quarta-feira, 5 de março de 2008

MINHAS QUERIDAS SENHORAS

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O vosso amigo José Gonçalves, entendeu que era chegada a hora de partir e lá se foi.

Não deixou endereço, nem me disse para onde ia. Apenas me pediu que lhe olhasse por esta sua casa e pelos amigos e amigas que aqui tinha deixado, pois eles e elas compunham a maior parte da sua fortuna.

Não sei se estarei à altura de o substituir, mas tudo farei para que as diferenças não se façam sentir muito.

Deixou-me também palavras de muito afecto e carinho para todos vós, que talvez eu não consiga transmitir da mesma forma que ele mas entregou, tal a emoção que lhe tomou a alma e lhe embargou a voz na hora da partida.

Como em qualquer mudança, um ou outro pormenor é alterado e assim aconteceu ao Porentremontesevales do meu amigo e irmão José Gonçalves, com quem eu convivia de perto todos os dias, mas não fiz nem farei grandes alterações pois quero deixar no ar o perfume que ele deixou por estas paragens.

Não vos disse ainda, por querer acima de tudo sentir que vos estava a serenar, mas entre mim e o José Gonçalves existem laços familiares difíceis de apagar. Somos irmãos gémeos e dessa forma sempre tivemos os mesmos sinais, as mesmas ânsias, os mesmos pressentimentos, as mesmas dores, as mesmas alegrias e tristezas. Divergíamos apenas nos sentimentos, pois tivemos muitas lutas das quais nunca percebi quem saiu vencedor.

Por hoje não vos vou roubar mais tempo, mas espero conseguir manter convosco a mesma ligação que ele conseguiu com tanto êxito.

Em seu nome agradeço a todos e todas que lhe manifestaram de uma ou outra maneira a sua amizade, e estou certo de que o José Gonçalves partiu seguro de que valeu a pena percorrer os caminhos da blogosfera. A avaliar pelo ar carinhoso e saudoso que me lançou quando de mim se despediu e em vós falou, sei que vos levou a todos e todas no coração.

Bem hajam amigos e amigas. Ele sabia que poderia contar convosco, e que as manifestações na hora da separação não iriam andar muito longe do que ele imaginou, pois sempre me confessou que estes eram os seus verdadeiros amigos, aqueles que lhe aqueceram a alma e o coração durante vários meses. Na minha humilde opinião, elas foram bem mais emocionantes do que ele próprio poderia pensar e esperar.

Já agora e como por certo repararam o meu nome é António Inglês, e por dele ser gémeo mantenho o mesmo perfil de blog.

Aceitem as minhas mais sinceras homenagens e passem um resto de noite bem calmo e sereno, que era segundo creio um termo por ele muito utilizado.

António Inglês

terça-feira, 4 de março de 2008

AOS AMIGOS, E A TODOS QUE TIVERAM A PACHORRA DE VISITAR O JOSÉ GONÇALVES!

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Não vou deixar-vos uma carta de despedida, porque a vida dá muitas voltas e um dia poderei estar de volta, embora as hipóteses se apresentem mínimas.

Tenho de vos deixar algumas palavras de gratidão, amizade, compreensão, carinho, ternura, apoio e .... de saudade que é já muita e ainda não parti.

Esta coisa de partidas e despedidas é sempre muito complicada, porque fica-nos sempre algo por dizer ou por fazer, que mais tarde nos arrependemos não ter dito ou feito.

Não gostaria que isso me viesse a acontecer, por isso vou tentar escolher muito bem as palavras, juntá-las todas em frases sentidas que não cheirem a circunstanciais, e lançar no imaginário das vossas mentes um perfume de saudade que gostaria de saber perdurará pelo tempo fora.

Tudo na vida tem um começo, e eu no dia 10 de Junho de 2007, abri um novo ciclo na minha vida que me fez voar, sonhar, acreditar e um sem número de sensações e emoções que tive a felicidade de partilhar com todos vós, e me fez chegar até aqui, até à hora da partida.

Não parto triste, pois cheguei aqui sozinho e levo comigo tantos e tão bons amigos que jamais poderia partir triste ou desanimado.

Cada um de vós representou para mim uma fonte de inspiração, de coragem e de fé que até ali não acreditava poder existir.

Poderão pensar que as palavras afinal me estão a sair da boca, de enxurrada, sem sentido e numa amálgama de “chavões” ou frases feitas que apenas visem permitir-me sair pela porta grande do Porentremontesevales de forma airosa e sem espinhas.

Não, não seria capaz, porque aquilo que fui consolidando durante estes meses convosco, uma amizade, sólida, solidária, sincera, leal e profunda não mo permitiria. Eu sou assim mesmo.

Foram tantos e tão belos os momentos que vivemos juntos, através dos nossos PC’s, que para mim era já uma alegria chegar a casa e correr para ele, procurando por entre as minhas postagens os vossos sinais. E foram tantos...

Claro que também tivemos momentos menos bons, de tristeza, de desânimo, que a vida nem sempre nos dá a mão. Para isso estiveram sempre vocês que me ajudaram em algumas alturas a transpor o obstáculo que aparentemente me parecia intransponível.

Levo porém comigo um balanço altamente positivo que me foi transmitido por um punhado de amigos e amigas que guardarei bem fundo no coração.

Prometi ser breve e não vou querer alongar-me mais, que as mãos começam a não estar firmes e os olhos embaciam ao som de cada batida do teclado.

Fiquem bem e que Deus vos proteja a todos, o que aliás sei irá acontecer porque numa última conversa que tivemos em particular ele me deixou essa promessa.

