segunda-feira, 12 de maio de 2008

MAIO MÊS DE MARIA, MÊS PEREGRINO

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Vivo numa região que me permite assistir à passagem de muitos e muitos peregrinos em direcção a Fátima neste mês de Maio. Prometi a mim mesmo ir buscar a máquina fotográfica para disso dar testemunho, e quem sabe falar com alguns, mas achei por bem não o fazer.

Rendo-me ano após ano aos muitos milhares de portugueses, e não só, que vêm de regiões longínquas para se juntarem em oração a Maria em Fátima, especialmente neste mês de Maio. É vê-los de cajados na mão, pés ligados, na maioria das vezes caminhando e rezando ao mesmo tempo, para lhes dar forças acredito eu.



Mas não só em Maio os peregrinos se dirigem a Fátima, todos os dias 13, de Maio a Outubro, o Santuário de Fátima recebe milhares de peregrinos e turistas para celebrar as datas das aparições de Nossa Senhora aos três videntes e para visitar todos os locais relacionados com este culto.

As Aparições de Fátima transformaram a localidade num dos maiores centros do culto mariano no mundo.

As maiores manifestações dos devotos ocorrem a 13 de Maio (destaca-se a Procissão das Velas, no dia 12 à noite e a Procissão do Adeus, no dia 13, que encerra as celebrações) e a 13 de Outubro.



Deixo-vos com a Carta Encíclica de Paulo VI, de 29 de Abril de 1965 :

CARTA ENCÍCLICA
«MENSE MAIO»
DO SUMO PONTÍFICE
PAULO VI
POR OCASIÃO DO
MÊS DE MAIO

Veneráveis Irmãos

Ao aproximar-se o mês de Maio, consagrado a Maria Santíssima pela piedade dos fiéis, o nosso espírito exulta ao pensar no espectáculo comovente de fé e de amor que, dentro em breve, será oferecido em todas as partes da terra em honra da Rainha do céu. Na verdade, é um mês em que, nos templos e entre as paredes domésticas, sobe dos corações dos cristãos até Maria a homenagem mais ardente e afectuosa da prece e da veneração. E é também o mês em que mais copiosos e mais abundantes descem até nós, do seu trono, os dons da misericórdia divina.

Maria, caminho que leva a Cristo

Muito nos-agrada e consola este piedoso exercício, tão honroso para a Virgem e tão rico de frutos espirituais para o povo cristão. Maria é sempre caminho que leva a Cristo. Nenhum encontro com ela pode deixar de ser encontro com o próprio Cristo. E que outra coisa significa o recurso contínuo, a Maria, senão procurar, entre os seus braços, nela, por ela e com ela, Cristo nosso Salvador, a quem os homens, no meio dos desvarios e dos perigos da terra, têm o dever e sentem constante necessidade de dirigir-se, como a porto de salvação e fonte transcendente de vida?



Apelo ao povo cristão

Exactamente porque o mês de Maio nos leva assim a orarmos com maior intensidade e confiança, e porque durante ele as nossas súplicas encontram mais fácil acesso até ao coração misericordioso da Virgem Maria, aprouve aos nossos predecessores escolher este mês consagrado a Maria para incitarem o povo cristão a orações públicas, todas as vezes que o requeriam as necessidades da Igreja ou algum perigo ameaçador que pairasse sobre o mundo. Também nós, Veneráveis Irmãos, sentimos este ano a necessidade de dirigir convite semelhante a todo o mundo católico. Se consideramos as necessidades presentes da Igreja e as condições em que se encontra a paz no mundo, temos sérios motivos de crer que a hora actual tem especial gravidade, e mais que nunca urge dirigir a todo o povo cristão um apelo para que se forme um coro de orações.

Primeiro motivo deste apelo: êxito do Concílio Ecuménico

O primeiro motivo deste apelo é-nos sugerido pelo momento histórico que a Igreja está atravessando, neste período do Concílio Ecuménico. Excepcional acontecimento, que põe à Igreja o enorme problema da sua conveniente actualização, e de cuja solução adequada dependerão, durante longo período, o futuro da Esposa de Cristo e a sorte de muitas almas. É a grande hora de Deus na vida da Igreja e na história do mundo. Se bem que boa parte do trabalho tenha sido já levado a bom termo, pesadas tarefas nos esperam ainda durante a próxima Sessão, que será a última. Virá depois a fase, não menos importante, da aplicação prática das decisões conciliares, a qual exigirá do mesmo modo os esforços conjugados do Clero e dos fiéis, para que as sementes lançadas durante o Concílio consigam deveras chegar a produzir benéficos frutos. A confiança de que se hão de obter as luzes e as bênçãos divinas sobre a gigantesca mole de trabalho que nos espera, colocamo-la nós naquela que, na Sessão passada, tivemos a alegria de proclamar Mãe da Igreja. Ela, que nos prodigalizou a sua amorosa assistência desde o princípio do Concílio, certamente não deixará de continuar a ajudar nos até à fase conclusiva dos trabalhos.

