Durante o fim se semana, fiz postagens sobre dois dos edifícios que marcam a cidade do Porto e que fazem parte de um todo, muito justamente considerados como emblemas da cidade.
Naturalmente que considero que o Porto é muito mais que dois edifícios,e por isso deixo-vos algumas imagens que retratam a beleza desta Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal, Invicta Cidade do Porto, que os Portuenses amam, e que todo o país respeita e muito gosta igualmente, embora isso muito custe a alguns.
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Acompanhando as belas imagens da cidade, ficam alguns pequenos apontamentos que acrescentarão dados importantes para melhor ficarmos a conhecer a segunda maior cidade do país, e até de um outro edifício portuense que muita polémica gerou mas que a determinação dos portuenses, acabou por preservar como mais um dos símbolos do Porto.
Não sou daqueles que perfilham sistematicamente a ideia de que o centralismo e o poder está em Lisboa, pois habituei-me a perceber que o centro de muitas e muitas actividades importantes da nação estão sediadas no Porto.
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Querer empurrar a cidade para um provincianismo bacoco, sistematicamente é um erro crasso, ou então será um erro metodicamente calculado.
Por tudo isto, e porque ao Porto estão ligados muitos e decisivos actos da minha vida, aqui fica a minha homenagem à Cidade e às suas gentes, homenagem esta que se estende desde logo às duas postagens anteriores.
António Inglês
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A cidade
O Porto é a segunda maior cidade de Portugal e é considerada a capital do Norte do País. Está localizada na margem direita do rio Douro. Tem cerca de 350 mil habitantes, mas a área metropolitana tem aproximadamente 1,2 milhões de habitantes. O nome deriva da palavra "portus" e "cale"(abrigo): "porto de cale" (a raiz do nome Portugal). A partir do século XII, a cidade passa a designar-se apenas por "Portus", Porto.
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No Porto nasceu o Infante D. Henrique, o Navegador, que é conhecido como o "primeiro inventor dos descobrimentos". No início do século XV ( ilustração com a bandeira de Portugal na época ), ele reuniu em Sagres os maiores sábios da época, que se dedicaram aos altos estudos da Matemática, Astronomia, Cosmografia, Cartografia, etc. Esses estudos revolucionaram a ciência náutica levando os portugueses a criarem a navegação astronómica e a desenvolverem a cartografia e a construção naval. Tanto navegaram que acabaram descobrindo o caminho para as Índias e, principalmente, o nosso querido Brasil, em 1500, desembarcando em um dos lugares mais lindos do mundo, chamado Porto Seguro, na Bahia.
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A Cidade do Porto é conhecida internacionalmente pelo vinho do Porto, considerado o rei dos vinhos fortificados, cultivado e produzido nas margens escarpadas do Rio Douro. A colheita ainda é feita totalmente à mão.
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O vinho é acondicionado em pipas de madeira de carvalho na margem sul do Rio Douro, na cidade de Gaia, onde estacionam os barcos Rabelos em frente às inúmeras caves. Nelas passa por um longo processo de envelhecimento no silêncio dessas Caves, ou armazéns. Muitos anos mais tarde é seleccionado pelos provadores e exportado para todos os continentes.
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Coliseu do Porto
Durante mais de 60 anos de existência, o Coliseu do Porto marcou carreiras, inspirou gerações, elevou a arte e a cultura. Pelo seu carisma, beleza arquitectónica e riqueza artística, o Coliseu do Porto sempre foi a sala de espectáculos mais emblemática da cidade. Tornou-se o “palco da cidade” e também o “palco do mundo”, ao trazer ao Porto os melhores artistas nacionais e internacionais, dando vida a momentos memoráveis que engrandecem e eternizam o Coliseu do Porto. Entre e conheça “o lugar do espectáculo”.
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O Coliseu do Porto é um espaço que nos toca. A sua riqueza sente-se em cada sala com memórias para desvendar. Em cada corredor onde passado, presente e futuro se entrecruzam. Inaugurado em 1941, o Coliseu do Porto trouxe à cidade um toque de modernidade. Encheu-a de arte e cultura. E tornou-se o espaço que melhor reflecte o pulsar e o sentir do Porto. Foi praticamente há uma década, em 1995, que a batalha contra a venda do Coliseu do Porto à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e em nome da preservação da maior sala de espectáculos da cidade fez nascer a Associação Amigos do Coliseu do Porto (AACP).
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O percurso do Coliseu do Porto, tal como a vida de uma estrela, tem sido marcado por períodos de glória mas também por algumas vicissitudes. Momentos de inquietação que só foram ultrapassados graças à enorme determinação dos portuenses, que criaram a Associação Amigos do Coliseu do Porto e lutaram para que este espaço emblemático não deixasse de ser o que é hoje: o palco de todas as emoções do Porto e de todos os portuenses.
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A este propósito, transcrevo aqui um comentário que me foi deixado por uma grande amiga, Branca Pinto, que muito vem acrescentar ao que acima foi descrito. Espero que não fique zangada comigo por esta maldade.
