domingo, 27 de abril de 2008

LENDAS DE PORTUGAL

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Meus amigos, acabei de chegar de mais uma confraternização e amanhã, domingo parto para outra.

O tempo não tem facilitado em nada a minha vida blogosférica e como as muitas actividades em que me encontro envolvido se aliaram a estes convívios de fim de semana, a situação piorou drasticamente.

Curiosamente, tinha entrado numa fase em que nada me faria prever tanta azáfama nem tanta solicitação social, politica e profissional.

Conquistei amizades e hábitos dos quais não gostaria de me afastar, mas nem sempre conseguimos controlar os acontecimentos.

Jamais quereria que os meus amigos da blogosfera me considerassem um ingrato ou mais um dos tantos que por aqui passam esporadicamente, e que ao fim de um certo tempo acabam por se afastar sem mais nem menos.

Não o faria, mas também não quero continuar numa situação de membro ausente que apenas gosta de ver os amigos por sua casa, e acaba por não lhes retribuir a amizade e a dedicação que têm demonstrado para comigo.

Desta forma, e por uma questão de coerência, sou obrigado a comunicar a todos, que não obstante a muita amizade que lhes dedico, a muita consideração que todos me merecem, e também o muito carinho que todos me oferecem, me vejo obrigado a repensar toda a minha participação neste mundo tão “nosso”, tão importante na minha vida mas que me tem trazido sob enorme pressão. É que o facto de não ter tempo, não obsta a que não esteja sempre que posso, a deitar o olho de soslaio para aqui, verificando como todos me tratam, me visitam, sem que eu lhes possa corresponder da mesma forma.

É injusto, é incorrecto e massacrante, fazendo com que ande em constante estado de ansiedade, porque não quero perder os amigos, porque não posso vir aqui o que gostaria.

Vou pois entrar numa fase bastante calma, e como penso ter encontrado a forma de conciliar tudo, inicio hoje um ciclo de postagens sobre “Lendas de Portugal” que me permitirá espaçar mais o intervalo sobre elas.

Sei que talvez leve algum tempo, mas este ritmo vai ter de abrandar e permitir-me-á mais e melhor atenção a todos vós.

Deixo a todos os meus agradecimentos por tudo o que me têm dado, prometendo que a pouco e pouco irei respondendo aos vossos comentários e irei passando por casa de cada um, mostrando-vos que continuo convosco no coração. Espero por isso a vossa compreensão.

Um abraço bem fraterno a todos vós meus amigos.

António Inglês



A LENDA DA BOCA DO INFERNO

Num tempo esquecido existia por ali um enorme castelo, paço habitado por um homem de aspecto feroz e satânico que, nas horas da sua actividade, cultivavam a arte da feitiçaria.
Um dia, esse homem decidiu casar-se, e para escolher a mais bela mulher das redondezas consultou a sua lâmina de cristal de rocha para identificar o local e a casa onde deveria mandar buscá-la. Quando viu a mulher que os seus cavaleiros trouxeram, ficou estupefacto.
Era estupefactamente mais bela do que imaginara ao vê-la sugerida na lâmina das adivinhações. Diz-se que lhe deu uma fúria de ciúmes e tratou de a esconder da cobiça alheia para preservar o seu amor, mas penso que a escondeu do mundo para se proteger a si mesmo, que não a soubera cativar.



Encarcerou a mulher numa torre inexpugnável e solitária, e guardou-a como se guardam aquelas coisas que ao mesmo tempo se amam e detestam, ou temem. Escolheu-lhe para guardião o mais fiel dos seus cavaleiros, exactamente o homem que nunca a vira, para que mais cegamente a guardasse.
Frente ao mar o tempo passava, cronometrados os dias pelas marés, as semanas pela sucessão dos dias e das noites, os meses pela lua. Tão só se sentia o guardião como a cativa do seu senhor. O horizonte de ambos era o mar eternamente sempre outro e o mesmo. A música que a ambos chegava era a dos seus pensamentos, a do marulhar revolto ou terno das ondas, o sibilo do vento por entre as rochas. Assim passava o tempo e não passava, porque o tempo para ser tempo tem de se referenciar à vida, e ali não se passava nada que fosse vivo.