Segundo motivo do apelo: a paz do mundo

O segundo motivo do nosso apelo é-nos sugerido pela situação internacional. Como sabeis, Veneráveis Irmãos, ela é sumamente obscura e incerta, sentindo-se novas ameaças que põem em perigo o bem supremo da paz do mundo. Como se nada tivessem ensinado as experiências trágicas dos dois conflitos que ensanguentaram a primeira metade do nosso século, assistimos hoje à temível exacerbação de antagonismos entre os povos em algumas partes do globo, e vemos a repetição do perigoso fenómeno do recurso à força das armas, e não às negociações, para se resolverem as questões que opõem entre si as partes contendentes. Isto faz que os habitantes de Nações inteiras estejam sujeitos a sofrimentos indizíveis causados por agitações, guerrilhas e acções bélicas, que se vão sempre estendendo e intensificando, e poderão constituir, de um momento para o outro, a centelha de novo conflito pavoroso.



Pedido aos responsáveis pela vida pública: salvaguardar a paz ameaçada

Perante estes graves perigos da vida internacional, Nós, conscientes de nossos deveres de Pastor supremo, julgamos necessário manifestar as nossas preocupações e, ao mesmo tempo, o temor de que os dissídios se venham a tornar tão agudos que degenerem num conflito sangrento. Pedimos, portanto, instantemente, aos responsáveis pela vida pública, que não se mantenham surdos à aspiração unânime da humanidade, que deseja a paz. Façam tudo quanto está em sua mão para salvar a paz ameaçada. Continuem a promover e favorecer colóquios e negociações, a todos os níveis e em todas as ocasiões, no intento de sustarem o recurso perigoso à força, com todas as suas tristíssimas consequências materiais, espirituais e morais. Procure-se reconhecer, dentro dos caminhos traçados pelo direito, toda e qualquer aspiração verdadeira e sincera de justiça e de paz, para lhe dar expressão e satisfação, e haja confiança em todos os actos leais de boa vontade, de maneira que prevaleça a causa positiva da ordem sobre a causa da desordem e da ruína.

Infelizmente, nesta situação dolorosa, somos obrigados a reconhecer, com grande amargura, que se esquece muitas vezes o respeito devido ao carácter sagrado da vida humana, e se recorre a sistemas e atitudes que estão em clara oposição com o senso moral e os costumes de povos civilizados. E, a este propósito, não podemos deixar de elevar a nossa voz em defesa da dignidade humana e da civilização cristã, para deplorar os actos de guerrilha e de terrorismo, a tomada de reféns e as represálias contra populações indefesas. Delitos estes que, ao mesmo tempo que fazem retroceder o sentido do que é justo e é humano, exasperam cada vez mais os ânimos dos contendores e podem fechar os caminhos até agora abertos à negociações. Estas, quando francas e leais, deveriam levar a um acordo razoável.

As nossas preocupações, como bem sabeis, Veneráveis Irmãos, são inspiradas não por interesses pessoais, mas unicamente pelo desejo de proteger todos os que sofrem e de promover o bem de todos os povos. E fazemos votos por que a consciência das próprias responsabilidades, diante de Deus e diante da história, tenha força suficiente para levar os Governos a prosseguirem nos seus esforços generosos para salvaguardar a paz, e para afastar quanto possível os obstáculos reais ou psicológicos, que se opõem a um entendimento seguro e sincero.

Conseguir a paz pela oração

Mas a paz, Veneráveis Irmãos, não é pura consequência de esforços humanos, é também e sobretudo, dom de Deus. A paz desce do céu; e reinará de verdade entre os homens, quando chegarmos a merecer que ela nos seja concedida pelo Deus omnipotente, que tem nas suas mãos tanto a felicidade e a sorte dos povos como os corações dos homens. Por isso nós, com a oração, continuaremos a procurar conseguir este bem insuperável; com a oração constante e vigilante, como sempre fez a Igreja desde os primeiros tempos; com a oração que recorrerá, de modo particular, à intercessão e protecção da Virgem Maria, Rainha da paz.