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“Voltando a este tema devo dizer-te António que numa das manifestações de cidadãos para a defesa do Bolhão estiveram grandes figuras do Porto, algumas delas foram as mesmas que se colocaram com força e obtinadamente amarradas às portas do Coliseu quando o queriam vender à Igreja Universal do Reino de Deus e olha como foi bonito, conseguiram que não se vendesse e formou-se a Associação de Amigos do Coliseu que ainda hoje o gere. Trancrevo um pequeno texto do site daquela casa de espectáculos:
"O Coliseu do Porto enche o coração da cidade. Pela sua grandiosidade, beleza e riqueza cultural sempre conseguiu emocionar as pessoas, arrancando palmas, sorrisos e lágrimas dia após dia. O Coliseu do Porto é acima de tudo paixão pela arte e pela cultura e isso espelha-se nos portuenses, que o elegeram como palco da cidade. Um palco que sobreviveu graças à determinação de um círculo de Amigos que salvaguardaram a sua existência enquanto património cultural do Porto, impedindo a sua venda à Igreja Universal do Reino de Deus. Deste movimento cívico nasceu, em 1994, a Associação Amigos do Coliseu do Porto que, desde então, é responsável pela gestão desta sala de espectáculos. Hoje, o Coliseu continua a dar voz à cidade e ao mundo. E tudo graças à Associação Amigos do Coliseu do Porto, que continua aberta a todos aqueles que queiram tornar-se Amigos do Coliseu. Só com o seu contributo o Coliseu do Porto poderá continuar a ser a sala de espectáculos mais emblemática da cidade. O espaço especial que é hoje. Um espaço que nos toca a todos."
Não sei se haverá a mesma garra, até porque o negócio já está consumado, mas é pena” que não possa existir uma Associação dos Amigos do Bolhão.
Bolhão: "Assembleia Municipal decidiu uma coisa que a cidade não sabe muito bem o que é"
Projecto de reconversão do Bolhão é baseado na "política do fachadismo", diz movimento de cidadãos. Manifesto enviado ao Presidente da República e à UNESCO.
Contra o "fachadismo" e a demolição do interior do Mercado do Bolhão, deixando só a fachada intacta. Foram as palavras de ordem do protesto, em frente à Câmara do Porto, organizado por um movimento "cívico e estudantil".
O "gesto cívico" esteve agendado para 20h30, meia hora antes de começarem os trabalhos da Assembleia Municipal, onde o projecto de reconversão do mercado num edifício multifunções, viabilizado graças à maioria PSD/CDS-PP. A oposição de esquerda votou contra.
"O que assusta é que a Assembleia Municipal decidiu uma coisa que a cidade não sabe muito bem o que é", diz ao JPN Daniel Santos, porta-voz do movimento. "O que nos preocupa é que queiram mudar radicalmente o que lá está. Parece um bocado invasor do que é o mercado. É a política do fachadismo, é achar que o interior não é importante".
O grupo, que contou com muitos estudantes de Arquitectura da Universidade do Porto, redigiu um manifesto [PDF] para enviar ao Presidente da República, à presidente da UNESCO e ao Provedor de Justiça. Foram ainda preparadas tertúlias em cafés da cidade para discutir este e outros temas.
DUAS VISÕES
O primeiro subscritor do texto foi o arquitecto Joaquim Massena, autor de um projecto de reconversão que foi aprovado pela autarquia em 1998, mas que Rui Rio não quis aplicar.
Daniel Santos diz que o grupo não "quer defender o projecto de Joaquim Massena", mas antes "que se encontre o melhor projecto". De qualquer forma, defende que com o projecto anterior o Bolhão manter-se-ia sem grandes mudanças.
"Gosto bastante do projecto e respeito o arquitecto Joaquim Massena, com quem reuni recentemente", disse ao JPN Pedro Neves, engenheiro da TramCroNe, a empresa que vai reabilitar e explorar o Bolhão.
Para Pedro Neves, esse projecto implicaria o financiamento da câmara (nas obras e na manutenção do espaço), modelo que a autarquia preferiu não seguir, decidindo entregar a privados a reconversão. Daí que, defende, só com mudanças de fundo, que passam pela demolição do interior e construção de dois novos pisos, é que será possível rentabilizar o investimento de 50 milhões de euros que vai ser feito.
Pedro Rios - prr@icicom.up.pt
Reabilitação entregue a empresa holandesa
A Tramcrone venceu o concurso lançado em Abril pela Câmara do Porto para a reabilitação do Bolhão.
Um parque automóvel para 216 lugares em dois pisos; três pisos comerciais, um dos quais reservado ao comércio tradicional (cerca de 7.300 metros quadrados); dois pisos para habitações de pequena dimensão e serviços. Será este, em traços gerais, o figurino do novo Mercado do Bolhão, que deve estar pronto antes do Natal de 2009.
A reabilitação foi entregue à empresa de capitais holandeses Tramcrone - Promoções e Projectos Imobiliários, anunciou o presidente da Câmara do Porto, Rui RioRui Rio. A Câmara do Porto vai ceder o edifício, em direito de superfície, por 50 anos.
Em conferência de imprensa, Rui Rio disse que é preciso dar “ um sentido útil actualum sentido útil act" ao mercado, respeitando a sua história, mas juntando outras valências ao comércio tradicional.
