quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

AINDA HÁ SOLIDARIEDADE ENTRE OS HOMENS!

*


NÃO TENHO PALAVRAS QUE DESCREVAM TAMANHA CORAGEM, SOLIDARIEDADE, AMIZADE, COMPANHEIRISMO E AMOR PELO PRÓXIMO!
SÃO ASSIM OS FORCADOS DE PORTUGAL! É ASSIM A JUVENTUDE QUE DE FORMA BRAVA ENTREGA NA ARENA A VIDA A TROCO DE NADA, OU APENAS DE UM PUNHADO DE OVAÇÕES!
É ASSIM A FESTA BRAVA, TALVEZ COM UM POUCO DE LOUCURA À MISTURA, MAS É ASSIM QUE O FORCADO SENTE!
BRAVO RAPAZES, QUEM DERA PUDESSE TER ESTADO AÍ AO PÉ DE VÓS, E TER PODIDO OFERECER O MEU CORPO TAMBÉM EM PROTECÇÃO DE UM COMPANHEIRO!
José Gonçalves

DIA INTERNACIONAL DE TOLERÂNCIA ZERO FACE À MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA


*


Assinalou-se ontem, dia 6 de Fevereiro, o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. Cerca de 140 milhões de mulheres já foram submetidas ao corte ou mutilação genital feminina (MGF). Encontram-se anualmente em risco mais de dois milhões de jovens, o que corresponde a 5:500 mutilações diárias. Com o fenómeno da imigração, a mutilação genital feminina, também conhecida por excisão, já chegou aos Estados Unidos e à Europa.

A maior parte das excisões são praticadas sem quaisquer condições de higiene e têm graves consequências em futuras gravidezes e partos, aumentando o risco da ocorrência de fístulas obstetrícias, para além de afectar o prazer sexual, havendo mesmo especialistas que afirmam que as relações sexuais passam a ser muito dolorosas.



"Em Portugal, existem casos de mulheres que levam as filhas à Guiné Bissau, durante as férias escolares, para que sejam excisadas", explica Carla Martingo, autora de um mestrado sobre MGF. "Julgam que se algo de mal se passa nas suas vidas, pode ter a ver com o facto de a criança não ter sido excisada", diz.

No Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, a APF apresentou um livro que incluiu as conclusões de um estudo realizado junto das comunidades de migrantes de Loures e cuja amostra são 79 médicos e enfermeiros dos centros de saúde da zona. A sessão de lançamento do livro "Por nascer Mulher.., um outro lado dos Direitos Humanos" decorreu na Maternidade Alfredo da Costa pelas 16:00h.
A sessão de abertura contou com a presença do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão, do Presidente da Maternidade Alfredo da Costa, Jorge Branco, e da Presidente da Associação para o Planeamento da Família, Manuela Sampaio.

Cerca de 57 por cento dos profissionais que fizeram parte da amostra mostram insegurança em reconhecer uma situação de mutilação genital", revelou a psicóloga e voluntária da APF, Yasmina Gonçalves.




Segundo o mesmo estudo, 92 por cento dos inquiridos admitiram ter conhecimento do tema, um número semelhante ao obtido no primeiro estudo da APF, realizado no concelho da Amadora. Contudo, apenas 11 por cento tinham formação mais especializada na área.

Profissionais de diferentes sectores, como a saúde, justiça, ou sociologia participam no livro. "O envolvimento da comunidade é muito importante. Além disso, vamos contar com a participação da associação guineense Uallado Folai e a intervenção de uma mulher que vai falar sobre o seu caso", adiantou.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu Portugal na lista dos países de risco com MGF, pela existência de migrantes de várias nações onde é praticada. Além dos 28 países africanos, asiáticos e árabes onde a prática está documentada, a OMS acrescenta que também na Europa e América e existem casos de corte ou MGF.

ACIDI - Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, I.P.



É preciso dizer "não" à excisão. A ablação do clítoris é uma prática que não pode ser justificada por qualquer razão cultural ou tradicional. A Comissão Europeia condenou assim, a prática da excisão, por ocasião do Dia Internacional de Tolerância Zero face à Mutilação Genital Feminina, que se comemorou esta quarta-feira. A data foi decretada pela ONU, em 2003.