Acolha, Maria, os pedidos de paz

É para Maria, Veneráveis Irmãos, que se levantam neste mês mariano as nossas súplicas, implorando com maior fervor e confiança as suas graças e os seus favores. E se as graves culpas dos homens pesam na balança da justiça de Deus e provocam os seus justos castigos, sabemos por outro lado que o Senhor é "o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação" (2Cor 1,3), e que Maria Santíssima foi constituída administradora e dispensadora generosa dos tesouros da sua misericórdia. Ela, que experimentou as penas e as tribulações da terra, o cansaço do trabalho de cada dia, os incómodos e os apertos da pobreza, as dores do Calvário, venha em socorro das necessidades da Igreja e do mundo; acolha benigna os pedidos de paz que a ela sobem de todos os pontos da terra; ilumine os que dirigem a sorte dos povos; consiga que Deus, dominador de ventos e tempestades, acalme também as tempestades dos corações humanos em guerra e "nos dê a paz nos nossos dias", a paz verdadeira, que se funda nas bases sólidas e duradouras da justiça e do amor; justiça igual, tanto para o fraco como para o forte; amor que afaste os tresvarios do egoísmo, de maneira que a salvaguarda dos direitos de cada um não degenere em esquecimento ou negação do direito alheio.

Promover especiais preces Reza do Santo Rosário

E vós, Veneráveis Irmãos, do modo que julgardes mais oportuno, tornai conhecidos aos vossos fiéis estes nossos votos e a nossa exortação; e tomai as necessárias providências para que, em todas as dioceses e em todas as paróquias, se promovam, durante o próximo mês de Maria, especiais preces, e para que, em particular, a festividade consagrada a Maria Rainha seja dedicada a uma solene súplica em comum pelas intenções acima indicadas. Atribuímos especial valor às orações dos inocentes e dos que sofrem, porque são estas as vozes que penetram, melhor que todas as outras, no céu e desarmam a justiça divina. E, aproveitando a ocasião favorável, não deixeis de inculcar, com a maior insistência, a reza do Santo Rosário, oração tão agradável à Virgem Maria e tão recomendada pelos Sumos Pontífices. Por meio dela, podem os fiéis cumprir, da maneira mais suave e eficaz, a ordem do Divino Mestre: "Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto" (Mt 7,7).

Com estes sentimentos, esperando que a nossa exortação encontrará prontidão e docilidade nos ânimos de todos, a vós, Veneráveis Irmãos, e a todos os vossos féis, concedemos com todo o afeto a bênção apostólica.

Roma, junto de São Pedro, 29 de abril de 1965, II ano do nosso pontificado

PAULUS PP. VI



Carta Enciclica tirada da Net e sempre actual

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António Inglês

UM ADEUS, UM ATÉ LOGO!

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Na noite de todas as decisões, o Sporting Clube de Portugal acompanha o Futebol Clube do Porto na Champions League e tem entrada directa nesta competição. O Vitória de Guimarães fez o mesmo mas terá de ir primeiro a uma pré-eliminatória. Passando-a continuará com os dois outros clubes portugueses na principal competição da UEFA, tirando disso partido e encaixando também ele, os milhões que tanta falta fazem aos cofres dos clubes de futebol.
O Sport Lisboa e Benfica, encerrou a sua triste época derrotando em casa o Vitória de Setúbal, uma revelação deste campeonato, ele que esteve praticamente com a extrema unção dada o ano passado.



Na Taça UEFA, o Marítimo acompanha o Benfica, premiando assim, também ele, um belo campeonato sob o comando de um excelente treinador, Sebastião Lazaroni.
Aliás, neste contexto, quero dar os parabéns aos técnicos que souberam motivar os seus atletas, obtendo o acesso às competições europeias. Faço notar que dos cinco clubes, três, o Porto, o Sporting e o Guimarães, completaram a época com equipas técnicas portuguesas; um o Benfica, iniciou-a com Fernando Santos, deu-lhe seguimento com José António Camacho e findou-a com Fernando Chalana, um técnico espanhol e dois técnicos portugueses, e por último o Marítimo que completou a época também com um técnico de língua portuguesa, embora de nacionalidade brasileira. Parece pois que este país não está assim tão mal servido de técnicos capazes de ombrear com muitos estrangeiros, e não esqueço aqui Jorge Jesus que vê o seu Belenenses privado de ir às competições europeias, por perda de pontos na secretaria.
Caiu o pano sobre a época 2007/2008 e ficou definitivamente decidido o futuro dos primeiros da tabela classificativa.
Descem de divisão, o União de Leiria e o Paços de Ferreira. Sobem à primeira o Trofense e Rio Ave, um regresso e uma novidade. Parabéns aos vencedores, honra aos vencidos.