Entre as novas componentes do Bolhão estão quase 5 mil metros quadrados dedicados ao lazer e cultura. Em conjunto com a empresa municipal Porto Lazer, a Tramcrone vai gastar 200 mil euros anuais num programa de animação urbana. A ideia é que o mercado seja um "edifício âncora na reabilitação da Baixa do Porto.
Parceria público-privada
O projecto, está avaliado em 50 milhões de euros. O presidente da câmara salientou que a reabilitação do Mercado seria impossível apenas com dinheiros públicosseria impossível apenas com dinheiros públic, a menos que deixassem de ser canalizadas verbas para outros sectores.
A proposta vencedora apresenta para o mercado uma solução que passa pela sua divisão em sete pisos, mantendo o comércio tradicional. Anualmente, o promotor tem de garantir 1% do valor total das obras para a manutenção do unificado.
À espera de "turbulências"
A Tramcrone tem como slogan "Os comerciantes do Bolhão (ocupantes incluídos) não são parte do problema, mas parte da solução" - foi essa uma das razões da escolha da proposta holandesa, em detrimento da candidatura da Aplicação Urbana (do grupo espanhol Chamartín).
A Tramcrone comprometeu-se a criar um Gabinete de Apoio que servirá de ponte entre os ocupantes, a Associação de Comerciantes do Bolhão e a sociedade promotora durante a execução das obras.
Além disso, vai também ser criada uma comissão de acompanhamento entre a Tramcrone e o município, de forma a resolver eventuais problemas que possam surgir. "Não é possível garantir que não vai haver turbulências, porque é quase impossível fazer um acordo que agrade a todos", salientou o vereador do Urbanismo, Lino Ferreira. Todos os casos vão ser analisados individualmente, garantiu.
Garantias aos comerciantes
O início das obras está previsto para daqui a quatro ou cinco meses, o tempo necessário para que o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) aprove o projecto, explicou Rui Rio.
Durante os dois anos de obras, vai ser garantido aos ocupantes afectados um rendimento mínimo ou um local, tão próximo quanto possível do Bolhão, para poderem continuar a exercer a sua actividade. Os custos serão suportados pela Tramcrone.
O presidente do Conselho de Administração da Porto Vivo, Arlindo Cunha, realçou que "a decisão sobre o Bolhão enquadra-se em cinco acções emblemáticas previstas e faz parte da área de intervenção prioritária [Baixa], da qual 20 dos 37 quarteirões já têm documento aprovado ou estão em obras".
Promotora diz que demolição do interior do Bolhão é uma "inevitabilidade"
Rentabilidade económica exige aumento do espaço disponível. A demolição do interior do Mercado do Bolhão, no Porto, é uma "inevitabilidade" para garantir que possa ser recuperado o investimento, afirma Pedro Neves, engenheiro da Tramcrone, empresa que venceu o concurso para a reabilitação e exploração do edifício.
"Com as rendas que os comerciantes pagam, era impossível recuperar o investimento. Para mantermos os comerciantes e não aumentar (ou aumentar o menos possível) as rendas, tínhamos que aumentar o espaço", explica Pedro Neves em declarações ao JPN. O investimento da TramCroNe será de 50 milhões de euros.
Pedro Rios - prr@icicom.up.pt
Empresa tranquiliza comerciantes...
"Comerciantes que quiserem continuar" no Bolhão vão ter contratos e "no mesmo ramo" de actividade. Associação de Comerciantes do Porto está preocupada.
A Associação de Comerciantes do Porto (ACP) quer que a autarquia da cidade formalize, por escrito, uma série de garantias aos trabalhadores do Mercado do Bolhão, antes de transferir o direito de superfície à TramCrone, empresa de capitais holandeses que vai assinar a reabilitação do imóvel.
O desejo – que foi enviado a Rui Rio, ao presidente da Assembleia Municipal, aos partidos e ao administrador da TramCroNe (empresa do grupo holandês TCN) – resulta da reunião com os comerciantes do Bolhão, que contou com 180 pessoas. O documento foi aprovado com apenas quatro votos contra. O assunto foi discutido na Assembleia Municipal.
O receio da ACP recai, particularmente, nos chamados "ocupantes", comerciantes que não têm um vínculo por escrito com a autarquia. Laura Rodrigues afirmou ao JPN que os vendedores do Bolhão receiam que os títulos para o mercado tradicional, após a reabilitação, sejam "precários" e que durem entre três e cinco anos.
"O que vai vigorar é o princípio do centro comercial. Entendemos que não é justo passarmos a uma situação de precariedade. A câmara deverá acautelar os interesses dos trabalhadores", disse. A ACP quer assegurar novos títulos vitalícios e transmissíveis aos herdeiros.
A ACP receia que a TramCroNe imponha alterações nos horários (mais adaptados à lógica de centro comercial que receia) e mesmo nos negócios. Em suma, está contra o "excesso de direitos por parte da TramCroNe" na reconfiguração de "um edifício emblemático da cidade", cuja alma são os vendedores. "Merecem o respeito e consideração de todos nós".
... e dá garantias!