Até que, um dia, o ócio provocou no cavaleiro uma curiosidade inadiável. Insensivelmente, deu por si a pensar que mulher era aquela que merecia tão triste reclusão. Pouco depois, encontrou-se a desejar abrir a porta da torre para ver ao menos o rosto da mulher que guardava. Por fim, achou-se frente à porta de chave na mão.
Meteu-a na fechadura e rodou. A porta rangeu de ferrugem quando o cavaleiro se apoiou nela lentamente. E enquanto subia a escada de caracol que levava à câmara da cativa, talvez mil pensamentos se lhe entrecruzassem silenciosamente no cérebro: o que iria encontrar? Seria bonita ou horrorosa? Se calhar era aleijada! Muda ou doente! E se estivesse morta? Não, na realidade enquanto subia as escadas não pensou nada. Estava apenas expectante e quem vive expectativas não se pergunta nada, ainda que na sua espera hajam inscritas todas as interrogações do mundo.



Frente à porta da câmara da sua cativa, o cavaleiro parou para acalmar o coração e tomar coragem. Quando conseguiu dominar a tremura das pernas e das mãos, empurrou a porta. O sol, que entrava por uma das ogivas da torre, bateu-lhe nos olhos e cegou-o por momentos. Pouco a pouco, retomou a visão e a névoa foi-se dissipando até o deixar frente à mulher que a sua expectativa não pudera imaginar.
Semivoltada, a cativa da torre, tão espantada quanto o guardião, olhou-o interrogativa, esperando a palavra que não veio, acabando por perguntar:
-Quem és tu, cavaleiro? Porque vens perturbar-me a solidão?
E o homem, quando achou de novo a sua voz, respondeu finalmente:
-Sou o vosso guardião, senhora! –e baixinho disse para si mesmo: «Agora o compreendo a ele…»
-O meu guardião! Guardião de quê? Desta solidão sem nome e sem razão? Vê, vê como se consomem os meus dias, sem prazer, sem ilusão!... ao menos tu…
-Eu , senhora? Eu estou ali em baixo tão só como vós, e a guardar o quê, para quê?! Mas a partir de hoje talvez possamos partilhar as nossas horas perdidas neste ermo. Tudo o que quiserdes, senhora, ordenai! Levar-vos-ei onde pedirdes!...


Diz a lenda que assim nasceu um louco amor assente sobre a cumplicidade dos segredos e das solidões. Os dias nunca mais foram lentos, o tempo fugiu à desfilada e instalou-se eterno e instante.
Um dia olharam-se, cativa e guardião, e perguntaram-se o que faziam ali. Porque estou eu prisioneira? De que sou eu guardião? Acharam aquela torre uma masmorra absurda. Que guarda um guardião sem chave? Como se sentir prisioneiro de uma prisão aberta?
Partiram.
Esqueceram tudo e esqueceram também o castelão feiticeiro que tudo sabia. Numa noite de luar montaram ambos o cavalo branco do cavaleiro e cavalgaram a toda a brida sobre os rochedos fronteiros ao mar.
No paço, o feiticeiro, louco de ciúmes e de raiva incontrolada, transformou a noite numa concentração de todas as tempestades e malefícios do mundo.
Sob as patas do cavalo abriram-se os rochedos negros de par em par, como se ali fosse uma das entradas do inferno. Cavalo e cavaleiros despenharam-se no abismo redemoinhante e foram engolidos pela boca do mar.



Assim que os dois amantes solitários desapareceram no redemoinhar infernal, acalmou a tempestade e o mar voltou a ficar manso como se nunca tivesse estado diferente. O buraco nos rochedos, porém, nunca mais fechou, como se a ferida da natureza quisesse perpetuar esta história. E talvez assim fosse, já que muitas vezes volta o vento e retoma a fúria do mar, tal como no dia em que morreram a cativa e o guardião da torre.
Por isto mesmo, e porque o povo da região nunca esqueceu a história, se chama àquele local de mistério Boca do Inferno.