A maior parte das excisões é praticada sem quaisquer cuidados médicos. Além de serem a negação do prazer do feminino, estas práticas têm consequências graves em caso de gravidez e parto.

A ablação do clítoris é praticada em 28 países africanos, alguns asiáticos e em certas comunidades africanas que vivem na Europa e nos Estados Unidos. Catorze países africanos já adoptaram leis que penalizam a excisão. Mas, na maior parte dos casos, as leis ficaram no papel. A ONU estima que 130 milhões de mulheres tenham sido excisadas.
Euronews



Livros que falam da mutilação genital feminina

"Flor do Deserto", de Waris Dirie

O livro mais conhecido sobre o tema foi escrito pela modelo somali Waris Dirie, a primeira figura pública a admitir ter sido excisada e a avançar no combate à prática.
Waris Dirie tinha apenas cinco anos quando foi mutilada no deserto da Somália.
No dia 5 de Julho de 2007, a modelo anunciou o abandono das "passerelles" para se dedicar exclusivamente ao combate contra a MGF, como embaixadora das Nações Unidas. A modelo criou a Desert Dawn Foundation (www.desertdawn.org) para fazer campanha contra a prática e recolher fundos para a construção de um centro médico na Somália.

"É difícil saber o que me teria acontecido se não tivesse sido mutilada. Faz parte de mim, não conheço outra realidade", declarou à Reuters. Também Dirie confirma ter querido realizar o ritual. "Não sabia o que ia acontecer, mas estava contente porque me ia tornar mulher".
Aos 13 anos, Dirie andou quase 500 quilómetros a pé pelo deserto, em direcção a Mogadíscio, a capital somali, para fugir ao casamento com um homem mais velho. Acabou por voar para Londres, onde trabalhou como empregada de limpeza num McDonald’s, onde foi descoberta pelo fotógrafo Terence Donovan e catapultada para o mundo da moda
Retirado da net: Diálogos Lusófonos

Fotos e textos tirados da net
José Gonçalves

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

PORTUGAL E BRASIL RELEMBRAM PADRE ANTÓNIO VIEIRA

*

Pensador e religioso nasceu há 400 anos

Assinalaram-se hoje os 400 anos do nascimento do Padre António Vieira. Jesuíta, missionário e diplomata, ficou na História portuguesa e brasileira como um grande prosador e defensor dos direitos humanos.


As comemorações dos 400 anos do nascimento do padre começaram hoje mas vão prolongar-se durante um ano com várias iniciativas em Portugal e no Brasil.
Esta tarde, a partir das 18h00, a Academia de Ciências de Lisboa recebeu a conferência do ensaísta Eduardo Lourenço intitulada "Do Império do Verbo ao Verbo como Império" e uma alocução do Presidente da República, Cavaco Silva.

No Centro Cultural de Belém (CCB), cinco escritores (Rodrigo Guedes de Carvalho, António Mega Ferreira, Gonçalo M. Tavares, José Tolentino Mendonça e Armando Baptista-Bastos) lerem excertos dos seus sermões e à noite, no mesmo local, um concerto da orquestra Divino Sospiro e do Coro Officium, intitulado "Foi-nos um Céu Também".



Ainda em Lisboa, um eléctrico chamado Vieira - um dos que fazem a carreira número 28, entre o Largo de Camões e a Graça - fez a viagem inaugural hoje, às 15h00, com especialistas que falaram aos passageiros sobre a vida e obra daquele jesuíta do século XVII. Tratou-se de uma iniciativa do Centro Nacional de Cultura e da Carris, que se estenderá até 12 de Fevereiro, pelo menos.

Em Coimbra, na capela da Universidade, realizou-se um Recital de Órgão e Pregação do "Sermão de Quarta-feira de Cinzas" (este ano o dia 06 de Fevereiro coincide com a quarta-feira de cinzas), promovido pelo Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos e pelo Centro Inter-Universitário de Estudos Camonianos daquela universidade.



Na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, foi inaugurada uma exposição iconográfica e bibliográfica do padre António Vieira, coordenada e organizada pelo professor Arnaldo do Espírito Santo, presidente da Comissão Científica de 2008 Ano Veirino.

Assinalando também a efeméride, o jornal Correio da Manhã distribuiu na sua edição de hoje uma biografia e um volume com os Sermões do Padre António Vieira.