Contactada pelo JPN, fonte ligada à TramCroNe garantiu que os "comerciantes que quiserem continuar" no Bolhão vão ter contratos e "no mesmo ramo" de actividade, se assim desejarem. Quanto aos horários, "ninguém vai ser obrigado" a mudar, garante.
Sem adiantar pormenores, disse que os contratos vão ser estudados "um a um" pela comissão de acompanhamento do processo, que terá representantes da empresa, da autarquia e dos comerciantes. Mas avisou: "normalmente os contratos têm limites".
Mercado provisório "muito perto"
Em Dezembro, a TramCroNe deu a conhecer os moldes da reconversão do mercado. As obras devem arrancar ainda neste semestre e estima-se que o novo mercado reabra a 18 de Dezembro de 2009.
Até lá, a autarquia está a procurar um espaço para alojar provisoriamente o mercado. Segundo disse a fonte ligada à TramCroNe, deverá ficar "muito perto" do Bolhão para segurar a clientela tradicional do mercado.
O projecto prevê a coabitação entre comércio tradicional, restauração e novas lojas, bem como um parque automóvel para 216 lugares e dois pisos para habitações de pequena dimensão e serviços.
Pedro Rios - prr@icicom.up.pt
Plataforma do Bolhão promoveu sessão de esclarecimento
Artistas, arquitectos, políticos e populares aderiram, no Porto, a mais uma manifestação organizada pelo movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão, que agendou idêntico protesto para a semana seguinte. Animados pela notícia da classificação do mercado do Bolhão como imóvel de interesse público, os organizadores do protesto garantiram que "não vão parar" e manifestam-se mais confiantes de que o tribunal, através de uma providência cautelar, lhes dê razão e impeça o avanço do projecto da autarquia de reconversão do edifício. O arquitecto Correia Fernandes lamentou que a Câmara do Porto se tenha "demitido da obrigação de procurar rubricas, programas e outros apoios que existem para a reabilitação física dos espaços, optando pela imediata entrega do imóvel a um grupo privado". "Entregou a concepção do projecto, mas também a construção e a exploração do mercado sem antes ter tentado encontrar uma solução alternativa, nomeadamente através de candidaturas a fundos comunitários que existem", frisou.
O arquitecto, que se juntou às dezenas de manifestantes que se reuniram em frente ao mercado, explicou que "todos os edifícios vão mudando - veja-se o caso da Cadeia da Relação - mas o importante é a manutenção da memória".
No caso do Mercado do Bolhão, "trata-se de um edifício notável e de grande importância a nível mundial".
A mesma opinião foi transmitida pelo mestre José Rodrigues, que faz questão de afirmar que adere a todos os movimentos que visem impedir os atentados contra o património.
"Do negócio não sei, mas sei que destruir um património destes é um crime", acrescentou o escultor, considerando que "uma cidade vive de memórias".
José Rodrigues defende que se "façam obras e que se modernize o mercado, mas mantendo as suas características principais". "O Bolhão faz parte do Porto", frisou.
A azáfama no interior do mercado era a habitual de uma manhã de sábado, não se notando, segundo os comerciantes e clientes, grandes alterações no movimento apesar da "festa" que decorria no exterior. Isabel Figueira, de 71 anos, todos os dias visita o mercado. "Só me ajeito a comprar aqui" disse, afirmando que concorda que se façam obra. "Desde que garantam o regresso dos comerciantes". Os jovens Andreia e Humberto vieram do Algarve para um período de férias no Porto.
"É a primeira vez que aqui estamos e viemos porque é um sítio emblemático da cidade", disseram. Um outro casal, também jovem, explicou que moram na baixa portuense e que todos os sábados fazem compras no "Bolhão". Confuso com o movimento, o som da "Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa" e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar. "É uma revolução?", ouviu-se a pergunta.
Simultaneamente ao protesto decorreu uma recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que foi entregue, na Assembleia da República, onde se defende que o Mercado do Bolhão "deve ser reabilitado e não demolido".
A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TranCroNe (TCN), onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.
As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.
TVNET/LUSA
Comerciantes criticam presidente
Os vendedores do Bolhão, no Porto, criticaram esta quinta-feira o presidente da associação de comerciantes daquele mercado, considerando que Alcino Sousa não tem legitimidade para os representar. A divisão entre comerciantes do Bolhão existe desde que a Câmara do Porto assinou um contrato com a TramCroNe (TCN), que prevê a cedência do mercado por 50 anos, disse à Lusa, Hélder Francisco, comerciante de peixe naquele espaço. Este vendedor referiu que o presidente da associação de comerciantes do Mercado do Bolhão, Alcino Sousa, está a ter uma atitude "prepotente ao afirmar que o projecto da TCN é o melhor para os comerciantes". "Desde Janeiro que Alcino Sousa ignora os comerciantes, não dando informações sobre o que se passa nas reuniões que mantém com a TCN", criticou Hélder Francisco. O comerciante garantiu à Lusa que "a maioria dos comerciantes está contra a transformação do mercado, porque o projecto da TCN não respeita nem integra os vendedores". "[Alcino Sousa]É um ditador", disse, acrescentando que "a partir do momento em que o presidente da associação passou a ignorar os comerciantes deixou de ter legitimidade para os representar". Hélder Francisco revelou ainda que a maioria dos comerciantes associados pede agora a demissão de Alcino Sousa e a convocação de uma assembleia-geral extraordinária. Hélder Francisco referiu que, perante a apresentação a Alcino Sousa do dia 17 para a realização do encontro extraordinário, o mesmo rejeitou "marcar o que quer que seja". O comerciante, que afirma que esteve sempre ao lado de Alcino Sousa até Dezembro de 2007, estranha a sua "mudança de atitude".