Este foi um ano cheio de acontecimentos, desde logo porque ficaram a conhecer-se os resultados do Apito Final, cheio de decisões polémicas mas que prometem alimentar ainda durante muito tempo os jornais nestas questões agora decididas pela Justiça Desportiva.
Notas salientes, a despromoção do Boavista por, segundo o tribunal, coação sobre árbitros; a suspensão de Jorge Nuno Pinto da Costa durante dois anos, por tentativa de corrupção de equipa de arbitragem; a suspensão de 4 anos aplicada a João Loureiro por coacção sobre árbitros; 1 ano de suspensão a João Bartolomeu, Presidente do União de Leiria, por tentativa de corrupção a árbitros; subtracção de seis pontos ao
FCP, e três ao União de Leiria, por tentativa de corrupção a árbitros; e suspensão a vários árbitros de futebol, quase todos eles já sem actividade na arbitragem, com excepção do árbitro Augusto Duarte. Como todas estas decisões são passíveis de recurso, este Apito Final é bem capaz de se transformar em Assobio Ocasional. Aguardemos os próximos capítulos.



Para os benfiquistas como eu, esta péssima época do SLB acaba por ter o seu ponto alto na despedida desse enorme futebolista de eleição, que dá pelo nome RUI COSTA.
Durante as últimas duas décadas de campeonatos nacionais, poucas foram as alegrias que o meu Benfica me deu, mas hoje confesso-vos meus amigos, CHOREI. Chorei de alegria e de tristeza, porque este grande homem soube viver a sua vida desportiva sempre de vermelho vestido, mesmo debaixo de outros equipamentos que defendeu, enchendo-me de alegria por ter sido o último dos românticos do futebol, como disse um amigo meu. Jogador de eleição quer no meu Benfica, quer na Selecção Nacional, vai agora dar inicio a uma nova etapa da sua vida desportiva e também deste grandioso emblema da Águia, que ele tão bem defendeu enquanto executante.
São destes HOMENS que os exemplos devem ser seguidos pelos nossos filhos, em especial pelos benfiquistas.



Obrigado RUI COSTA, pelos muitos exemplos que nos deste, pelas muitas alegrias que nos ofereceste, pelas muitas vezes que fizeste com que as lágrimas aparecessem no canto do olho, pela forma exemplar como soubeste dizer a todos os benfiquistas que é de Homens como tu que este grande clube e o desporto português, precisam.
Foste embaixador, maestro, jogador, e um digno representante do nosso país, nos clubes e países por onde passaste. As muitas mensagens que soubemos recebeste de muitos colegas, treinadores e directores, são disso a prova.
Obrigado RUI COSTA, digo-te ADEUS ATÉ
LOGO, porque sei que irás continuar a defender a menina dos teus olhos, a Instituição SPORT LISBOA E BENFICA, como sempre fizeste. E agora mãos à obra que o FUTURO É JÁ ALI, e nós benfiquistas depositamos em ti toda a nossa fé e a nossa esperança. Oxalá devolvas ao nosso clube os grandes dias de glória que já vivemos e que possamos voltar a encontrar-nos no ESTÁDIO DA LUZ, vezes sem conta, de garganta rouca por gritarmos SLB! SLB! SLB! GLORIOSO SLB!

VIVA O SPORT LISBOA E BENFICA!



Fotos da Net

António Inglês

domingo, 11 de maio de 2008

Rui Costa - O Adeus aos Relvados

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Que todos os Benfiquistas saibam dar ao Maestro Rui Costa a despedida que ele merece.
Ficará entre nós, como Director Desportivo, e se fizer como fez ao longo da sua carreira de futebolista, o Sport Lisboa e Benfica só terá a ganhar.
Logo, ninguém me arrancará do sofá, fazendo a despedida à minha maneira, visto não poder lá ir.
ADEUS RUI COSTA! BEM VINDO SENHOR DIRECTOR RUI COSTA!

sábado, 10 de maio de 2008

DIA EUROPEU DA PREVENÇÃO DO AVC

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A DOENÇA QUE MATA TRÊS PORTUGUESES POR HORA


Uma vida sedentária e a hipertensão são os maiores aliados de uma doença que tem aumentado na Europa.

O AVC mata 24 mil portugueses por ano e obriga a 25 mil internamentos, com metade destes doentes a ficarem com limitações futuras no seu dia a dia, dizem os números.

Prevenção passa por hábitos saudáveis

Um estilo de vida saudável é fundamental para prevenir AVC´s. Exercício físico regular, alimentação equilibrada, pobre em sal, açucares e gorduras saturadas, baixo consumo de álcool e não fumar são regras de ouro.

Controlar regularmente a tensão arterial, o nível de colesterol e os diabetes junto do seu médico.