O Padre António Vieira deixou uma obra literária composta por 200 sermões, 700 cartas, tratados proféticos e dezenas de escritos filosóficos, teológicos, espirituais, políticos e sociais.


Padre António Vieira

António Vieira nasce em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608, numa casa humilde na Rua do Cónego, perto da Sé. O pai, Cristóvão Vieira Ravasco, serve a Marinha e, durante dois anos, é escrivão da Inquisição. Nomeado secretário do governo da Baía, muda-se para o Brasil em 1609 e, em 1614, leva a família para o Brasil.

Inicialmente mau aluno, António estuda na única escola da Baía, o Colégio dos Jesuítas, em Salvador. Cedo demonstra, no entanto, um inato talento, que os jesuítas tentam canalizar para a vida religiosa. Com voto de noviço, junta-se em 1923 à Companhia de Jesus. Um ano depois, aquando da invasão holandesa de Salvador, refugia-se no sertão como missionário. Toma os votos de castidade, pobreza e obediência.



Aos 30 anos, é nomeado mestre de Teologia. Professor de Retórica, prega pela primeira vez em 1933. Um ano depois, é ordenado sacerdote. Mestre em Artes, exerce a função de pregador, sendo a partir de 1638 que pronuncia alguns dos seus mais notáveis sermões. Aquando da segunda invasão holandesa do Nordeste brasileiro, Vieira defende que Portugal entregue a região aos Países Baixos. Com a restauração da independência, Vieira regressa a Portugal, integrando a missão de fidelidade ao novo monarca. Torna-se amigo e confidente de D. João IV. Declarando-se favorável aos cristãos novos, apresenta um plano de recuperação económica e entra em conflito com a Inquisição.




Eloquente orador, é nomeado pregador régio. Como diplomata, vai a França e à Holanda, para negociar com os Países Baixos a devolução do Nordeste brasileiro. Em 1649, é ameaçado de expulsão da Ordem dos Jesuítas, mas D. João IV opõe-se. Defensor da liberdade dos índios, regressa ao Brasil em 1652, como missionário no Maranhão. Em 1661 é, no entanto, expulso pelos colonos. Volta à Europa com a morte de D. João IV, tornando-se confidente da regente, Dª. Luísa de Gusmão. Indesejado na Corte, perde porém o apoio com a morte de D. Afonso VI. É acusado de heresia pela Inquisição, que não vê com bons olhos a sua teoria do Quinto Império, segundo a qual Portugal estaria predestinado a ser a cabeça de um grande império do futuro. Expulso de Lisboa, é desterrado e mandado para o Porto e depois para Coimbra. Os jesuítas vão perdendo privilégios.



Em 1667, é condenado a internamento e proibido de pregar, mas a pena é anulada seis meses depois. Durante a regência de D. Pedro, recupera apoios poderosos. Vai a Roma para a canonização de 40 jesuítas presos nas Canárias e martirizados pelos protestantes em 1570 – mas também para tentar que Santa Sé anule a sentença condenatória do Santo Ofício. Vieira é, porém, humilhado e injustiçado.

Anos mais tarde, regressa a Roma, onde vive, renovando a luta a Inquisição e alcançando enorme prestígio, com a sua eloquência. Fascina a Cúria com os seus sermões. O Papa isenta o Padre "perpetuamente da jurisdição inquisitorial”. Vieira regressa a Portugal mas, com o agravamento da sua saúde frágil, parte para o Brasil, em busca de melhor clima. É lá que se dedica à tarefa de compilar e conclusão dos seus escritos.




As suas obras são publicadas na Europa, elogiadas pela Inquisição. Velho e doente, deixa de pregar. Em 1694, não consegue escrever de próprio punho. Morre em Julho de 1697, com 89 anos, em Salvador. Tido como o maior prosador da língua portuguesa, o "Imperador da Língua Portuguesa", como lhe chamou Fernando Pessoa deixa uma vasta obra literária e a lembrança de uma personalidade exuberante e rigorosa. Entre os mais famosos sermões, destacam-se o "Sermão do Quinto Domingo da Quaresma", o "Sermão da Sexagésima", o "Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda", o "Sermão do Bom Ladrão", o "Sermão de Santo António aos Peixes”.

