS DE MAIO

Veneráveis Irmãos

Ao aproximar-se o mês de Maio, consagrado a Maria Santíssima pela piedade dos fiéis, o nosso espírito exulta ao pensar no espectáculo comovente de fé e de amor que, dentro em breve, será oferecido em todas as partes da terra em honra da Rainha do céu. Na verdade, é um mês em que, nos templos e entre as paredes domésticas, sobe dos corações dos cristãos até Maria a homenagem mais ardente e afectuosa da prece e da veneração. E é também o mês em que mais copiosos e mais abundantes descem até nós, do seu trono, os dons da misericórdia divina.

Maria, caminho que leva a Cristo

Muito nos-agrada e consola este piedoso exercício, tão honroso para a Virgem e tão rico de frutos espirituais para o povo cristão. Maria é sempre caminho que leva a Cristo. Nenhum encontro com ela pode deixar de ser encontro com o próprio Cristo. E que outra coisa significa o recurso contínuo, a Maria, senão procurar, entre os seus braços, nela, por ela e com ela, Cristo nosso Salvador, a quem os homens, no meio dos desvarios e dos perigos da terra, têm o dever e sentem constante necessidade de dirigir-se, como a porto de salvação e fonte transcendente de vida?



Apelo ao povo cristão

Exactamente porque o mês de Maio nos leva assim a orarmos com maior intensidade e confiança, e porque durante ele as nossas súplicas encontram mais fácil acesso até ao coração misericordioso da Virgem Maria, aprouve aos nossos predecessores escolher este mês consagrado a Maria para incitarem o povo cristão a orações públicas, todas as vezes que o requeriam as necessidades da Igreja ou algum perigo ameaçador que pairasse sobre o mundo. Também nós, Veneráveis Irmãos, sentimos este ano a necessidade de dirigir convite semelhante a todo o mundo católico. Se consideramos as necessidades presentes da Igreja e as condições em que se encontra a paz no mundo, temos sérios motivos de crer que a hora actual tem especial gravidade, e mais que nunca urge dirigir a todo o povo cristão um apelo para que se forme um coro de orações.

Primeiro motivo deste apelo: êxito do Concílio Ecuménico

O primeiro motivo deste apelo é-nos sugerido pelo momento histórico que a Igreja está atravessando, neste período do Concílio Ecuménico. Excepcional acontecimento, que põe à Igreja o enorme problema da sua conveniente actualização, e de cuja solução adequada dependerão, durante longo período, o futuro da Esposa de Cristo e a sorte de muitas almas. É a grande hora de Deus na vida da Igreja e na história do mundo. Se bem que boa parte do trabalho tenha sido já levado a bom termo, pesadas tarefas nos esperam ainda durante a próxima Sessão, que será a última. Virá depois a fase, não menos importante, da aplicação prática das decisões conciliares, a qual exigirá do mesmo modo os esforços conjugados do Clero e dos fiéis, para que as sementes lançadas durante o Concílio consigam deveras chegar a produzir benéficos frutos. A confiança de que se hão de obter as luzes e as bênçãos divinas sobre a gigantesca mole de trabalho que nos espera, colocamo-la nós naquela que, na Sessão passada, tivemos a alegria de proclamar Mãe da Igreja. Ela, que nos prodigalizou a sua amorosa assistência desde o princípio do Concílio, certamente não deixará de continuar a ajudar nos até à fase conclusiva dos trabalhos.

Segundo motivo do apelo: a paz do mundo

O segundo motivo do nosso apelo é-nos sugerido pela situação internacional. Como sabeis, Veneráveis Irmãos, ela é sumamente obscura e incerta, sentindo-se novas ameaças que põem em perigo o bem supremo da paz do mundo. Como se nada tivessem ensinado as experiências trágicas dos dois conflitos que ensanguentaram a primeira metade do nosso século, assistimos hoje à temível exacerbação de antagonismos entre os povos em algumas partes do globo, e vemos a repetição do perigoso fenómeno do recurso à força das armas, e não às negociações, para se resolverem as questões que opõem entre si as partes contendentes. Isto faz que os habitantes de Nações inteiras estejam sujeitos a sofrimentos indizíveis causados por agitações, guerrilhas e acções bélicas, que se vão sempre estendendo e intensificando, e poderão constituir, de um momento para o outro, a centelha de novo conflito pavoroso.



Pedido aos responsáveis pela vida pública: salvaguardar a paz ameaçada

Perante estes graves perigos da vida internacional, Nós, conscientes de nossos deveres de Pastor supremo, julgamos necessário manifestar as nossas preocupações e, ao mesmo tempo, o temor de que os dissídios se venham a tornar tão agudos que degenerem num conflito sangrento. Pedimos, portanto, instantemente, aos responsáveis pela vida pública, que não se mantenham surdos à aspiração unânime da humanidade, que deseja a paz. Façam tudo quanto está em sua mão para salvar a paz ameaçada. Continuem a promover e favorecer colóquios e negociações, a todos os níveis e em todas as ocasiões, no intento de sustarem o recurso perigoso à força, com todas as suas tristíssimas consequências materiais, espirituais e morais. Procure-se reconhecer, dentro dos caminhos traçados pelo direito, toda e qualquer aspiração verdadeira e sincera de justiça e de paz, para lhe dar expressão e satisfação, e haja confiança em todos os actos leais de boa vontade, de maneira que prevaleça a causa positiva da ordem sobre a causa da desordem e da ruína.