Textos e Fotos tirados da Net

António Inglês

quinta-feira, 24 de abril de 2008

25 DE ABRIL DE 1974 - 2008! 34 ANOS DEPOIS!

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NÃO ESTAREI POR CASA NESTE DIA 25 DE ABRIL DE 2008 MAS DEIXO AQUI BEM VINCADA A MINHA VOZ! 25 DE ABRIL SEMPRE!
António Inglês

O SEXTA–FEIRA DA ELVIRA FAZ UM ANO! QUE SOBRE OS DOIS CAIA O MANTO DA FELICIDADE E DO AMOR FRATERNO!

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Há cerca de 120 minutos que ando à procura das palavras que lhe quero dedicar neste dia tão especial do seu blog. Especial para ele e para si, pois falando da Elvira fala-se do Sexta-Feira e falando do Sexta-Feira fala-se da Elvira. E não me esqueço do Coisas Minhas também.

Este mundo da blogosfera, dá-nos coisas que não imaginamos receber quando nele entramos. Apareci no seu seio, por mero acaso, pois através de uns amigos fui desafiado a fazer parte de um blog de cariz político, o qual acabei por abandonar.

Depois veio o “bichinho” com as postagens e os comentários e acabei por criar o meu próprio blog.

Sem pretenciosismos, lá vim caminhando, tropeçando aqui e ali, umas vezes com vontade de continuar caminho, outras em que a vontade se diluía no desânimo.

Escrever para o blog, ou procurar artigos que interessem para nele postar, é fácil, e quando lá fora nos vai faltando a coragem, é aqui que encontramos o “escape” para desabafar, isentos que estamos de ter de ouvir lamurias e criticas de imediato.

Aqui tudo é diferente e o curioso é que acabamos por encontrar amigos, que embora virtuais de inicio, se tornam quase inseparáveis, pois são eles que estão connosco nas horas boas e más, sem nada pedirem em troca.

Conversamos diariamente e vamos sabendo uns dos outros, quase sem disso dar-mos conta, mas vamos cimentando esse tão nobre sentimento que dá pelo nome de AMIZADE.

Dia em que não passemos por cá, não é dia. Precisamos de saber se estamos todos bem e quando assim não é, andamos numa ansiedade tremenda até que tudo se acalme.

Atravessamos períodos melhores e menos bons, e nestes aparece sempre a mão amiga que nos é lançada de forma decidida, sincera e amiga.

Nem todos nascemos com esse maravilhoso dom de transmitir aos outros a coragem que nos falta em muitas circunstâncias da vida. Por isso não somos todos iguais. Por isso alguns são especiais.

Hoje dia 24 de Abril de 2008, véspera de mais um aniversário da libertação de um povo, uma dessas amigas especiais, autora do blog Sexta-Feira, comemora com ele um ano de existência.

Devo-lhe a ela, particularmente pois foi a primeira a incentivar-me, o facto de me ter mantido neste mundo virtual em tão boa hora, pois nele vim encontrar uma parte importante da humanidade da qual andava afastado há uns tempos.

Que Deus lhe dê a força e a coragem de continuar a ser o Farol de todos nós, ponto de referência habitual entre os nossos amigos, e minha especial guia, e que a vida lhe entregue todos os dias e durante muitos anos, o carinho e o amor que a Elvira merece

Não é só o seu Sexta-Feira que está de parabéns, minha amiga. Também a Elvira e seus pais estão envolvidos nesse abraço de aniversário. Nele envolvo também seu filho e seu marido. Que se mantenham firmes e bravos como sempre foram perante a vida.



Deixo-lhe um poema que encontrei na net, do qual desconheço o seu autor.

Hoje não lhe deixo só um abraço, nele deixo envolvido e embrulhado um beijinho de muito respeito e amizade que lhe dedico.

É o raio de sol quando tudo é tempestade.
Você sempre está lá quando eu chamo,
E se mostra feliz por poder ajudar,
E toda vez que eu precisar
"Não há problema", você me dirá.