APRENDA A PREVENIR UM AVC

Tudo começa com uma ligeira dor de cabeça, que vai aumentando; os braços e as pernas ficam dormentes; pouco depois sente dificuldade em falar e acaba por perder o equilíbrio. Estes são, por norma, os sinais mais comuns de um acidente vascular cerebral (AVC). Se recorrer imediatamente a um médico, duplicará as suas hipóteses de sobreviver sem sequelas, mas, se não for socorrido a tempo, poderá perder a vida.

Os AVCs são uma das principais causas de morte em Portugal, matando a todas as horas cerca de três portugueses. Na Europa, 500 mil pessoas falecem todos os anos devido a um mal que, na maior parte das vezes, poderia ser evitável. Assinalado a 10 de Maio, o Dia Europeu da Prevenção do AVC pretende, antes de mais, transmitir à população que é possível prevenir a doença. Evitar os factores de risco é o primeiro passo, mas aprender a reconhecer os sinais de um ataque e agir rapidamente podem fazer toda a diferença.



FACTORES DE RISCO

Para além da obesidade e do sedentarismo, existe uma extensa lista de factores que podem propiciar um AVC. Evitá-los pode salvar-lhe a vida

» Hipertensão arterial

Qualquer tensão acima do valor médio de 12 por 8 pode constituir um risco acrescido de vir a sofrer uma AVC

» Colesterol

Dietas ricas em gorduras provocam níveis elevados de LDL (mau colesterol) substância relacionada com a formação das placas de aterosclerose

» Tabagismo

Diminui a oxigenação do sangue e acelera o processo de aterosclerose, para além de aumentar o risco de hipertensão arterial

» Álcool

O consumo excessivo de álcool aumenta os níveis de colesterol e eleva a propensão de hipertensão arterial

» Sexo

Até aos 50 anos, os homens têm maior propensão do que as mulheres. Depois dessa idade, o risco é praticamente igual em ambos os sexos.



125 MIL MORTES EVITÁVEIS

Uma das principais responsáveis pelo AVC é a hipertensão. A medição e o acompanhamento médico conseguem controlar este mal, o problema é que em Portugal apenas 12 por cento dos hipertensos têm a doença controlada. Um estudo recente indica que cerca de 125 mil mortes por AVC poderiam ser evitadas em apenas cinco anos se a hipertensão arterial fosse melhor controlada na Europa.

Um outro estudo da Sociedade Portuguesa de Cardiologia revelou que 39,3 por cento dos portugueses conjugam uma série de factores de risco para terem um AVC. Entre os utentes do Serviço Nacional de Saúde com uma média de 58 anos, o risco aumenta para os 61 por cento.



ANATOMIA DE UM ATAQUE

AVC isquémico

*Forma-se um coágulo que é arrastado até ao cérebro e bloqueia uma artéria

*O cérebro protege-se aumentando a pressão arterial. As células cerebrais privadas de oxigénio deixam de funcionar

*Se o problema persistir, as células de cérebro incham e morrem


AVC hemorrágico

*Uma artéria do cérebro rompe e inunda o tecido circundante com sangue

*O sangue afecta o funcionamento das células cerebrais. Forma-se um edema que incha devido aos fluídos circundantes

*O inchaço comprime o cérebro e afecta os centros responsáveis pela consciência e respiração.



O QUE FAZER?

Agir rapidamente ao menor sinal de alarme pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Se você ou alguém que estiver ao seu lado se queixar de dores de cabeça, braços ou pernas dormentes e perda de equilíbrio, faça-lhe imediatamente o seguinte teste. Se desconfiar de um AVC, ligue logo para o 112.

» Ria

Ter a boca ligeiramente ao lado é um sinal preocupante

» Levante os braços

Ter dificuldade em levantar um deles é um dos sintomas clássicos de um AVC

» Repita a mesma frase

Se trocar sílabas ou for incapaz de ter um discurso coerente é porque o cérebro foi afectado.




Texto : Ana

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António Inglês

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A LENDA DE ABRANTES

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ABRANTES é uma antiquíssima cidade. Segundo alguns autores, terá sido fundada pelos Túrdulos 990 anos antes de Cristo, segundo outros foi fundada por galo-celtas em 308 a. C. Foi senhoreada por Romanos, Visigodos, Árabes e, por fim, em 8 de Dezembro de 1148, conquistou-a D. Afonso Henriques. Diz-se que os Romanos lhe chamavam Tubucci, os Vísigodos Aurantes e os Árabes Líbia. Segundo a lenda, o nome de Abrantes data, mais ou menos, da época da conquista da fortaleza por D. Afonso Henriques, estando ligado a acontecimentos imediatamente posteriores.