"Em 2005, no início do processo da entrega do Bolhão a privados, ele soube defender muito bem todos os comerciantes. Agora não, não nos informa sobre nada e é um ditador", lamentou.
O "Primeiro de Janeiro" publicou esta quinta-feira uma série de testemunhos de comerciantes do Bolhão contra o actual líder da associação.
Contactado pela Lusa, Alcino Sousa afirmou estar "em reflexão" e remeteu eventuais esclarecimentos para um outro comerciante, Vítor Ferreira.
Este vendedor, membro da direcção da associação, admitiu à Lusa que existe, de facto, uma guerra entre comerciantes, mas que "não há ninguém que tenha feito tanto pelo Bolhão e seus comerciantes como Alcino Sousa". "As pessoas têm memória curta", lamentou, acrescentando que foi convocada uma assembleia-geral extraordinária para dia 23, que deverá ter lugar nas instalações da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso.
Hélder Francisco disse ainda que os comerciantes querem que sejam feitas obras no mercado, mas que permitam manter a sua traça original.
Em meados de Março, quando a TCN apresentou o ante-projecto da reabilitação do mercado, a divisão entre os comerciantes era já notória.
Na ocasião, um dos comerciantes que possui uma loja no exterior do Bolhão questionou a legitimidade de Alcino Sousa à frente da associação de comerciantes daquele espaço.
"Ele não tem a maioria dos comerciantes com ele, não tem legitimidade para falar em nome dos comerciantes", frisou, revelando que a associação tem 85 associados e nenhum dos 42 comerciantes do exterior apoiam o presidente".
Vítor Ferreira defendeu, porém, que Alcino Sousa "cometeu um erro quando se convenceu que representava todos os comerciantes".
TVNET/Lusa
O ABAIXO-ASSINADO
À Assembleia da República
Os cidadãos do Porto não podem deixar de manifestar, publicamente a sua total discordância e solicitar às Entidades e Organismos competentes que impeçam esse “acto de puro mercantilismo”, que pode ser «a demolição do Mercado do Bolhão», já autorizada pela Câmara Municipal do Porto, num desrespeito absoluto pelo Património Arquitectónico e Cultural, praticando a vergonhosa acção de estar a desactivar um dos mais emblemáticos símbolos o Comércio Tradicional da cidade, construído durante a Primeira Guerra Mundial, para dar lugar a mais um centro comercial.
O Mercado do Bolhão deve ser reabilitado e não demolido, de acordo com os seguintes princípios:
- Implemente as necessárias infra-estruturas técnicas, mecânicas e funcionais; - Utilize os conceitos Arquitectónicos internacionalmente reconhecidos para a reabilitação do Património; - Integre os Mercadores e Comerciantes existentes no Mercado e sejam tratados, de facto e de direito, como parceiros; - Possibilite a divulgação dos conceitos de Reabilitação, aos Cidadãos, tornando o Projecto e a obra participada, exercitando as regras democráticas e o reforço do Estado de Direito.
O Mercado do Bolhão é património da Cidade e só o Povo do Porto pode decidir o seu futuro.
A Câmara foi eleita para gerir o património da Cidade e não para o entregar por 50 anos ao grande capital privado comprometendo a gestão de futuros autarcas, provocando ainda mais o fosso social que a nossa Cidade atravessa.
Pelo exposto, os cidadãos abaixo identificados solicitam que sejam accionados os meios disponíveis para manter vivo e reforçar, o tecido Humano e Empresarial do Mercado do Bolhão, na sua estrutura compositiva e de jurisdição Municipal, legando aos vindouros um dos maiores símbolos Arquitectónicos, de Monumentalidade e implantação na Cidade, alegórico da Terciarização no Sec. XIX e XX, sem comprometer o Bem Público nos próximos 50 anos, meio século.
Ao mesmo tempo exigem que a decisão tomada pela Câmara Municipal do Porto seja alvo de discussão pública e que a demolição do Mercado do Bolhão, que a muito breve trecho se perfila, seja atempadamente impedida.
Atentamente,
Comentário:
Assim se vão perdendo imóveis que fazem a história de um povo, em nome da defesa do progresso e do desenvolvimento, e cada vez mais a nossa gente vai perdendo a sua identidade.
Não conheço o projecto ao pormenor, e até acho que este problema diz respeito às gentes do Porto, no entantochoca-me ir vendo desaparecer baluartes da história do nosso povo.
O desenvolvimento das populações é irreversível o que estou completamente de acordo, mas acho que é importante preservar monumentos que pela sua verdadeira dimensão e importância, constituem locais de referência dessas mesmas populações. Há que encontrar pontos de equilibrio e discutir públicamente projectos de interesse nacional como o é o emblemático Bolhão.