Por isso, eu quero que você
Procure por mim quando precisar
E espero que eu seja o que você tem sido para mim.
Porque esse é o sentido da palavra "amizade".

Confiança, carinho e compreensão sem fim.
Agradeço a você por sua amizade tão especial,
E por me fazer sentir que sou alguém
Com quem você se importa.



António Inglês

quarta-feira, 23 de abril de 2008

23 DE ABRIL DE 1974

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Entre as 18 e as 20 horas, num banco do Parque Eduardo VII, em Lisboa, Otelo distribui os sobrescritos com a Ordem de Operações aos delegados que os hão-de distribuir pelas unidades revoltosas. "As equipas são formadas por dois elementos", conta este militar no seu livro, que temos vindo a seguir ao longo desta evocação jornalística, iniciada em 16 de Março. Cada um seguirá na sua viatura, "percorrendo, se possível, itinerários diferentes". Deste modo, "se um fosse apanhado, o outro poderia vir a cumprir a missão".

O frio obriga Otelo a recolher-se no carro, estacionado na Avenida Sidónio Pais. Com os sobrescritos vai um exemplar do jornal marcelista "Época", que funciona, por ironia dos golpistas, como identificador dos elementos de ligação.

Os fuzileiros fazem saber que no mínimo serão neutrais, para alívio dos conjurados. A informação é dada por um eufórico Vítor Crespo a Vítor Alves e Otelo, que, em casa do primeiro, efectuam uma rápida reunião com elementos da Armada. A hora H fora entretanto marcada, em definitivo, para as três da madrugada.



"O mês de Abril, tal como sucedera com o de Março, foi, praticamente todo ele, constituído por dias muito confusos. (...) Sentiu o chefe do Estado o perigo e a possibilidade de que alguma coisa de mais grave poderia suceder, embora longe de supor o que, de facto, viria a acontecer. Transmitia frequentemente (...) a sua inquietação e as suas apreensões a quem estava governando o País e não só. Mas apenas em meia dúzia de pessoas, quando muito, encontrava pleno acordo para esse seu estado de espírito. (...) De quanto estaria em curso, o chefe do Estado sentia que o maior risco vinha do chamado movimento dos capitães, cuja evolução no sentido político se tinha acentuado. (...) Os alarmes que chegavam ao chefe do Estado vinham em maior grau do jornalista Luís Lupi e, também, do almirante Henrique Tenreiro, mas, além desses, chegavam-lhe também doutras fontes, sobretudo os oriundos do general Kaúlza de Arriaga e do professor Soares Martinez. Acontecia, porém, que os governantes mais responsáveis pela política e pela defesa da ordem e da Nação lhe afirmavam que o que mais temiam era um golpe da direita e não da esquerda! E encabeçavam esse golpe (...) na pessoa do general Kaúlza de Arriaga e de alguns outros oficiais generais seus amigos, entre os quais o general Luz Cunha, seu cunhado (...)"

http://ideiasemescabeche.blogspot.com


CONTRIBUTOS PARA A REVOLUÇÃO

A Administração das colónias custava a Portugal um aumento percentual anual no seu orçamento e tal contribuiu para o empobrecimento da Economia Portuguesa, pois o dinheiro era desviado de investimentos infraestruturais na metrópole. Até 1960 o país continuou relativamente frágil em termos económicos, o que estimulou a emigração para países em rápido crescimento e de escassa mão-de-obra da Europa Ocidental, como França ou Alemanha principalmente após a Segunda Guerra Mundial. Para muitos o Governo português estava envelhecido, sem resposta aparente para um mundo em grande mudança cultural e intelectual.



A guerra colonial gerou conflitos entre a sociedade civil e militar, tudo isto ao mesmo tempo que a fraca economia portuguesa gerava uma forte emigração. Em Fevereiro de 1974, Marcelo Caetano é forçado pela velha guarda do regime a destituir o general António Spínola e os seus apoiantes, quando tentava modificar o curso da política colonial portuguesa, que se revelava demasiado dispendiosa para o país. Nesse momento, em que são reveladas as divisões existentes no seio da elite do regime, o MFA, movimento secreto, decide levar adiante um golpe de estado. O movimento nasce secretamente em 1973 da conspiração de alguns oficiais do exército, numa primeira fase unicamente preocupados com questões de carreira militar.