Consta que era alcaide do castelo um velho mouro chamado Abraham Zaid. Abraham tinha uma filha a que chamara Zara e um filho bastardo, de uma cativa cristã, a que pusera o nome de Samuel. Ninguém sabia, porém, que Samuel era filho do velho alcaide, nem o próprio rapaz. Assim, viviam os dois jovens apaixonados e o velho sentindo crescer em si, dia a dia, uma angústia terrível, antevendo a hora em que seria obrigado a revelar o seu segredo.




Um dia, diz a História, os cristãos foram pôr cerco ao castelo. A hoste era comandada pelo aguerrido Afonso Henriques, que trazia consigo vários cavaleiros e monges. Do Mosteiro do Lorvão trouxera o Rei um velho e sábio monge beneditino para o aconselhar os assuntos espirituais. De algures, de um local qualquer do reino, trouxera um cavaleiro cheio de ideais e de força guerreira, chamado Machado.




Finda a batalha e conquistado o castelo, Samuel foi aprisionado por Machado. Na confusão do saque da debandada moura, o cavaleiro, que acabara de desarmar Samuel, viu um peão perseguindo Zara com intuitos evidentes de violação, e, entregando o prisioneiro a dois vigias, correu em auxilio da moura. Com um forte empurrão derrubou o soldado, que estava ébrio, e amparando Zara foi entregá-la à custódia do velho beneditino, até que se acalmassem os ânimos exaltados pelo sangue, pelo saque e pelo vinho.




Quando o cavaleiro Machado retomou o seu posto, ia como que alheado. Ficara fascinado pela beleza da moura, estranhamente parecida com uma imagem de Nossa Senhora dos Aflitos que sua mãe lhe dera ao morrer e que ele, devotamente, trazia sempre consigo. Por outro lado, impressionara-o a repentina recordação de um sonho que vinha tendo frequentemente e no qual, ao escalar os muros de um castelo, se via salvando uma donzela com que se casaria. Tudo isto contribuía para o alhearnento do jovem cavaleiro, que, se não fossem as suas obrigações de guerreiro, decerto se teria quedado em enternecida contemplação da bela Zara.




Entretanto, D. Afonso Henriques, querendo remunerar os serviços prestados naquela batalha pelo seu bastardo D. Pedro Afonso, deu-lhe o senhorio do castelo e nomeou-o seu alcaide-mor. Pedro Afonso, porém, desejava partir com o pai para Torres Novas e, por isso, decidiu delegar a alcaidaria no cavaleiro Machado.




O Rei, antes de partir, mandou que o monge ficasse no castelo como guardião das almas, ordenou-lhe que entregasse a prisioneira a Abraham e tomou todas as medidas necessárias à segurança da vila.

Assim que a hoste se desvaneceu ao longe, na poeira, o cavaleiro Machado, feliz por ficar como alcaide do castelo, apaixonado por Zara, preparou-se para conquistar o seu coração utilizando os meios permitidos pelo código de honra da cavalaria, ou seja, os modos corteses e suaves. Mas Zara, que adorava Samuel, sentia uma espécie de rejeição cada vez que o cavaleiro se aproximava de si. E, para não fazer qualquer gesto mais brusco que comprometesse a boa paz em que viviam, pedia conselhos ao pai e ao velho monge. O frade, como confessor do cavaleiro, bem sabia o amor que ele tinha pela donzela, e, como bom observador, compreendia que nas evasivas de Abraham existia qualquer coisa de estranho. Por isto, procurava conciliar toda a gente e assegurava a Zara a honradez e nobreza de sentimentos do jovem alcaide.




Samuel, porém, não conseguia viver em paz. Os ciúmes irrompiam nele à mínima alusão, ao mínimo gesto, sem que conseguisse controlar-se. E, na sua insegurança, tão depressa acatava as palavras conciliatórias de Abraham e do monge, como ficava possuído pelo demónio da Loucura, que o obrigava a cometer insânias.

Zara acreditava que Samuel estava compenetrado do seu amor e da sua fidelidade e pensava, por isso, que as acções destrambelhadas do rapaz provinham da mudança de situação para vencido de guerra. Assim, certa tarde em que tentava reconciliá-lo com o alcaide, perguntou ao pai como deveria proceder se o cavaleiro viesse procurá-la e ele não estivesse em casa: deveria manter a porta fechada como se não estivesse ninguém, ou recebê-lo-ia?




