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Lanço-vos hoje um novo desafio para uma pequena viagem de dois dias em terras minhotas. Nem vou entrar em muitos detalhes para não me tornar enfadonho.
Venham então daí comigo pelo Alto Minho, mais propriamente por entre montes e vales que nos deixam fascinados e sem fala.
Há uns dias fiz aqui uma postagem sobre Afife, a terra que povoa os meus sonhos e as minhas recordações. Pois bem, saiamos então de Afife em direcção a Valença. Logo à saída da aldeia e à nossa esquerda, encontramos um complexo turistíco, a Gelfa, com piscinas, parque de campismo e uma discoteca que marca as noites da região, a Cavali, lugar de peregrinação nocturna de muitos jovens e não só.
Continuemos depois até Vila Praia de Âncora e percorramos a marginal apreciando a sua praia lindíssima onde parte da minha juventude se desenrolou. Ao fundo o porto de abrigo, onde esperei vezes sem conta pelo regresso dos pescadores da terra para comprar uns centos de sardinha para umas belas sardinhadas entre amigos.
Ao longo da marginal, inúmeros restaurantes deliciam-nos com iguarias de estalo da gastronomia local, dos quais realço um, os Verdes Lírios, não porque os outros não sirvam bem, mas sim porque tem sido ali que faço algumas refeições, por razões familiares, de cada vez que lá vou. Depois de um excelente peixinho fresco, bem regado com um verdinho de se lhe tirar o chapéu, um leite creme bem queimado e um café, saímos em direcção ao Monte do Calvário, de onde num pequeno miradouro se nos depara uma panorâmica deslumbrante sobre a Vila, um extenso escadório com cruzeiros que dá acesso à gruta de Nossa Senhora de Lurdes, oferta de um natural da terra, emigrado em França.
Depois, tomando a estrada de Vila Praia/Ponte de Lima, passamos pelo Dolmen da Barrosa, um monumento megalítico dos mais importantes da Europa que vale a pena visitar.
Uns kilómetros à frente, em Freixeiro de Soutelo, uma capela a Senhora da Cabeça, no monte com o mesmo nome, convida-nos como manda a tradição, a colocar a cabeça numa estreita cavidade, fazendo as nossas preces e os nossos pedidos a Nossa Senhora da Cabeça.
De volta à estrada e uns kilómetros mais adiante, encontramos do nosso lado esquerdo, uma placa que nos sinaliza a Serra d’Arga onde, depois de subirmos um bom bocado, encontramos outra capela, esta em honra de Nossa Senhora do Minho, pertencente à freguesia de S. Lourenço da Montaria.
Neste local de culto, descobrimos uma imagem da virgem trajada de minhota, ao que julgo saber, a única devidamente autorizada pelo Vaticano para assim estar num altar. No exterior poderão ser admiradas as vistas mais bonitas que se possam imaginar, pois dali, do alto daquele monte, vislumbramos Ponte de Lima que se encontra a mais de 20 km de distância. Está presentemente em construção uma Catedral em honra da Santa.
Espalhadas pela Serra d’ Arga vamos encontrando manadas de "garranos" selvagens que pachorrentamente vão pastando por ali. Esta é uma constante das serras que povoam o Alto Minho.
Finda a visita, começamos a descer a Serra e regressamos a Vila Praia de Âncora, onde nos iremos deliciar com um belo café e as célebres bolas de Berlim, que por serem pequeninas nunca resistimos a comer duas, no mínimo.
Um pequeno descanso, ajuda-nos a fazer papo para o jantar, o que fazemos em Caminha, na Adega do Chico, pernoitando depois por ali, no "Hotel Porta do Sol" bem encostadinho ao Rio Minho e de frente para o Monte de Santa Tecla, este já em território espanhol.
No dia seguinte, vamos dar um saltinho a Moledo, percorrendo a sua praia e a sua marginal, local de privilégio nesta costa pois ali passam férias ou têm casa, muitas figuras destacadas da nossa sociedade politica e cultural. É uma espécie de Estoril lá do sitio.
De seguida, seguimos até Vila Nova de Cerveira, passando por Seixas, onde uma placa nos diz à entrada da Vila: "Devagar começa Seixas".
Em Cerveira, visitamos o miradouro do veado, no alto do monte que protege a Vila, com novas vistas fabulosas sobre o Rio Minho, apreciando também o verde contagiante da paisagem minhota.
Voltamos à Vila, e um passeio pelo centro faz parte do itinerário, podendo depois fazer uma visita à Bienal, famosa já em todo o país. Uma travessia do rio Minho até Espanha no ferry não está fora de questão se o tempo o permitir.
A próxima paragem é em Valença no Monte Faro, um novo monte com uma bela capela, um belíssimo restaurante e um novo miradouro espectacular à nossa espera.
Em seguida, voltamos à Cidade, e como não poderia deixar de ser, a visita ao castelo, com as suas tradicionais ruas estreitas entre as muralhas, apinhadas de história e de visitantes, na sua maioria espanhóis. O almoço faz-se por ali, num dos muitos restaurantes que existem, e a gastronomia minhota nos é apresentada de forma exemplar. Um passeio pela muralhas, remata-nos o almoço, de onde podemos admirar Valença e Tui do lado espanhol.
Depois o regresso ao Hotel a Caminha, para um merecido descanso e um pequeno passeio não só pelas ruas da Vila onde podemos apreciar um café nas esplanadas do largo central de Caminha, ou um descontraído passeio pela mata do Camarido até à foz do rio Minho.
Bem no meio do Rio, à entrada da barra, avistamos o forte da Ínsua numa pequena Ilha, pertencente à freguesia de Moledo que outrora foi local de culto, onde se encontrava uma ermida que evocava Nossa Senhora da Ínsua. No reinado de D. João I, franciscanos oriundos da Galiza, ali ergueram um mosteiro.
D. Manuel, mandou ampliar e restaurar este mosteiro uns anos mais tarde que protegia assim a entrada da barra de Caminha. Veio a cair no abandono e em 1940 passou a ser da responsabilidade do Ministério das Finanças, estando em mau estado de conservação actualmente.
Um jantar leve, marca a nossa despedida pois no dia seguinte regressaremos a casa.
Experimentem e depois digam-me se gostaram.
José Gonçalves