Deixo-vos um pequeno filme sobre esse extraordinário espaço, que me habituei a identificar com a cidade do porto, considerando mesmo que o Bolhão é do Porto e o Porto é o Bolhão.
Como um «vulcão em actividade», na descrição da imprensa da época, o Teatro de S. João ardeu completamente na noite de 11 para 12 de Abril de 1908. Foi a quarta sala de espectáculos do género a ser consumida pelas chamas na cidade do Porto. Renasceu das cinzas.
Foi por volta da meia-noite de 11 para 12 de Abril de 1908 que os bombeiros portuenses foram chamados a atacar um incêndio que por essa hora já lavrava no palco do Teatro do São João, no Porto. Quando os primeiros chegaram ao edifício na Praça da Batalha, tiveram logo a percepção de que dificilmente poderiam salvar o teatro lírico que era a jóia da coroa da cidade e que tinha sido inaugurado 110 anos antes, em resposta à abertura em 1793, do Teatro de S. Carlos, em Lisboa.
Passadas algumas horas em que «o vasto edifício, vomitando chamas, dava a ideia d’um vulcão em actividade» - como reportou o Primeiro de Janeiro na sua edição do dia 12, um domingo-, o S. João ficava reduzido a quatro «derruídas paredes», para desespero das pessoas que entretanto se acotovelavam «num murmúrio de pesar».
Restava, como consolação para muitos portuenses, o facto de o incêndio não ter provocado vítimas, como duas décadas atrás tinha sucedido na tragédia do Teatro Baquet, bem perto dali, onde pereceram mais de uma centena de pessoas – também sem vítimas humanas, dois outros teatros tinham sido destruídos pelas chamas, nos trinta anos anteriores: o Trindade, na Cancela Velha (onde agora é o Palácio dos Correios), e o Variedades (do célebre Actor Taborda), nas Carmelitas.
O Teatro de S. João fora inaugurado a 13 de Maio de 1798, dia do 31º aniversário do príncipe D. João (futuro D. João VI), o que explica a designação inicial de Teatro do Príncipe – seria depois Theatro de S. João e finalmente, apenas S. João. A sua construção foi iniciativa de D. Francisco de Almada e Mendonça, co-regedor e obreiro da urbanização da baixa do Porto no final do século XVIII, que conseguiu mobilizar os notáveis da cidade para uma subscrição de acções para esse fim.
O autor do projecto foi o arquitecto italiano Vicente Mazzoneschi (que tinha sido cenógrafo de S. Carlos). Mas, por razões económicas, e também por algumas preocupações com o risco de incêndios (que, afinal, não se mostraram eficazes), o edifício construído ficou aquém do projecto original de Mazzoneschi, principalmente na sua face exterior, cuja sobriedade, e até pobreza, contrastava com o interior, que ostentava a mesma riqueza barroca do seu congénere de Lisboa.
O edifício na Batalha foi construído para substituir o seu antecessor, o Teatro do Corpo da Guarda, instalado no Palácio do Conde de Miranda e inaugurado a 15 de Maio de 1762, tornando-se então no primeiro palco lírico no país.
No mesmo lugar onde ardeu o S. João foi depois construído um novo teatro, num projecto do arquitecto Marques da Silva, que foi inaugurado a 7 de Março de 1920. É o actual Teatro Nacional S. João, onde o Porto continua a rever-se na sua marcante história cénico-lírica.
Por Sérgio C. Andrade no Sexta de 11 de Abril de 2008.
O Teatro de São João ocupa um quarteirão da zona alta do centro histórico. É um edifício clássico, com ornatos alegóricos à dor, bondade, ódio e amor e está classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Dec. nº 28/82, DR 47 de 26 Fevereiro 1982.
O edifício do Teatro Nacional S. João, no Porto, exibe nas paredes laterais oito máscaras em relevo, quatro em cada lado, pormenores que geralmente passam despercebidos pela tendência de olhar para o todo.
Localização
Praça da Batalha - Porto Distrito: Porto Concelho: Porto Freguesia: Santo Ildefonso
Esta noite estou assim amigos. Queria estar bem, mas não posso. A vida enrola-se e entorta-se de tal maneira que nos provoca estes amargos de boca. Porque terá de ser assim? Alguém tem resposta? António
Aligeirando um pouco o ambiente pesado que estas notícias de “corrupção” sempre nos deixam, se bem que não sejam novidade e quando aparecem as encaremos já com naturalidade, descobri um dia destes este pequeno filme sobre um árbitro de futebol brasileiro, que introduzia nas suas actuações alguma graciosidade que acredito, a todos deixava sem resposta.
A sua forma dançarina e peculiar de arbitrar, emprestava ao espectáculo futebol, um clima engraçado que naturalmente traria ao semblante dos jogadores um sorriso, contrariando assim, as “carantonhas” acompanhadas verbalmente de impropérios que a proximidade das camaras de televisão, sempre deixam perceber.
