quarta-feira, 14 de novembro de 2007

SONETO PERPLEXO


SONETO PERPLEXO

A vitória do tolo é um mistério sacral
e já arranquei mil vezes meu olho direito,
mas na órbita vazia resplandece, igual,
a glória incompreensível do idiota perfeito.

"Sim, sim; não, não" – mas o olho que não vê o que vê
diz sim ou não? Senhor, é a Ti que devo olhar
com o olho que não tenho, e ver o que ele crê
haver por trás do que, nas trevas, já não há?

Eu gostaria, sim, de poder extirpar,
junto com o olho, o mundo, mas não sei dizer
se essa sangrenta mágica vai funcionar:

tornar caolho o justo há de retificar
o mal que ele a si mesmo faz ao pretender
trocar o sim por não em vez de o declarar?

OLAVO DE CARVALHO

terça-feira, 13 de novembro de 2007

MAIS UM QUE FICA FORA


"Do Jornal Oeste OnLine retirei a notícia que vos deixo. Não pela notícia em si, pois casos destes são já comuns. Apenas porque foi por aqui, pelas Caldas da Rainha, que se desenrolaram os campeonatos mundiais de juniores de Pentatlo Moderno".

Passo a citar:

A Federação Portuguesa de Pentatlo Moderno (FPPM) foi contactada pela sua congénere cubana para prestar esclarecimentos sobre o paradeiro de um técnico que acompanhou um atleta participante nos campeonatos mundiais de juniores, que se disputaram nas Caldas da Rainha.

A delegação cubana era uma das mais pequenas, sendo apenas composta pelo atleta Yaniel Velázquez Garcia, de 19 anos, da província de Ciudad de la Habana e do município de Boyeros, e pelo treinador Yonier Alvarez, do qual não foram divulgados mais dados.

Passados alguns dias após os campeonatos terem terminado, a federação cubana telefonou-nos a perguntar se sabíamos onde se encontrava o treinador, uma vez que só o atleta tinha regressado ao País”, revelou ao OESTE ONLINE o responsável da FPPM, Manuel Barroso.

Respondemos que o atleta foi encaminhado para o embarque no avião, como todos os outros participantes, e não sabíamos do técnico que fazia parte da comitiva cubana, que não apanhou o ‘transfer’ connosco, pelo que lhe perdemos o rasto e desconhecemos se seguiu no voo que estava previsto”, adiantou.

Segundo o presidente da federação, os responsáveis do organismo cubano não voltaram a efectuar novo contacto, não sabendo por isso se o treinador chegou a aparecer ou se estará em parte incerta.

As supostas desconfianças da federação cubana sobre o paradeiro do técnico poderão ter a ver com a fuga do País de vários desportistas, aproveitando a realização de provas internacionais. O regime de ditadura fomentado durante anos por Fidel Castro também se repercute nos desportistas, impedidos de saírem do país para viverem e trabalharem no estrangeiro.

Já ouvimos falar de situações destas que terão ocorrido noutras competições”, admitiu Manuel Barroso. Em Julho, por exemplo, Rafael Capoti, um atleta da selecção cubana de andebol, abandonou a delegação do seu país, quando se encontrava nos XV Jogos Pan-Americanos, que decorriam no Brasil, para se juntar a um compatriota, igualmente exilado, que jogava num clube brasileiro. Também os pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara planearam desertar, a ponto de requererem vistos para a Alemanha. Como resultado, o governo cubano proibiu a participação dos atletas no Campeonato do Mundo nos Estados Unidos, para evitar o assédio de empresários e deserções.



Já o embaixador de Cuba em Portugal, Jorge Castro, contactado pelo OESTE ONLINE, revelou que “só sei que o treinador do nosso campeão nacional e pan-americano de Pentatlo Moderno, ao concluir a competição, lhe disse que iria a Espanha antes de continuar viagem”.

O responsável diplomático declarou “não ter informação directa nem actualizada, uma vez que não é assunto da nossa competência”.

A FPPM colaborou na obtenção de vistos temporários concedidos pela embaixada portuguesa em Cuba com validade durante o período dos campeonatos, que decorreram entre 25 e 30 de Setembro, juntando cerca de 200 atletas provenientes de 31 países.