Catarina van der Kellen
Jornalista

SIC OnLine

Fotos e textos tirados da net
José Gonçalves

MANCHESTER UNITED EVOCOU HOJE O DIA PENOSO DA SUA HISTÓRIA

*

MANCHESTER (Reuters) - Cinquenta anos depois do acidente aéreo de Munique que matou oito de seus jogadores, o Manchester United fez uma grande homenagem nesta quarta-feira.

Cinco sobreviventes do desastre -- Bobby Charlton, Harry Gregg, Bill Foulkes, Kenny Morgans e Albert Scanlon -- estavam presentes na cerimónia no estádio Old Trafford no aniversário da tragédia.

Um minuto de silêncio foi respeitado às 15h04 (horário local) para marcar o momento em que o avião que transportava Matt Busby e sua equipa vinda de Belgrado, após jogo pela copa Europeia, sofreu um acidente depois de uma parada para reabastecimento em Munique em 6 de Fevereiro de 1958.

Duncan Edwards, Geoff Bent, Roger Byrne, Eddie Colman, Mark Jones, David Pegg, Tommy Taylor e Liam Whelan morreram, além de 15 outras pessoas, incluindo o secretário do Manchester Walter Crickmer e os membros da comissão técnica Bert Whalley e Tom Curry.

Na quarta-feira, milhares de torcedores levantaram-se no Old Trafford para render as suas homenagens. Eles levaram flores e ouviram a cerimónia conduzida pelo Capelão do Clube, John Boyers.

"O significado deste acidente nunca será esquecido", disse Boyers.

O técnico do Manchester, Alex Ferguson, fez uma leitura religiosa, e o capitão do clube Gary Neville acendeu uma vela para cada uma das 23 vítimas. Familiares e amigos dos mortos estavam entre os presentes, assim como jogadores do passado e a actual equipa de jovens.

Na Alemanha, o presidente do Bayern de Munique Karl-Heinz Rummenigge e o prefeito Christian Ude estiveram numa cerimónia no local do acidente, perto do antigo aeroporto de Munique.

Por Pete Oliver


No estádio de Wembley, em Londres, foi realizado um minuto de silêncio antes do amistoso entre Inglaterra e Suíça. Os jogadores ingleses usavam uma tarja preta enquanto fotos dos atletas do Manchester United que morreram eram mostradas nas telas gigantes do estádio.

(Reportagem adicional de Mike Collett em Londres e Erik Kirschbaum em Berlim)

José Gonçalves

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O HOMEM, ESSE ANIMAL ESPANTOSO !

*

Corria o ano de 1996, na cidade de Lisboa, preparava-me para mais um dia de trabalho igual a tantos outros. Era a correria do costume.

Invariavelmente os dias começavam em longas filas de espera, de casa até à baixa lisboeta, onde eram localizadas as minhas lojas.

O negócio, vinha de família, e naturalmente, acabei por substituir meu pai na gerência, e as obrigações ficaram maiores desde o dia em que essas funções foram por mim assumidas.

Era assim, que chegadas as épocas das colecções, quer de pronto a vestir, quer de textéis lar, eu tinha de as visitar escolhendo o que de melhor serviria os interesses da nossa firma.

Habitualmente era acompanhado nesta tarefa pelos encarregados das respectivas lojas, pois com eles partilhava essa responsabilidade. Sempre entendi que a co-responsabilização é importante no êxito de uma empresa.

Ora num desses dias, tratava-se de uma colecção de pronto a vestir de senhora, e como de costume fiz-me acompanhar do tal encarregado responsável pelo sector. Como saí primeiro da loja, informei-o de que iria buscar o carro e passaria junto a um armazém que possuíamos uns prédios mais acima, para o recolher.

Ali chegado, e como o referido encarregado não estivesse pronto, esperei um pouco junto ao passeio, obrigando dessa forma a que os restantes automóveis que circulavam naquela artéria, tivessem que desviar o seu rumo normal para por mim passarem.

Um cavalheiro de fato escuro, condutor de um desses veículos, resolveu abrir o vidro lateral direito e à boa maneira portuguesa, puxou do vernáculo que estava mais a jeito, e vai daí, atira-me com um valente : Ó cabr......, sai daqui que estás a empatar o trânsito!