Abraham, julgando ver nesta pergunta um novo intuito de ofensa ao alcaide do castelo, para evitar mais problemas, respondeu:
-Nada temo nem receio da tua virtude, minha filha. E confio também na honradez do alcaide. Abre antes a porta!

Samuel, porém, ao ouvir estas palavras perdeu o domínio de si e correu para a rua, gritando como louco:
- Abre antes! Abre antes!

A vizinhança acorreu, uns aos postigos, outros às vielas, a saber o que aquilo era, e Samuel, enlouquecido de ciúmes, contava a história à sua maneira, deixando agravados o alcaide, Zara, Abraham e o próprio monge.




Conta a lenda, ainda, que Samuel acabou por cair de cansaço e de febre. Uma vez bom de saúde, Abraham juntou os e contou-lhes a verdade sobre o nascimento do rapaz. Assim ficaram a saber que eram irmãos e que a mãe de Samuel fora uma bela cativa cristã que certo dia chegara a Tubuccí chorando um noivo que deixara na sua terra, chamado João Gonçalves.

Rolaram lágrimas silenciosas pelas faces envelhecidas do frade beneditino. Ele fora esse João Gonçalves que, vendo a noiva desaparecer, crendo-a perdida para sempre, entrara para o Mosteiro do Lorvão. Pediu o monge a Abraham dados sobre essa cativa, para se certificar de que a mãe de Samuel fora a sua amada noiva. E vendo que os dados coincidiam, tomou o rapaz a seu cargo, conseguindo -lo ao serviço do Rei de Portugal.




Machado e Zara acabaram por casar, depois de os mouros se terem feito cristãos, e dentro das muralhas da velha Tubuccí reinou, finalmente, a harmonia.

E, segundo reza a lenda, em memória do febril acesso de loucura de Samuel, Tubucci passou a ser chamada Abrantes.




Texto e Fotos da Net

António Inglês

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A LENDA DE ALENQUER

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Alenquer foi terra de um dos maiores europeus no século XVI. Aí nasceu, em 1501, Damião de Góis, o maior humanista português, amigo particular e dilecto de todos os grandes homens que a Europa gerou naquele século, dito do Renascimento.



Pois, segundo Damião de Góis, o nome de Alenquer derivaria da designação germânica Alan-Kerk ou Alano-Kerk, que significa «Castelo dos Alanos». Com efeito, os Alanos fundaram e fortificaram Alenquer no ano 418 a. C., mas a lenda que vos vou contar e que pretende explicar a génese do topónimo, vem do tempo da conquista do seu castelo aos mouros por Afonso Henriques.



Estava-se em 1148 quando a hoste de Afonso Henriques foi pôr cerco às muralhas da cidade. Os mouros, bem defendidos e sempre de atalaia, tinham jurado resistir até ao último homem. Assim, o cerco arrastava-se monótono, animado aqui e ali por pequenas escaramuças que não chegavam para alimentar o ócio dos sitiantes. E se por um lado Alenquer e o seu castelo não vacilavam, pelo outro, o exército de el-Rei mantinha-se sem arredar pé.



Conta a lenda que Afonso I, aborrecido pela inacção, ergueu os olhos ao céu pedindo a Deus que lhe enviasse um sinal que mostrasse a hora apropriada a um ataque bem sucedido.
Na manhã seguinte, apareceu no arraial cristão, vindo não se sabe de onde, um enorme cão, um alão como naquele tempo se lhe chamava.



Parou ao lado do Rei e quando sentiu sobre o pêlo a mão que o afagava, dando à cauda, começou a movimentar-se, lenta e seguramente, para os lados do castelo. E, subitamente, Afonso Henriques teve a intuição de que aquele era o sinal que pedira a Deus. Num entusiasmo, cheio de fé, gritou para os capitães:

- Vede, companheiros! O alão quer, o alão quer!...
Este é o sinal divino! Vamo-nos ao castelo! Aos ginetes!... Avante, por Sant'iago!


Num frémito de audácia e determinação, os cavaleiros montaram e, com o alão adiante, lançaram-se à conquista do castelo. Os mouros não conseguiram resistir ao ímpeto confiante dos sitiantes e horas depois da primeira espadeirada o castelo foi tomado e o guião de Afonso I hasteado no alto das muralhas.




Daí do alto, el-Rei, ainda eufórico da peleja, com a cota manchada de sangue e de espada erguida, bradou para todos os homens:
- De hoje em adiante, toda esta terra passará a chamar-se «Terra do Alão Quer»!
Assim foi.
Com o tempo, a linguagem popular foi transformando o epíteto até o tornar naquilo que hoje sabemos: Alenquer. E quem sabe se foi também para recordar esse facto que no brasão da cidade foram mandados desenhar o cão e o castelo da velha lenda.