Os dois cubanos chegaram no dia 23. As expectativas eram boas, apesar de Cuba não ter ainda tradição no Pentatlo Moderno. Os resultados obtidos nos XV Jogos Pan-Americanos, nos quais o atleta conquistou a medalha de prata, faziam sonhar com uma nova prestação positiva, tanto mais que é um dos quatro atletas do continente americano seleccionados para os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

No dia 26 Yaniel Garcia disputou as modalidades de tiro, natação, esgrima e corrida e ficou em 16º lugar no grupo B de qualificação, passando à fase final, que incluiu também uma prova de hipismo, no dia 28, terminando em 29º entre os 36 apurados. O regresso ao país estava marcado para 1 de Outubro.

A organização do evento ficou responsável pela deslocação das comitivas desde o aeroporto de Lisboa até ao local da competição. Os participantes ficaram alojados em unidades hoteleiras da região das Caldas da Rainha e após as competições foram de novo transportados em autocarros fretados pela FPPM até ao aeroporto.

A escolha das Caldas da Rainha para a realização destes campeonatos deveu-se à existência de um clube representativo nesta modalidade, pertencente à associação humanitária dos bombeiros voluntários, e ao apoio manifestado pela autarquia local.

Notícia de Francisco Gomes do jornal Oeste OnLine.
José Gonçalves

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A LEI E O HUMOR INGLESES


"Do Mundo à Sexta extraí este artigo de Maria Lopes. Pela originalidade da informação e pelo humor que nos provocam estas noticias não pude deixar de a postar. Prestem atenção pois".
Passo a citar:

O choque de culturas pode trazer problemas aos turistas, mas há leis tão estranhas que até os cidadãos locais devem ter cuidado. Muito cuidado.

É proibido morrer no Parlamento britânico. Não é morrer politicamente, é morrer mesmo, perder a vida. Esta é a lei – sim é uma lei – mais extravagante do Reino Unido e o título foi-lhe atribuído por uma votação feita pelo canal UKTV Gold.

Mas a lista das leis mais « estapafúrdias» não fica por aqui, segundo um artigo da BBC Online: cuidado para não colar o selo de correio com a cara do rei ou da rainha britânicos de pernas para o ar. Será acusado de traição. Também é ilegal que uma mulher faça topless em Liverpool excepto se for empregada de balcão de uma loja de peixes tropicais. Ah, e se mudar para a Escócia e alguém lhe bater à porta aflito para ir à casa de banho, o melhor é deixá-lo entrar: a lei obriga-o a prestar tal auxílio. E por falar em necessidades fisiológicas, uma mulher grávida pode «aliviar-se» onde entender, incluindo no capacete de um policia.

A nível internacional também há motivo para o riso. Os Estados Unidos são os maiores contribuintes: no Ohio (EUA) é proibido pescar um peixe bêbedo (o peixe, não o pescador); no Alabama não se pode guiar com os olhos vendados; na Flórida as solteiras que saltarem de pára-quedas ao domingo podem ir presas. Na Suíça os homens não podem urinar de pé a partir das 22h00; em França não se pode baptizar um porco com o nome de Napoleão; e o castigo para a masturbação na Indonésia é a morte.

Então que tal, pensavam que só por cá é que haviam leis meio malucas? Pois estão enganados. Países ditos civilizados como o Reino Unido, a França, a Suíça, os Estados Unidos.... afinal ainda têm leis piores que em muitos países menos civilizados.

José Gonçalves

É TEMPO DE DIZER BASTA !


Já não bastava o facto de estar meio preocupado ontem à noite, com o principio de pneumonia do meu filho, eis que me toca o telefone a horas menos próprias.

Sempre que isto acontece fora de horas, os nossos corações cá em casa aceleram e de que maneira. Como não é muito normal, ficamos normalmente em sobressalto.

Ontem confirmou-se a regra.

A noticia caiu que nem uma bomba. Num brutal acidente à saída de Alcobaça, perderam a vida duas jovens e um outro estava em perigo de vida no Hospital de Coimbra.