Como nunca fui homem de me acobardar, e porque a cartilha por onde aquele “amigo” aprendeu o palavreado que me ofereceu, foi decerto a mesma por onde aprendi, reenviei-lhe pela mesma via a resposta que me veio à cabeça e que estava na ponta da língua: Cabr... é o teu pai!

Não foi um diálogo muito académico e dele não me orgulho, mas sempre me ensinaram a enquadrar-me no meio onde estivesse, e naquele caso, entendi que tinha de responder à altura. Infelizmente as minhas reacções nestes casos não são muito aconselháveis e fogem um pouco à regra do que habitualmente utilizo na vida.

Imaginarão que depois de um incidente daqueles, as coisas não ficariam assim e num repente, qual relâmpago ali caído, o provocador/condutor de fato escuro, trava o carro numa manobra arriscada, abre a sua porta e salta cá para fora com ar sério e ameaçador, praguejando e esbracejando na minha direcção.

Instintivamente fiz o mesmo e qualquer dos muitos transeuntes passantes, se preparou para assistir a uma valente briga à moda antiga.

O cavalheiro de fato escuro, avançou então de punho em riste, e eu preparei-me para a resposta, que convenhamos, com o peso que tinha, não teria sido nada agradável para o senhor. Claro que também eu teria levado um ou outro bom murro, mas a contenda seria seguramente bem renhida e disputada.

Sem perceber muito bem o que tinha acontecido, o tal cavalheiro de fato escuro, provocador e ameaçador, estava sem mais nem menos abraçado a mim, num pranto de criança que no imediato não me deixou perceber o que estava a acontecer.

Atónito, ouvi-lhe então, depois de um abraço ainda mais apertado: O meu pai não, por favor, o meu pai foi ontem a enterrar! O meu pai não, por favor!

Sem palavras, ali ficámos durante alguns instantes abraçados e de lágrimas rolando na face de cada um de nós, eu pedindo-lhe mil desculpas pelo que sucedido e ele repetindo vezes sem conta: o meu pai não, por favor... indiferentes ao trânsito que entretanto se tinha aglomerado rua acima.

Encostámos os carros um pouco mais adiante, em local apropriado e ficámos à conversa bastante tempo. O cavalheiro de fato escuro, bem mais calmo e aliviado, também desfeito em desculpas pela ofensa, lá partiu com a sua dor a caminho da vida e eu regressei à loja, que de colecções tinha ficado farto naquele dia.

Nunca mais nos vimos, e a atrapalhação dos momentos que vivemos ambos não nos permitiu raciocinar direito e nenhum de nós se lembrou de se apresentar. Nem os nomes ficámos a saber um do outro, nem era preciso, ele ficou o cavalheiro do fato escuro e eu... ninguém...

José Gonçalves

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

EL REI D. CARLOS I DE PORTUGAL !

*


SEM COMENTÁRIOS, APENAS O REGISTO DE UM TRÁGICO ACIDENTE DA HISTÓRIA DE PORTUGAL !

DIA 1 DE FEVEREIRO DE 1908 – O REGICÍDIO

*


A 1 de Fevereiro de 1908, no regresso de mais uma estadia em Vila Viçosa, o rei D. Carlos e o princípe herdeiro D. Luís Filipe, são assassinados em pleno Terreiro do Paço. De um só golpe, Costa e Buiça, decapitavam a monarquia portuguesa, deixando o trono nas mãos de um pouco preparado D. Manuel, sem capacidade nem margem de manobra para gerir uma situação política explosiva que culminaria com a queda da monarquia e a implantação da República a 5 de Outubro de 1910.



A 21 de Maio de 1908, quase 4 meses após o regicídio, o já então rei D. Manuel II, descreveu a forma como viveu este trágico acontecimento, sob o título de "Notas absolutamente íntimas", de que apresentamos o excerto que se segue.



«Há já uns poucos de dias que tinha a ideia de escrever para mim estas notas intimas, desde o dia 1 de Fevereiro de 1908, dia do horroroso atentado no qual perdi barbaramente assassinados o meu querido Pae e o meu querido Irmão. Isto que aqui escrevo é ao correr da pena mas vou dizer franca e claramente e também sem estilo tudo o que se passou. Talvez isto seja curioso para mim mesmo um dia se Deus me der vida e saúde. Isto é uma declaração que faço a mim mesmo. Como isto é uma historia intima do meu reinado vou inicia-la pelo horroroso e cruel atentado.