Texto e Fotos da Net


Durante anos a fio, passei com meus pais por Alenquer, na antiga estrada Lisboa-Porto, a caminho de Rio Maior. Sempre que ali passávamos meu pai dizia: estamos a passar no Presépio de Portugal. E nós concordava-mos pois a configuração desta terra a isso se assemelha, em especial quando vista à noite iluminada.


António Inglês

quarta-feira, 7 de maio de 2008

UM RAMINHO DE ESPIGA

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Quando era garoto, e lembro-me vagamente do assunto, no dia da espiga, meu pai levava a família até ao campo, bem nos arredores de Lisboa, para que pudesse-mos cumprir com a tradição de apanhar um raminho de espiga, pois dizia a minha mãe que dava sorte e trazia dinheiro para casa.

Destes passeios não me lembro muito bem, mas do raminho da espiga sempre lá por casa, disso lembro-me perfeitamente. Durante muito tempo (um ano) eram mantidos nalguns cantinhos da nossa casa, previamente escolhidos por minha mãe.

Honestamente também nunca vi nenhum dos referidos raminhos trazerem dinheiro para casa, isso foi coisa que o meu pai nunca deixou em mãos alheias, e se davam sorte ou não, foi coisa que nunca consegui apurar.

O certo é que meus pais não abdicavam disso, e chegado o dia lá íamos à procura da espiga fosse onde fosse.

Hoje curiosamente, esses campos outrora fora da cidade, onde íamos cumprir com o ritual, são já parte integrante do casario e dificilmente se vislumbra qualquer nesga de terreno sem construção. Um ou outro jardim, mal plantado e mal tratado, nada mais que isso.

A tradição ainda é o que era, digo eu, pelo menos no que ao raminho da espiga diz respeito, porque com a idade que tenho, sempre em minha casa ele apareceu e ao que sei, em casa de muitos amigos, eles têm o seu lugar, e por lá ficam durante um ano.

Da terra onde vivo, São Martinho do Porto, fazem parte os lugares de Serra dos Mangues, Venda Nova, Bom Jesus e Vale do Paraíso. A Vila tem várias festividades ao longo do ano que, não sendo muitas, todas se fazem bem no coração da freguesia, como as celebrações da Semana Santa por alturas da Páscoa, com cerimónias lindíssimas que vale a pena o leitor visitar, as Festas de Santo António, no mês de Junho, que sendo a principal festa da Vila, marca o inicio da época de Verão, as Festas de São Martinho, em Novembro que celebra o Santo que deu nome à terra, e por último a Festa da Espiga, por alturas da Quinta-Feira da Ascenção, e que é feita tradicionalmente em Vale do Paraíso, sendo também a única que foge ao local habitual das Festas.

Há quem defenda, que as tradições já não são o que eram, mas eu continuo com a minha, ainda existem muitas coisas onde a tradição se mantém. No caso desta última festa móvel, manda essa tradição que a população se encontre por aquele lugar de Vale do Paraíso, comendo o seu franguinho assado, que meus amigos, não vos sei explicar porquê, em poucos lugares mais, me sabe tão bem como ali. Este ano lá fomos duas vezes, com redobrado agrado, alimentar a tradição bem regada e em boa companhia.

É uma altura do ano que me agrada pela cor, porque anuncia a chegada do Verão e porque é tempo de um franguinho em Vale do Paraíso.

Este ano, a população local, esteve ainda mais motivada e mais sensibilizada para a Festa da Espiga pois teve ensejo de se mobilizar em torno de um movimento que levará à transformação da antiga Escola Primária, agora encerrada, numa Capela, pelo que ouvi, Capela da Ascenção, tendo como Padroeiro o Senhor da Ascenção, e que dá corpo a uma antiga aspiração destas gentes. Com a força e o querer das gentes locais, habituada ao trabalho rural de sol a sol, a tarefa será levada a bom porto e em breve se passará a ir à Missa à Capela da Ascenção em Vale do Paraíso, alimentando o espírito, pois nem só de pão vive o homem.

Como a época foi de espiga, e porque a minha amiga PAULA MONTEIRO do ARAMIS CAVALGADA, também vive nesta mesma linda Baía, entendeu ela, quem sabe inspirada nos festejos, oferecer-me este lindíssimo ramo de ESPIGA que acima deixei em foto. A todos quantos o quiserem levar, façam o favor de se servirem e guardem-no bem, pois como dizia minha saudosa Mãe, um raminho de espiga em casa, dá sorte.

Bem hajas minha querida amiga, e espero que tenhas cumprido também com a velha tradição.

António Inglês