Como hoje quinta-feira, 10 de Abril de 2008, teremos o Sporting Clube de Portugal, último e único representante do nosso país em competições internacionais esta época, tentando passar às meias finais da Taça UEFA, quem sabe se não seria de todo interessante que a arbitragem de logo à noite em Alvalade, introduzisse esta vertente artística na contenda.
De uma coisa estou certo, na minha qualidade de benfiquista até à morte, afirmo com toda a convicção, que teria preferido ver este antigo árbitro brasileiro no último jogo Boavista-Benfica, que Lucílio Baptista. Pelo menos, mesmo empatando o jogo, teria sorrido e deixado o sofá onde vejo os jogos do meu SLB ( a vida está difícil...), com uma disposição diferente daquela com que fiquei. (Vá lá perceber-se porquê?)
Brincadeiras à parte, deixo aqui os votos de um bom jogo ao Sporting Clube de Portugal, desejando que passe a eliminatória com o Rangers, de forma limpinha, sem erros de arbitragem que infelizmente têm deixado muito a desejar cá pelo nosso burgo.
Uma amiga, enviou-me por mail este dois vídeos que quero partilhar convosco.
Como estamos em maré de falar em corrupção,ficamos sempre com a dúvida de como irá reagir a nossa Justiça aos muitos processos que se estão a acumular nos tribunais. É que as decisões tardam tanto em sair para a opinião pública, que quando acontecem, quase já nos tínhamos esquecido do processo. Muitos casos mediáticos são disso exemplo.
O lamentável disto tudo é que o nosso país seja falado lá fora pelas piores razões. Não tenho razão?
José Sá Fernandes, vereador da Câmara Municipal de Lisboa, é o protagonista de uma reportagem da cadeia de televisão árabe AlJazeera , que apresenta Portugal como «um dos países mais pobres da Europa» e a «corrupção» como causa do seu atraso.
A 9 de Abril de 1920, na Freguesia e Concelho de Rio Maior, no seio de uma família humilde e modesta, outrora senhora de alguns bens significativos, nascia um belo rapaz a quem foi dado o nome de Joaquim. Fora o segundo filho de três que a referida família teve, sendo que o primeiro veio a falecer ainda muito novo por motivos mal explicados desde então. Consta que um outro rebento teria nascido, uma menina, mas que teria falecido também, não havendo no entanto confirmação de tal.
Desde muito novo, soube o que eram as dificuldades da vida rural. Pai e mãe viviam daquilo que a terra dava, se bem que um seu avô tivesse tido em tempos uma empresa de Transportes. Na época, esta actividade era constituída por carroças, de tracção animal portanto, que transportavam as mais variadas coisas entre as diversas terras circundantes. Seu pai, Manuel acabou por desbaratar o património que esse tal avô lhes deixara, pois os copitos dele depressa se apossaram. De grão na asa, o Manuel foi vendendo ao desbarato, vinhas e olivais, e depressa se viram reduzidos a umas escassas centenas de metros de terreno, onde existia a casa onde moravam.
A Escola Primária foi feita numa aldeia vizinha. O percurso de casa para a Escola e vice-versa era feito a pé, um sem número de vezes descalço porque dinheiro não havia e sapatos muito menos. Ele e o João Luís, o mais novo da família.
Com doze anos feitos, o nosso Joaquim, resolveu pôr-se ao alto com o pai, e ajudado pelo irmão, decidiram que partiriam para a capital em busca de trabalho, não sem antes terem tido a garantia de que nada mais seria vendido.
Se bem pensaram, assim fizeram e o Joaquim veio para Lisboa, para casa de uns amigos quase conterrâneos, que lhe deram guarida, enquanto ele se empregou num pequeno negócio de mercearia ali para os lados do Alto do Pina, como marçano. Na época, as grandes superfícies eram miragem, e o pequeno comércio de bairro era rei e senhor das diversas actividades que vendiam os produtos que faziam falta à vida de todos os cidadãos. Desta forma, as senhoras iam à mercearia fazer as suas compras, e como normalmente eram para o mês inteiro ou pelo menos para alguns dias, eram os marçanos, estes jovens provincianos, que durante o resto do dia iam levar a casa das freguesas as suas pesadas compras, de cabaz às costas, escada acima, escada abaixo.
Foram anos de muito sacrifício e o nosso Joaquim, tal como combinado com o irmão João Luís, escreveu-lhe dizendo-lhe que era chegada a hora de também ele vir para Lisboa. Foi o que aconteceu. O João Luís, passado algum tempo estava na capital, junto do irmão, e estudando para ser alguém na vida.
Em casa dos pais, o dinheirito começou a aparecer e não mais houve tentação de vender fosse o que fosse.
Os tempos foram passando, e o nosso Joaquim veio a padecer de um erro de infância, que lhe veio a custar muito caro anos mais tarde.
Em garoto, e ainda na terra, brincando com amigos de infância, resolveu saltar um muro, atrás de uma bola de trapos que os entretinha durante os tempos livres.
Mal calculado o salto, o Joaquim acabou por deslocar um osso da articulação da bacia, que por medo, primeiro dos pais, e depois da ida ao médico, nunca chegou a resolver.
Também médicos naquela altura eram difíceis de consultar, por faltarem e por não haver dinheiro suficiente para tal.