No dia 1 de Fevereiro regressavam Suas Magestades El-Rei D. Carlos I a Rainha a senhora D. Amélia e Sua Alteza o Principe Real de Villa Viçosa onde ainda tinha ficado. Eu tinha vindo mais cedo (uns dias antes) por causa dos meus estudos de preparação para a Escola Naval. Tinha ido passar dois a Villa Viçosa tinha regressado novamente a Lisboa.



Na capital estava tudo num estado excitação extraordinária: bem se viu aqui no dia 28 de Janeiro em que houve uma tentativa de revolução a qual não venceu. Nessa tentativa estava implicada muita gente: foi depois dessa noite de 28, que o Ministro da Justiça Teixeira d'Abreu levou a Villa Viçosa o famoso decreto que foi publicado em 31 de Janeiro. Foi uma triste coincidência ter rubricado nesse dia de aniversário da revolta do Porto. Meu Pae não tinha nenhuma vontade de voltar para Lisboa.


Bem lembro que se estava para voltar para Lisboa 15 dias antes e que meu Pae quis ficar em Villa Viçosa: Minha Mãe pelo contrário queria forçosamente vir. Recordo-me perfeitamente desta frase que me disse na vespera ou no próprio dia que regressei a Lisboa depois de eu ter estado dois dias em Villa Viçosa. "Só se eu quebrar uma perna é que não volto para Lisboa no dia 1 de Fevereiro. Melhor teria sido que não tivessem voltado porque não tinha eu perdido dois entes tão queridos e não me achava hoje Rei! Enfim, seja feita a Vossa vontade Meu Deus!






Mas voltando ao tal decreto de 31 de Janeiro. Já estavam presas diferentes pessoas politicas importantes. António José d'Almeida, republicano e antigo deputado, João Chagas, republicano, João Pinto dos Santos, dissidente e antigo deputado, Visconde de Ribeira Brava e outros. Este António José d'Almeida é um dos mais sérios republicanos e é um convicto, segundo dizem. João Pinto dos Santos, é também um dos mais sérios do seu partido. O Visconde de Ribeira Brava, não presta para muito e tinha sido preso com as armas na mão no dia 28 de Janeiro. Mas o António José d'Almeida e João Pinto dos Santos não podiam ser julgados senão pela Câmara como deputados da última Câmara. Ora creio que a tensão do Governo era mandar alguns para Timor tirando assim por um decreto dictatorial um dos mais importantes direitos dos deputados



O Conselheiro José Maria de Alpoim par do Reino e chefe do partido dissidente tinha tido a sua casa cercada pela policia mas depois tinha fugido para Espanha. Um outro dissidente também tinha fugido para Espanha e lá andou disfarçado. Outro que tinha sido preso foi o Afonso Costa: este é do pior do que existe não só em Portugal mas em todo mundo; é medroso e covarde, mas inteligente e para chegar aos seus fins qualquer pouca vergonha lhe é indiferente. Mas isto tudo é apenas para entrar depois mais detalhadamente na história íntima do meu reinado.




Como disse mais atrás eu estava em Lisboa quando foi 28 de Janeiro; houve uma pessoa minha amiga (que se não me engano foi o meu professor Abel Fontoura da Costa) que disse a um dos Ministros que eu gostava de saber um pouco o que se passava, porque isto estava num tal estado de excitação. O João Franco escreveu-me então uma carta que eu tenho a maior pena de ter rasgado, porque nessa carta dizia-me que tudo estava sossegado e que não havia nada a recear! Que cegueira!




Mas passemos agora ao fatal dia 1 de Fevereiro de 1908 sábado. De manhã tinha eu tido o Marquês Leitão e o King. Almocei tranquilamente com o Visconde d'Asseca e o Kerausch. Depois do almoço estive a tocar piano, muito contente porque naquele dia dava-se pela primeira vez "Tristão e Ysolda" de Wagner em S. Carlos. Na vespera tinha estado tocando a 4 mãos com o meu querido mestre Alexandre Rey Colaço o Septuor de Beethoven, que era, e é uma das obras que mais aprecio deste génio musical. Depois do almoço à hora habitual quer dizer às 13:15h comecei a minha lição com o Fontoura da Costa, porque ele tinha trocado as horas da lição com o Padre Fiadeiro.