Infelizmente, nesta situação dolorosa, somos obrigados a reconhecer, com grande amargura, que se esquece muitas vezes o respeito devido ao carácter sagrado da vida humana, e se recorre a sistemas e atitudes que estão em clara oposição com o senso moral e os costumes de povos civilizados. E, a este propósito, não podemos deixar de elevar a nossa voz em defesa da dignidade humana e da civilização cristã, para deplorar os actos de guerrilha e de terrorismo, a tomada de reféns e as represálias contra populações indefesas. Delitos estes que, ao mesmo tempo que fazem retroceder o sentido do que é justo e é humano, exasperam cada vez mais os ânimos dos contendores e podem fechar os caminhos até agora abertos à negociações. Estas, quando francas e leais, deveriam levar a um acordo razoável.

As nossas preocupações, como bem sabeis, Veneráveis Irmãos, são inspiradas não por interesses pessoais, mas unicamente pelo desejo de proteger todos os que sofrem e de promover o bem de todos os povos. E fazemos votos por que a consciência das próprias responsabilidades, diante de Deus e diante da história, tenha força suficiente para levar os Governos a prosseguirem nos seus esforços generosos para salvaguardar a paz, e para afastar quanto possível os obstáculos reais ou psicológicos, que se opõem a um entendimento seguro e sincero.

Conseguir a paz pela oração

Mas a paz, Veneráveis Irmãos, não é pura consequência de esforços humanos, é também e sobretudo, dom de Deus. A paz desce do céu; e reinará de verdade entre os homens, quando chegarmos a merecer que ela nos seja concedida pelo Deus omnipotente, que tem nas suas mãos tanto a felicidade e a sorte dos povos como os corações dos homens. Por isso nós, com a oração, continuaremos a procurar conseguir este bem insuperável; com a oração constante e vigilante, como sempre fez a Igreja desde os primeiros tempos; com a oração que recorrerá, de modo particular, à intercessão e protecção da Virgem Maria, Rainha da paz.



Acolha, Maria, os pedidos de paz

É para Maria, Veneráveis Irmãos, que se levantam neste mês mariano as nossas súplicas, implorando com maior fervor e confiança as suas graças e os seus favores. E se as graves culpas dos homens pesam na balança da justiça de Deus e provocam os seus justos castigos, sabemos por outro lado que o Senhor é "o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação" (2Cor 1,3), e que Maria Santíssima foi constituída administradora e dispensadora generosa dos tesouros da sua misericórdia. Ela, que experimentou as penas e as tribulações da terra, o cansaço do trabalho de cada dia, os incómodos e os apertos da pobreza, as dores do Calvário, venha em socorro das necessidades da Igreja e do mundo; acolha benigna os pedidos de paz que a ela sobem de todos os pontos da terra; ilumine os que dirigem a sorte dos povos; consiga que Deus, dominador de ventos e tempestades, acalme também as tempestades dos corações humanos em guerra e "nos dê a paz nos nossos dias", a paz verdadeira, que se funda nas bases sólidas e duradouras da justiça e do amor; justiça igual, tanto para o fraco como para o forte; amor que afaste os tresvarios do egoísmo, de maneira que a salvaguarda dos direitos de cada um não degenere em esquecimento ou negação do direito alheio.

Promover especiais preces Reza do Santo Rosário

E vós, Veneráveis Irmãos, do modo que julgardes mais oportuno, tornai conhecidos aos vossos fiéis estes nossos votos e a nossa exortação; e tomai as necessárias providências para que, em todas as dioceses e em todas as paróquias, se promovam, durante o próximo mês de Maria, especiais preces, e para que, em particular, a festividade consagrada a Maria Rainha seja dedicada a uma solene súplica em comum pelas intenções acima indicadas. Atribuímos especial valor às orações dos inocentes e dos que sofrem, porque são estas as vozes que penetram, melhor que todas as outras, no céu e desarmam a justiça divina. E, aproveitando a ocasião favorável, não deixeis de inculcar, com a maior insistência, a reza do Santo Rosário, oração tão agradável à Virgem Maria e tão recomendada pelos Sumos Pontífices. Por meio dela, podem os fiéis cumprir, da maneira mais suave e eficaz, a ordem do Divino Mestre: "Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto" (Mt 7,7).

Com estes sentimentos, esperando que a nossa exortação encontrará prontidão e docilidade nos ânimos de todos, a vós, Veneráveis Irmãos, e a todos os vossos féis, concedemos com todo o afeto a bênção apostólica.

Roma, junto de São Pedro, 29 de abril de 1965, II ano do nosso pontificado

PAULUS PP. VI



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António Inglês