Eu seguirei o meu caminho, certo de que parto muito mais rico e mais forte do que me sentia no dia em que aqui cheguei.

Bem hajam meus amigos. Um abraço sincero cheio de força, tanta que nos custe a desapertar.

José Gonçalves



5 de MARÇO de 2008

Sarah Brightman & Jose Carreras





AMIGOS PARA SIEMPRE ! AMIGOS PARA SIEMPRE ! AMIGOS PARA SIEMPRE !

ELE HÁ COISAS DO ARCO DA VELHA !

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Quero hoje aproveitar o ensejo para vos falar sobre uma matéria que me é particularmente familiar pois foi assunto que tratei ao longo destes últimos anos de vida profissional.

Imobiliário e Construção.




Pois é meus amigos, ando com algumas atravessadas que tenho hoje de deixar expressas neste blog para que vos sirva de reflexão em casos futuros, se quiserem ter a maçada de ler esta minha curta (vou tentar) crónica sobre a Construção na generalidade. Por certo, todos nós, ou quase todos, nos últimos anos visitámos andares, apartamentos, moradias. Não quero pronunciar-me sobre moradias pois essas crescem à medida dos desejos do novo proprietário e do gosto do Arquitecto. Quero antes falar sobre apartamentos. Já repararam seguramente que hoje, a maioria dos construtores tentam vender-nos casas com quartos exíguos, muito pequeninos onde mal cabe uma mobília de quarto completa. Raro é aquele em que se pode ter cama de casal, cómoda, duas mesas de cabeceira e ... mais nada. Muitos, basta a cama e uma mesa de cabeceira porque a outra já não cabe e de cómoda nem falar, a menos que seja uma daquelas que se podem aplicar mas que as gavetas só dão para pôr meias, peúgas, cintos, cuecas dobradas em três e pouco mais. Pois é meus amigos, isto andava a fervilhar-me na cabeça. Sempre soube, cá no íntimo, das razões dessas medidas de quartos, mas recentemente vim a confirmar a minha suspeita. E é simples, num determinado piso, onde caberiam por exemplo seis T3, se forem reduzidas as áreas de quartos, salas, cozinhas e outras divisões dos apartamentos, poder-se-ão construir oito ou nove T2, claro. Depois é só fazer contas e verificar se para o construtor não fica mais atraente, financeiramente falando, este método de construção.
Claro que fica



Mas deixemos as dimensões dos apartamentos e falemos de estética. Quantos prédios estão construídos com padrões de qualidade estética, respeitando a traça da região, bem enquadrados no meio ambiente, não sendo agressivos à vista? Muitos são autênticos atentados ao bom gosto, pelo menos para mim e se calhar para muitos que conheço.
É vulgar, numa determinada localidade, constatar-mos uma diversidade de estilos, misturados quer em cores, quer em aspecto exterior, não respeitando o que tradicionalmente se vinha construindo ao longo dos anos. Não defendo que se construam prédios todos iguais, mas muitos, são tão diferentes e tão aberrantes que chegamos a pensar como é possível? E mesmo lado a lado o que é mais complexo ainda e incompreensível.
Vou particularizar com um exemplo, dos muitos que por aí andam espalhados por este nosso cantinho à beira – mar plantado.




Em S. Martinho do Porto, foi construído há pouco mais de um/dois anos um edifício, em zona bem central desta Vila, que embora não gostando da sua arquitectura, não tenho que a por em causa. Cada um é livre de gostar do que quer. E nada me faria falar nele se não me tivessem vindo alertar para um facto insólito que, reconheço, não sei se corresponde concretamente à realidade pois não consegui chegar à fala com nenhum dos proprietários do mesmo, que já foi vendido por andares. Mas partilho a curiosidade do insólito porque confirmei a existência de uma casota de chapa construída no exterior do prédio (ver fotos), que ao que me dizem, guardam as botijas de gás que abastecem o referido prédio, uma vez que não ficou previsto no projecto nenhum compartimento para albergar com segurança as tais botijas de gás.
A ser verdade, pergunto: Então não houve projecto? Nesse projecto não estava mesmo previsto nenhum compartimento para o Gás? Não existiram projectos de especialidade?
Passou o pormenor ao Arquitecto? Ao Engenheiro? À Câmara Municipal de Alcobaça? Ao construtor? Aos operários da obra? À vistoria? Como foi passada esta licença de habitabilidade? Baseada em quê?




Será tudo isto verdade ou não passará de mais uma grande mentira? A verdade é que a casota lá está, e esta versão é voz corrente pelas ruas da Vila. A não ser verdade, que fará ali aquela casota de chapa? Que guardará? E como este mesmo Edifício já chegou a chamar seu um parqueamento que era público, ficam no ar tantas perguntas sem resposta.
Haverá alguém que saiba responder? Ele há coisas do arco da velha, que só vistas pois contadas ninguém acredita.

José Gonçalves


NOTA FEITA EM CIMA DA HORA:


Acabei de constatar que afinal existem mais prédios nas mesmas condições em São Martinho do Porto, igualmente com os depósitos do gás construídos em chapa em cima dos respectivos passeios. Será que pegou moda? Fui informado também que esta situação já mereceu a visita do responsável dos Bombeiros de São Martinho do Porto e de técnico Camarário mas até ao momento nada foi feito. Estranha-se a vinda de um técnico da Câmara para este efeito, uma vez que julgo ser aquela entidade que aprova os projectos de construção. Lá vamos cantando e rindo, como se estivesse tudo às , mil maravilhas.

José Gonçalves

segunda-feira, 3 de março de 2008