Uma das jovens que perdeu a vida de imediato era filha de amigos e a outra a namorada do filho que também seguía no mesmo veículo e que está internado em Coimbra, ao que julgo saber livre de perigo mas ainda de prognóstico reservado.

Vão ser uns dias muito maus estes que se aproximam.

Perante mais este cenário de dor, apetece-me perguntar: que se passa nas estradas portuguesas meus amigos? Que cartas de condução são estas que são passadas? Que falta de consciência na estrada é esta?

Antigamente, toda a gente se queixava das estradas do país, agora essa desculpa já não pega, e embora muitas ainda estejam com deficiências, a verdade é que as principais estão já a um nível muito aceitável.

Há uns dias fomos todos acordados com a noticia de que uma condutora perdera o controle do seu carro no Terreiro do Paço, em Lisboa, e ceifara a vida de duas mulheres, mãe e filha, tendo ficado uma outra da mesma família em estado grave.

Na estrada Nacional 125, no Algarve, um criminoso qualquer abalroa um outro veículo onde seguía um casal que teve morte imediata, e não contente com isso, ainda foge do local do acidente.

Em Tires, uma avó e dois netos, são atropelados num passadeira. Morre uma das crianças, de seis anos que segundo li, foi atropelada duas vezes, tendo a avó e o outro neto ficado gravemente feridos.

Em mais um brutal acidente, entre um ligeiro e um autocarro transportando alunos da Universidade Sénior de Castelo Branco perdem a vida 13 pessoas, números que terão aumentado dias depois para 15, ainda com alguns feridos em observação.

Estes são só aqueles acidentes que a comunicação social trouxe ao nosso conhecimento, porque muitos outros acontecem sem que deles tenhamos conhecimento.

Que se passa? Anda tudo louco ou as licenças que se passam não correspondem à realidade?

Os teóricos, aqueles que sempre que um acidente vem nas noticias diárias se apressam a vir afirmar que é preciso alterar o rumo dos acontecimentos, que é preciso ter uma maior fiscalização, e que mandam, têm mesmo de pôr em prática o que afirmam.

Andam para aí muitos loucos e inconscientes que se matam e matam os outros. É hora de dizer basta. São as vidas de todos nós que estão em perigo. São as dos nossos filhos que quando os deixamos de manhã na escola, ficamos sem saber se de tarde não nos chegarão noticias menos agradáveis.

Não falo daqueles que não têm carta de condução, porque esses são mesmo criminosos antes de o serem, sempre que conduzem sem o poderem fazer, falo dos outros, dos encartados e por muito que custe, é preciso que de vez em quando, esses sejam obrigados a prestar provas da sua capacidade de condução.

Eu considero-me dentro destes, ninguém está acima de nada, nem tem o direito de continuar a ceifar vidas na estrada se não estiver nas suas perfeitas condições. Se eu não estiver nestas condições que me seja interdita a possibilidade de conduzir, embora o carro seja a minha ferramenta de trabalho.

Que se passa meus amigos, que se passa? Alguém tem resposta para isto?

José Gonçalves

UMA BOA SEMANA



Faça o favor de ser feliz e ... sorria sempre!

José Gonçalves

domingo, 11 de novembro de 2007

SÃO MARTINHO DO PORTO


FESTAS EM HONRA DE SÃO MARTINHO DO PORTO

Estão a decorrer em São Martinho do Porto, as Festas em honra do Santo que deu nome à terra. São três dias de pequenos festejos que a vida não está para muita animação.

Mesmo assim, por entre bailes, castanhas, água-pé, fados, missa e procissão, a população lá vai respondendo conforme pode.

Ontem foi dia de bailareco, bem à moda da aldeia, com uma razoável participação dançarina, e pela noite dentro uma sessão de fados para animar a malta.

Correu bem a tarde e noite de ontem, com o Presidente da Junta a participar nas cantorias, alegrando o povo, que é disto que ele gosta, ele e o povo. Por alguma razão já vai no terceiro ou quarto mandato, nem me lembro, o que para o caso pouco importa.

