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A vacina contra o cancro do colo do útero é eficaz ao longo de seis anos. Este é o resultado de um estudo clínico realizado ao longo de um período idêntico em 776 mulheres, com idades entre os 15 e os 25 anos, que receberam a vacina Cervarix em 28 unidades de saúde do Brasil, EUA e Canadá.
Esta vacina contém anticorpos para os quatro tipos do Vírus do Papiloma Humano (HPV) que mais cancro do colo do útero causam (HPV 16, 18, 31 e 45). De acordo com os responsáveis pela análise dos resultados do estudo, a vacina "confere uma protecção muito significativa" e "a imunidade continua a verificar-se quase seis anos e meio após a administração da primeira dose", a protecção mais longa até agora verificada.
Durante o tempo da investigação as mulheres apresentaram sempre elevados níveis de anticorpos contra os tipos de HPV 16 e 18. Em alguns casos, com níveis superiores aos que surgem na sequência da infecção natural.

A investigadora do Norris Cotton Cancer Center do Dartmouth-Hitchcock Medical Center, nos EUA, médica especializada em HPV, Diane Harper, afirmou que neste "estudo continuamos a observar níveis de anticorpos que, em todas as mulheres, se mantêm muito elevados com o passar do tempo".
Em dados concretos o estudo indica que esta vacina, desenvolvida pela GlaxoSmithKline, pode prevenir 78% das infecções causadas pelo HPV 45, e 60% das infecções causadas pelo HPV 31. E uma chega a 100%, na prevenção das lesões pré-malignas provocadas pelos tipos de HPV 16 e 18.
Os resultados deste estudo clínico baseiam-se na análise dos relatórios de acompanhamento médico de 776 mulheres. A estas mulheres, com idades entre os 15 e os 25 anos, receberam três doses da vacina ou placebo. A segunda e terceira doses da vacina foram administradas um mês e seis meses após a primeira toma.

Ao longo dos seis anos essas mulheres foram seguidas em 28 unidades de saúde dos seus países. Foram realizados, anualmente, exames de Papanicolau, bem como testadas amostras do colo do útero. Foram igualmente sujeitas a análises de segurança a longo prazo.
De referir que até agora foram identificados mais de 100 tipos de HPV, dos quais 15 são podem induzir o cancro do colo do útero. Desses 15 os mais comuns são os tipos 16, 18, 31 e 45, sendo responsáveis por cerca de 80% dos casos de cancro do colo do útero.
O HPV é um percursor obrigatório deste tipo de cancro. Nos anos em que as mulheres são sexualmente activas podem ser expostas a HPV's oncogénicos, correndo o risco de desenvolverem cancro.
Por ano, em todo o mundo, são diagnosticados 500 mil novos casos da doença e mais de 280 mil mulheres morrem devido a este tipo de cancro. Afecta principalmente jovens mulheres, entre os 20 e os 39 anos, sendo já a segunda causa de morte nas mulheres em alguns países.
Texto de:
Virgínia Alves

Médicos garantem 100 por cento de eficácia do novo fármaco.Raparigas na pré-adolescência devem ser os alvos preferenciais da vacinação
A vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV), que pode prevenir o cancro do colo do útero, está a ser vendida nas farmácias portuguesas, desde 15 de Janeiro de 2007.
O fármaco, composto por três doses, custa 480 euros (160 euros cada dose) e não tem comparticipação do Estado.
O director de Serviço de Ginecologia do Instituto Português de Oncologia, Daniel Pereira Silva, defendeu que “a vacina deve ser incluída no plano nacional de vacinação”, alegando que em Portugal “morrem mais de 300 mulheres e aparecem mais de 900 casos por ano derivados deste vírus”.

O médico explica que “o cancro do colo do útero é uma doença de elevada incidência entre a população portuguesa, valendo o investimento, nem que para isso se tenha de poupar noutras áreas”
O HPV é um vírus muito comum, que se transmite por contacto directo, principalmente por via sexual. Cerca de 75% das mulheres tiveram contacto ao longo da sua vida com o vírus que é muito frequente.
No entanto, “se a mulher fizer as três doses que são recomendadas, a vacina tem 100 por cento de eficácia”, garante Daniel Pereira Silva, que diz, ainda, que “o alvo preferencial da vacinação devem ser as raparigas na pré-adolescência”.
Texto de:
Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA - 15 Jan.2007
Fotos da Net
António Inglês
12 de Março de 2008