Wikipédia



PREPARAÇÃO

A primeira reunião clandestina de capitães foi realizada em Bissau, em 21 de Agosto de 1973. Uma nova reunião, em 9 de Setembro de 1973 no Monte Sobral (Alcáçovas) dá origem ao Movimento das Forças Armadas. No dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: "Os Militares, as Forças Armadas e a Nação". Este documento é posto a circular clandestinamente. No dia 14 de Março o governo demite os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, alegadamente, por estes se terem recusado a participar numa cerimónia de apoio ao regime. No entanto, a verdadeira causa da expulsão dos dois Generais foi o facto do primeiro ter escrito, com a cobertura do segundo, um livro, "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advogava a necessidade de uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar. No dia 24 de Março a última reunião clandestina decide o derrube do regime pela força.

Wikipédia



MOVIMENTAÇÕES

No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.

Às 22h 55m é transmitida a canção ”E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas e que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.

O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção ”Grândola Vila Morena“, de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.

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ESCOLA PRÁTICA DE CAVALARIA

À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço. As forças da Escola Prática de Cavalaria eram comandadas pelo então Capitão Salgueiro Maia. O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcello Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, que não fazia parte do MFA, para que o "poder não caísse na rua". Marcello Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio no Brasil.

A revolução resultou na morte de 4 pessoas, quando elementos da polícia política (PIDE) dispararam sobre um grupo que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.

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CAPITÃO SALGUEIRO MAIA

Militar de méritos reconhecidos, dotado de uma inteligência superior e de uma coragem e lealdade invulgares, dele se diz "ter sido o melhor de entre os melhores dos corajosos e generosos Militares de Abril". Natural de Castelo de Vide, fez os estudos secundários no Colégio Nun' Álvares, em Tomar e no Liceu Nacional de Leiria. Entrou para a Academia em 1964 e em 1966 ingressou na Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Combateu na Guiné e em Moçambique, já com a patente de capitão. Foi um dos elementos activos do MFA. No dia 25 de Abril de1974, comandou a coluna militar que saiu da EPC de Santarém e marchou sobre Lisboa, ocupando o Terreiro do Paço. Horas mais tarde comanda o cerco ao Quartel do Carmo que termina com a rendição de Marcelo Caetano. Foi membro activo da Assembleia do MFA, durante os governos provisórios, mas não aceitou qualquer cargo político no pós 25 de Abril. Faleceu em Santarém, a 3 de Abril de 1992, vítima de cancro.
Salgueiro Maia, representa para mim, o militar do povo que serve o povo, e que como tal coloca acima de todos os interesses políticos e económicos a defesa da democracia e da liberdade. Salgueiro Maia comanda no terreno a coluna militar que tinha uma das missões mais importantes da revolução portuguesa que se operou no dia 25 de Abril de 1974, tinha a missão de ocupar o Terreiro do Paço, onde se situavam a maioria dos ministérios e varias direcções militares. Tinha ainda que conseguir a rendição da GNR no Quartel do Carmo, assim como a demissão e rendição do presidente do conselho de ministros Dr. Marcelo Caetano, que entretanto se viria a refugiar no referido quartel.