Estes festejos, aos quais me sinto particularmente ligado, perderam o seu cariz inicial e aparecem aos nossos olhos como uns festejos menores, pobres e sem grande projecção. São mais uns para cumprir calendário e tradição, que nem é muita. Louve-se a iniciativa da Junta de Freguesia e do novo pároco da Vila, que fez questão de ver e sentir ao vivo e a cores, o pulsar do seu rebanho.

A propósito de pároco, tive ontem a oportunidade de o conhecer pessoalmente, pois confesso ainda não pus os pés na Igreja desde a sua chegada. Jovem e participativo, pareceu-me boa pessoa e empenhado na unificação do povo. Bons indícios, particularmente porque a sua atitude de se manter até ao fim da sessão de fados me deixou positivamente agradado. Promete este Padre Joaquim Gonçalves.

Mas, se como disse os festejos são pobres, ontem ficaram enriquecidos porque se prestou homenagem, de forma expontanea, a um casal de naturais de São Martinho do Porto, mais propriamente do Bom Jesus, Serra dos Mangues, um dos Lugares da Freguesia, onde sempre viveram.

O Ti Laré e a Tia Agostinha, como são conhecidos, são figuras incontronaveis e de uma simpatia marcante. No meu caso particular, grandes e queridos amigos e vizinhos pois tive uma casa quase encostadinha à deles naquela Serra, e ainda hoje guardo gratas recordações de muitas tardes bem passadas, ouvindo histórias desta terra, das suas gentes, dos seus usos e costumes e do seu folclore, que os dois fizeram parte do que eles chamam Rancho Folclórico, mas que eu considero mais “marcha popular” dado o trajar que usavam ser todo igual. Este facto nem sequer é relevante, porque o que é verdade é que o povo se juntava e cantava e dançava, mesmo vivendo com dificuldades.

Quantas e quantas tardes o Ti Laré me trauteou dezenas de “modas” do seu tempo de menino e moço, à mistura com um ou outro fadito. De vez em quando a Tia Agostinha lá o emendava, e ele concordando umas vezes outras nem tanto, lá emendava e voltava a cantar do mesmo jeito.

Quero-vos dizer, que o Ti Laré tem 93 anos de idade, e a Tia Agostinha 89.

Pese embora alguns problemas de saúde, que o acumular dos anos vem trazendo, à mistura com um acidente que pôs o Ti Laré meio cá meio lá, pois foi atropelado, e do qual recuperou, lá vão os dois fazendo companhia um ao outro, tendo agora também a viver consigo o José da Costa, seu único e orgulhoso filho. Na casa ao lado da que moram, netos e bisnetos vão sendo testemunhas de um exemplo de vida que irá perdurar para lá da existência destes dois seres maravilhosos da nossa comunidade.

Pois é meus amigos,dizia-vos há pouco que as festas de ontem ficaram enriquecidas com a homenagem que todos de pé prestámos a este casal, e agora digo-vos qual o motivo que nos levou a cantar os parabéns aos dois. É que ontem faziam 68 anos de casados, 68 anos de casados repito, uma vida cheia de força e de coragem.

Foi bonito de ver e de sentir. O abraço sentido que o filho José Costa me deu, com a lágrima ao canto do olho, embrulhou-me de novo as palavras em soluços, sinal de que os meus anitos também já vão fazendo mossa.

Deixo nestas colunas os meus PARABÉNS aos noivos, aqueles eternos noivos que ainda hoje com a idade que têm, pela manhã se entretêm a tratar das suas terras de enxada na mão, cavando-a ou tratando do milho. A terra que os há-de receber só terá de os tratar bem, pois ao longo destes anos o Ti Laré e a Tia Agostinha não fizeram outra coisa senão tratar bem dela e de todos os que os rodearam.

Bem hajam meus amigos, pelo exemplo de vida, verticalidade e humildade, que nos têm transmitido nestes anos todos e que Deus nos dê a graça de podermos ir contando convosco entre nós, que essa graça é vossa também, mas somos nós que temos esse privilégio.

Um grande abraço deste vosso amigo.

José Gonçalves