A hora do Fontoura era às 17:30h. acabei com o Fontoura às 15 horas e pouco depois recebi um telegrama da minha adorada Mãe dizendo-me que tinha havido um descarrilamento na Casa-Branca, mas não tinha acontecido nada, mas que vinham com três quartos de hora de atraso. Vendo que nada tinha acontecido dei graças a Deus, mas nem me passou pela mente, como se pode calcular o que havia de acontecer. Agora pergunto-me eu aquele descarrilamento foi um simples acaso? Ou foi premeditado para que houvesse um atraso e se chegasse mais tarde? Não sei. Hoje fiquei em dúvida.




Depois do horror que se passou fica-se duvidando de muita coisa. Um pouco depois das 4 horas saí do Paço das Necessidades num "landau" com o Visconde d'Asseca em direcção ao Terreiro do Paço para esperarmos Suas Magestades e Alteza. Fomos pela Pampulha, Janelas Verdes, Aterro e Rua do Arsenal. Chegámos ao Terreiro do Paço. Na estação estava muita gente da corte e mesmo sem ser. Conversei primeiro com o Ministro da Guerra Vasconcellos Porto, talvez o Ministro de quem eu mais gostava no Ministério do João Franco. Disse-me que tudo estava bem.



Esperamos muito tempo; finalmente chegou o barco em que vinham os meus Paes e o meu Irmão. Abracei-os e viemos seguindo até a porta onde entramos para a carruagem os quatro. No fundo a minha adorada Mãe dando a esquerda ao meu pobre Pae. O meu chorado Irmão deante do meu Pae e eu deante da minha mãe. Sobretudo o que agora vou escrever é que me custa mais: ao pensar no momento horroroso que passei confundem-se-me as ideias. Que tarde e que noite mais atroz! Ninguem n'este mundo pode calcular, não, sonhar o que foi.creio que só a minha pobre e adorada Mãe e Eu podemos saber bem o que isto é! vou agora contar o que se passou n'aquella historica Praça.




Sahimos da estação bastante devagar. Minha mãe vinha-me a contar como se tinha passado o descarrilamento na Casa-Branca quando se ouvio o primeiro tiro no Terreiro do Paço, mas que eu não ouvi: era sem duvida um signal: signal para começar aquella monstrosidade infame, porque pode-se dizer e digo que foi o signal para começar a batida. Foi a mesma coisa do que se faz n'uma batida às feras: sabe-se que tem de passar por caminho certo: quando entra n'esse caminho dá-se o signal e começa o fogo! Infames! Eu estava olhando para o lado da estatua de D. José e vi um homem de barba preta , com um grande "gabão". Vi esse homem abrir a capa e tirar uma carabina. Eu estava tão longe de pensar n'um horror d'estes que me disse para mim mesmo, sabendo o estado exaltação em que isto tudo estava "que má brincadeira". O homem sahiu do passeio e veio se pôr atraz da carruagem e começou a fazer fogo.




Segundo o Correio da Manhã

O PS, PCP, BE e PEV rejeitaram esta sexta-feira o voto de pesar sobre os cem anos do Regicídio e que recordava a morte do rei D. Carlos I e do príncipe herdeiro.

Apenas o CDS-PP e o PSD votaram a favor da proposta do deputado do PPM Pignatelli Queiroz.

O líder da bancada socialista, Alberto Martins, justificou o voto contra do partido alegando que a aprovação seria “um voto contra a República”.

Já o BE, através de Fernando Rosas, recusou a possibilidade da Assembleia de República ter uma “posição oficial sobre o rei D. Carlos I ou sobre o Regicídio”.

O
PCP, por seu turno, rejeitou o voto de pesar, recusando “qualquer tentativa de rescrever a história” ou de “ajustar contas com o passado”.



Não sou monárquico, mas não podia deixar passar em claro um episódio da História de Portugal, em que esteve envolvido um chefe do Estado Português e seu filho.
José Gonçalves