Já crescidinho, e por não querer ser operado ao defeito que tinha gerado na perna em garoto, o nosso homem foi aconselhado a tentar ir para um Hospital/Sanatório no Alto Minho, perto de Afife, conhecido por Sanatório da Gelfa, pois o sol, embrulhado nos braços de um cheirinho a sargaço, emprestava alguns benefícios aos ossos e podia ser que melhorasse. Era pelo menos essa a convicção dos médicos da altura.
Assim fez e para lá foi com os seus dezassete/dezoito anos. Todos os dias, ele e os companheiros ali internados, eram colocados nos enormes varandins que o Hospital tinha, deitados, apanhando sol.
Era costume, durante as tardes, as moçoilas da terra mais próxima, a tal Afife, virem para as zonas limites do Sanatório pastar as vacas que eram o grande suporte da labuta do campo, puxando lindíssimos e pachorrentos carros de vacas, carregadinhos de milho, predominante na região.
O Joaquim, perdeu-se de amores então por uma dessas belas minhotas, que lhe correspondeu aos anseios, ficando-se sem saber se a partir daquele momento, ela ia para lá pastar as vacas da casa de lavoura a que pertencia, ou se era para catrapiscar o seu Joaquim.
Pegou o namoro mas o nosso Joaquim teve de regressar a Lisboa. Trocaram correspondência e poucos anos depois a Maria, assim se chamava a minhota, com ele veio ter a Lisboa, para casa do pai, separado da mãe, era ela ainda muita nova. Já naquele tempo as separações existiam, claro.
Como não era pessoa de se ficar, e porque seu irmão acabara por se formar, empregou-se então nos escritórios de um armazém de tecidos, no Martim Moniz, na Baixa Lisboeta.
Estudando à noite, tirou também ele o curso comercial que lhe viria a ser valioso pela vida fora.
Chegou então o casório e o nosso Joaquim e a nossa Maria constituíram família, ficando a morar em Lisboa, primeiro em casa do pai da Maria, e pouco tempo depois num andar arrendado a meias com um outro casal amigo, dividindo assim as despesas. Eram os tempos.
Lutador por natureza, o Joaquim ajudado pela sua Maria, progrediu na vida, chegou a sócio da firma que lhe dera emprego, não sem antes ter passado dos escritórios para o sector comercial da empresa. Tal mudança tornou-se vital para sempre. Desde esse dia, a vida do Joaquim e da Maria foi feita de sucesso em sucesso. Foi assim que acabou por consolidar um razoável património, grande parte do qual deixou aos filhos.
Não se deu mal o Joaquim com a vida, nem o seu irmão João Luís, que se empregara numa empresa americana que operava em território nacional.
Do casamento do Joaquim com a Maria, nasceram três filhos, o António, o mais velho, a Otília que se lhe seguiu pouco tempo depois, e alguns anos mais tarde, provavelmente por distracção, digo eu não sei, a Teresa mais nova.
Hoje estão todos casados, todos tiveram filhos também, e cada um fez pela vida, sem grandes sobressaltos.
O nosso homem, foi ao longo da sua vida, um exemplo de dignidade, seriedade e amor pelos seus e pela sua terra. Foi por isso diversas vezes homenageado pelos seus conterrâneos, pelos seus empregados e pelos filhos. Na sua terra natal, foi atribuído o seu nome à principal rua que a atravessa, como prova de agradecimento pelo muito que fez por ela. Foi graças a ele, à sua ajuda pois, que a sua terra passou a ter luz eléctrica, água canalizada, estradas alcatroadas, Casa do Povo com posto médico uma vez por semana, Capela e muitos outros benefícios que ali foram feitos pelo Governo da época.
As suas amizades em Lisboa, isso lhe proporcionaram e ele sempre se mostrou um enorme defensor da sua Anteporta.
O seu irmão João Luís e a sua cunhada Margarida, é lá que vivem hoje, numa merecida reforma, inundados de felicidade pelos dois filhos, António e Maria João, e pelos três netos que aqueles e os cônjuges lhes deram.
O Joaquim e a Maria já deste mundo partiram, de forma prematura, um logo a seguir ao outro, porque assim o juraram durante toda a vida.
Se fosse vivo, faria hoje dia 9 de Abril de 2008,88 anos o Joaquim da nossa história, de quem me orgulho de ter como pai, esteja ele onde estiver.
O seu percurso de vida foi um exemplo, mas mesmo que o não tivesse sido, mesmo que algumas injustiças tenham deixado ficar no coração do filho algumas mágoas, mesmo que a revolta pela partida prematura nos tenha deixado de rastos, eu continuo a ter muito orgulho em ser seu filho.
Um grande beijinho e um xi-coração apertado Pai, estejas onde estiveres na companhia da Mãe, de quem nunca te separaste, muito menos em dia de aniversário.
Mando-te um sopro para te ajudar a apagar as velas, porque são 88, porque são muitas, porque estão muito longe de mim, porque te queria apertar hoje, como todos os dias do resto da minha vida e continuar a apagar velas contigo.
Queria dizer-te mais coisas mas uma teimosa lágrima não deixa. Se o teclado do meu PC ficar estragado eu mando-te a conta.