Eu estava lá, junto daqueles militares, junto daquele povo sedento de liberdade que enchia o Largo do Carmo apoiando os militares, exigindo a queda do governo e dando vivas à liberdade. Aqueles homens, comandados por um Capitão que de megafone em punho exigia a rendição de Marcelo Caetano e das forças da Guarda Nacional Republicana que o protegiam, eram a nossa esperança. Já mais me poderei esquecer quando o Capitão Salgueiro Maia deu ordem para abrir fogo, várias rajadas de armas automáticas foram disparadas, fazendo com que todos nós nos lançasse-mos para o chão e rastejando procurasse-mos abrigo. No entanto a expressão que cada um de nós tinha estampada no rosto, não era de medo mas sim de alegria, compreendemos que a determinação daquele Capitão e dos homens que comandava, faria com que a revolução triunfasse. Estas imagens ficaram gravadas na minha memória para sempre. Como aconteceu com muitos outros militares de Abril, homens que pela sua integridade e frontalidade eram incómodos, a hierarquia militar acabou por afastar o Capitão Salgueiro Maia do Continente e das suas tropas. Foi colocado nos Açores, de onde regressou em 1979, para comandar o Presídio Militar de Santa Margarida. Por fim, em 1984 regressou à sua unidade EPC. Faleceu em 4 de Abril de 1992. Está sepultado em Castelo de Vide, no talhão dos combatentes.
Logo após o 25 de Abril, o então largo Oliveira Salazar em Castelo de Vide passou a ser designado por Largo Capitão Maia.
***** Somos Livres! Muito obrigado Capitão Salgueiro Maia! *****

António Lemos / http://marevolto.blogs.sapo.pt/5467.html


OS CRAVOS

O cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, solidários com os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos para os soldados, que depressa os colocaram nos canos das espingardas.

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“25 de Abril sempre!”

António Inglês


segunda-feira, 21 de abril de 2008

RESCALDO DE UM FIM DE SEMANA!

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Pois meus amigos, este fim de semana andámos numa de descompressão da lufa-lufa do dia a dia. Aceitámos um antigo convite de amigos e como o filhote estava fora, lá fomos até aos Estoris. Deu para confraternizar, assistir a bons espectáculos, satisfazer uma boa conversa à hora das refeições e sobretudo, deleitar a vista por locais de que há muito andávamos afastados.

Pois é, a verdade é que estes fins-de-semana deixam-nos sempre de água na boca e uma promessa de que a aventura será repetida. No fim, fica o rescaldo de tudo o que se viu e viveu.

Há muito que me apetecia desabafar, evocando a educação e os conceitos que me foram transmitidos por meus pais e que sempre defendi como exemplos de dignidade, tendo deles feito uso com os meus filhos, e creio que posso afirmar que não me dei mal.

Tenho andado muito atento às noticias constantes que nos vão deixando de rastos, sobre a segurança das nossas crianças. Os raptos, os assassínios, as violações, enfim, um sem número de crimes que nos trazem preocupados e que não me parece, sejam combatidos com a eficácia que todos esperávamos. As noticias são diárias e preocupantes. Estão em causa os nossos filhos, a sua segurança, a sua educação e formação enquanto homens e mulheres de bem do amanhã.

Foi assim que dei comigo a pensar, como as coisas andam mudadas realmente e como todos nós temos afinal responsabilidade nestas mudanças... queiramos ou não.



Pois este programa de fim-de-semana era aliciante, e para além da componente amizade, recheada com uns almoços e umas jantaradas, previa também cinema e teatro. Foi diversificado e agradável.

O filme, O amor e a vida real, foi interessantíssimo e contou-nos uma história complicada de um amor quase impossível de um viúvo, (Steve Carrel) pai de três meninas de quem cuidava com o carinho de pai e mãe, que se apaixona pela namorada ( Juliette Binoche) do irmão (Dane Cook). Quase instintivamente adivinhei qual seria o fim do filme e pensei para comigo, que quando assim é, dou normalmente por mal empregue o dinheiro do bilhete. Como estava enganado. É que o filme e os seus intervenientes deixaram-me pregado ao ecrã. Excelente sessão da meia-noite de Sexta-Feira.



A peça de teatro, A Gorda-Fat Pig, do dramaturgo norte-americano Neil LaBute, na reabertura do Teatro Villaret, numa homenagem a Raul Solnado seu fundador, onde já não ia há tanto tempo, teve excelentes momentos de bom teatro, alguns hilariantes, com quatro bons jovens actores, Ricardo Pereira, Carla Vasconcelos, Carlos António e Maria João Falcão, que me deixaram bastante identificado com o tema, ou não seja eu próprio, um Gordo.

A peça conta a história de Tomás, um rapaz magro e elegante que se apaixona por uma rapariga gorda, Helena.

Até aí, tudo corre bem: os problemas começam quando ele a apresenta aos colegas de trabalho e se vêem ambos confrontados com os preconceitos da sociedade contemporânea, obcecada com a imagem, que rejeita todos quanto fujam aos padrões de beleza instituídos. Mais uma vez os preconceitos. Excelente noite de Sábado.



Quanto aos almoços e jantares, bem por aí não me perco podem estar certos e dispenso-me de comentar onde e o que comemos. Garanto-vos que estou de “papo cheio”.

Mas, e porque o tempo isso permitiu, lá andei por alguns Shoppings, como não poderia deixar de ser... E foi num deles que dei por mim de repente, estupefacto com o que ia desfilando perante os meus olhos.

Talvez por ser fim de semana, encontrei dezenas de jovens em grupos, passeando e querendo apenas gozar os prazeres da vida numa fase em que ela mais lhes sorri.

Bandos e bandos de juventude, feliz, radiante e despreocupada, em amena cavaqueira em volta

das mesas que inundam os Centros Comerciais e onde todos nos juntamos ingerindo comida pouco saudável, ou bebendo um simples café, são fáceis de encontrar.

Até aqui não vem mal ao mundo, tudo normal e natural. Só que um olhar mais atento fez-me pensar duas vezes. Rapazes e raparigas de 13/14 anos eram quem mais por ali andava e sem problemas. No entanto, um pormenor me saltou à vista.

É que muitas dessas moças trajavam como se de miúdas de 17/18/19 anos se tratasse. Um traço bem marcante de atrevimento, normal e natural em idades mais próprias, mas menos apropriado em idades em que a única preocupação deveria ser uma sã camaradagem entre colegas, e um bom ocupar de tempo numa confraternização saudável e genuinamente feminino, mas ainda adolescente, próprio de quem tem 13/14 anos.

O preocupante, é que elas se “produzem”, como agora se diz, sem que se perceba muito bem, porquê e para quê. O jogo da sedução começa muito cedo...

Claro que penso que devem mostrar efectivamente, a preocupação na forma de se arranjarem, e isso demonstra auto-estima e cuidado na higiene pessoal. Será só isso?

Quando essa “produção” excede a normalidade, e assistimos a grupos de moças que, provocantemente vestidas ou nem tanto, demasiado maquilhadas e de cigarrito na boca.... se pavoneiam por entre a multidão, então desculpem-me mas aí eu fico completamente bloqueado.

Será que os pais saberão destas “produções”, e estão de acordo com elas? Não terão eles alguma responsabilidade na forma como as suas filhas se apresentam nestas idades no seus grupos de amizades?



Saberão quem são os amigos que com elas se encontram? Será que estou desajustado no tempo, meus amigos? Ou será que estas situações não porão em causa os equilíbrios que a nossa juventude deveria saber entender e pôr em prática?

Em que parte da vida dos nossos filhos falhamos? Não faltará tempo e diálogo entre pais e filhos?

Tenho para mim, que estas idades são decisivas na constituição da personalidade e no carácter dos nossos filhos, e penso também que eles necessitam de algum espaço e de alguma liberdade que os vá preparando para enfrentarem os perigos da vida, ou seja, responsabilização e um voto de confiança, mas controladamente, ou estarei errado?

Será que nos devemos divorciar dessa fase? Não será importante exercer-mos um papel decisório numa altura tão importante da vida dos nossos filhos?

É que quem se “produz” assim com 13/14 anos corre sérios riscos e nos dias de hoje o perigo espreita em qualquer esquina.

Depois os problemas acontecem e lá aparecem os pais aflitos, quando as coisas correm mal. E só se lembram disso depois?

Sinceramente, eu devo estar perfeitamente desajustado no tempo ou então não dei pelas alterações do comportamento do ser humano nestas últimas décadas...

Estarei enganado?

António Inglês